domingo, dezembro 03, 2006

O antigo concelho de FORNOS (sem Algodres)


Do antigo concelho de "Fornos", nao se lhe conhece nenhum foral, havendo no entanto quem afirme, que o teve por D. Dinis em 1314, no entanto pelas inquiricoes de 1258 (D. Afonso III) sabe-se que ja era concelho nessa altura e, uma terra reguenga (propriedade real) .
O termo partia com Algodres a norte e a nascente, a sul com "Liares" (Linhares) pelo rio Mondego e, a poente com o concelho de Tavares.

Esta vila tal como a grande maioria das povoacoes das redondezas deve ter tido origem romana, provavelmente alguma "villae" agricola, junto no vale da ribeira de Infias. Esse mesmo vale e cortado por duas estradas "romanas" ainda hoje com restos de calcada; uma com direccao a Celorico por Figueiro da Granja e, outra rumo a Linhares pela "ponte de juncaes". Devido a proximidade uma da outra e muito provavel que estas estradas se bifurcassem onde presentemente se encontra a vila.

So em 1836, quando da extincao dos concelhos de; Algodres, Matanca, Figueiro da Granja, Infias e Casal do Monte e seu agregamento ao de Fornos, e que esta vila se passou a identificar por: "Fornos de Algodres", devido a que aquele concelho era muito maior e muito mais antigo que este.
Foi um erro nessa altura, a colocacao da sede concelhia em Fornos, pois a vila fica no extremo do municipio, mas era muito melhor servida por estrada, (estrada real Viseu-Guarda, futura nacional 16) tinha muito mais populacao e, teve a dita de ser a terra natal dos "Cabrais" ministros muito influentes em varios governos, durante o reinado de D.Maria II .

Na fotografia pode ver-se o edificio da antiga camara municipal, construido em tempo do Rei D. Joao VI, nele se pode ver o brazao nacional do: "reino unido de Portugal Brasil e Algarve".
Em frente encontra-se o pelourinho, reconstruido em 1933, o antigo tinha sido destruido durante as revolucoes liberais do seculo XIX, do original, unicamente resta a parte inferior fuste e, base e o topo da gaiola.

No largo em que se encontra a antiga "casa da camara" e o pelourinho, existe tambem o Solar dos "Abreu Castelo Branco", (condes de Fornos de Algodres) e o solar dos "Pedrosos de Lacerda". Partindo daqui a antiga Rua da Torre, onde recentemente descobri vestigios de "cristaos-novos" (judeus conversos).

12 comentários:

ppn disse...

Caro Al

Uma nota sobre a estrada real. Ela correspondia grosso modo à actual EN 16, mas nem em todos os locais. Por exemplo, não passava por Mangualde! Vindo de Viseu chegava a Fagilde, vinha ter a Paços, depois Quintela de Azurara e ia ter à Freixiosa, seguindo para as Chãs de tavares.

Anónimo disse...

Raízes históricas bem profundas...

RPM disse...

os 'Pedrosos de Lacerda' `têm relação com os Lacerda's do Caramulo?

abraço de amizade, novamente

RPM

al cardoso disse...

Caro PPN:

Bem haja pela informacao acerca da estrada real, desconhecia que ela nao passava por Mangualde. Creio que no concelho de Fornos o itenerario dela e basicamente o mesmo da nacional 16. Foi aproveitada a travessia do Mondego em Juncais, cuja ponte (provavelmente romana, destruida durante a terceira revolucao francesa) foi reconstruida durante construcao dessa estrada.

al cardoso disse...

Caro PRM:
Nao tenho conhecimento de ligacoes destes Lacerdas, com os do Caramulo>
Sei que estes tem raizes na cidade da Guarda, mas como sabe os "nobres" sao todos primos!!!

ppn disse...

Caro Al

Relativamente à estrada Real ela entrava no concelho de Fornos na zona de Alpaioques, onde agora entra a A25, sobre a Ribeira da Canharda. Foi inclusive escavado um troço da estrada neste local.

Uma correcção que só agora reparei. Não foi em 1836 que a sede do concelho passou para fornos. Mas sim em 1937. Passo a transcrever o §12 do Decreto de 12 de Junho de 1937, publicado no Diário do Governo de 17 de Junho do mesmo ano.
"A Cabeça do Concelho d'Algodres, no Distrito Administrativo da Guarda, passará para a Villa de Fornos d'Algodres, e as Freguezias de Dornellas, Forninhos, e Penna-Verde, que formavam o antigo Concelho de Penna-Verde serão desannexadas do referido Concelho d'Algodres, e reunidas aos d'Aguiar da Beira da Comarca de Trancoso".

al cardoso disse...

Caro Pina Nobrega:

Podera ser que oficialmente tenha sido assim, coisa que desconhecia.
Mas efectivamente os servicos concelhios, ja funcionavam em Fornos desde meados do seculo XIX.

Tambem ja tinha lido nalgum lugar que aquando da extincao do concelho de Penaverde, as suas freguesias tinham passado para Fornos de Algodres, e que so passaram para Aguiar da Beira, quando foi restaurado aquele concelho, so nao sabia que tinham pertencido a Algodres e muito menos durante tanto tempo.
Nao havera por ai algum engano?
Ja agora pode enviar-me maneira de ter acesso a esse documento?

ppn disse...

Caro Al

Claro que lhe envio o decreto. Apenas não lhe enviei agora por estar em Lisboa.

Penso que as freguesias não estiveram assim tanto tempo em Fornos. Acho que foi apenas coisa de um ano. mas vou confirmar.

Eddy Nelson disse...

Eis um excelente post para quem, como eu, viaja com alguma frequência pelas terras altas da telúrica e ancestral Beira.

Bem hajas por dar a conhecer os meandros da tão obliqua História dos povoados.

um abraço raiano

Tozé Franco disse...

Excelente trabalho. É um gosto passar por aqui e ler toda esta informação.
Parabéns.
Um abraço.

Jofre Alves disse...

Não sou especialista em história judaica, mas passei para apreciar e ver o seu excelente trabalho e desejar óptimo fim-de-semana.

al cardoso disse...

Ja depois de ter publicado este artigo, tive conhecimento de que Fornos de Algodres, teve foral por D. Dinis em 1310 (1348 era de Cezar).
Foral esse confirmado por D. Manuel I a 28 de Agosto de 1497!