sábado, novembro 25, 2006

A Ara de Queiriz - "nova explicacao"

Continuando a referir-me a "Ara romana de Queiriz" e alertado pelo Doutor Pedro Pina Nobrega, que faz o favor de ser meu amigo, quero fazer algumas correccoes e dar aos meus amigos leitores diferentes versoes (talvez mais abalizadas) da leitura desta lapide, que eu nunca vi pessoalmente, pelo que nao tenho grande opiniao, nem grandes conhecimentos para te-la.

Primeiramente quero corrigir a actual localizacao desta inscricao. Nao se encontra no Museu Distrital de Viseu como eu informava, mas sim no quintal na Assembleia Distrital de Viseu, tendo sido inventariada pelo Professor Vaz com o numero 614.

O inventariador Professor Doutor, Joao Inez Vaz na sua tese de doutoramento com o titulo: "A Civitas de Viseu, Espaco e Sociedade. (1997) Pags. 205-206", apresenta-nos para esta "Ara" a seguinte descricao:

DVA/TIVS / APINIS F (ilivs) I BANDI/ TATIBIIAIC / VI. VOCTO TOLIT I (vssv)

A traducao para portugues corrente sera a seguinte:
"Por Ordem de Banda Tatibeaico, Duatio, filho de Apino Levantou (esse) Voto.

Temos que concluir que aparentemente Russel Cortez tera confundido algumas letras a comecar pela primeira.
Sem ter visto esta inscricao fico sempre com a duvida, mas o Professor Vaz merece-me muitissimo mais credito.

Tambem o Doutor Pedro Pina Nobrega, se referiu ao de leve a esta lapide, quando estudando uma Ara existente na freguesia das Antas, Penalva do Castelo, fez as seguintes descricoes: "....Tendo em consideracao a inscricao proveniente de Orjais, Covilha; (ENCARNACAO, Jose de, (1975) Divindades Indigenas sob o Dominio Romano; "...a divindade terminada em ...ei, e semelhante ao daquela, ou seja em ...ui; a semelhanca do epiteto da inscricao de Queiriz, Fornos de Algodres."
Parece que de acordo com os articulistas referidos: ENCARNACAO, VAZ E NOBREGA, e reportando-nos ao ultimo que os referiu no seu trabalho publicado no : Ficheiro Epigrafico da Universidade de Coimbra (Suplemento de "Conimbriga" de 2004 Numero 75, pag. 335) a divindade: "Bandi" (Banda) estara relacionada com os "Vircaui", nome de um povo muito conhecido, na area da "Civitas" de Viseu. Pois para alem das referidas inscricoes de Queiriz e de Antas, existe uma outra tambem ja estudada pelo referido Professor Vaz, proveniente de Esmolfe (a terra a famosa maca) no concelho de Penalva do Castelo, (VAZ, 1997, Pag. 204) que lhes faz referencia

Espero que estas contribuicoes, venham contribuir bastante para a divulgacao desta lapide, assim como espero (e dentro das minhas fracas possibilidades irei fazer os possiveis) que esta Ara de Queiriz, regresse ao municipio de onde e originaria.

11 comentários:

Luís Galego disse...

"espero (e dentro das minhas fracas possibilidades irei fazer os possiveis) que esta Ara de Queiriz, regresse ao municipio de onde e originaria.".

caso necessário, cá estamos prontos para uma petição ou o que se afigure necessário, um abraço

al cardoso disse...

Bem haja caro Luis Galego: mas creio que nao sera necessario para ja, irmos muito mais longe, esta uma pessoa muito competente a tratar do assunto.

No entanto agradeco todas as ajudas.

ppn disse...

Caro Albino

Uma corecção: Os Vircaui não serão uma divindade mas um povo. Ou seja a ara de Antas foi dedicada a Banda dos "Vircaui".
Uma achega: Band- é uma divindade registada na epigrafia peninsular, não dendo um exclusivo da nossa área. Dentro da Civitas de Viseu ela surge apenas em duas zonas: 2 epígrafes no concelho de S. Pedro do Sul e depois na Zona Penalva/Fornos (com as aras de Esmolfe, Antas e Queiriz). Curiosamente em todos os casos com castros por perto! Não quer dizer que haja uma relação, mas reparei agora ao escrever este texto. O que é certo é que em todas stas 5 epígrafes sirge sempre o nome Banda associado a um povo.
Sem prometer nada, vou tentar ir a Viseu e tirar uma foto da dita.
Entratanto vou lhe enviar uma digitalização da foto publicada pelo Prof. Jão Vaz.

Ah! Não me trate por Dr., muito menos por extenso.

Moura disse...

Blogosfera fantástica...depois de tirar a limpo a descrição de uma lápide e a sua localização, acaba por gerar um movimento de recondução ao lugar mais que merecido. No final, talvez possamos dizer "O bom filho à casa torna!!"
Bom fim de semana

Anónimo disse...

Banda (Bandus)era uma divindade comum aos "Lusitani" e aos "Callaeci",conforme refere Buá em 1997 e que designa como "deuses nacionais ocidentais". Outras divindades como Arentius, Quangeius e Trebarunis eram divindades comuns a todos os "populi" luistanos, portanto supra "populi". Este mesmo autor, bem como o Professor Alarcão defendem e preoblematizam se, apesar de haver estas divindades não haveria outras que apenas tutelavam os "populi" individualmente. Isto é: será que na antiguidade cada "populus" tinha o seu "padroeiro"?
Os estudos prosseguidos por Alarcão apontam diversas pistas nesse sentido. Desta forma os "Vircaui" adoravam Banda e provavelmente outra divindade local, mas de menor importância no espectro da sacralidade daquele povo.

ppn disse...

No seguimento do post do António (TSFM) adianto que como Armando Coelho Ferreira da Silva, Jorge de Alarcão e outros investigadores defendem existiriam de facto divindades locais e "nacionais", no sentido de serem veneradas por mais que um povo. Na Civitas de Viseu a que pertencia os nossos concelhos de Penalva do Castelo e Mangualde e parte do concelho do Al, Fornos de Algodres, existiam três divindades nacionais Band-, Crouga e Cosus. Divindades locais seriam Lurunis, Peintici, Albucelaincus, Docquirus e Arus.
Para quem se interessa por esta temática, recomendo o Catálogo da Exposição "Religiões da Lusitânia" editado pelo IPM/Museu Nacional de Arqueologia. Aí encontra sínteses actuais e com abundantes referências bibliográficas.

Klatuu o embuçado disse...

Espero que façam uma lápide para o Cesariny em chinês de Chelas ou em esperanto marciano, para que ninguém saiba, ninguém saiba!

Paz e sabedoria, amigo Al!

RPM disse...

Amigo Cardoso....

uma relíquia as explicações...mas não seja excessivamente 'bairrista'....ou fundamentalista 'bairrista' das terras de algodres.

com amizade

RPM

Chanesco disse...

Caro amigo Al

Há uns tempos que aqui não venho, mas verifico que o meu amigo continua imparável nas belas descrições que faz e no empenho que põe em tudo o que na sua terra tenha interesse histórico.

Um abraço raiano

al cardoso disse...

Caro RPM:

Ate poderei concordar, que por vezes posso exceder-me no meu "bairrismo", mas pode crer que de fundamentalista nao tenho absolutamente nada.
Tenho como filosofia minha que "todo aquele que nao gostar de si, nunca podera gostar dos outros", ora isto tambem se aplica as nossas terras e regioes.
Como ja deve ter reparado os meus blogs sao basicamente "regionais" porque embora e felizmente conheca bastante bem todo o nosso pais, e a minha regiao e principalmente o meu municipio que conheco muito melhor. E por isso a ele me refiro quase sempre.
Portugal e gracas a D*us um pais muito belo e variado, e pode crer que gosto de todo ele, incluindo a regiao onde reside que e uma das minhas favoritas.
As vezes e bom receber-mos comentarios que nos fazem pensar, mas creio que nao irei modificar o formato nem a tematica dos meus blogs, porque creio que estao dentro dos principios para quais os criei.

Um abraco de amizade da "Serra" (a Estrela claro)

al cardoso disse...

Caro Pina Nobrega:

Ja corrigi a entrada, bem haja pelo reparo, veja se assim ficou melhor.