segunda-feira, abril 15, 2013

"Enfias", (Infias) em Principios do seculo XVIII!

Igreja Paroquial de S. Pedro.
Na "Coreografia Portuguesa" escrita pelo padre António Carvalho Costa, e publicada em Dezembro de 1708, era assim descrita a nossa vila de Infias:

A ortografia e a original e, os comentários entre parentes são meus!

....."A Villa, &; Concelho de Enfias fica a seis legoas ao nascente de Vizeu, he terra muy limitada, (pequena) tem 50 vizinhos (fogos=famílias) com hua Igreja Paroquial da invocação de São Pedro, Abadia do Bispo de Vizeu, &; duas Ermidas. (Capelas: a de Santa Isabel na Quinta do Casainho e, a de Nossa Senhora da Graça, encostada pelo lado de fora a fachada sul da Igreja) Tem Juiz ordinário, (Juiz e presidente da câmara) &; hum Escrivão que serve todos os officios da Terra. &; no que toca ao militar he annexo ao Concelho de Tavares. (interessante o facto de, embora junto a Vila de Fornos de Algodres, que fica a 1 quilometro e, que tinha uma companhia de ordenanças, estava anexada ao Concelho de Tavares, na área militar, concelho esse que fica muito mais longe!)

Quem sabe não seria, porque já nesses tempos existiam rivalidades, entre Infias e Fornos, rivalidades essas, que ainda hoje um pouco mais esbatidas, ainda existem!

A titulo de informação devo acrescentar, que nenhuma dessas duas capelas existe actualmente.
A de Santa Isabel, no Casainho, era uma capela vinculada da família Melo, que estando já arruinada quando o Marquez de Tomar adquiriu a propriedade, no século XIX, foi abandonada e, em princípios do século XX, foi transformada em residência de ferias, da família Costa Cabral!
A esta capela, vinha uma romaria no dia da Santa: 4 de Julho, da vila de Fornos e da antiga freguesia do Ramirao, com celebração de missa. Informa-nos o Monsenhor Pinheiro Marques, no "Terras de Algodres", que ainda em princípios do século XX se realizava a romaria, mas que porque a capela estava arruinada, a missa já se realizava na igreja de S. Pedro. Suponho que a imagem de Santa Isabel, continua na posse da família proprietaria, da Quinta do Casainho.
Quanto a capela de Nossa Senhora da Graça, que era pertença do povo, de que há também noticia, na Descrição das povoacoes do Reino no século XVII e, nos interrogatorios do século XVIII (1758) e bem assim, em vários documentos da diocese de Viseu. Embora sem certezas nenhumas, estou em crer que terá sido demolida aquando das obras na igreja, no século XIX (1822); quando foi construído o actual campanário de duas ventanas, pois o anterior era de uma só! E também para a abertura da estrada; (actualmente Avenida Principal) que liga ao cruzamento da actual estrada que segue para a Matança! Neste momento e tanto quanto sei, nem da imagem da Virgem existem rastos!

9 comentários:

aluap disse...

É essa Igreja que aparece documentada no Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia no reino de Portugal e Algarves pelos anos de 1320-21?
Segundo esse documento de 1320, transcrito por Fortunato de Almeida na sua História da Igreja em Portugal, na relação das igrejas da "Terra Aquém do Monte" aparece a de São Pedro de Infias e igreja de São Pedro de Penaverde!
Penaverde, tal como Infias também foi Villa e Concelho!

Bom fs e um abraço.

al cardoso disse...

Exactamente amiga aluaP, E eu estou seguro que a Igreja de S. Pedro de Penaverde, era a de S. Pedro actualmente no territorio da sua freguesia de Forninhos, que ja vi um autor afirmar, que era a matriz de todo o concelho de Penaverde, na epoca medieval.
Que pena ja nem ruinas dela precistem, embora se saiba onde se localizava, seria bom que ai houvesse uma escavacao arqueologica, que parece este prevista para este ano, mas a chuva parece que nao deixou!
Portanto esta igreja e muito mais antiga que a actual Matriz de Penaverde.

Um abraco.

aluap disse...

Sim, é isso. Consta por tradição que a primeira igreja paroquial esteve no sítio paroquial de S. Pedro, mas sendo pequena e estando bastante danificada pelo tempo os fregueses construíram a actual dentro da povoação - onde está hoje! Não se sabe ao certo quando passou para a Villa. Pinho Leal diz que foi há mais de 300 anos, mas o Pe. Luís Lemos, dizia que talvez se possam acrescentar mais de mil anos aos trezentos de Pinho Leal, visto que este povoado foi destruído, muito provavelmente com o fim do domínio romano.
Quanto às escavações, acho que era para começarem este ano, sendo que na semana da Páscoa iam fazer uma espécie de levantamento da área e ainda abranger uma área mais vasta, por Carapito, Queiriz e Penaverde, mas o tempo nessa semana não o permitiu e, por isso, ficou tudo adiado, só não sei para quando!

Abraço e boa semana!

al cardoso disse...

Provavelmente tanto o Pinho Leal estara errado por baixo, assim como o Padre Luis de Lemos o estara por alto!
Estou em crer que essa mudanca ter-se-a dado, com a reconquista crista, ai pelos anos mil da nossa era!

A falta de documentos escritos e o que se me ocorre, pela logica!

Um abraco de amizade.

Anónimo disse...

É muito bom saber de cidadãos assim tão bem documentados...Parabéns. Tita

ed santos disse...

Muito boa tarde amigo Al Cardoso.
Como sugerido por si, cá estou neste sitio, não o conhecia, se conhecesse, de certeza que tinha participado, mas prometo visita-lo e dar a minha opinião se souber, claro.
Como neste post se falou dos trabalhos previstos para a serra de S. Pedro e não tiveram continuidade, quero informar que as escavações foram feitas em agosto/2013, os investigadores concluíram que neste local onde está o talegre, teria havido um castro, que se pode atribuir á idade do Bronze Final, por volta de 1100/800 a C.
Á época romana pode incluir as lagareta, uma base de coluna na capela dos Valagotes e os achados na Pardamaia. Seguiu-se o período das invasões barbaras, mas não encontraram vestígios. Já ao período das invasões muçulmanas, é atribuído o castelo do morro mais acima no qual são bem visíveis os vestígios que, creio já conhece, e datado do seculo X/XI.
Quanto á capela de S. pedro, encontraram alguns vestígios mas não fizeram escavações no local, assim como na necrópole, que segundo já ouvi, está em vias de classificação.
Se quiser mais alguma informação que esteja ao meu alcance, estou disponível para contribuir.
Já tenho o livro que lhe quero oferecer, tenho a certeza que vai gostar de ler.
Um abraço.


Al Cardoso disse...

Bem haja amigo Eduardo:

Como sempre fico muito agradado com os seus comentarios, e sim o livro, que tem dado alguma polemica bloguistica, terei muito prazer em adquiri-lo e pode crer que o lerei com gosto, e como nao sou de Forninhos poderei ver as coisas com menos paixao!
Em principios andarei por ai uns dias em Maio, depois combinamos!

Um grande abraco.

ed santos disse...

Bem haja tambem amigo Al.
Cá o espero em maio para trocarmos algumas impressões e mosra-lhe melhor o Viseu de hoje.
Eu não vou alimentar mais polémicas no blog de Forninhos por motivos que de certeza se apercebeu, mas vou visitando, tanto o seu como o de Forninhos.
Um abraço.

aluap disse...

É mentira que tenham encontrado vestígios da Capela de S. Pedro e se em Ago/2014 os Srs. Arqueólogos não fizeram escavações no local foi porque ninguém de Forninhos hoje sabe dizer ao certo onde era a capela!
Mas se o Sr. Eduardo Santos sabe, podia ter-lhes indicado...
Em jeito de abertura do apetite, dentro de horas aparecerá um outro texto relativo à 'fantástica' obra que, que vai gostar de ler.

Um abraço forninhense, da
Paula (blog dos forninhenses).