sábado, novembro 05, 2005

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE I

Tal como o seu nome parece indicar, Vila Ruiva deve ter herdado o nome de alguma "villae" agricola fundada pelos romanos, que tera sido pertenca de algum "Ruy" ou "Ruyvo" e dai o seu nome. Esta e tambem a opiniao do monsenhor Pinheiro Marques na monografia: "Terras de Algodres". O complemento "da Serra" e para a identificar em relacao a povoacoes com nome semelhante, no entanto nem faz muito sentido, porque na realidade ainda nao se encontra localizada na serra da Estrela, mas sim no planalto entre o rio Mondego e a vertente norte da mesma serra.

Do tempo da romanizacao ainda hoje existem varios testemunhos e vestigios; o referido monsenhor alude a existencia de uma pedra ou marco que ja em 1938 se encontrava partido, no qual se encontravam gravados simbolos ou letras, seria provavelmente um marco miliario e pertenceria, a uma estrada que aqui passava vindo da Ponte Nova, ou da dos "Juncaens" ambas pontes romanas destruidas aquando da terceira invasao francesa. Esta estrada dirigia-se para a serra provavelmente para Linhares e atravessava a necropole de sepulturas escavadas na rocha, hoje encontra-se soterrada. Junto desta via encontrava-se uma lapide romana, afirmava "Pinheiro Marques"; de acordo com informacoes populares. Presentemente nao sei onde se encontram esses vestigios, pelo que se alguem souber gostaria de puder contar com essa informacao.

Esta freguesia esteve desde a sua fundacao, incluida no termo do concelho de Linhares, a quem D. Afonso Henriques concedeu foral em 1169. No ano de 1855 com a extincao deste concelho, passou para o de Gouveia, de onde foi desmenbrada por decreto de 13 de Janeiro de 1898 passando nessa altura para o actual concelho de Fornos de Algodres. Pouco mais sei sobre a historia desta terra, para alem do facto de que durante a terceira invasao francesa, (1810-1811) a sua passagem cometeram estas tropas toda a sorte de crimes, roubos e destruicoes, entre a quais a da tribuna do altar mor da igreja de Na. Sa. da Graca.

Como e correntemente sabido, os judeus existem na peninsula Iberica desde pelo menos do tempo das feitorias dos gregos e cartagineses, o que nao e de admirar pois sempre foram um povo de mercadores, no entanto foi com os romanos que mais se espalharam por todo o imperio, principalmente depois da destruicao de Jerusalem no ano 70 da nossa era. Nao tenho para alem de suposicoes, nenhuns dados concrectos sobre a presenca judaica nesta freguesia, tampouco tenho conhecimento de nenhuma casa marcada com simbolos de cristaos-novos (caso algum leitor tenha conhecimento gostaria de ter o seu comentario). Mas tendo havido uma prospera e vigorosa judiaria em Linhares, nao seria de estranhar que tivesse havido judeus nas freguesias pertencentes e por conseguinte tambem em Vila Ruiva, pois pela sua localizacao junto a uma via romana, faria todo o sentido a sua existencia

2 comentários:

Anónimo disse...

Ao dono do Blog,

Não sou destes lugares que anda a pesquizar, mas é um tema que me interessa, já que sou apaixonada por História e Antropologia.
Com avó materna alentejana, região do País, onde se fixaram muitos judeus, em Portugal, sobretudo quando foram expulsos de Espanha pelos reis católicos, mas também onde se fixaram muitos outros - aquando da sua expulsão do nosso País, pelo Marquês de Pombal, optando por não abandonar o País, convertendo-se à fé católica - embora não em todo o alentejo (também muitos judeus d'origem Marroquina, se fixaram no Algarve, embora a população algarvia tenha muitas raízes árabes, como é fácil de se observar até p'la sua fisionomia) e avô paterno de Trás-os-Montes (onde igualmente se fixaram muitos judeus, antes e depois do período em que reinaram em Espanha os Reis citados acima, mas, novamente não, em toda esta região), devo dizer-lhe que certamente eu e muitíssimos portugueses, teremos certamente, "costelas" judaicas. E orgulho de as termos. Alguma da sua inteligência inata, deverá residir nos nossos genes e ainda bem.

Também no Centro do País, eles se fixaram - Fundão, Gouveia, Manteigas, Seia, Covilhã etc., não esquecendo Belmonte, onde ainda reside hoje em dia, como sabe, uma importante comunidade judaica.

Mas tudo isto Você saberá, estou em crer. O que me leva a enviar-lhe este post, é perguntar-lhe se conhece os apelidos (e até nomes próprios), que foram adoptados, a determinada altura da História, pelos judeus que se fixaram no nosso País, ou por aqueles, que já vivendo cá, se converteram à fé católica, adptando nomes portugueses, mas exclusivos d'eles, para se reconhecerem entre eles fácilmente.
Uma das curiosidades a propósito d'apelidos alemães d'origem judaica, soube-a eu há muitos anos, quando esteve cá o extraordinário pianista Arthur Rubinstein, que numa entrevista na Televisão, explicou que os judeus desta origem, tinham o seu apelido, normalmente, designando pedras ou metais preciosos, o que achei curioso, porque por exemplo, os apelidos portugueses (de que ele também falou, na altura) e conotados com pessoas de eventual origem judaica, são nomes de árvores, flores, ervas e corruptelas destes. Mas penso que tudo isto, já será do seu conhecimento.

Como saberá o seu apelido é d'origem judaica, mas também muitos Cardosos de Portugal, alguns d'origem aristocrática o que o faz, certamente, sentir-se muito bem na sua pele e com toda a com razão!

Muitos parabéns pelo seu Blog.

Maria.

al cardoso disse...

Cara Maria: Bem haja pelas simpaticas palavras, quanto as informacoes que deseja, creio que se visitar: http://ruadajudiaria.com encontrara muita da informacao de que necessita. Pode clicar nos meus links em Rua da Judiaria.
Um abraco beirao.