sexta-feira, julho 21, 2006

"MELOS" Cristaos-novos do Ramirao

Lembrar-se-ao alguns dos meus mais atentos leitores, de que em entradas de 11, 13 e 16 de Marco, me ter referido a uma antiga casa com umas gravacoes que eu descobri e, tambem a uma lapide em que se pode ler o seguinte: "ANTONIO DE MELO DE S. PAIO 20 DE DEZEMBRO 1653".
Embora ja na altura estivesse convicto, de que aquela casa pelas gravacoes referidas, tivesse sido de um cristao-novo, portanto judeu convertido, houveram no entanto duvidas, por parte de alguns comentadores.
Acontece que descobri recentemente, que um antepassado deste Antonio de Melo era de facto cristao-novo: E o que afirma um processo existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, onde referente ao Tribunal da Inquisicao de Evora em 11/06/1575 figura: Nicolau de Melo natural e residente em Ramirao do termo de Algodres, de 54 anos, casado com Violante da Fonseca, filho de Jorge de Figueiredo Almeida e Isabel de Melo, cristao-novo, acusado de blasfemias hereticas. (Codigo de referencia PT-TT-TSO/IE/21/8252)
O que no entanto e estranho, e que de acordo com dados fornecidos por um amigo e leitor deste blog, este Nicolau de Melo, foi administrador do morgadio da Quinta do Casainho (ja tambem referida) senhor da casa e quinta do Ramirao e administrador duma capela no Casal Vasco tambem ja referida (Senhor dos Loureiros), De acordo com as mesmas fontes que considero fidedignas, a mae deste Nicolau era filha de Diogo Lopes de Lima e de Joana Melo, que por sua vez era filha de Luiz Mendes de Caceres. Sendo os Caceres fidalgos de nobreza antiga e portanto cristaos-velhos, o sangue judaico desta familia, devera provir deste Diogo Lopes de Lima que foi o primeiro senhor da Casa do Ramirao. Deveria ter sido pessoa rica e tera obtido foro de nobreza, pelo casamento com aquela senhora da familia Caceres, de facto a antiga casa embora presentemente em ruinas, era uma casa que indiciava riqueza para aqueles tempos.
Sera que o Antonio de Melo que eu suponho pela diferenca de datas, tenha sido filho ou neto daquele Nicolau, tenha passado a intitular-se de S.Paio a partir de 20 de dezembro de 1653, para que a "santa inquisicao" nao tivesse mais nenhumas duvidas, acerca do seu cristianismo?
Quero tambem fazer notar, que embora sem por em causa a "pureza de sangue" da familia Caceres, que tambem encontrei um processo de uma pessoa com esse apelido, que era de Linhares da Beira.

6 comentários:

Ana Cota disse...

Bom fim-de-semana!
Cada visita ao seu blog é sinónimo de descoberta! E aprende-se sempre mais! Parabéns!

Um abraço,
Ana Cota

Popper disse...

Obrigado pela visita. Também passarei a andar por aqui. Um blog de investigação com mto interesse. Um abraço.

Nuno disse...

Caro Albino:
Muito interessante este post. Mas importará comprovar que o Melo processado pela Inquisição era de facto antepassado do Sr. "Melo de S. Paio".
Os processos da Inquisição, com gente oriunda ou residente das Terras de Algodres, disponíveis (em geral em sumário) na TT OnLine, são um manancial de informações preciosas. Em todo o caso, lá encontrará também "cristãos-velhos" perseguidos por "proposições heréticas". Os sécs. XVI a XVIII não foram fáceis para quem se tornasse suspeito de não seguir a "verdadeira" doutrina. Infelizmente, o nosso sécuko XXI ainda nos vai dando péssimos exemplos nessa matéria...
Um grande abraço,

al cardoso disse...

Caro Nuno:
Ha que ter em consideracao, que o Ramirao nao e uma terra tao grande que possa haver muitas familias com o apelido "Melo", alem disso a unica casa que poderia ter sido de gente com alguma riqueza e, ate nobreza e esta. Infelizmente a parte que melhor o denunciava, foi a que ruiu ou foi demolida. Pena tenho eu, de a nao ter documentado fotograficamente na decada de setenta quando ainda estava em pe.

Um grande abraco.

Anónimo disse...

Não conheço este processo, mas ser denunciado como cristão-novo e acusado de herege quer apenas dizer isso mesmo, i.e. que alguém o denunciou como tal. Em vários processos que vi as acusações provaram-se falsas, proferidas por inimigos ou partes interessadas (caseiros, etc). Sem se ver bem o processo não será possível tirar uma conclusão. De notar por exemplo que a neta ou bisneta Violante Engrácia de Sá casou com um familiar do Santo Oficio, o que não seria em principio possivel se ela de facto tivesse ascendentes reconhecidos por cristão-novos.

al cardoso disse...

Caro Anonimo:

Pode muito bem que nao houvesse ninguem "cristao-novo", na familia Melo, da Casa da Cerca, do Ramirao! Mas nao e so este processo, existem tambem na casa varios cruciformes, sempre relacionados com "cristaos-novos", nao cre que sao coincidencias a mais?
Os cristaos que sempre o foram, nao tinham necessidade nenhuma, de dar estas provas de cristianismo!

Um abraco.