terça-feira, abril 24, 2007

Concelho de "ALGODRES" ou de Fornos de Algodres?!

Brasao da Vila de Algodres: Coroa real aberta, por ter sido uma "terra reguenga" durante a primeira dinastia; Cruz da Ordem de Cristo, pelo facto da Igreja ter sido uma Comenda daquela Ordem. Tres ramos de oliveira; por ser terra de boa apetencia agricola, na qual impera a oliveira. O verde, por ser a cor que cobria os nossos montes e vales, e o branco-prata, da neve que de ca se avista, na Serra da Estrela em frente.


Hoje vou talvez surpreender muita gente; O concelho de "Algodres" nunca foi extinto, e o concelho de "Fornos de Algodres" nao existe!!!

Para que nao pensem que estou a delirar, vou passar a explicar o que realmente se passou e referir os documentos que o atestam:

Pelo decreto de 6 de Novembro de 1836, foram entre tantos, extintos os concelhos de: Penna- Verde, Matanca, Figueiro da Granja, Fornos, Infias e Casal do Monte. Tendo sido pelo mesmo decreto, incorporados no concelho "d'Algodres" com sede nesta vila.

Isto mesmo e confirmado pela reforma judiciaria seguinte, decretos de 29 de Novembro de 1836 e 13 de Janeiro de 1837; ficando a pertencer a comarca de "Gouvea", os concelhos de Algodres, Cea, Celorico, Ervedal, Gouvea, Linhares, Loriga, Penalva d'Alva e Sandomil. (a titulo de curiosidade, Algodres era terceiro concelho maior, com 1.876 fogos)

No entanto esta reforma foi sol de pouca dura, porque provavelmente os "Cabrais"(naturais de Fornos e politicos e governantes na altura) devem ter movido influencias, e pelo Decreto de 12 de Junho de 1837, houve varias alteracoes, o paragrafo 12 diz textualmente o seguinte:

A Cabeca do Concelho d'Algodres, no Distrito Administrativo da Guarda, passara para a villa de Forno de Algodres, e as Freguesias de Dornellas Forninhos e Penna-Verde, que formavam o antigo concelho de Penna-Verde seram desannexadas do referido concelho d'Algodres, e reunidas ao d'Aguiar da Beira da comarca de Trancoso.

Este Decreto foi publicado no Diario do Governo No. 141, de 17 de Junho de 1837.

Como vemos, embora "a Cabeca" ou sede de concelho, tivesse sido transferida, o concelho continuou a ser "d'Algodres" e as antigas vilas nao foram baixadas de categoria, pelo que deveriam continuar a ser, por esse titulo referidas!

domingo, abril 22, 2007

O ARCO DE "SOVERAL" (Sobral Pichorro)


Como resposta ao meu amigo e arqueologo: Dr. Pina Nobrega; http://olhandodaribeira.blogspot.com , aqui apresento novamente o arco do Sobral Pichorro. Embora a cruz nao seja muito semelhante a maioria da cruzes templarias, existe um selo ou emblema templario, que tem um escudo com cruz identico a este!

Ja escrevi sobre varias hipoteses da fundacao deste arco com o escudo, e bem assim sobre a capela de Santo Cristo, nas minhas entradas de 5, 9, 26 & 28 de Outubro de 2005 e em 25 de Marco de 2006. Podem ver nos meus arquivos, ou a ultima aqui: http://dalgodres.blogspot.com/2006/03/arco-romanico-capela-de-santo-cristo.html

Dem-me as vossas opinioes.

segunda-feira, abril 16, 2007

TEMPLARIOS no Soveral ?! (Sobral Pichorro)

Fotografia da estatua jacente, existente na capela de Santo Cristo. Obtida aqui:http://algodres.blogs.sapo.pt



Muito me tem intrigado, e sobre isto ja escrevi em:http://dalgodres.blogspot.com/2006/03/arco-romanico-capela-de-santo-cristo.html, um escudo com uma cruz, existente no arco romanico, que da entrada a umas humildes casas em Sobral Pichorro.
Ja tambem sugeri, que poderia ter sido entrada para casas outrora pertencentes a "cristaos-novos", mas vendo melhor quer me parecer ver neste arco, uma fundacao anterior ao seculo XVI.
Creio que este arco, e o que resta de outras construcoes muito mais antigas, e nada deve ter que ver com as actuais.

O escudo a que me refiro, tanto quando consegui apurar, nao tem nada que ver com nenhuma familia aristocratica.
Ja houve quem sugeri-se, que podera estar relacionada com alguma ordem religiosa, a qual podera ter estado tambem ligada a construcao da Capela de Santo Cristo, pelo facto de existir um escudo semelhante na fachada daquela capela.

No interior da referida capela, existe uma sepultura do suposto fundador, em que aparece uma rudimentar estatua jacente com alguem a abracar uma cruz, sem nenhum outro simbolo.
Nao se conhecendo a accao de nenhuma ordem religiosa, nem a existencia de nenhum convento nas antigas "Terras de Algodres", (excepcao o couto de Figueiro da Granja, mas mesmo ai, a accao da ordem beneditina foi so administradora e nao deixou vestigios materiais) queria tentar dar uma outra explicacao:
A capela e o arco romanico, poderam ter sido fundados por algum cavaleiro de uma Ordem Militar, provavelmente "Templario".

Existem em varios paises, sepulturas jacentes de cavaleiros templarios abracando cruzes, em todo semelhantes a esta sepultura da Capela de Santo Cristo.
Alem disso descobri recentemente que foi Grao-Mestre da "Ordem Templaria" em Portugal entre os anos 1273 - 1277 o cavaleiro "Beltrao de Valverde".
A familia "Beltao", originaria de Castela teve nesta povoacao um ramo familiar.

Pode ser a minha imaginacao a funcionar, mas tambem pode ser que ande perto da verdade!

segunda-feira, abril 09, 2007

Obras da Ditadura - Fonte de Infias

Fonte de S. Pedro e Santa Luzia - Infias, Fornos de Algodres. (fotografia da decada de 80 do seculo XX)


Depois de um pequeno interregno mais ou menos religioso, vou continuar a referir-me a outras obras edificadas na minha regiao,pelos governos da Ditadura e do "Estado Novo".

Salvo algumas poucas excepcoes, ate finais do primeiro quartel do seculo passado, quase todas as aldeias eram abastecidas de agua pelas antigas "fontes de mergulho ou chafurdo". foi durante o governo da ditadura 1926-33, que se tentou resolver este problema de abastecimento enquanto se resolviam tambem problemas sanitarios. Foram procuradas novas nascentes e encanalizada a agua para as povoacoes, onde foram construidas novas fontes e chafarizes.

Uma das muitas fontes, construidas no concelho de Fornos durante essa altura, foi esta que lhes apresento. E a fonte de Sao Pedro e Santa Luzia, fica situada junto a rua principal e perto da igreja, da antiga vila de Infias. Nela podemos ver algum trabalho de cantaria em granito, sendo composta por tres corpos; no central encontra-se uma cartela em que se encontra inscrito: "OBRA DA DITADURA" e nos laterais, dois medalhoes com as imagens dos santos referidos, em azulejo em tons de azul.
Esta fonte esteve muitos anos quase abandonada e os paineis de azulejo em ruina, felizmente foi recuperada o ano passado, pela restauracao da fonte e sua envolvencia, tenho que congratular a autarquia infiense.

segunda-feira, abril 02, 2007

Passover, Pesach, Pascoa!

Cabrito assado no forno; foto subtraida do "site" do Restaurante Unidos, situado quase em frente a Camara Municipal, na vila de Fornos de Algodres http://www.restauranteunidos.com.



Depois dos cristaos terem celebrado o "Domingo de Ramos", inicio da semana santa, que culminara com o Domingo de Pascoa, em que se celebra a ressureicao de Jesus.
Inicia-se hoje ao por do Sol, a vespera do primeiro dia do "Pesach"; a pascoa judaica. (os judeus iniciam as suas celebracoes a partir do por do Sol)
O povo judaico celebra a libertacao da escravatura do Egipto, "Pesach" que significa passagem; tem relacao com a ultima praga: "morte dos primogenitos". Tendo os judeus matado o cordeiro e com o seu sangue pintado os linteis das portas de suas casas, de acordo com as ordens de Moises, o anjo extreminador "passou" sobre estas casas e poupou os primogenitos dos judeus.
E tradicao nesta ceia da passagem, ou "Sedder", o consumo de cordeiro ou cabrito assado, de pao azimo e de ervas amargas.
Quem sabe nao tera raizes nestas tradicoes judaicas, a razao pelo que na nossa regiao, tambem e prato tradicional nesta epoca do ano, o cabrito e borrego assados no forno e bem assim os grelos de nabo e o esperregado!

Aos meus amigos quero deixar um convite; passem por Fornos de Algodres e provem o "cabrito ou borrego, assados ao modo de Fornos", iram gostar certamente! E ja agora porque nao tambem uma fatia de "folar"; bolo de ovos ou de azeite, com um bom naco de "Queijo da Serra"!

Para todos um feliz "Passover" e uma "Pascoa" com saude e alegria!

terça-feira, março 27, 2007

FURTADO - S. Clemente e os Romanos

Capela de S. Clemente.

Situada junto a estrada que de Fornos segue para a antiga vila da Matanca, no planalto de Algodres, freguesia a que pertence, encontramos a pequena aldeia do Furtado.

E uma pequena povoacao sem muitos motivos de interesse, para alem das habitacoes graniticas. Possui no entanto uma capela que suponho seiscentista, em cujo interior se conserva uma Ara epigrafica romana.

Esta ara ja foi estudada por varios especialistas e encontra-se incluida no roteiro arqueologico de Fornos de Algodres.
A inscricao e a seguinte: "PVDENS COMPETRI ARAS EI COLLOVESEI CAIELONI C OSIGO S"
Segundo Curado, datara do seculo III.

Nesta povoacao foi encontrada tambem, ceramica de construcao romana (Marques 1938 pag. 50) e integrada numa construcao, uma outra Ara anepigrafa. (Gomes 1988)


So lamento que esta capela com algum interesse, em cujo interior conserva uma Ara romana, tenha sido alterada com essas cintas brancas nas pedras e que o alpendre, outrora com cobertura em madeira, tenha sido reconstruido em betao!!!

quinta-feira, março 22, 2007

"O NICHINO"

A gruta ou "nicho" da Senhora dos Milagres.

Estes penedos ou "penedros" como diz o nosso povo, formam uma pequena gruta, pois foi aqui, precisamente aqui ( como diria o Professor Saraiva) que apareceu a imagem da Senhora dos Milagres miraculosamente. Esta imagem tinha sido transportada para a Se de Viseu decadas antes, devido a falta de entendimento entre o clero, os populares e junta paroquial. (coisas de dinheiro creio eu!) Estes factos originaram a destruicao do templo original, que era muito mais grandioso, pois se ja nao tinham a imagem nao necessitavam do santuario para nada.

Este "milagre" do segundo aparecimento da imagem neste lugar, aconteceu em 1786, de acordo com uma data gravada no rochedo. (avivada a verde!!!)
Suponho ate nem tera nada que ver, com o facto de trabalhar nessa altura para o bispado, um individuo natural da Muxagata. (digo eu!!!)

O que e facto e que tendo os muxagatenses destruido o templo anterior, muitissimo mais antigo e grandioso, ninguem na redondeza achou bem que a Virgem quize-se voltar a ser venerada na antiga freguesia, mas estas decisoes "divinas" sao para os mortais dificeis de compreender!

E por isso que desde essa epoca se reza a seguinte quadra:


Minha Senhora do Milagres,
Onde fos-te aparecer.
Em terras da Muxagata,
Onde nem se sabem benzer!


A FESTA E ROMARIA E JA NESTE DOMINGO, 25 de Marco.


Ps: So gostaria de que alguem me disse-se, qual e o paradeiro dessa imagem original!!! A actual uma imagem grande e muito bonita, foi mandada fazer creio que ja no seculo XX

quarta-feira, março 14, 2007

DIVULGACAO, Romaria-Feira da Senhora dos Milagres, 25 de Marco

O santuario da "Senhora dos Milagres" da Muxagata, visto da parte posterior.

Ja que o site municipal ficou parado no tempo desde Janeiro ultimo, vou re-iniciar neste blog algo que tinha decidido fazer num outro: http://algodres.blogspot.com, que e a divulgacao das por mim conhecidas actividades culturais e festas do meu municipio.

Neste mes de Marco realiza-se no dia 25, uma antiga romaria e pequena feira na freguesia da Muxagata, em honra da "Senhora dos Milagres". Foi outrora uma das mais importantes romarias da regiao, tao importante, que justificou aquando da construcao da linha de caminho de ferro da Beira Alta, um apeadeiro onde paravam os comboios neste dia e na romaria de verao; dia 8 de de Setembro.

Ja ha muitos anos que nao me calha la ir, devido a incompatibilidades de ferias e, a ultima vez que la fui, nao era ja nem sombra das romarias que conheci nos meus verdes anos, das quais me recordo com saudade, principalmente das "romarias de ovelhas" em volta da capela e, dos saborosos "farneis" comidos a sombra dos pinheirais!

Neste ano o dia 25 de Marco, calha num domingo, pelo que nao existe nenhuma justificacao, para se deixarem ficar em casa na preguica, facam uma merenda e mesmo que nao tenham grande fe, vao ate a Senhora dos Milagres e junto com a natureza vivam momentos de quietude e apreciem o ar limpido e a grandeza granitica dos montes da nossa Beira, so e pena estarem tao despidos de arvores devido aos continuos incendios.

Uma das tradicoes desta romaria eram enfeitarem as viaturas com as "urgeiras" (urzes) floridas, quando se vinha da romaria, pois e um dos arbustos endemicos que florescem desta regiao; e que lindas sao as "urgeiras"!

domingo, março 11, 2007

CRUZEIRO DOS CENTENARIOS!

Postal fotografico de edicao municipal de meados do seculo XX.


Para alem do ja referido "Padrao dos Centenarios", construi-se tambem no ano de 1940 no concelho de Fornos, um cruzeiro para ainda mais realcar aquelas celebracoes nacionais . Fica no alto da Serra da Esgalhada na freguesia de Infias, minha terra adoptiva.

Este cruzeiro embora de linhas mais ou menos modernas e interessante; nas quatro faces da base, encontram-se gravados os nomes dos continentes percorridos pelos portugueses: Africa, America, Asia e Oceania, mais acima; Portugal e Europa. Ja na cruz as datas de 1140, 1640 e 1940. Nao fora o facto da floresta em frente dele, felizmente ter crescido, dali se poderia ver quase toda a encosta norte da Serra da Estrela.

E mais que sabido, que a Igreja Catolica e "Estado Novo" sempre andaram de maos dadas em quase tudo, pelo que nao e de admirar que nessas celebracoes centenarias, houvesse oportunidade tambem para construcoes de cruzeiros!

O que foi provavelmente mais pratico, mas muito infeliz, foi a colocacao da antena do outrora "Radio Fornos de Algodres" presentemente "Radio Imagem", ali junto a este monumento, ficando ate um dos tirantes quase em frente do cruzeiro.

Ja ha umas duas ou trez eleicoes autarquicas passadas, foi prometida a mudanca da antena deste local, mas como promessas e facil faze-las, a antena ali continua no sitio onde gente de mais sensibilidade, ja teria feito uma area aprazivel e ajardinada!

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Os Padroes dos Centenarios

O padrao dos centenarios; Fornos de Algodres.

Como muitos saberao, em 1940, decidiu o governo portugues da altura, celebrar os centenarios nacionais. Uma das formas dessas celebracoes, foi a edificacao em todas as vilas e cidades, de padroes dos centenarios. Em Fornos de Algodres tambem foi edificado um, fica situado no Largo Ribeiro Leitao, e um belo monumento construido em granito, (nao fossemos nos da terra dele).


Assente numa base quadrangular, em que se encontram esculpidas cruzes em alto relevo, ergue-se uma coluna em cujas bases se podem ver as datas de: 1140, 1640, 1940 e em numerais romanos XXXVI; (1836) ano da unificacao do nosso municipio.

No remate, numa das faces um escudo com cinco quinas carregadas de besantes; emblema dos nossos primeiros reis. Noutra face o escudo nacional, usado na altura da restauracao. Na terceira face o escudo republicano e na ultima as armas do nosso municipio. Tudo isto coroado com uma esfera armilar e uma cruz da Ordem de Cristo.

E um conjunto harmonioso, que se encontra sobre uma plataforma resguardada por pequenos pilares, servida por duas escadarias, que lhe dao acesso da cota mais baixa do largo.

Ja vi alguns autores, referirem-se a estes monumentos por pelourinhos, o que e errado, sera talvez pelo facto de que nalgumas vilas em se situam, nunca tivessem tido pelourinho, ou terem sido destruidos.
Felizmente o meu concelho conserva todos os seus pelourinhos, embora o de Fornos tivesse sido reconstruido em 1933, embora com algumas das pedras originais. (a esses monumentos me referirei noutra altura)
Se e verdade que para fazer sentido, teria que existir a data de 1140, tanto quanto eu sei, essa data nao esta em nada relacionada com a nossa nacionalidade; Segundo a historia (ou lenda) D. Afonso Henrriques comecou a assinar "REX" (rei) em 1139, depois da batalha de Ourique. O rei de Leao e Castela D. Afonso VII reconheceu-nos a independencia em 1143, na conferencia de Zamora. O Papa Alexandre III, reconheceu Portugal independente em 1179, pela Bula "Manifestis Probatum", mas so depois de D. Afonso ter feito varias doacoes de terras a varios conventos e enviar dadivas a igreja de Roma.
Por isso nao creio que a data de 1140, tenha nada que ver com nenhum facto historico de relevancia para Portugal, so o tera por aproximacao, mas isto digo eu que nem sequer sou historiador!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

1940 "os Centenarios Patrios"!


Em 1940 quando durante o governo do Estado Novo, se decidiu honrar a patria e os patriotas, tambem a camara municipal da minha terra, mandou colocar esta placa homenageando este nosso conterraneo.

Embora possamos nao concordar, com o regime regime politico dessa altura, temos que concordar que foi durante esse tempo, que mais foram honrados os nossos vultos nacionais. Podera ter sido unicamente para justificar um governo ditactorial, ou nao, mas e uma facto indesmentivel.

Estou quase certo, que sabendo as novas geracoes tao pouco da historia patria, saberiam entretanto muitissimo menos, se nao existissem os monumentos construidos pelo "Estado Novo" a lembram-no-la!

Irei a seguir e, fujindo um pouco do tema principal deste blog, referir-me aos vestigios da ditadura no meu municipio.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

A Minha Homenagem ao Marquez de Tomar

O solar do Marquez de Tomar, onde funcionou durante muitos anos o "Colegio" com o mesmo nome, que formou muita gente da minha geracao.

Por estamos numa de lembrar "os grandes portugueses", embora nao tenho sido colocado nos 100 nomes mais votados, nao ficaria bem com a minha consciencia, se nao presta-se a minha singela homenagem a um meu conterraneo, que numa epoca de profundas convulsoes revolucionarias, governou o nosso pais.

Estou a referir-me a: "Antonio Bernardo da Costa Cabral", um individuo que estava muito a frente do seu tempo, e que querendo fazer avancar o pais para niveis europeus da altura, foi invejado e atropelado, tanto pelos esquerdistas como pelos conservadores, da primeira metade do seculo XIX.

Tivessemos nos tido mais "Marquezes de Pombal e de Tomar", e o nosso Portugal teria chegado ao seculo XX, como uma das nacoes mais avancadas, da Europa de que hoje fazemos parte.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Ramirao-vestigios de "cristaos-novos"!


Ja ha cerca de um ano, aqui coloquei esta fotografia, e uma cruz, em tudo semelhante a outras encontradas nas antigas judiarias.


Esta "descobri-a" na tal casa do Ramirao, a que me referi na entrada anterior.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

RAMIRAO, terra de vestigios "judaicos" ou "cristaos-novos"!

Antiga igreja de S. Sebastiao do Ramirao.

O Ramirao, presentemente povoacao pertencente a freguesia de Casal Vasco, foi freguesia ate meados do seculo XIX, altura em que foi anexada a actual freguesia e anos mais tarde totalmente extinta.

Nesta aldeia existe ainda, uma casa em se podem encontrar vestigios de "cristaos-novos", na qual se encontra uma lapide do seculo XVII, que faz referencia a: Antonio de Melo de S. Paio.

Esta mesma familia Melo foi anteriormente investigada pela "inquisicao", tendo sido condenado um seu membro, informando-nos o seu processo que era "cristao-novo".

Na povoacao existe a antiga igreja de S. Sebastiao, presentemente relegada a categoria de capela, nela se encontra um portal romano-gotico e um campanario tambem romanico, de uma ventana.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Festa - Feira do "Queijo Serra da Estrela"

Programa oficial da" Festa do Queijo" retirado do site municipal (http://www.cm-fornosdealgodres.pt)

Ja saiu o programa oficial da "Festa do Queijo" de Fornos de Algodres, como ja tinha aqui anunciado sera no proximo domingo.


Com a abertura da nova A25, e muito facil vir ate Fornos, portanto venham ver uma realidade diferente, provem e comprem um dos melhores queijos do mundo, convivam com as acolhedoras gentes do Alto-Mondego, enquanto podem tambem assistir a musicas e tradicoes da nossa "Beira".


Para todos quantos gostem de historia e arqueologia, podem fazer uma visita aos varios sitios arqueologicos e ao CHIAFA, (Centro Historico de Interpertacao Arqueologica de Fornos de Algodres) o "nosso Museu".


Sejam todos bem vindos as "Terras de Algodres"!

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Gravacoes de "Cristaos-Novos" ! II

Gravacao existente numa casa da "judiaria de Trancoso" (foto cedida por Nuno Soares.)


Creio que muitos dos meus amigos conheceram a conceituada "Revista Beira Alta", eu pessoalmente considero-a uma revista credivel, em defeza da verdade historica da nossa Beira.


Tive a ja algum tempo conhecimento, atravez do meu amigo: Nuno Soares: http://algodres.blogs.sapo.pt de que num artigo, sobre o tema "cristaos-novos" acerca da povoacao de Malhada Sorda, do concelho da Guarda.


Nesse artigo da autoria de Jeronimo de Matos, existe uma parte que considero interessante, e talvez bastante elucidativa.


Nele o articulista refere que; Julio A. Borges, no volume LV, ano 1996, 30 e 40 trimestres, pag.448, da referida revista, cita uma lei de D. Manuel I, que entre outras coisas dira o seguinte:" ... Foi entao imposto aos que abracarem a fe catolica, que teriam que gravar uma cruz na soleira da porta, como prova da sua conversao.... "


Como considero credivel esta revista, so me falta saber onde se podera encontar essa lei, que no caso de nao ter sido inventada, viria por o acento tonico em toda esta problematica!

Podera algum dos meus amigos ajudar-me, a descobrir o paradeiro dessa lei?

sexta-feira, janeiro 12, 2007

As gravacoes, feitas por "cristaos-novos"! I

Gravacao existente numa residencia na Rua da Torre na vila de Fornos de Algodres
.
Existem varias pessoas, que quando nos referimos as gravacoes existentes em casas de cristaos-novos, nao admitem que estas possam ter qualquer relacao com os judeus. Na realidade estas gravacoes sao de simbolos normalmente cruciformes e, portanto nao tem nada que vem com os judeus. No entanto na maior parte das vezes, foram colocadas nao tanto por causa de uma fe mais acentuada, mas sim para iludirem a inquisicao.

Quando D. Manuel I, decertou a expulsao dos judeus e depois lhes fechou os portos, obrigando-os a converterem-se, uns forcadamente outros por conveniencia, crem os historiadores que eles eram quase um quarto da populacao em Portugal.

Tambem e sabido que era na nossa Beira serrana e raiana e em Tras-os-Montes, que se concentraram a maior parte dos que fujiram de Espanha, pelo que nao e de admirar que ainda hoje, passados que sao mais de quinhentos anos, e precisamente por ca que se encontram a maior parte destas gravacoes.
Nas proximas entradas, irei dar-vos conta de algumas novos factos de que tive conhecimento, relacionados com este tema.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Festa do queijo "SERRA DA ESTRELA"

foto retirada sem autorizacao do site:http://cm-fornosdealgodres.pt do meu municipio.


Enquanto nao sai o programa definitivo, quero deixar aos meus amigos leitores, a data da Feira-Festa do "queijo Serra da Estrela" que se vai realizar no meu concelho.

Podem crer que aqui ainda se faz o genuino "Serra", ate quanto? So as novas geracoes poderam dar a resposta.

Venham a "Serra", venham a Fornos de Algodres e, conhecam uma realidade diferente!!!

domingo, janeiro 07, 2007

Terras de pedras e de "Pedreiros"


Agora que se vao cumprir quatro anos, sobre a partida deste nosso mundo, do meu sogro. Desejo humildemente prestar-lhe uma singela homenagem e, nela extende-la a todos os pedreiros do meu concelho, vivos os ja nao.


Fornos de Algodres e um concelho granitico na sua plenitude, pelo que o mais normal e a utilizacao deste tipo de pedra, nas contrucoes. Sendo assim haveria que haver profissionais que se dedicavam nao so a explora-la das nossas serras e montes, a fazer o seu transporte, a aperfeicoa-la e finalmente usa-la nas construcoes.


Era e ainda e, mesmo com os novos equipamentos, uma profissao dura e dificil, pelo que nem e de admirar que nao seja apelativa as novas geracoes, embora continuem a ser profissoes rentaveis a de "pedreiro" e principalmente a de "canteiro".


Que melhor homenagem ao "Tio Miguel" de Infias e, a todos os pedreiros da minha regiao serrana, senao mostrar aos meus amigos esta casa, que felizmente ficou propriedade de um familiar meu.

Como podem ver, embora uma casa modesta, possuiu nesta parede tres pedras de dimensoes fora do comum, principalmente a do topo; pois serve de torca (com cedilha) a duas janelas e a uma porta!!!


terça-feira, janeiro 02, 2007

As ovelhas "Bordaleiras"!

Um rebanho de ovelhas "Bordaleiras" com algumas "Churras" a mistura. Diz a nossa gente que para sorte, todo o rebanho tem que ter pelo menos uma ovelha preta. (postal publicado pelo municipio de Fornos de Algodres, na decada de oitenta do seculo passado. Ao fundo a vila e a mata municipal da Esgalhada.)


Quase sempre ao falar da minha regiao, a pessoas estranhas a ela, e ao referir-me ao "nosso" Queijo da Serra, acontece referir-me tambem as ovelhas, que produzem em quantidade o leite, que sem ele o queijo nunca seria o conhecidissimo; "Serra".

Todos os que estao mais dentro deste tema, sabem que as ovelhas da nossa regiao sao em maior numero as "Bordaleiras", havendo tambem mas em numero menor, as "Churras" e as "Merinas Mondegueiras".

O que os estranhos a esta regiao desconhecem e ate se admiram muito, e o facto das "nossas" ovelhas possuirem astes, (cornos) como e normal so possuirem os carneiros. Sim de facto esta especie autocone talvez a maior productora de leite, possui "cornos", como podem ver neste postal, publicado pelo meu municipio, na decada de oitenta do seculo passado.


quarta-feira, dezembro 27, 2006

INFIAS (Enfiaens)

Vista do Bairro do Eiro, tirada da entrada da povoacao vindo de Fornos. No sentido oposto temos toda a encosta norte da Serra da Estrela.


Situada no cume da pequena serra da Esgalhada, a cerca de 600 metros de altitude, esta povoacao que foi concelho ate Novembro de 1836, e neste momento uma das mais progressivas freguesias do concelho de Fornos.

Nao e de estranhar, pois devido a acentuada urbanizacao do territorio nacional, estando a pouco mais de um quilometro da sede concelhia, e quase que um bairro da vila de Fornos de Algodres.


Nunca esta povoacao foi muito populosa, no entanto e antiquissima. Existem vestigios de ocupacao humana, desde a epoca do Neolitico e do periodo romano nas proximidades. Em 1257 aparecem como depoentes nas inquiricoes pelo menos 3 residentes desta terra, no entanto nessa altura ainda nao era concelho.


Desconhecendo-se quem lhe tera concedido foral, era entretanto ja vila e concelho em 1525 durante o reinado de D. Joao III, tendo nessa altura 30 moradores. (fogos) (cadastro da populacao do reino).


Ainda em principios do seculo XX, era a freguesia menos populosa do municipio, mas nos ultimos 30 anos devido a urbanizacao de "baldios" na serra da Esgalhada, de novas urbanizacoes junto a Quinta do Casainho e junto a estrada para a Matanca, aumentou bastante a populacao, tendo sido a unica freguesia concelhia, que aumentou de habitantes no senco de 2001.


Sem querer exagerar, afirmo que e de Infias, que se podem admirar dos mais vastos e belos panoramas da nossa Beira.
Tanto do alto do bairro do Eiro, como da Rasa, mas principalmente junto ao monumento do Cristo Redentor, (entrada da antiga vila) tanto de dia, mas principalmente em noites sem nevoeiro, pode-se experimentar do mais belo "d'Algodres" e, ate da zona norte da "Estrela". (a serra, pois claro) Caso duvidem so tem que ca vir, depois digam algo.





segunda-feira, dezembro 18, 2006

BOAS FESTAS!

Estes castanheiros despidos de folhagem que povoam o planalto de Algodres, simbolizam o inverno que vivemos. Tal como Cristo que renasce sempre no coracao dos de boa vontade, irao renascer assim que chegar a Primavera.

"GLORIA A D*US NAS ALTURAS, E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE"



No passado dia 15 sexta feira iniciou-se o festival das luzes, ou "Hanucah dos Judeus", nesse mesmo dia comecaram os "Afro-americanos" a celebrar o "Kwanza", (faz-me lembrar um rio que conheci bem, na "minha" querida Angola) os cristaos desde o comeco do "Advento" (2 de Dezembro) estao a preparar-se para a festa natalicia do Cristo, que culmina com "a noite da consoada e o Natal de Jesus dia 25 .


E portanto uma epoca festiva para quase todos, havendo ate aqueles que querendo fazer renascer outras religioes antigas e "Pagas" (com til no segundo a) celebram o "Solticio de Inverno", no dia 22, quando o sol se encontra mais perto do nosso planeta.





Sendo portanto altura de festa para todos ( ate para os comerciantes, que fazem nesta altura mais negocio que noutra qualquer altura do ano) nao podia passa-la sem desejar a todos os meus leitores e comentadores umas Boas e Santas Festas.


Este vicio "blogistico" felizmente da-nos a oportunidade, de conhecer novas pessoas e fazer novas e belas amizades, embora que virtuais algumas. Por isso a todos aqueles mais assiduos amigos comentadores, alguns virtuais mas muitos outros ja nao, quero desejar especialmente umas Boas Festas, repletas de saude, (que e o bem mais precioso) de Paz e de Amor, no verdadeiro sentido do termo.





COM UM GRANDE ABRACO BEIRAO DE BEM HAJAM, e UMAS; FESTAS FELIZES.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

FORNOS de ALGODRES "Terra do queijo Serra da Estrela"

Em vales como este que cortam o concelho de Fornos, pastam as ovelhas "bordaleiras" e "merinas mondegueiras", cujo leite produz o "melhor queijo do mundo"!

Talvez por culpa nossa, Fornos de Algodres que foi durante muitos anos o maior mercado do queijo da "Serra", deixou-se ultrapassar por concelhos, que ate ha cerca de uma trintena de anos, nunca ai o queijo tinha tido referencia.

Nao me estou a referir a Celorico da Beira, pois nesse concelho e no meu municipio, o queijo "Serra" sempre foi rei.

Para os menos entendidos tenho que informar que para alem do mercado de Fornos, era no da Carrapichana e em Celorico que se comercializava quase todo o "nosso" queijo e, se e verdade que se produzia em todo este vale do alto mondego, nos outros municipios nao tinha grande relevancia a producao e, esses productores para conseguirem melhores precos vinham vender quase todo o queijo a Fornos, pois era aqui que os "Barreiros" e "Garcias" (comerciantes e exportadores lisboetas) o vinham comprar todos os 15 dias.

A cerca de trinta anos, quando se iniciaram as hoje conhecidas e caducas: "Feiras do Queijo" por todo este "Pe de Serra", de alguma forma se comecou a dar algum realce ao producto noutras vilas e cidades, coisa que ate ai nunca tinha acontecido.

Entretanto comecou uma "guerra" entre Celorico e Fornos, para ver qual destas terras era mais importante no que se refere ao queijo. Nesta guerra Celorico levou a vantagem, devido a ter tido um presidente camarario empreendedor, que conseguiu impor uma dinamica em defesa da sua terra. Enquanto em Fornos com um presidente amorfo e apatico, se continuou a dormir a sombra dos "solares da nobreza caduca". Parabens portanto a Celorico por inovadores e progressistas.

Por esta razao e com a inauguracao do "Solar do Queijo" em Celorico da Beira, hoje ha gente ate no distrito da Guarda, que desconhece que Fornos de Algodres e terra do "Queijo da Serra".

Nao tem esta entrada intuito de desenterrar guerras perdidas, muito pelo contrario, sou muito mais pela cooperacao entre municipios vizinhos, que por "guerritas de trazer por casa", so quiz dar o seu ao seu dono.

Fornos de Algodres foi de facto o maior mercado de "Queijo da Serra", presentemente ponho as muitas duvidas que o seja. Tambem e porque os jovens nao estao interessados, em continuar a confeccao deste producto de milhares de anos, ponho muitas duvidas que as proximas geracoes possam comer o verdadeiro e genuino "SERRA"

sábado, dezembro 09, 2006

Terra do queijo "Serra da Estrela"

Monumento ao productores de queijo da "Serra da Estrela", em Fornos de Algodres (fotografia retirada do site municipal) Ao fundo a serra que da nome ao queijo.


Provavelmente muita gente nao sabe, mas o queijo "Serra da Estrela" na sua maior parte ou ate na totalidade, nao e produzido no alto da serra mas sim nas encostas dela e principalmente no vale do alto Mondego.

Embora possamos encontrar este produto por toda esta regiao, e nos concelhos de Celorico da Beira e de Fornos de Algodres, que se concentra a maior producao, pelo que sera ai que sem receios de comprar gato por lebre o poderam adquirir sabendo que levam producto genuino.

Ultimamente estes dois municipios tem investido bastante, (mais Celorico que Fornos) na divulgacao e de um producto de origem certificada, que nesta altura que se comeca a fabricar em quantidade, atingindo o auge da producao no mes de Fevereiro quando se realizam as "feiras do queijo" que comecam a pedir novos moldes.

Soube que no ano passado, se constituiu uma associacao entre estes dois concelhos maioritariamente productores deste producto, para uma maior divulgacao do producto tanto a nivel nacional como internacional, tambem sei que existe um protocolo entre a camara de Fornos e o Instituto do Vinho do Porto, para a divulgacao do "nosso" queijo em certames nacionais e internacionais.

Entao porque razao esta actividade artezanal, continua a decair?

Em minha humilde opiniao e porque e uma actividade, que tende a nao atrair jovens agricultores.

A agricultura e a pecuaria para serem rentaveis tem que se modernizar e, sao os jovens que tem (ou deviam ter) a mente aberta a novas tecnologias, sem nunca perder o essencial, automatizar producoes e procedimentos.

Queria fazer votos que as novas geracoes, sempre com a mente aberta possam seguir as pisadas dos mais antigos e, que daqui a muitos anos ainda possamos deliciar-nos com este producto genuino.

E esta a minha singela homenagem aos pastores e queijeiro(a)s,

domingo, dezembro 03, 2006

O antigo concelho de FORNOS (sem Algodres)


Do antigo concelho de "Fornos", nao se lhe conhece nenhum foral, havendo no entanto quem afirme, que o teve por D. Dinis em 1314, no entanto pelas inquiricoes de 1258 (D. Afonso III) sabe-se que ja era concelho nessa altura e, uma terra reguenga (propriedade real) .
O termo partia com Algodres a norte e a nascente, a sul com "Liares" (Linhares) pelo rio Mondego e, a poente com o concelho de Tavares.

Esta vila tal como a grande maioria das povoacoes das redondezas deve ter tido origem romana, provavelmente alguma "villae" agricola, junto no vale da ribeira de Infias. Esse mesmo vale e cortado por duas estradas "romanas" ainda hoje com restos de calcada; uma com direccao a Celorico por Figueiro da Granja e, outra rumo a Linhares pela "ponte de juncaes". Devido a proximidade uma da outra e muito provavel que estas estradas se bifurcassem onde presentemente se encontra a vila.

So em 1836, quando da extincao dos concelhos de; Algodres, Matanca, Figueiro da Granja, Infias e Casal do Monte e seu agregamento ao de Fornos, e que esta vila se passou a identificar por: "Fornos de Algodres", devido a que aquele concelho era muito maior e muito mais antigo que este.
Foi um erro nessa altura, a colocacao da sede concelhia em Fornos, pois a vila fica no extremo do municipio, mas era muito melhor servida por estrada, (estrada real Viseu-Guarda, futura nacional 16) tinha muito mais populacao e, teve a dita de ser a terra natal dos "Cabrais" ministros muito influentes em varios governos, durante o reinado de D.Maria II .

Na fotografia pode ver-se o edificio da antiga camara municipal, construido em tempo do Rei D. Joao VI, nele se pode ver o brazao nacional do: "reino unido de Portugal Brasil e Algarve".
Em frente encontra-se o pelourinho, reconstruido em 1933, o antigo tinha sido destruido durante as revolucoes liberais do seculo XIX, do original, unicamente resta a parte inferior fuste e, base e o topo da gaiola.

No largo em que se encontra a antiga "casa da camara" e o pelourinho, existe tambem o Solar dos "Abreu Castelo Branco", (condes de Fornos de Algodres) e o solar dos "Pedrosos de Lacerda". Partindo daqui a antiga Rua da Torre, onde recentemente descobri vestigios de "cristaos-novos" (judeus conversos).

quarta-feira, novembro 29, 2006

ENTAO E OS JUDEUS? Senhor Bento (o XVI)

Bem sei que o Senhor bispo de Roma estava na Turquia e tinha que agradar aos mussulmanos, ainda agravados por afirmacoes que o mesmo tinha proferido na Alemanha o verao passado. Afirmacoes que, embora reportando-se a um antigo imperador Bizantino, ate nao sao mentira nem nada.
Mas hoje quando na homilia em Efeso, se referiu aos cristaos e mussulmanos que consideram "santa" aquelas terras do medio oriente, e se referiu ao D*us de Abraam, Isacc e Jacob, como sendo o D*us dessas religioes. Creio que deveria que mais nao fosse por cortezia, ter-se referido tambem aos judeus, pois foram precisamente eles que uns milhares de anos antes daqueles, quem comecou a adorar o verdadeiro D*us.
Eu que ate estava a comecar a simpatizar com o senhor "Bento", com esta omissao so me vem provar que tambem ele e apologista do politicamente correcto, e hipocrita como muitos.

terça-feira, novembro 28, 2006

A divulgacao de um amigo e a "Origem do um nome"!!!

O meu amigo Inacio do blog: http://steinhardts.wordpress.com que eu recomendo, em geito de brincadeira deu-me uma explicacao baseando-se no imortal Eca de Queiroz, para a origem do meu nome; Cardoso.
Porque a achei engracada e, porque estou numa de valorizar o que e meu, embora possa nao estar isento de algumas culpas. Vou comparti-la com os meus queridos leitores, e ao mesmo tempo serve para divulgar um blog, que creio muitos dos meus leitores gostaram de consultar.

Escreveu o "nosso" Eca o seguinte, no seu "ADAO e EVA":

"....Adao foge, estonteado, trilha saibros pegajosos, rasga o pelo na aspereza dos "CARDOS BRANCOS" que o vento estorce, resvala por uma escosta de cascalho e seixo, e para na areia fina....."

Ora digam la se D*us nao esteve na origem do meu nome? !!!

"Presuncao e agua benta, cada um toma a que quer"

Assim se diz nas "minhas terras".

sábado, novembro 25, 2006

A Ara de Queiriz - "nova explicacao"

Continuando a referir-me a "Ara romana de Queiriz" e alertado pelo Doutor Pedro Pina Nobrega, que faz o favor de ser meu amigo, quero fazer algumas correccoes e dar aos meus amigos leitores diferentes versoes (talvez mais abalizadas) da leitura desta lapide, que eu nunca vi pessoalmente, pelo que nao tenho grande opiniao, nem grandes conhecimentos para te-la.

Primeiramente quero corrigir a actual localizacao desta inscricao. Nao se encontra no Museu Distrital de Viseu como eu informava, mas sim no quintal na Assembleia Distrital de Viseu, tendo sido inventariada pelo Professor Vaz com o numero 614.

O inventariador Professor Doutor, Joao Inez Vaz na sua tese de doutoramento com o titulo: "A Civitas de Viseu, Espaco e Sociedade. (1997) Pags. 205-206", apresenta-nos para esta "Ara" a seguinte descricao:

DVA/TIVS / APINIS F (ilivs) I BANDI/ TATIBIIAIC / VI. VOCTO TOLIT I (vssv)

A traducao para portugues corrente sera a seguinte:
"Por Ordem de Banda Tatibeaico, Duatio, filho de Apino Levantou (esse) Voto.

Temos que concluir que aparentemente Russel Cortez tera confundido algumas letras a comecar pela primeira.
Sem ter visto esta inscricao fico sempre com a duvida, mas o Professor Vaz merece-me muitissimo mais credito.

Tambem o Doutor Pedro Pina Nobrega, se referiu ao de leve a esta lapide, quando estudando uma Ara existente na freguesia das Antas, Penalva do Castelo, fez as seguintes descricoes: "....Tendo em consideracao a inscricao proveniente de Orjais, Covilha; (ENCARNACAO, Jose de, (1975) Divindades Indigenas sob o Dominio Romano; "...a divindade terminada em ...ei, e semelhante ao daquela, ou seja em ...ui; a semelhanca do epiteto da inscricao de Queiriz, Fornos de Algodres."
Parece que de acordo com os articulistas referidos: ENCARNACAO, VAZ E NOBREGA, e reportando-nos ao ultimo que os referiu no seu trabalho publicado no : Ficheiro Epigrafico da Universidade de Coimbra (Suplemento de "Conimbriga" de 2004 Numero 75, pag. 335) a divindade: "Bandi" (Banda) estara relacionada com os "Vircaui", nome de um povo muito conhecido, na area da "Civitas" de Viseu. Pois para alem das referidas inscricoes de Queiriz e de Antas, existe uma outra tambem ja estudada pelo referido Professor Vaz, proveniente de Esmolfe (a terra a famosa maca) no concelho de Penalva do Castelo, (VAZ, 1997, Pag. 204) que lhes faz referencia

Espero que estas contribuicoes, venham contribuir bastante para a divulgacao desta lapide, assim como espero (e dentro das minhas fracas possibilidades irei fazer os possiveis) que esta Ara de Queiriz, regresse ao municipio de onde e originaria.

quarta-feira, novembro 22, 2006

QUEIRIZ - A terra dos "miscaros" (ou sera cogumelos)


Ja que me referi, embora superficialmente a Queiriz, devido ao passeio micologio, (vulgo apanha de miscaros) embora suscintamente referir-me um pouco mais, a esta antiga povoacao.
Situada no extremo do municipio, Queiriz e uma terra muito antiga, ja existe mencionada em documentos da epoca medieval, no entanto a sua fundacao data seguramente, pelo menos do tempo dos romanos.
No seculo XIX foi encontrada uma ara romana que tem a seguinte inscricao:

QVATIVS APIANIS
DANDITATIDEAIGVI
VOCTO TOLIT I

Esta lapide foi transportada para a exposicao arqueologica da Beira Alta em 1951, por Fernando Russel Cortez. Segundo este entendido a terminologia "eaigvi" e comum a muitas palavras bascas, relacionadas com lua ou luz lunar, o que presupoe que esta lapide estaria relacionada com o culto lunar.
Creio que se encontra presentemente no Museu Distrital de Viseu. (ja era tempo para ser devolvida ao nosso municipio)

Alem desta evidencia, existem perto da povoacao bem preservados, trocos de calcada que foram pertencentes a uma estrada romana.

Tambem relativamente perto existe o sitio arqueologico do "Castelo", onde se preservam ainda restos do que tera sido uma fortificacao romana, ou alto-medieval.

Sabe-se tambem (monografia "Terras de Algodres") que que Abade do mosteiro de Moreira, concedeu a esta povoacao um foral no seculo XIII.

A igreja e sem duvida de fundacao romanica, embora da primitiva construcao ja pouco reste.
Na fachada para alem do portal em arco de volta inteira, podem ver-se as pedras da construcao original, sendo bem visivel o acrescento que suponho ter sido do seculo XVII, no portal lateral existe uma data desse tempo.
O campanario de duas ventanas rematado por corucheu, data do seculo XIX.

quinta-feira, novembro 16, 2006

FORNOS DE ALGODRES "divulgacao de interesse" (ou nao)

III PASSEIO MICOLOGICO (vulgo apanha de miscaros)

Organizado pela Casa de Pessoal da Camara Municipal de Fornos de Algodres, vai realizar-se no proximo dia 25 de Novembro.
Ocurrera entre as localidades de Juncais e Queiriz com uma paragem em Cortico, para uma prova de azeite e miscaros, no Lagar-Museu daquela localidade.
A finalizar havera um almoco a base de "miscaros" de varias especies, rematado com uma apresentacao de paineis por parte de: Pedro Capela da MICROPLANT e por Manuel Paraiso da Associacao Micologica "A PANTORRA".
Para mais informacoes, vejam nos meus links o sitio do Municipio de Fornos de Algodres, onde existe uma ficha de inscricao.

VENHAM ATE "FORNOS" CONHECER UMA REALIDADE DIFERENTE E, UMA GASTRONOMIA JA UM POUCO FORA DOS USOS MODERNOS.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Muxagata (d'Algodres) - Largo da fonte e do Chafariz


Este largo fica situado no centro da povoacao da Muxagata, nele encontra-se uma fonte medieval, em arco romanico com ameias, (nao visivel) o chafariz oitocentista e uma casa brasonada do seculo XVIII.
Daqui sai a Rua do Castelo, que nos leva ao sitio em que essa estrutura de defeza outrora se encontrava.
Ao fundo pode ver-se tambem a Serra de Belcaide, na qual se situava a torre medieval.

Judeus tambem na Muxagata (d'Algodres)

Sendo povoacao com alguma importancia, desde o tempo imperio romano e da idade media; pois ate teve um pequeno castelo e uma torre no alto do Belcaide, de que ainda ha referencias na toponomia. Ja calculava por isso que tambem, na Muxagata tivessem residido judeus.
Embora nao se encontrem vestigios no terreno, (tanto quanto sei) por aqui passava uma estrada que de Algodres se dirigia a zona de Celorico, atravessando a ribeira da Cortegada ou Muxagata, junto a esta aldeia e depois de passar a pequena serra, tambem o Rio Mondego ("Monda" romano e "Mandingo" medieval).
E sabido tambem, que os judeus sendo gente de negocio, tendiam a residir junto a vias de comunicacao.

Corroborando estas minhas suspeitas, descobri recentemente um processo do Tribunal do Santo Oficio de Lisboa, em que entre 22 de Setembro de 1663 e 26 de Abril de 1665, foi investigado e acusado de judaismo, o soldado de cavalo: Henrique Frois Nunes, filho de Francisco de Matos da Muxagata e de Isabel Flores de Linhares.

Creio que deveria ter havido mais familias "judaicas" nesta aldeia, no entanto ate ao momento nao consegui encontrar mais nenhuma evidencia. Caso alguem da Muxagata leia esta entrada e tenha mais alguma informacao, adoraria a sua colaboracao.

quarta-feira, novembro 01, 2006

"OS JESUITAS"

Ja aqui por varias vezes me tenho referido, a gravacoes encontradas em construcoes, que a grande maioria dos entendidos na materia faz recuar aos seculos XVI e XVII e que eu entre muitos outros, creio relacionar-se com "cristaos-novos", que foram de facto judeus convertidos.

So o facto de serem contemporaneas, dessas epocas de intolerancia e conversoes forcadas, em si so, explica a razao ou as razoes dessas gravacoes.

No entanto queria sublinhar, agora que anteriormente me referi ao Padre Antonio Vieira, o papel doutrinario, educacional e envangelizador da "Companhia de Jesus" em Portugal.
Esta "Companhia" fundada por Inacio de Loyola, teve um papel importante para a igreja catolica, na Europa central, em contraposicao a reforma protestante iniciada por Martinho Lutero na Alemanha.

Em Portugal e porque o movimento "Protestante", nunca teve grande aceitacao, esta companhia dedicou-se fundamentalmente a conversao dos indios do Brasil e negros africanos, e aos recem "convertidos" cristaos, provenientes da religiao judaica.

Sabe-se por varias fontes da epoca, que de certa forma esta ordem religiosa, foi ate defensora dos judeus em varias alturas, tendo-se publicamente e em sermoes, revoltado contra certos metodos utilizados pela inquisacao, que era quase toda constituida por padres "Dominicanos".
O padre Vieira entre outros, sofreu e so de certa forma conseguiu escapar, ao efeito mais nefasto da "Inquisicao" devido a proteccao do geral da "Companhia" em Roma.

Por isso nao me admira em nada, que em muitas das gravacoes "cristas", em propriedades de antigos judeus possa encontrar a sigla da "Companhia de Jesus". Porque foi a unica instituicao catolica que ainda tinha por eles um pouco de compreencao. Embora tendo em fim a sua conversao sincera, queria que fosse isso mesmo; "sincera" e nao imposta, como desejava uma grande parte da mesma "Igreja".

sexta-feira, outubro 27, 2006

"Os grandes portugueses" Padre ANTONIO VIEIRA

Ontem estive atentamente a ver o debate na RTP, acerca dos "grandes portugueses", ja tenho lido e ouvido falar bastante sobre este tema e estava quase a deixar passar-lo, sem a ele me referir. Mas pensando um pouco mais, decidi dar tambem a minha humilde opiniao.

Como amante da historia e regionalista convicto, deveria escolher talvez alguem da, ou com ligacao a "nossa Beira", ou ate algum personagem de mais perto da minha terra natal. Teria muitos por onde escolher, e vou so dar alguns exemplos: Sacadura Cabral, Virgilio Ferreira, Gomes Eanes de Azurara, Gil Vicente, (sim eu tambem defendo que era de Guimaraes de Tavares) Rui de Pina, ou ate os meus conterraneos; Antonio Bernardo da Costa Cabral, ou Antonio Menano.
No entanto e acima destes todos, (isto no meu criterio) estariam sem duvida o rei D. Sancho I; o grande povoador desta regiao, mas e muito especialmente, D. Dinis que por aqui tendo casado, promoveu com forais e feiras o desenvolvimento destas terras.

Tambem e porque neste blog me debruco sobre temas judaicos, poderia tambem escolher alguem com ligacoes a esse povo, como Garcia da Orta, Ribeiro Sanches, ou Aristides de Sousa Mendes.

No entanto decidi e creio que irei votar, por um portugues que como poucos reflete a nossa universalidade portuguesa: Padre Antonio Vieira, que segundo gente mais sabedora, era tambem "cristao-novo".
Nascido no Brasil enquanto colonia portuguesa, pregador e professor Jesuita, embaixador, mesianico mas realista, defensor dos indios dos judeus e dos mais pobres, entre muitas outras coisas.
Como a grande maioria, so depois de morto lhe deram algum do credito que merecia.

Pela universalidade que representa, o padre ANTONIO VIEIRA, e o meu "Grande portugues".

quarta-feira, outubro 25, 2006

"A provocacao" prometida.

Especialmente dedicada aos meus amigos das "Terras de Tavares, Azurara e Castendo" mas nao so.
Vejam em: http://aquidalgodres.blogspot.com
Podem ir ate la atravez dos meus links.

domingo, outubro 22, 2006

Casa da Familia Osorio e Castro - Algodres


Esta e uma das duas casas existentes em Algodres, que ostentam o brasao de armas da familia. Todavia esta e mais antiga, fica situada no Largo da Nogueira, a outra e a que anteriormente foi o edificio municipal e judicial do antigo concelho, a ela me referirei mais adiante.
E uma construcao tipica das casas da Beira, em granito e com um balcao e alpendre. Numa das esquinas da casa fica o brazao dos Osorios e Castro Cabral de Albuquerque, no entanto este, creio e muito mais recente que a casa.
Encontra-se recentemente recuperada e apresentavel, no entanto digam-me os meus amigos, se nao teria ficado muito melhor com as colunas em madeira como eu a conheci, do que com estas em granito polido, que qualquer leigo ve nao fazerem parte desta construcao, nem elas, nem a balaustrada tambem em granito polido.
Se ao menos tivessem feito essas contrucoes em granito aparelhado, com o tempo iria ficar semelhante, mas sao gostos e com eles, perde parte do valor uma casa tao antiga.
A familia Osorio era originaria de Castela, assentou o primeiro solar na vizinha e antiga vila de Figueiro da Granja, no seculo XIV. Espalhou-se por toda esta nossa Beira, deixando varios ramos. Teve tambem ligacoes com os Pedrosos, com solar em Vila Cha (d'Algodres) a que ja me referi anteriormente. Presentemente os proprietarios deste solar de Vila Cha, sao os descendentes destes Osorio e Castro.

terça-feira, outubro 17, 2006

O meu "LOGO"


Embora com algum atrazo, quero apresentar aos meus queridos amigos e leitores, o meu novo "logo". Foi gentilmente concebido pela amiga Maria Joao; do blog "Sulista", (meus links) e nao poderia ser mais sugestivo.
Primeiramente as cores; o verde da vegetacao da minha querida Beira, presentemente em muito em menor quantidade, devido aos vandalos incendiarios; (sim isso mesmo, sem ser politicamente correcto) e o cinzento da cor das rochas graniticas das nossas serras.
Quanto ao Al, de Albino e de Algodres, que embora seja uma preposicao de origem arabe, talvez ate nem fique mal num individuo, que esta convencido ter sangue judeu e numa terra, que estou convencido ter sido fundada por romanos ou visigodos.
Por isso ja sabem, embora nao esteja ali a minha fotografia, este "logo" representa-me muito bem, alem disso tambem tem um "Cardoso" pequenino, que e como me considero, junto da grandeza de amigos, que encontrei nestas lides bloguisticas.
Ha ja me esquecia, o verde tambem tem que ver, com os meus gostos clubisticos; nao se pode ser perfeito, dirao alguns!!!

quinta-feira, outubro 12, 2006

A MACONARIA, a REPUBLICA e a familia COIMBRA

Embora sem ter muitos dados, (para isso teria que residir em Portugal, para poder obte-los no arquivo distrital da Guarda) vou como prometi, debrucar-me sobre a familia "Coimbra" de Vila Cha (d'Algodres).

Tanto quanto consegui apurar, atravez dos meus avos e meu pai, (enquanto vivos) a familia Coimbra se nao era originaria de Vila Nova de Poiares, (Distrito de Coimbra) pelo menos tinha ai parentes e propriedades. No entanto Eduardo Simoes Coimbra, talvez o mais republicano residente do meu concelho, em fins do seculo XIX, se nao nasceu ca, ja ca residia e tinha constituido familia por essa altura.
Se nao tinha ligacoes com a Maconaria, era pelo menos um individuo de formacao progressista e liberal.
Creio, embora sem ter certezas, (para isso necessitaria toda a ajuda possivel) que ja foi ele uma das pessoas mais influentes, na criacao na escola na freguesia de Vila Cha, (criada por decreto de 28 de Maio de 1873, Diario do Governo, No. 124 de 3 de junho do mesmo ano).
Sendo esta freguesia uma das mais pequenas do concelho, nunca teve mais que 300 moradores, foi das primeiras a possuir escola, nisto tambem esteve sem duvida envolvido Antonio Pedroso, que era presidente da camara nessa altura e tambem natural de Vila Cha.
Foi tambem nesses tempos (1868) que foi contruida a Fonte de Santo Antonio, por sinal contruida junto as casas da familia Coimbra, embora ai houvesse outros moradores entre os quais um Antonio da Cruz, em cuja casa eu descobri vestigios de "cristaos-novos", (judeus convertidos). Ate poderei supor, que tanto pelo apelido: "Coimbra", como pela cultura e educacao, que esta familia sempre teve, que possa ela tambem, ter lacos sanguineos judaicos.
Esteve tambem envolvido na construcao da estrada entre Vila Cha e Muxagata em 1863. No entanto foi na construcao do cemiterio, que Eduardo Simoes Coimbra deixou melhor vincada a sua accao, pois nao so foi construido, (1910) durante o tempo em que esteve envolvido na governacao camararia, como foi o proprio que cedeu o terreno para a sua construcao.
Isto e tudo quanto sei acerca do patriarca Coimbra, ja quanto ao seu filho mais velho sei um pouquito mais; Tinha o mesmo nome do pai: Eduardo Simoes Coimbra, nasceu no principio do seculo XX, era formado engenheria e foi comandante da Marinha Mercante, era uma pessoa muito progressista, republicano convicto como o pai, e membro do Grande Oriente Lusitano, do qual chegou a ser Grao-Mestre.
A ele a minha aldeia natal muito deve e, se mais nao fez pela sua terra, foi devido a accao contraria desenvolvida pelos os "fanaticos catolicos", que durante a ditadura nao o deixaram.
No entanto ainda com todas essas contrariedades, esteve envolvido, na construcao do novo edificio escolar e do chafariz do Terreiro em 1934. No final da decada de sessenta, na construcao das novas instalacoes sanitarias na escola, com agua corrente de um poco com bomba elevatoria, construido com dinheiro dele.
Foi tambem ele, que embora nao sendo catolico praticante, comprou o relogio electrico para a nossa igreja. Alem disto comprou algumas casas em ruinas e depois de reconstrui-las, cedeu-as a familias pobres, a troco de prestacoes de precos reduzidissimos.
Mas foi na construcao do antigo club da aldeia, hoje a sede da junta da freguesia, que o seu amor para com a terra que o viu nascer, melhor se sentiu: Possui-a ele um antigo lagar no Largo do Terreiro, que nos fins dos anos sessenta, reconverteu num edificio aconchegante, para ser o salao de recreio da minha terra, dotou-o tambem de mobilia e televisao, nesse tempo em que nem toda a gente a podia ter, cedendo-o gratuitamente ao povo.
Alem disso colaborou com terrenos e dinheiro, para o alargamento de ruas, largos e caminhos na minha freguesia.
Por tudo isto e por algo mais, que neste momento me escapa, e sem duvida nenhuma, devida uma homenagem embora que postuma a esta familia e principalmente ao "Engenheiro".
Na pedra da sua sepultura, existente no cemiterio mandado construir pelo seu pai, em que figuram os simbolos das "Maconaria", nao poderiam ter escrito nada mais verdadeiro: "aqui jaz quem muito amou a sua terra e quem sempre lutou, para que as sua gente fosse menos pobre e menos inculta".

quinta-feira, outubro 05, 2006

a "REPUBLICA" em FORNOS de ALGODRES


Como todos sabemos (ou deviamos) a republica foi implantada em Lisboa, com um golpe militar e politico patrocinado pela maconaria, no dia 5 de Outubro de 1910.
No resto do pais foi implantada pelo telegrafo (para os mais novos, era uma especie de email messenger, do principio do seculo XX).

Ora tambem no concelho de Fornos de Algodres assim foi implantada. Aquela data haveria quando muito, uns seis republicanos em todo o concelho. Dentro destes (talvez o mais "ilustrado") figurava: Eduardo Coimbra, era natural da minha aldeia de Vila Cha (d'Algodres).
Foi ele quem promoveu os primeiros comicios republicanos no concelho, e esteve na constituicao da primeira camara republicana, que por curiosidade foi presidida pelo ultimo presidente do regime monarquico.
Este Eduardo Coimbra nunca quiz ser o presidente, o que denota algum desprendimento, era politico por conviccao e nao por interesse, como infelizmente e a maioria dos politicos actuais.

Irei voltar a referir-me a ele e a sua familia, noutras futuras entradas, hoje e para assinalar esta efemeride, so quiz deixar esta pequena entrada, ilustrada com a casa que foi sua propriedade, que de acordo com a data na cartela sobre a porta, foi construida em 1861.

domingo, outubro 01, 2006

CASA DA TORRE


Esta Casa da Torre, situada no Largo do Pelourinho na Vila de Fornos, e a casa da familia Abreu Castelo Branco, uma das mais antigas familias desta terra, embora a actual construcao, date na sua maior parte dos seculos XVII e XVIII, a Torre que lhe da o nome, vem dos fins da idade media, embora presentemente bastante modificada.
Da familia Abreu, sairam os segundos senhores de Fornos entre os seculos XV e XVII e dela foi o primeiro visconde e condes de Fornos de Algodres, isto ja no seculo XIX.

Mandou esta familia construir no seculo XVI, uma capela na Se da Guarda, com a invocacao de Nossa Senhora da Anunciada, em que se conserva o brasao desta familia.(actual capela dos Pinas) A razao pela qual esta capela e identificada por "Capela dos Pinas", tem que ver com facto de Luis de Abreu Castelo Branco, ter casado com Francisca de Pina, neta do cronista Rui de Pina.
Nesta capela foi onde em 1616 foi instituido um morgadio com vinculo na Quinta da Costa, propriedade da familia. (actual quinta do seminario de Fornos).

Nesse documento em certa altura constava o seguinte: (....ficam excluidos deste morgado; os bastardos, os que tivessem raca de mouro, gentio ou judeu, os que casassem com pessoa mecanica ate aos bisavos, assim como os amancebados, os bebados, os ladroes e os tafues notaveis,....)

Por aqui vemos que esta familia se considerava tao importante, que se nao podia "conspurcar" entre outras coisas, com casamentos com gente de sangue judaico.
Isto foi documentado muito poucos anos, a seguir a instituicao da "inquisicao" em Portugal.

Sabemos que os judeus tambem nao se casavam com gente doutras "racas", portanto e porque oficialmente ja todos eram cristaos, qual era o receio desta familia?
Felizmente o espirito liberal do seculo XIX, veio acabar com esta aberracao dos "morgadios".

sábado, setembro 23, 2006

Ano de; 5767!

A partir do por do sol de ontem; Sexta feira, e, durante o dia de hoje, celebram os judeus o: ROSH HASHANAH, primeiro dia do novo ano, de 5767!
Seguem-se dez dias de jejums e penitencia, que terminam no; YOM KIPPUR, dia do perdao.

A todos os possiveis leitores judeus, um FELIZ ANO NOVO!

quinta-feira, setembro 21, 2006

O ARCO DO SOBRAL

JUDEUS ou "CRISTAOS-NOVOS" em Sobral Pichorro

Ja em entradas anteriores, me referi a provavel existencia de judeus, mais tarde "convertidos" em cristaos-novos, na antiga povoacao de Soveral, ou Sobral, do termo de Algodres, hoje identificada por: Sobral Pichorro.
Nessas alturas identifiquei um arco em volta inteira com um escudo, como a provavel entrada para as suas casas. (entrada de 9 de Outubro de 2005)
Mais tarde visitando detalhadamente a area, para meu desapontamento, nao consegui descobrir mais nenhuns vestigios, que fossem de encontro com a minha conviccao, pelo que na altura julguei ser unicamente a minha imaginacao a trabalhar. (entrada de 28 de Marco de 2006)

Entretanto e acidentalmente, enquanto verificava algumas "descricoes arquivisticas online" dos arquivos da Torre do Tombo. Descobri um processo do tribunal da inquisicao de Coimbra, do ano de 1620, referindo Marcos Rodrigues, cristao-novo, acusado de judaismo, heresia e apostasia, com morada em Soveral, termo de Algodres.
Alem deste processo, descobri um outro, do tribunal da inquisicao de Lisboa, do ano de 1737, referente a Maria Lucena, acusada de judaismo, moradora em Sobral Pichorro, termo de Algodres.

Estes processos vem por si so, provar que as minhas suspeicoes estavam certas, sim houve judeus a residir no Sobral Pichorro, embora pudessem nao ter vivido nas casas cuja entrada e aquele arco.
Tambem ja divulguei uma outra lapide desta mesma povoacao, que podera muito bem estar relacionada com "cristaos-novos". (entrada de 3 de Maio de 2006)

Depois do explanado, so quero fazer algumas consideracoes:
- Estando provada a existencia de cristaos-novos nesta aldeia, que embora aqui residentes, o primeiro era natural de Trancoso e a segunda natural de Celorico, indicia a existencia de outras familias de origem judaica, pois o mais natural e que tenham vindo para esta terra atravez de casamentos, sabendo nos que os judeus casam entre si.
- No primeiro caso, ate poderia ser uma fuga de Trancoso, para uma aldeia pequena e menos acessivel, para tentar escapar a accao da inquisicao naquela vila, que como se sabe, teve uma das maiores e mais dinamicas comunidades judaicas da Beira.
- Ja no segundo caso, sendo 117 anos mais tardio, indica-nos que embora ja "convertidos" desde 1497, os "cripto-judeus" do Sobral Pichorro, passados que eram 240 anos, ainda praticavam o "judaismo". Coisa mais que normal, pois muitas das conversoes nao o foram por conviccao, mas sim por necessidade.
- Alem do explanado, este ultimo processo, vem deitar por terra, a lenda de que o complemento: "Pichorro" desta freguesia, tem que ver com a terceira invacao francesa, que aconteceu em 1810. Porque 73 anos antes daquela invasao, ja esta povoacao usava aquele complemento identificativo.

sábado, setembro 16, 2006

Graniticas "Terras de Algodres"


Nesta regiao onde o granito e rei, podemos apreciar varias formacoes rochosas como a da fotografia. Algumas o povo na sua sabedoria secular, deu-lhes nomes sugestivos: Pedra da Pita, Pedra do Tlin Tlin, Lage Escorregadia, Penedo do Porco, Penedo Furado, etc etc.
Como chamariam os meus amigos a esta formacao?

quarta-feira, setembro 13, 2006

PROS (com acento!)

Aconselhava os meus amigos leitores, a consultar a entrada; "Pros" escrita pelo meu conterraneo distrital: Francisco Jose Viegas, no seu "blog": http://origemdasespecies.blogspot.com

Tambem la podem chegar atravez dos meus links: ORIGEM das especies.

Depois digam algo.

sábado, setembro 09, 2006

Ha 700 ANOS " em tempo de tolerancia."

Tive conhecimento atravez do meu amigo Inacio Steinhardt; (www.geocities.com/ishluz) , que se cumprem amanha 10 de Setembro, os setecentos anos da inauguracao da primeira grande sinagoga de Lisboa.
Nesse ano, esse dia da nossa era comum, coincidiu com o primeiro dia do Rosh Hashana do ano de 5067, ou primeiro do mes de Tishri, que de acordo com a tradicao, foi tambem quando se terminou a construcao do Templo do Rei Salomao.

Esta opulenta sinagoga para aquele tempo, foi inaugurada pelo Rabi-Mor Dom Judah Ben Yahia, neto do primeiro Rabi-Mor do reino de Portugal, Yahia Ibn-Yaish nomeado por D. Afonso Henriques.
No Museu Abraham Zacuto em Tomar (antiga sinagoga daquela cidade) ainda se conserva a placa dessa sinagoga, embora ja bastante danificada.

Aquela sinagoga estava situada a entrada da Judiaria Grande de Lisboa, relativamente perto da Igreja da Madalena.

Quando em 1497, foi ordenada a conversao forcada dos judeus, todas as sinagogas passaram para a posse do Rei. Pelo que D. Manuel I anos mais tarde, doou o edificio da sinagoga aos frades da Ordem de Cristo, que o transformaram depois de autorizados pelo Papa, na igreja da Senhora da Conceicao (Velha), destruida totalmente pelo terramoto de 1755.

Devo fazer notar, que a ultima sinagoga construida em Portugal, foi a de Gouveia na nossa Serra da Estrela, creio que um ou dois anos antes, da expulsao e conversao forcada dos judeus.

Embora sem a cultura (ou instrucao) trazida pelo Renascimento, os nossos Reis da primeira dinastia, tinham muito mais sentido de justica e eram muito mais tolerantes, para com a gente que professava outras religioes.
Infelizmente para nos portugueses, com as riquezas trazidas com as "Descobertas" (muito devidas ao contributo dos judeus) veio tambem a intolerancia, o odio e a inveja, em quantidades tais, que endureceu o coracao daqueles que por centenas de anos, viveram em harmonia com mouros e judeus.
Nisto, nao esquecamos nunca, o papel intolerante e fanatico, desempenhado pela "Santa" Igreja, Catolica e Romana.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Ainda a Casa de Algodres

Voltando a referir-me a casa de Algodres, em que se encontra a inscricao: D 1724, queria fazer mais algumas consideracoes.
O meu amigo Nuno Soares num comentario, referiu que o "D" talvez fosse identificativo de AD (Ano Dominum) referente a nossa comum era, eu discordo porque ali e bem claro so se ver o "D" e nao existe nenhuma duvida que possa ter existido algum A.
O que eu vejo sem grandes duvidas, e neste "D" o Mem ou o Samech do alfabeto hebraico.
Quero tambem lembrar aos meus amigos leitores, que o Samech e a 18a letra do referido alfabeto e que o numero 18 e um numero muito significativo para os judeus, (este numero e o equivalente da palavra Chai, que significa vida) e esta a razao pela qual, as doacoes para as obras assistenciais dos judeus, sao rotineiramente denominadas por 18.
Devo fazer notar a alguns menos atentos leitores, que ja noutras duas gravacoes existentes em casas do meu concelho Fornos de Algodres (arquivos de 4 de Marco) e Figueiro da Granja (6 e 8 de Julho), encontrei o numero 18, em casas que foram com muita probabilidade de "cristaos-novos".

segunda-feira, setembro 04, 2006

GRAVACAO de VILA CHA conclusao possivel


Com a preciosa ajuda dos meus amigos e comentadores e os meus fracos conhecimentos epigraficos, estou convicto de ter chegado a conclusao mais logica, acerca desta gravacao, que podera ser vista numa antiga casa de "balcao". Esta situada junto ao largo do Terreiro, em Vila Cha (d'Algodres), no municipio de Fornos de Algodres.

Significara: "I (Jesus) H (Hominum) S (Salvatore) Deus", tera sido feita entre os seculos XVI e XVIII (embora eu pessoalmente esteja mais inclinado, em ter sido no seculo XVII).
Suponho tambem, sem muitas duvidas, ter sido mandada fazer por algum "cristao-novo", portanto judeu convertido.

E interessante sublinhar, que embora o Salvador portanto Jesus, tem uma total ausencia de qualquer cruz, o que e significativo. Tambem e interessante que embora se possa ver a palavra D*us, ela esta camuflada pela subreposicao de letras; os judeus nunca escrevem a palavra de D*us completa. E tambem interessante que em lugar da cruz sobre o H encontra-se um "til" que de acordo com alguns autores significa uma separacao entre a terra e o ceu.

Neste caso querera dizer que Jesus nao era divino, mas unicamente terreno. Como sabemos, tanto os judeus como os mussulmanos, embora considerem Jesus um profecta, nunca o consideraram filho de D*us.

quarta-feira, agosto 30, 2006

CASA DE ALGODRES


Esta casa que se encontra situada relativamente perto, do Largo da Nogueira, em Algodres, e um bom exemplo de como se deveria recuperar as casas históricas.
Sobre a ombreira da porta, esta a seguinte inscrição: D 1724. E muito provável, que tenha sido propriedade de algum cristão-novo, e, o D signifique D*us.
Sabe-se que ainda hoje, os judeus tem muita relutância, em escrever o nome completo de D*us.
Poderá também ser a sigla do pedreiro constructor, mas no século XVIII, esse costume já estava em desuso. Ou também poderá ser, a inicial do antigo proprietario da casa.
Sempre ficaremos na duvida!
Quero também fazer notar nesta construção, os cachorros ladeando a janela, habito antigo nas construcoes da nossa Beira.
Finalizo com a ideia, de que este suposto D, nao e nada mais, do que o "Men" do alfabeto hebraico!

terça-feira, agosto 29, 2006

ALGODRES e suas terras

Depois de mais de um ano de: "Judeus em Terras de Algodres" e porque desejo que este "blog" continue mais tematico. Decidi iniciar ontem um outro: http://algodres.blogspot.com (meus liks) tem o endereco mais facil de digitar e ate ver, tera comentarios livres. Sera fundamentalmente, sobre a divulgacao historica, documental e arquitectonica de todo o municipio de Fornos de Algodres.
Aos meus queridos amigos, leitores e comentadores, queria deixar um pedido, passem por la de vez em quando e digam da vossa justica.

Um bem beirao: BEM HAJAM.

sexta-feira, agosto 25, 2006

ANIVERSARIO

Com o infausto acontecimento ocorrido a minha familia, ate passou sem referencia o primeiro aniversario deste meu humilde "blog".
Foi o meu amigo Nuno do "blog sobre Algodres" (meus links) que me veio lembrar a data.
Realmente foi no dia 11 de Agosto de 2005, que iniciei estas lides bloguisticas.
Tenho que agradecer a colaboracao de todos os meus amigos leitores e comentadores, pois foram eles que ajudaram e, fizeram com que este projecto tivesse atingido ja um ano de existencia, especialmente quero lembrar que foi o Dr. Nuno Soares, que de certa forma me infectou com este "virus".

Bem hajam a todos pela amizade, que se nao fosse desta forma virtual, provavelmente nunca aconteceria.

Provavelmente brevemente irei reformular, ou ate modificar este blog, mas com "judeus" ou sem eles, continuarei a divulgar as "Terras de Algodres"

terça-feira, agosto 22, 2006

SENHORA DO CARMO Vila Cha - Fornos de Algodres


Ja ha algum tempo divulguei uma fotografia e referi-me a este solar, existente na minha aldeia natal. Hoje e aqui, podemos ver com mais detalhe, a frontaria da capela e a porta principal da casa.

Suponho que o edificio devera datar do seculo XVII ou XVIII, embora haja conhecimento da existencia da familia Soveral, (antepassados dos Pedrosos antigos proprietarios desta casa), pelo menos no seculo XV, pelo que a fundacao sera muito anterior.
O interior da capela e barroco, com um belo altar em talha dourada e tecto em caixotoes, com quadros com pinturas iconograficas, conserva tambem algumas imagens antigas, entre as quais uma pequena da virgem com o menino em pedra.

A pequena casa adjacente com timpano em branco, foi aquela em que este humilde escriba habitou quando veio ao mundo, ja la vao umas dezenas de anos, pelo que conheco estas construcoes muito bem, ficam muito perto da inscricao referida a relativamente pouco tempo.

domingo, agosto 20, 2006

AGRADECIMENTO E HOMENAGEM


Quero sinceramente agradecer a todos os meus amigos leitores, a simpatia que tiveram ao enviar a sua solidariedade para comigo e minha familia, nestes momentos e dias dificeis; bem hajam todos.

Ao mesmo tempo quero com esta fotografia da nossa casa, prestar a minha humilde homenagem, aquele que me deu a vida e em epoca de muitas dificuldades, teve e forca para a adquirir e, ja com a doenca a minar-lhe o corpo ainda teve coragem para a recuperar.

Esta casa situada na Rua da Estacao em Fornos de Algodres, foi mandada edificar na primeira decada do seculo XX, e foi propriedade de uma familia de comerciantes, tendo um deles, sido vareador municipal na primeira camara republicana e, Provedor da Mesericordia em fins do seculo XIX.

terça-feira, agosto 08, 2006

DE LUTO

Hoje dia 8 de Agosto de 2006 este "blog" esta de luto.
O patriarca da familia CARDOSO, acaba de finar-se.
Se nao for aos vossos blogs, ja sabem o motivo.

ADEUS PAIZINHO.

SENHORA DA GRACA - Fornos de Algodres


Esta capela foi fundada no seculo XVI, inicialmente tinha a invocacao de Nossa Senhora do Sobreirinho, porque a imagem inicial foi descoberta junto a um sobreiro.
Desde tempos imemoriais, celebram-se festas grandiosas em louvor de Na. Sa. da Graca, que outrora eram em Outubro, realizando-se tambem uma feira anual.
Tiveram no entanto um interegno em meados do seculo passado, passando a realizar-se novamente na decada de setenta, mas ja no ultimo fim de semana de Setembro.
Presentemente realizam-se no terceiro fim de semana de Agosto integradas nas festas da vila de Fornos de Algodres.
Passem por la entre os dias 18 e 21, ja que eu nao o poderei fazer.
Para os amigos de historia e arqueologia informo que junto a esta capela se encontra um troco relativamente bem conservado de uma via romana.

sábado, agosto 05, 2006

"A ROTA DAS ANTIGAS JUDIARIAS"

Devido ao continuar da guerra e guerrilha no medio oriente, que teima em continuar, ocurreu-me falar hoje de um tema que embora relacionado com uma das faccoes em conflito, tem muito que ver com a nossa regiao.
Estou a referir-me a Regiao de Turismo da Serra da Estrela e a uma das rotas sugeridas, para uma visita as nossa bandas: "a Rota das Antigas Judiarias".
Visita que teria (ou deveria) iniciar-se na bela vila de Belmonte, onde presiste ate hoje uma pequena comunidade judaica, com raizes na epoca medieval; Tem tambem o recem inaugurado Museu Judaico, e a sua contemporanea sinagoga.
Seguidamente passariamos pela Covilha e Guarda, cidades em que existiram grandes comunidades hebraicas, das quais ainda presistem varios vestigios, nas suas zonas mais antigas.
Passariamos depois a Trancoso com a sua Casa do Gato Negro (suposta antiga sinagoga) e a antiga judiaria, Celorico da Beira e Linhares onde existem tambem muitos vestigios das suas judiarias. Gouveia onde se construiu a ultima sinagoga antes da expulsao dos judeus.
E poderamos terminar por "terras" de Fornos de Algodres, onde tem sido descoberto alguns vestigios que nos poderam levar aos "cristaos-novos" portanto judeus convertidos, que tem sido divulgados neste meu "sitio".
Por agora ficamos por aqui, mas se os arabes levarem a deles avante, quem sabe um dia possamos tambem visitar as antigas judiarias, das cidades arabes de Haifa, Jerusalem e Telavive, cidades onde viveram judeus ate aos principios do seculo XXI.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Gravacao em Vila Cha III


Aqui publico a versao da gravacao a preto e branco, que eu acentuei a negro, onde se podera melhor observar a minha teoria do "post" anterior.
Caso algum dos meus amigos tenha algo mais a crescentar, continuo aberto as varias opinioes.

terça-feira, agosto 01, 2006

Gravacao de Vila Cha II

Voltando de umas curtas mas recuperadoras ferias, encontrei bastantes bons desejos, por parte dos meus amigos e, algumas ideias para a interpertacao desta gravacao.
Brevemente irei colocar uma outra fotografia a preto e branco, em que se podera ver, talvez melhor, os caracteres ai gravados.
Eu que conheco esta inscricao desde a mais tenra idade, nunca na segunda letra vi um H mas sim um F mal feito seguido de um I, porque julgava que o que parece ser um til, fazia parte da segunda letra.
A ser de facto um H qual sera o significado do til sobre ele?
Quanto a quarta e quinta letra, quer-me parecer ser um E com o D sobreposto, como outrora era normal escrever DE, seguido de um I e um S.
Como referi na outra entrada, suponho que a inscricao nao esteja completa, pelo que sera muito mais dificil a sua intrepertacao.
A ser: iHS o inicio da inscricao, podera ter que ver com uma familia mais religiosa ou recem convertida, entre os seculos XV e XVIII, interessante tambem, e o facto de ainda hoje, os proprietarios dessa casa terem o apelido: Carvalho.
Como muita gente afirma, (embora nao esteja provado) muitos dos judeus convertidos adoptaram nomes de arvores, e Carvalho era um desses nomes.