quarta-feira, novembro 08, 2006

Judeus tambem na Muxagata (d'Algodres)

Sendo povoacao com alguma importancia, desde o tempo imperio romano e da idade media; pois ate teve um pequeno castelo e uma torre no alto do Belcaide, de que ainda ha referencias na toponomia. Ja calculava por isso que tambem, na Muxagata tivessem residido judeus.
Embora nao se encontrem vestigios no terreno, (tanto quanto sei) por aqui passava uma estrada que de Algodres se dirigia a zona de Celorico, atravessando a ribeira da Cortegada ou Muxagata, junto a esta aldeia e depois de passar a pequena serra, tambem o Rio Mondego ("Monda" romano e "Mandingo" medieval).
E sabido tambem, que os judeus sendo gente de negocio, tendiam a residir junto a vias de comunicacao.

Corroborando estas minhas suspeitas, descobri recentemente um processo do Tribunal do Santo Oficio de Lisboa, em que entre 22 de Setembro de 1663 e 26 de Abril de 1665, foi investigado e acusado de judaismo, o soldado de cavalo: Henrique Frois Nunes, filho de Francisco de Matos da Muxagata e de Isabel Flores de Linhares.

Creio que deveria ter havido mais familias "judaicas" nesta aldeia, no entanto ate ao momento nao consegui encontrar mais nenhuma evidencia. Caso alguem da Muxagata leia esta entrada e tenha mais alguma informacao, adoraria a sua colaboracao.

4 comentários:

gentilezadocaralho disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Klatuu o embuçado disse...

[Fónix, que esse cromo aí não desiste... muitos «blogs» faz este gajo!]

A toponímia é sempre um bom indício...

Abraço!

Sergio Silva disse...

Olá amigo

Haviam muitos judeus em Muxagata inclusive alguns que adotaram como sobrenome o nome deste lugar. Escreviam também Moxagata. Estou relendo meus arquivos e assim que encontrar os nomes eu posto aqui em seu Blog.Em Amsterdã havia uma família judaico-portuguesa com esse sobrenome.Em Algodres também haviam judeus.

Um abraço
Sérgio Silva

Helena Ladeiro disse...

Boa Tarde,

Brites de Campos, a Choqueta, era de Muxagata, de 1699, em plena Inquisição. Partilho convosco o que lhe aconteceu:

PROCESSO DE BRITES DE CAMPOS

NÍVEL DE DESCRIÇÃO: Documento composto CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-IC/025/01122 DATAS DE PRODUÇÃO: 1725-04-25 a 1729-07-22 DIMENSÃO E SUPORTE: 127 f.; papel

ÂMBITO E CONTEÚDO

Outras formas do nome: "a Choqueta"

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 26 anos Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Muxagata, bispado de Lamego

Morada: Vila Nova de Foz Côa, bispado de Lamego

Pai: Diogo Lopes

Mãe: Brites de Campos

Estado civil: casada

Cônjuge: Jorge Rodrigues, "o Surdo", curtidor

Data da prisão: 15/05/1725

Sentença: auto-de-fé de 30/06/1726. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuo, instrução na fé, penitências espirituais.

COTA ACTUAL Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 1122

http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=2350825