terça-feira, agosto 23, 2005

FOLAR DA PASCOA OU CERIMONIAL CHALLAH

Nas nossas "Terras de Algodres" existe mas com tendencia a acabar, devido aos modernos tempos, um costume antigo de os padrinhos oferecerem aos afilhados em dia de pascoa e tambem mais antigamente em dia de todos os santos; o folar.
Este folar consiste do nosso tradicional bolo de ovos, ou de azeite, confecionado com farinha de trigo, ovos de galinha, azeite, abobora, um pouco de leite e fermento.
Este folar e consumido especialmente pela nossa gente em geral pela epoca da pascoa, sendo normalmente acompanhado pelo gostozissimo queijo de de leite de ovelha produzido no nosso concelho desde tempos imemoriais, conhecido em todo o nosso pais e bem assim no estrangeiro, com o nome de "Queijo da Serra da Estrela".
Ora aconteceu que quando emigrei para os Estados Unidos da America, foi trabalhar para uma panificadora propriedade de duas familias judaicas, e foi ai que me dei conta que nas suas epocas festivas e bem assim na vespera do "sabath" (sabado judaico} se confecionavam grandes quantidades de um pao que eles chamam "challah" com o feitio e paladar em todo semelhante aos nossos beiroes folares.
Isto chamou imediatamente a minha atencao e entao investigando cheguei a conclusao de que os nossos bolos da pascoa, sao de facto os herdeiros deste pao cerimonial que os judeus consumem, pelo "passover" (pascoa}, pelo "yuon kipur" {dia do perdao}, pelo "chanuka" {festa das luzes}, e muito especialmente no "sabath" (sabado judaico}.
Esta receita tera passado para os cristaos, pelos judeus conversos a partir do seculo XVI.
A particularidade deste nosso folar ou bolo da pascoa e o facto dele ser ligeiramente alongado e ser isento de acucar, o que o faz diferente de todos os outros folares, que pelo resto do nosso pais se confecionam, nessa epoca festiva tanto para cristaos como para os judeus.
Aqui temos uma outra tradicao que nos foi legada por estes portugueses que devido ao fanatismo dos nossos reis e a intolerancia da igreja catolica entre os seculos XVI e XVIII, tiveram que emigrar e assim tornar mais ricas outras nacoes e os que nao puderam tiveram que se converter forcadamente,sendo muitos deles queimados na fogueira da inquisicao, felizmente que resistiram uns poucos na vila de Belmonte aqui na nossa Beira Interior.

1 comentário:

Ricardo Brochado disse...

Muito, Muito bom!

Estou neste momento a fazer uma pesquisa sobre gastronomia que seja comum ao Judaísmo e Cristianismo e isto que aqui relata sobre o Folar beirão é digno de nota!