quinta-feira, junho 08, 2006

"O VASCO" ou sera "BASCO"


Depois de vos ter apresentado "O Algodres", hoje dou-vos ao conhecimento: "O Vasco".
E uma escultura ja um pouco esbatida pelo tempo, do que parece ser uma cabeca humana. Encontra-se colocada no fachada principal da Capela do Senhor dos Loureiros, na freguesia do Casal Vasco.
Fui eu que lhe dei o nome, talvez seja uma heresia, mas se Algodres tem: "O Algodres", porque razao o Casal Vasco nao haveria de ter: "O Vasco", ou sera "Basco"?

segunda-feira, junho 05, 2006

NESTA RUA SAO TRES CASAS SEGUIDAS

AQUI ESTAO AS BANDEIRAS

PORQUE NOS STATES?

Hoje quero colocar aos meus leitores uma questao. Porque sera que a partir do comeco de Junho os "tugas" colocaram bandeiras nacionais "portuguesas" nas suas casas?
Vamos a ver quem acerta.

sexta-feira, junho 02, 2006

"O ALGODRES"


Ja muito tenho escrevinhado acerca de Algodres e da regiao, mas ainda nao tinha apresentado aos meus amigos, aquele que segundo a lenda deu o nome a terra. Provavelmente isto e unicamente parte do folclore popular, mas tambem pode ter algo de verdade, pelo sim pelo nao, aqui lhes apresento: "O Algodres."

E uma gravacao, que se encontra na parede posterior, da igreja matiz da antiga vila, representa um personagem, que parece ser algum membro do clero, com um enorme chapeu.
Afirma o povo (e quem sou eu para o desmentir) que foi o fundador da povoacao, pelos anos mil da nossa era e tinha o nome de "Algodres".

quinta-feira, junho 01, 2006

AS CRIANCAS hoje e SEMPRE

....ELES NAO SABEM NEM SONHAM
QUE O SONHO COMANDA A VIDA
E SEMPRE QUE UM HOMEM SONHA
O MUNDO PULA E AVANCA,
COMO BOLA COLORIDA
ENTRE AS MAOS DE UMA CRIANCA.

(Antonio Gedeao)


Que os sonhos coloridos de todas as criancas, se concretizem a muito pouco prazo.

Um beijo: Miguel Jose.

terça-feira, maio 30, 2006

ALMINHAS DAS CORGAS - VILA CHA D'ALGODRES


As alminhas, monumentos eregidos a perpectuar tambem alguma morte, normalmente violenta, podem ser encontrados nas beiras dos caminhos, em todas as freguesias do nosso concelho. Hoje vou referir-me a um destes singelos monumentos, existente tambem na minha aldeia de Vila Cha e, a historia a ele relacionada.

Provavelmente ja pouca gente sera comtemporanea de um crime, cometido na minha terra em 1923: era vespera de casamento de Jose Gomes com Maria Jose Antunes, (familia dos "Carpinteiros")Estava o Jose a comemorar com os amigos, quando foram intrepelados pelos soldados da GNR, de forma grosseira e com sobranceria, pelo que o "Ze Gomes" lhes tera respondido que nao tinham medo deles, foi entao que num acto irreflectido, um dos guardas puxou pela sua arma e, lhe desferiu um tiro que lhe ceifou a vida na forca da juventude, quando se preparava para constituir uma nova familia.

Este acto originou uma revolta popular, tendo os guardas sido despojados das armas e espancados pela populacao da minha terra, sendo muito a custo que conseguiram fujir para a vila de Fornos. Tendo provavelmente contado a estoria a sua maneira, foi em seguida mobilizada uma companhia da GNR, da cidade da Guarda, que cercou a aldeia enquanto faziam o interrogatorio a toda a populacao, para tentar apurar quem tinham sido os agressores dos guardas, esquecendo o crime que tudo originou.

Ao fim de alguns dias, sem terem conseguido nenhuma confissao, la levantaram o cerco, pois a gente da minha aldeia num sentimento de uniao, (presentemente quase desconhecido) foi firme e, a pergunta de quem foram os agressores, respondia sempre da mesma forma: "Foi Vila Cha".

Sei que os guardas assassinos, foram depois retirados do posto de Fornos de Algodres e, imigraram para o Brasil, com medo de futuras represalias por parte dos meus conterraneos, que por essa altura eram praticamente todos primos.

Este crime ocorreu a entrada da povoacao, no Largo das Corgas e, no local foram erguidas as "Alminhas" de que publico a fotografia. Ai encontra-se esculpida uma cruz trilobada sobre um oratorio liso e uma cartela em alto relevo, tendo na base gravado o ano do funesto acontecimento: 1923. E pena que nada mais tenha gravado e, e para que os mais novos tenham conhecimento deste facto, que eu publico esta entrada.
Outrora o pequeno monumento estava colocado no meio do largo, precisamente no local do crime, mas porque procederam a obras de alargamento e, porque dificultava o transito, foi colocado junto a um muro, estando ladeado por bancos de granito.
Talvez ninguem da Junta da Freguesia leia esta entrada, mas se o fizerem, queria sugerir-lhes, que dedicassem o largo a este nosso infeliz conterraneo.

quinta-feira, maio 25, 2006

CULTO DOS MORTOS "ALMINHAS" I


Desde os tempos mais remotos, que as varias civilizacoes prestam culto aos seus mortos, entre nos existem evidencias disso desde o tempo dos Celtas, que em sua honra ergueram varias Antas e, do tempo dos romanos com as varias aras votivas.
Quando mais tarde os povos colonizados pelos romanos, adoptarama religiao crista, esta foi aos poucos adoptando os costumes antigos, adaptando-os de acordo com a nova fe.

Uma das tradicoes que foi adaptada, no que respeita ao culto dos mortos, foi a das "alminhas". Em Portugal existem inumeros desses singelos monumentos, mas em muito maior quantidade na parte norte e centro do pais. Ha-os de varias epocas e, ainda hoje presiste o habito da colocacao de memorias funerarias, nos locais em que ocorre a morte de alguem tragicamente.

As "alminhas" sao normarmente um monumento megalico esculpido, em que de ve uma cruz gravada ou esculpida, sobreposta a um oratorio onde eram pintadas cenas do "purgatorio" com as almas a pedir as oracoes dos passantes, pois eram eregidas junto a caminhos e estradas. Na freguesia da minha naturalidade (Vila Cha d'Algodres) existem varios destes singelos monumentos, havendo-os de varias epocas.

Estas "alminhas" que ilustram esta entrada, ficam situadas na estrada de ligacao a Cortico d'Algodres, a cerca de cem metros da fonte de Santo Antonio. Esta estrada e tambem o caminho da via sacra, que segue em direccao ao Calvario e, talvez fizessem parte de uma estacao da "via sacra". No entanto nas minhas recordacoes de infancia, consta que aqui vinha a prossicao das "Ladainhas", no dia do "voto" de Na. Sa. dos Verdes, talvez porque ficam na direccao geografica, da capela desta denominacao, sita em Forninhos no vizinho concelho de Aguiar da Beira.

Este "voto" ou promessa foi instituido aquando de uma severa praga de gafanhotos, que devastaram os campos da regiao, creio que no seculo XVIII. Nessa altura enquanto a gente dos antigos concelhos de Fornos, Infias e Figueiro da Granja, fizeram o "voto" a Senhora dos Verdes da Abrunhosa-a-Velha, o concelho de Algodres no qual estava incluida a freguesia de Vila Cha, ia cumprir a promessa a Forninhos. Creio que ja tera sido no seculo XX que se deixou de fazer esta romagem e, embora la continuassem a ir pessoas individualmente, a romagem era feita nas varias aldeias com as ditas "prossicoes das ladainhas".

terça-feira, maio 23, 2006

A ESTRELA DE DAVID

Ja os nossos reis, durante os primeiros anos da segunda dinastia, obrigavam os judeus a usar um distintivo, para os diferencar da populacao crista. Sabemos o que veio a seguir: A expulsao, a conversao forcada e a "santa" Inquisicao.

Na decada de trinta do seculo passado, o mesmo fizeram Hitler e os seus seguidores, sabemos o que veio a seguir: Pilagens, prisoes e o holocausto.

Agora o "senhor presidente do Irao, decreta a mesma medida. O que vira a seguir???

Quando sera que a humanidade passara realmente a ser humana e, aprendera a nao repetir os mesmos erros historicos.

Ou muito me engano, ou esse "cavalheiro" nao vai ter um bom fim, sao ca presentimentos.

sexta-feira, maio 19, 2006

AINDA A SENHORA dos MILAGRES


Continuando a falar da ermida da Senhora dos Milagres da Muxagata, devo informar que aqui se venera a virgem Maria, desde tempos imemoriais, existindo ate principios do seculo XVIII um belo santuario, que juntava crentes de uma grande parte da Beira.
Por essas alturas, nao consegui saber a data correcta, existiram serios desentendimentos entre o paroco, a junta da paroquia e a hermandade da Senhora. Pelo que o bispo da diocese de Viseu, para sanar o conflito, decidiu fazer transportar a imagem da santa para Viseu, protejida por um esquadao de cavalaria.
Aparentemente esta accao, nao so nao resolveu nada, como veio exaltar ainda mais os animos, porque os habitantes desta freguesia, ja que nao tinham a imagem, decidiram destruir o templo, fizeram-no, nao tendo ficado pedra sobre pedra.
Ai foram buscar pedra, as pessoas que o desejaram e, ate da vizinha freguesia de Figueiro da Granja vieram e, tendo contruido uma ponte provisoria sobre a ribeira, num so unico domingo, levaram cerca de duas duzias de carros de bois de cantaria, com a qual entre outras coisas, enriqueceram a sua Matriz.
Estes factos, vieram causar para alem dos conflitos anteriores, desentendimentos entre estas duas freguesias, pelo que aquando da segunda "aparicao" e construcao do templo existente, em dias de romaria sempre havia cenas de pancandaria, entre a gente da Muxagata e de Figueiro. Ainda na decada de sessenta do seculo passado isso acontecia e, eu em crianca assisti, a uma troca de mimos entre algumas pessoas, entre elas, o aquela data presidente da camara de Fornos, pessoa natural e residente em Figueiro da Granja.
Estas romarias da Senhora dos Milagres, eram tao importantes e concorridas, que quando da construcao da linha do caminho de ferro da Beira Alta, foi contruido um apeadeio relativamente perto da ermida, onde paravam os comboios nos dias de festa: 25 de Marco e 8 de Setembro, para alem disso deslocavam-se dezenas de autocarros com gente de partes varias.
A fotografia que publico e uma vista actual do templo, tirada da parte posterior, e portanto menos usual. Ai se podem ver alguns lavores graniticos dos fins do barroco.

quinta-feira, maio 18, 2006

SENHORA dos MILAGRES II


No recinto da Senhora dos Milagres, podem ver-se varios monolitos graniticos, com formatos interessantes. Este que vemos na fotografia, far-nos-a lembrar a forma de um "miscaro" ou "tortulho".
Para os menos dentro da linguagem da nossa regiao, estes termos referem-se a duas variedades de fungos comestiveis, identificados por cogumelos.

terça-feira, maio 16, 2006

SENHORA dos MILAGRES


Este rochedo forma com outro uma pequena gruta, em que em 1786, supostamente apareceu a um pastor, uma imagem da virgem, que tinha sido levada para a se de Viseu, uns anos antes.
E interessante tambem, que por essas alturas trabalhava para a diocese, um natural desta freguesia. (Muxagata).
E tambem de notar que tambem nesta "aparicao" existe um pastor.
Antes desta aparicao, existiu nesta area um santuario grandioso, que tinha sido destruido pelos naturais, aquando da transferencia da imagem, para a se de Viseu, cerca de cem anos antes.
Foi facil transformar a gruta, em pequena capela, como se pode ver. Esta situada no "Locum mourum" (lugar dos mouros) que ja aparece num documento de 1170. (carta de couto de Figueiro da Granja)

Devido a terem-lhe destruido o antigo templo, a gente da Muxagata, era tida como pouco religiosa, pelo que por alturas destes acontecimentos, foi feita a seguinte quadra.

O Senhora dos Milagres
Onde fos-te aparecer,
Em terras de Muxagata
Que nem se sabem benzer.

sábado, maio 13, 2006

ANIVERSARIO DO BLOG SOBRE ALGODRES

Judeus em Terras de Algodres

Fez no dia 2 de Maio um ano de existencia o blog: Um Blog sobre Algodres, do meu amigo Nuno Soares,(vejam nos meus links) embora com algum atrazo e, para o qual me desculpo, nao queria de forma nenhuma deixar passar em branco este facto. Foi este blog, que comecei a consultar quase desde o seu inicio, que injectou em mim, este virus benefico (digo eu) da blogistica, coisa que diariamente nao dispenso.
Devo tambem afirma-lo, que foi este meu amigo, que me deu a ideia, para que o Judeus em Terras de Algodres, visse a luz da "blogsfera".
Por tudo isto e mais, quero dar os meus parabens ao Nuno, enquanto faco votos que os seus afazeres profissionais, lhe consigam dar algum tempito, para nos continuar a ilustrar com o seu saber, com entradas mais frequentes.

Um grande abraco de amizade Nuno e
Parabens para: Um blog Sobre Algodres

sexta-feira, maio 12, 2006

PENEDO de ALVIDEIRA



Situado junto a estrada que de Vila Cha vai para Muxagata, encontra-se este monolitico granitico. Embora presentemente se encontre rodeado, por uma serra praticamente despida de vegetacao, ainda ha menos de duas decadas, estava rodeados de pinhais frondosos.
Por ironia do destino, arderam todas as arvores em redor, ficando unicamente aquelas nascidas no topo do penedo (ou "penedro" como diz o nosso povo).

Esta fraga esta situada numa propriedade da minha familia e, sobre ela corre a lenda; De que em seu interior, esta escondida uma moira encantada, que unicamente dali sai em noites de lua cheia. Embora eu ja estivesse junto da pedra, em noites de lua cheia, nunca tal moira me apareceu, mas quem sou eu, para desmentir as lendas populares.

Nunca ate hoje, consegui descobrir, qual a origem do nome do penedo, sera que tera algo que ver com a "moira", ou com a brancura dos seus trajes?

quinta-feira, maio 11, 2006

DOLMEN ANTA ou CASA DA ORCA de CORTICO



O munumento que teve a vedacao e placa descritiva vandalizadas.

quarta-feira, maio 10, 2006

Judeus em Terras de Algodres

Judeus em Terras de Algodres

OS VANDALOS

A historia ensina-nos que dentro das invasoes que acontecem ao imperio romano em principios do primeiro milenio, ouve tambem a do Vandalos. Foram assim identificados, porque a sua passagem destruiam tudo.
Entao nao que passados mais de mil anos, ainda andam pela "Terras de Algodres".
Soube atravez de dois "blogs" amigos, que recentemente foi destruida a vedacao de proteccao e a placa descritiva e identificativa da Anta ou Casa da Orca de Cortico d'Algodres, no concelho de Fornos.
Ja na minha ultima visita, em Fevereiro passado, tinha notado algum desse vandalismo, ma referida placa, pois algumas palavras da mesma tinhao sido rasuradas (raspadas), ja nessa altura me revoltei interiormente, pelo que quando soube deste triste facto, apoderou-se de mim um sentimento de raiva e frustracao.
Sei o quanto tem sido dificil, para um concelho pequeno e pobre como o nosso, esses investimentos, sei o quanto (graciosamente) tem colaborado varias pessoas, para a divulgacao do nosso patrimonio, pelo que nos perguntamos, todos quantos trabalham para a sua defeza, se vale a pena todo este esforco.
E uma grande frustracao ver um trabalho, que temos ouvido realcar, ser destruido por pessoas que so o sao de nome.
Este e outros atentados so vem provar, que ainda falta muito, para que o nosso povo tenha a cultura e sensibilidade desejada, ou pelo menos uma parte dele.
Ja me tinha referido a este monumento de interesse publico, na entrada de 28 de Janeiro passado, se quiserem saber mais sobre ele vao aos meus arquivos de Janeiro e, desculpem o desabafo.

sábado, maio 06, 2006

O BAPTISMO


Tanto quanto sei, tera sido Joao "o Baptista", quem tera comecado a baptizar os seus seguidores, para que se arrependessem dos pecados. Em lado nenhum dos envangelhos catolicos ha referencia, que era para ser limpos do suposto "pecado original", (invencao da igreja catolica) era sim um simbolismo, para apagar os pecados pessoais, como uma limpeza para comecar de novo, limpo das faltas passadas.

Ora se "Yashua", ou Jesus, ou Cristo, estava limpo de pecados, pois dizem que nunca pecou, porque razao se foi baptizar?

Tambem em nenhum lado do "Novo Testamento", (tanto quanto sei) se refere que tinham que se baptizar as criancas. Eram sim baptizados os adultos, quando estes se convertiam a nova fe, pelo que considero um abuso, o acto de impor as inocentes criancas, algo que poderam mais tarde regeitar.

Na nossa historia patria, temos ate, o baptismo forcado de milhares de judeus, no seculo XVI. Ai nao se contentaram em baptizar as inocentes criancas, mas ja e tambem os adultos, despejando sobre eles cantaros de agua benta, contra a sua vontade, contrariando o que ficou escrito nos envangelhos.

Tambem eu como a maioria das criancas das nossas aldeias beiras, fui sujeito a esse "sacramento", sem nunca me perguntarem se era esse o meu desejo, (mesmo que perguntassem ainda nao poderia responder) Ora se de acordo com a igreja catolica, o baptismo nao se pode reverter, so deveria ser administrado a quem em posse de todas as faculdades, o deseja-se. A fe (qualquer uma) nunca deve ser imposta a ninguem e, muito menos a criancas, antes de terem desenvolvido o conhecimento e a vontade.

A ilustrar estas minhas escrevinhaturas, vai uma foto da antiga pia baptismal, da igreja paroquial de Vila Cha (d'Algodres). Depois de ter sido substituida por uma outra em marmore branco, andou aos baldoes nao adro da igreja, tendo dali desaparecido na decada de sessenta do seculo passado. Descobri-a eu recentemente, no quintal de uma casa particular, a servir de floreira. Menos mal que nao saiu da aldeia,(ainda) creio no entanto que deveria voltar a ser propriedade da igreja!

quinta-feira, maio 04, 2006

UM OU VARIOS POLOS EDUCATIVOS

AQUI d'ALGODRES
Sendo eu defensor de descentralizacao de servicos, pelas regioes e municipios, nao poderia estar a favor de uma ideia que esta a germinar, (ou ja germinou) que e construcao de um unico polo educativo, para o primeiro ciclo escolar, situado na nossa sede concelhia e, englobando todo o municipio.
Sei que cada vez ha menos criancas e, contra isso nao se podera fazer muito, a nao ser fazer mais, mas estando Fornos de Algodres situada num extremo do concelho, sera sempre muito mais penoso para as criancas das freguesias mais distantes, a sua deslocalizacao diaria para a vila.
Sei que e muito mais rentavel a contrucao de um unico polo, em detrimento de tres ou quatro, pelo que compreendo que essa decisao, possa ser mais querida por um governo, que poe a poupanca acima do servico aos cidadaos. Mas esperava um pouco mais de sentido pratico e de servico publico por parte da nossa autarquia.
Dir-me-ao alguns que sera benefico para as criancas das aldeias o convivio com as da vila, mas nao me convencem, pois se podera ser verdade nalgumas areas, tambem e verdade que nos meios maiores, ha tambem muitos mais vicios e perigos, neste caso muito mais agravados quando as criancas ficam longe do meio familiar, com quem teram umas muito poucas horas de convivencia diaria.
Nao sei se se estara ainda a tempo de mofificar esta ideia peregrina, nem sei se alguem que pode fazer a diferenca me lera, no entanto nao deixo por isso de aqui deixar o meu grito de alerta.
Peguem num mapa e vejam se nao fara todo o sentido, um polo na parte alta do concelho; englobando as freguesias de: Infias, Casal Vasco, Algodres e Matanca; outro incluindo: Queiriz, Maceira, Sobral Pichorro e Fuinhas; enquanto Cortico, Vila Cha, Muxagata e Figueiro da Granja ficariam englobados noutro; ja Vila Soeiro do Chao, Juncais, Vila Ruiva e ate Vila Franca da Serra, constituiriam um outro; continuando o polo de Fornos a servir a vila e Fornos Gare.
Talvez com isto ja se nao justifica-se, a construcao de uma maior escola nova na vila, pois as instalacoes da actual e do jardim infantil proximo depois de melhoradas serviam muito bem e ate nao sao edificios tao antigos, mas provavelmente interessa muito mais e continuar a politica do betao e dos seus interesses. Mas que faz muito mais sentido essa distribuicao faz, que num futuro ate poderia ser um ponto de partida para a reorganizacao das freguesias.

quarta-feira, maio 03, 2006

A LAPIDE

Inscricao em Sobral Pichorro

Ca estou eu novamente a por a prova, os meus amigos entendidos em epigrafia. A linha do topo ainda eu a consigo ler, o pior e a segunda linha.
Quem da uma ajudinha.
Esta lapide encontra-se na rua que liga as duas capelas, que sao nomumentos nacionais de interesse publico,(Santo Cristo e S.Beltao) situadas na Povoacao de Sobral Pichorro nas "Terras de Algodres"
concelho de FORNOS.

sábado, abril 29, 2006

SANTOS PARA TODOS OS FINS


O escritor Aquilino Ribeiro, nascido nas agrestes mas bonitas terras da Beira Alta, descreveu na sua obra: "Portugueses das sete partidas", uma passagem hilariante, em que explicita, a forma de como a igreja catolica romana, supria a falta de "fisicos" judeus,(medicos da altura) principalmente desde o seculo XVI, que foi quando os outros paises europeus, evoluiam e avancavam e nos voltavamos para traz.

"Pelo combate que o campo das ciencias aplicadas, em particular, davam a supersticao e medicina sobrenatural - como aposicao de reliquias e ferros santos, intrecessao de bem-aventurados, a cada um competindo determinada zona anatomica ou especie zoological, assim a Cabeca Santa para a raiva, S. Fiacre para as almorreimas, Santa Luzia e Santa Flaminia, ambas concorrentes, para os achaques dos olhos, Santa Apolonia para a dor dos dentes, S. Francisco de Paula a bem da sucessao masculina e ainda contra a estiagem, S. Marino para a sarna, Santa Tecla para as queimaduras, Santa Rita para os impossiveis do corpo e da alma, reservando-se Santo Antao o privilegio de guardar os porcos no chambaril, Santa Marta de esconjurar o pulgao das coves e a filoxera das vinhas, S. Pedro Goncalves a lagarta das hortas e ate S. Pedro Martir de perservar as searas e favais do granizo das trovoadas - Concitavam contra si todos os agentes de rotina e de conservacao. Para o vulgo os fisicos hebreus eram hereges e sequazes do Diabo, com o qual tinham pacto. Queimava-se no Entrudo o judeu de estopa e alcatrao, como o judeu de carne e osso na Praca da La.
Esta preseguicao da igreja Romana contra o judaismo, equivalente dentro da ideia monoteista, na esfera das reaccoes, a pernada contra o tronco, do verbo contra o logos, de D*us Padre contra Jeova, de Cristo contra Moises, e um dos casos mais estupendos e absurdos da Historia."

Pra ilustrar, tenho esta foto, parte de um retabulo muito antigo e, ja bastante danificado, que se encontra na igreja da minha aldeia natal. Ali se pode ver a Santa Apolonia, com uma torquez a segurar um dente!!!

quarta-feira, abril 26, 2006

CAPELA da SENHORA do CAMPO


Num pequeno largo onde termina uma rua que vem da Praca, que e ao mesmo tempo, um dos varios miradouros da "Vila" de Algodres, podemos encontrar esta pequena e singela capela.

De invocacao de Nossa Senhora do Campo, datara do seculo XVIII e, conserva uma pequena e antiga imagem de Santa Maria, que se supoe ser a primitiva patrona da igreja matriz.

Na arquitetura deste pequeno templo, para alem do granito da construcao, sobressai o pequeno campanario e a cruz que remata o timpano, onde se pode ver algum trabalho em cantaria.

Mas o que me chamou mais a atencao, foi a desnecessaria adiccao relativamente recente, do pequeno alpendre frontal, obra bastante "foleira" e com uma pomba ceramica a remata-la. Fez-me lembrar algumas "parolas" construcoes, da decada de sessenta do seculo passado.

Creio tambem que destoa bastante, uma porta de ferro no portal. Quem sabe o alpendre tivesse sido construido, para que a porta de ferro nao empene!!!

Aqui deixo outros exemplos, de como se nao deviam fazer certas obras. Mas isto serei eu que o digo!!!

segunda-feira, abril 24, 2006

CALVARIO de CASAL do MONTE


De acordo com os envangelhos da igreja catolica, Jesus foi crucificado no meio de dois malfeitores, por essa razao a partir do seculo XVI, quando se comecou dar muito mais enfase a morte de Jesus, comecaram a construir-se os calvarios.
Este calvario que vos apresento tem uma particularidade: Ha uma das cruzes que e bastante mais baixa que as outras.
Sera que e para desconsiderar o malfeitor, que se nao tera arrependido ao ultimo momento? Nunca saberemos qual foi a intencao do construtor, mas que e fora do comum e.
Normalmente costumavam fazer a cruz central maior, ou po-la em maior destaque, mas nunca tinha encontrado nenhum calvario com esta particularidade.
Este monumento fica situado perto na capela da Senhora da Cabeca, em Casal do Monte, concelho de Fornos de Algodres.

sábado, abril 22, 2006

SENHORA DA CABECA II


O portal da capela, bem coberto pelo bendito alpendre, que tem um rico piso em tijoleira!

SENHORA DA CABECA


Ora aqui temos algo, que em minha opiniao, se nao devia fazer a uma capela romano-gotica, com seu portal ogival. Em frente e sobre o referido portal. Construir-se este "magnifico" alpendre em betao!
Talvez tenha sido edificado para mais comodidade dos devotos em dias festivos, mas sendo esta capela tao antiga, do tempo em que esta povoacao era muito mais povoada e, sendo nessas alturas de tamanho suficiente, porque razao tiveram em tempos tao recentes, de lhe adicionar este mamarracho?

Os fundos aqui empregues nesta obra, teriam sido muito mais bem empregues noutro local, mas as pessoas as vezes querem mostrar servico. No entanto, nao havendo por parte de muitos autarcas sensibilidade historico-cultural e, sendo este templo propriedade da igreja catolica, sera que os bispos e padres nao tiveram uma palavra a dizer?

Esta capela de invocacao de Nossa Senhora da Cabeca, fica situada na povoacao de Casal do Monte e, embora este povoado tivesse sido vila e concelho ate 1836, nunca aqui se instituiu nenhuma paroquia, sendo os seus habitantes servidos pela igreja de Queiriz, presentemente a freguesia que engloba esta aldeia.

Ja ha algum tempo coloquei a hipotese, de a razao pelo qual o Casal do Monte nao ter sido nunca uma paroquia, ter que ver com o facto de parte da populacao ser de fe judaica. Na antiga vila ainda hoje permanecem algumas marcas, identificadas com "cristaos-novos" na cantaria de algumas casas. Alem disso a capela e o calvario junto dela, encontram-se distanciados do povoado.

De notar tambem que esta vila era no seculo XII propriedade da Ordem Hospitalaria, que lhe tera concedido o primero foral. Esta Ordem que mais tarde adoptou o nome de: "Malta", foi instituida na cidade de Jerusalem, havendo muitas probabilidades de la terem vindo alguns povoadores. Alem disto o Casal do Monte fica relativamente perto de Trancoso, vila que teve uma das mais importantes e dinamicas comunidades judaicas da nossa Beira, ate ao seculo XVI.

terça-feira, abril 18, 2006

CASA da RUA de S. SALVADOR


Foi ja ha bastantes anos, que despertou em mim a paixao pela historia judaica e, tendo eu conviccoes vincadamente regionalistas, tenho a tendencia de me dedicar muito mais, a parte relacionada com a regiao e concelho da minha naturalidade.
Mas foi quando passei, ja ha uns anos largos, junto a esta casa no inicio da Rua de S. Salvador, que e a continuacao da Rua da Torre, na parte antiga da vila de Fornos, que mais se acentuou esta minha curiosidade e paixao. Foi tambem uma fotografia sobre esta casa, a primeira que publiquei neste blog: (Agosto 2004).

Nas minhas ultimas voltas por "Terras de Algodres", tive a opportunidade de tirar uma outra fotografia, que publico e, sobre ela vou fazer algumas consideracoes:

- Se esta casa nao tivesse sido de um "cristao-novo", que poderia ter motivado um individuo, cuja familia sempre tivesse sido crista, para a colocacao desta lapide com tanto destaque?

- Por que razao foi escrito "santo sacramento", quando os catolicos sempre usam "santissimo"? Pois se era por falta de espaco, sempre podiam ter abreviado ou usar o lado oposto da cruz, como fizeram para "sacramen to".

- Nessa altura (1655) encontrava-se Portugal envolvido, na guerra da independencia, ora sabendo-se que era tempo de "vacas magras', facto ate documentado nas actas camararias locais. Algum desespero tera havido por parte do proprietario, para dispender fundos extra na construcao da epigrafe. E que outra grande razao haveria, a nao ser o medo das fogueiras, da "santa inquisicao".

Depois destas consideracoes e, porque como referi esta casa fica na continuacao da Rua da Torre, onde recentemente descobri outros vestigios de judeus convertidos, estou plenamente convencido, que esta casa foi outrora propriedade de um judeu, e que esta area da vila tera sido a comuna ou judiaria.

sábado, abril 15, 2006

1506 - 2006


Ja a cerca de um mes aqui mencionei e, isto devido a lembranca do Nuno Guerreiro: (http://ruadajudiaria.com), a matanca de cristaos-novos, (digamos judeus) que se iniciou no dia 19 de Abril e se prolongou pelos dias seguintes, faz agora quinhentos anos.
Estou convicto, que o Nuno prestou um excelente servico publico, ao trazer ao conhecimento ou a lembranca, este triste facto historico. Tenho lido na blogsfera varias opinioes, sobre a sua ideia de colocar uma vela no Rocio nesse dia, em homenagem a esses portugueses que foram assassinados, so pelo facto de professarem outra religiao, que ao contrario do fanatismo catolico, defende o conhecimento.

Nao vejo nada errado comemorar com uma vela, este infausto acontecimento, a historia se e que tem algum interesse e para muitos nao tem, esse deve ser o de aprender-mos com os erros passados. Ao contrario de alguns, eu sou de opiniao, que o maior erro da nossa historia foi a expulsao e a conversao forcada dos judeus, e tudo o mais com isto relacionado. A isso se deve muito do nosso atrazo economico, social e cultural, que se prolonga ate os dias de hoje.

Nao vou poder estar em Lisboa nesse dia e, por conseguinte nao poderei colocar uma vela no Rocio, mas enquanto mentalmente farei uma prece, nao tanto pelos que morreram, mas muito mais para que o fanatismo e a ignorancia se extinga, entre os que hoje estando vivos continuam a assassinar, de varias formas todos quantos com eles nao concordem. Colocarei entao uma vela em minha casa, enquanto peco que terminem para sempre os inquisidores destes tempos, pois continuamos a ve-los e ouvi-los por todo o lado e em todas as religioes e regioes.

A TODOS QUANTOS NO DECORRER DA HISTORIA MORRERAM, DEVIDO AO FANATISMO, A INTOLERANCIA, AO ODIO E A INVEJA, O MINHA SINGELA HOMENAGEM.

ATE OS INTERCIDADES???

Quase sempre que a fumo e porque ha fogo, pelo que estou estupefacto, com a ultima noticia referindo a nossa regiao, que a ser verdade, vem aumentar ainda mais as distancias entre o interior e o litoral. estou a referir-me a possivel extincao dos comboios intercidades, nas linhas da Beira Alta e Baixa.
Depois das previstas extincoes de Maternidades, tribunais, dos SAP dos Centros de Saude, do encerramento de centenas de escolas, dos postos de Policia, estacos de Correios e, de mais coisas que por serem tantas ja nem me recordam, so nos faltava mais esta.
Entao onde e que existe o conceito de servico publico? Se vamos extinguir todos os servicos que dao prejuizo, teremos que encerrar praticamente todo o pais.
Nao seria melhor que neste caso a CP, comecasse a arrumar a casa extinguindo uma grande parte, dos parasitas de salarios chorudos que por la abundam, promover um melhor servico ao cliente e, com isto fazer com que as pessoas usem mais o comboio, que e muito menos poluente do que o automovel?
Ca fico a espera do que vao dizer-nos acerca disto, os ministros do nosso (des)governo, mas muito especialmente os deputados eleitos pela regiao, (ou sera que tambem nao vao dizer prsente?). Enquanto faco votos que deste fumo nao sai-a fogo nenhum.
SO NOS FALTAVA MAIS ESTA

SANTA EUFEMIA e as FESTAS PASCAIS


Uma das tradicoes mais arreigadas, entre as gentes das "Terras de Algodres" e circunvizinhas, durante a epoca festiva da Pascoa, e sem duvida nenhuma a romaria de Santa Eufemia, na freguesia da Matanca.
Esta romaria e feira realiza-se na segunda-feira da Pascoa e, junta muita gente do concelho de Fornos e dos vizinhos de Penalva do Castelo e Aguiar da Beira.

Situada num sitio ermo e rodeada de pinhais, esta antiquissima capela congrega muitos devotos, que aqui cumprem as promessas relacionadas com as doencas "ruins" (como o povo as denomina), fazem as tradicionais voltas a capela e, as suas ofertas normalmente de cravos.

A capela; templo romano-gotico em granito, fica situada ao fundo do recinto e em sitio pouco predominante, mas de acordo com a lenda foi ai que forcas espirituais, designaram a sua construcao. O devoto construtor, tinha a intencao de a edificar no cume do Monte Milho que lhe fica proximo, mas tendo para la transportado a pedra, esta vinha aparecer no local onde a capela presentemente se encontra, pelo que tomando este facto como designacao divina, desistiu da ideia original e aqui a edificou.

A capela tem um portal em arco ogival, protejido por um alpendre e uma fileira de cachorros com figuras zoomorficas no beirado da capela-mor, e em meu entender, o templo romanico que tera sofrido menos modificacoes, durante os seculos no nosso municipio.

Aqui deixo um convite para os que tenham disponibilidade, na segunda-feira da Pascoa dia 17, preparem uma merenda e vao ate a Matanca, nao necessitam de ser catolicos para participar no convivio com as boas gentes beiras, ali rodeados da natureza e com ar puro, com cheiro dos pinhos, giestas e urgeiras, comam e bebam. Cumpram uma tradicao eu infelizmente nao posso fazer, ja vai para cima de duas duzias de anos.

COM ISTO REITERO OS MEUS MAIS SINCEROS VOTOS, DE FELIZES FESTAS PASCAIS

quinta-feira, abril 13, 2006

JANELA em ALGODRES


Ainda conheci esta janela com a cantaria intacta, hoje infelizmente encontra-se em parte destruída, devido a que quando foram colocados novos caixilhos, talvez por não haver a medida certa, decidiram que era preferível cortar a pedra. Esta janela fica junto ao largo do Pelourinho e, quase em frente a Igreja Matriz de Algodres.
Vejam se não foi uma pena, quantos não gostariam, de possuir uma janela destas na sua casa.
Esta e a primeira fotografia de uma serie, a ilustrar o que não se deveria fazer, ao nosso património, neste caso e particular, mas não deixa no entanto de pertencer ao colectivo da nossa gente.
Depois admiram-se, de Algodres não ter sido considerada aldeia histórica.

terça-feira, abril 11, 2006

PESACH ou PASCOA JUDAICA

Quase coincidente com a Pascoa catolica romana, comeca a celebrar-se a partir do por do sol do dia 12 de Abril Quarta-feira, (amanha) o Pesach ou pascoa judaica.
Os judeus comemoram nesta festa, a libertacao do seu povo da escravidao e jugo do Farao do Egipto, devido ao poder de D-us, atravez da mao de Moises.

Foi tambem devido a esta efemeride, que se instituiu entre o povo Hebraico, o uso de consumir por esta altura, do pao azimo "matsu", as ervas amargas e, o cordeiro.

Podendo ser casualidade ou nao, e tambem usual nas "Terras de Algodres" o consumo neste tempo festivo para judeus e cristaos, do cordeiro (borrego) e cabrito assados ou guisados. Este tipo de pratos, e ate dos mais tradicionais, na nossa cozinha regional.

Enquanto se fazem as limpezas e outros preparativos, tanto para o "Pesach" como para a Pascoa, quero desejar aos meus amigos leitores, umas boas e felizes celebracoes.

SHALON e BOAS FESTAS.

sábado, abril 08, 2006

AS FORCADAS E OS JUDEUS


Esta pequena aldeia, presentemente ja quase despovoada, esta incorporada na freguesia da Matanca, concelho de Fornos. Foi fundada ja depois do "cadastro da populacao do reino" mandado realizar por D. Joao III em 1527, pois nele e, reportando-nos ao concelho da Matanca, nao lhe aparece nenhuma referencia.

Aqui podem ver-se algumas casas, (algumas delas presentemente pouco mais que palheiras), com cruzes gravadas nas umbreiras das portas, como a que apresento na fotografia. Embora nao seja consensual, a maioria e da opiniao de que deveriam ter sido casas de judeus e, aquelas cruzes foram gravadas, quando estes se converteram a religiao catolica.

Poderia nao ter sido e, estas cruzes de caracter religioso, serem unicamente uma expressao mais acentuada de fe. No entanto eu sou de opiniao, que aparecendo em situacoes isuladas, em tudo semelhantes as das comprovadas judiarias, so poderam como aquelas estar relacionadas com judeus convertidos.

Sabe-se que com algumas excepcoes, a maioria dos judeus nao teve outra opcao, senao a conversao, muitas vezes forcada. E embora muitos deles em principio so fossem cristaos por fora, mais tarde quando a inquisicao se tornou mais severa, principalmente depois de 1557, quando se cumpriram os sesenta anos de tolerancia, tiveram que usar todos os meios, para convencer os padres da inquisicao e, este tipo de gravacoes foi um dos mais utilizados.

O toponimo desta aldeia poderia indiciar, algo relacionado com forcas ou enforcamentos, mas sabendo-se que a forca da vila da Matanca onde esta aldeia pertencia, esta localizada noutro local, nao creio que com ela haja nenhuma relacao. Ha tambem entendidos em topononia, que "Forcadas" tera sim que ver com uma forca viaria, que aqui existiria desde a epoca romana. Havendo quem afirme que por aqui passava a via romana: Viseu-Trancoso-Egitania.

Para alem de vestigios de ocupacao romana nas proximidades, encontra-se tambem junto a esta aldeia, uma necropole de sepulturas escavadas na rocha, havendo quem date as mais antigas do seculo VII da nossa era. Foram ja identificados e estudados cerca de trez dezenas destes sepulcros.

quinta-feira, abril 06, 2006

QUINTA DO CASAINHO III


Ja me intrigava ha bastante tempo, o facto de na Quinta do Casainho em Infias, propriedade de um ramo da familia Costa Cabral, existir numa das fontes uma pedra de armas com o brazao dos "Melos".
Foi num comentario ja um pouco atrazado, de uma das minhas entradas, que tive a explicacao. Fiquei entao a saber, que esta quinta foi outrora propriedade da familia Sa Melo e, foi comprada pelo Marquez de Tomar: Antonio Bernardo da Costa Cabral, em meados do seculo XIX a uma senhora daquela familia.
Tambem ja tinha conhecimento que dentro da referida quinta, existiu uma capela a qual vinham romarias ou votos, principalmente da vila de Fornos. Essa mesma capela ja em ruinas, foi mais tarde aproveitada e convertida, para casa de ferias da familia Costa Cabral.
O que eu nunca consegui apurar, foi qual era o orago da referida capela. Na memoria paroquial de Infias em 1758, existe referencia a uma capela de Na. Sa. da Graca, mas creio que estava adossada a igreja, tambem ha informacao que o referido "voto" passou a realizar-se na igreja, devido a ruina da capela do Casainho.
Sera que o orago era a Sa. da Graca e transitou para a igreja devido a ruina da capela, ou tera sido outro?
Caso algum leitor tenha alguma informacao relacionada, adoraria que compartissem connosco.
A fotografia que ilustra a entrada, e de uma outra fonte existente na referida propriedade, como a data indica foi construida em 1933

quinta-feira, março 30, 2006

DIAS DA SEMANA EM PORTUGUES OU HEBRAICO

Talvez os meus amigos nao saibam, que Portugal sera a semelhanca de Israel, o pais em que os dias da semana, sao nomeados por numeros, com a excepcao de Sabado e Domingo.

Sabe-se entretanto que mesmo o Domingo, ainda no seculo XV, era identificado como a Primeira feira e, so passou definitivamente a ser Domingo,(dia do Senhor) a partir da epoca das conversoes compulsivas dos judeus, passando a partir dessa altura a ser proibida, a realizacao de feiras naquele dia.

Quanto ao Sabado sendo o setimo dia e, portanto dia de descanso para os seguidores da fe de Moises, este termo e quase literalmente a traducao do "Sabath" judaico.
Temos entao que a tradicao mercantilista dos judeus, conseguiu que os dias de feira, a comecar na primeira e terminando na Sexta, influi-se na forma de como os portugueses, ainda hoje identificam os dias da semana.

terça-feira, março 28, 2006

Capela de Santo Cristo (continuacao)


Na fotografia anterior, nao se consegue descortinar o escudo referido, no lado esquerdo da fachada. Talvez um ponto maior se consiga ver.

ARCO ROMANICO &CAPELA DE SANTO CRISTO



Ja nas entradas de 5, 9, 26 e 28 de Outubro do ano passado, me tinha referido a capela de Santo Cristo e ao Arco Romanico, situados na freguesia de Sobral Pichorro, no concelho de Fornos de Algodres.
Hoje no entanto tenho uma ideia um pouco diferente, no que se refere ao arco medieval. Investigando ultimamente, nao consegui encontrar nenhuns indicios, de que aquele arco tivesse sido o acesso a casas judaicas, conforme eu tinha sugerido, podendo no entanto ter sido.

Ja um autor referindo-se a Capela, identificou na fachada um escudo, que referiu ser desconhecido. Nesta ultima viagem, fiz a comparacao entre os dois e, cheguei a conclusao, de que aquele escudo com a cruz, e em tudo identico ao do arco medieval, o que de certa forma relacionaria uma construcao com a outra.

Sera que aquela capela, que segundo a lenda foi construida por um devoto da terra, foi-o pelo proprietario das casas servidas pelo referido arco romanico?
Ou sera que a minha teoria inicial, tem algo de verdade e, o "cristao-novo" o que fez, foi uma copia do escudo da capela? Na realidade tudo leva a crer que esta e muito mais antiga, que o arco.
A serem contemporaneos um do outro, o da capela encontra-se muito mais erroido pela accao dos tempos. Deem-me as vossas opinioes.

sábado, março 25, 2006

CASA DA FAMILIA COIMBRA


Nos meus tempos de criança, nunca conheci esta epigrafe, que se encontra por baixo do peitoril de uma janela, na casa da família Coimbra. Nessa altura as pedras desta casa centenária estavam cobertas de argamassa caiada.
Foi portanto com espanto meu, que passadas já algumas dezenas de anos, ao visitar a minha aldeia de Vila Chã d'Algodres, tive a oportunidade de a ver pela primeira vez.

Em vão a tentei decifrar, mas pela minha falta de conhecimentos e, também porque as letras já estão muito sumidas, nunca o consegui fazer. Queria portanto pedir aos meus amigos mais entendidos no assunto, que me ajudassem se for possível.
Creio que a inscrição esta incompleta e, na realidade o que me interessa mais nem e o texto, o que eu gostaria era de saber, era se a inscrição e romana, medieval, ou moderna.

Esta entrada não era para ser colocada tão cedo, embora eu tenha tirado esta fotografia na minha ultima visita. O que me motivou a escreve-la hoje, foi o facto de me terem informado, que a casa que se encontrava em obras de restauro, foi pasto de um pavoroso incêndio que a destruiu na totalidade.

Faço ardentes votos que possa ser recuperada e reconstruída, não só porque e parte importante do património da minha freguesia. Mas também por ser propriedade de uma família, que sempre contribuiu para o progresso cultural e o bem estar, dos pobres da minha terra. Isso no entanto será tema para outras entradas.

Quero também, agora que o património da minha aldeia, sofreu uma perca talvez irrecuperável, solidarizar-me com o proprietario daquela casa, que foi comigo partidário de brincadeiras, nesses tempos já distantes.

quarta-feira, março 22, 2006

CAPELA MEDIEVAL da Na. Sa. DA ESPERANCA


Situada na freguesia de Casal Vasco, concelho de Fornos, fica esta capela da Senhora da Esperanca. Foi outrora propriedade da familia Caceres, com solar nesta mesma freguesia. E uma bela capela com ameias, que datara dos fins do seculo XIV e nela, foi instituido um vinculo daquela familia, que por essa altura foi senhora da vila de Algodres. Embora nao possa ilustrar com nenhuma fotografia este facto, posso informar que esta capela conserva varias pedras com siglas de pedreiro, coisa muito usual na idade media.

Nenhum dos trabalhos publicados ate ao dia de hoje, acerca da regiao de Algodres, faz referencia a este senhorio dos Caceres que eu descobri acidentalmente.
Foi concedido em finais do seculo XIV, a Alvaro Mendes de Caceres, pelo rei D. Fernando. Em 1400 era ja senhor de Algodres: Luiz Mendes de Caceres, tendo continuado o senhorio com o seu filho com o mesmo nome do avo, de que ha documentacao em 1430.
A familia Caceres e originaria de Castela (provavelmente da provincia do mesmo nome, ou das Vascongadas) Tendo sido Goncalo de Caceres, duas geracoes antes do primeiro titular, quem assentou o solar no Casal Vasco, que outrora se identificava como Casal Vasio.

Esta capela era ate recentemente, propriedade da Casa da Insua, em cuja familia se extinguiram os Caceres, Creio que no seculo XVII. Presentemente e propriedade da paroquia, a quem foi doada por aquela Casa, tendo sido recentemente restaurada.
Pela sua antiguidade e arquitetura, bem poderia e, deveria (digo eu) figurar na lista de monumentos de interesse publico, do nosso concelho de Fornos de Algodres.

domingo, março 19, 2006

MASSACRE DE LISBOA (CORRECCAO)

Com os meus pedidos de desculpa, quero informar que o massacre de Lisboa, em que foram assassinados mais de 4000 judeus, ocurreu nos dias 19, e seguintes do mes de Abril de 1506 e nao em Marco como eu referi, bem haja o amigo Lingua Morta, que me chamou atencao para o erro. Creio que estas coisas da confusao de datas, deve ser da idade.

CRIPTO-JUDEUS na VILA DE FORNOS


Em continuacao de outras entradas acerca da vila de Fornos (d'Algodres), publico hoje esta fotografia de outra casa, sita na Rua de Torre quase em frente daquela com as gravacoes ja referidas. Nela se podem ver algumas gravacoes nas umbreiras da porta de entrada, e, entre elas algumas cruzes, que indiciam ter sido propriedade de cristaos-novos.

sábado, março 18, 2006

500 ANOS DO MASSACRE DE LISBOA

O meu amigo Nuno Guerreiro veio lembrar-nos uma parte triste e esquecida da nossa historia. Amanha 19 de Marco, cumprem-se 500 anos sobre a data em que comecou, o massacre de judeus na cidade de Lisboa e arredores, leiam a: Rua da Judiaria e ficaram melhor esclarecidos.

Seria bom que ao fim de mais de Quinhentos anos, fizessemos as pazes com esta parte da nossa historia, e reconhecessemos o quanto mais pobres ficamos, depois do edito da expulsao e, principalmente depois da instituicao da inquisicao. Talvez pudessemos ter hoje o desenvolvimento que a Holanda tem. Foi para la que foram, os mais ricos e sabios judeus portugueses, primeiramente.

JUDIARIA OU COMUNA DE FORNOS


Estou convencido que a comunidade judaica, outrora existente em Fornos(d'Algodres) habitou na que e hoje chamada Rua da Torre, ja ai identifiquei alguns indicios de cripto-judeus e, hoje publico mais uma foto de casas que teram sido habitadas por esse povo ha mais de quinhentos anos. Hoje e muito dificil comprova-lo mas todos os indicios para ai me levam. Ao mesmo tempo queria pedir a autarquia, que se promoves-se reabilitacao destas casas, que dao um pessimo aspecto a uma das mais antigas ruas da vila de Fornos de Algodres. Ja o lembrei ao senhor presidente da camara, no entanto vai mais uma achega.

quinta-feira, março 16, 2006

CASA DA CERCA, DO RAMIRAO


Esta e casa, em que se encontra a já por mim referida anteriormente, a seguinte lapide:
ANTÓNIO DE MELO DE S.PAIO
20 DE DEZEMBRO DE 1653
Era outrora muitíssimo mais grandiosa, pois ainda a cerca de 25 anos, existia uma outra ala que ruiu ou foi demolida, em que se encontravam no andar superior, duas belíssimas janelas geminadas em ambas as esquinas, com colunas e outra decoração em boa cantaria.(que pena nessa altura não a ter documentado)
Desconheço a data e as condicoes da destruição dessa ala da casa, pelo que se algum leitor souber, agradecia a gentileza do seu comentário.

A casa que eu suponho datar do século XV, pela sua grandeza fazia supor ser propriedade de família rica, embora ao mesmo tempo não indique ser nenhuma família aristocratica. Também não existe tanto quanto sei, nenhuma referencia a famílias nobres no Ramirao. E embora, também na vizinha e antiga vila de Infias, exista uma família Melo, essa não será tanto quanto sei, tampouco de origem aristocratica.
A lapide referida e em cantaria e, encontra-se incrustada na parede, que separa o quintal e a escada, da porta de entrada, com o largo.

Quando recentemente fui ao Ramirao, deparei-me com a destruição da ala da casa já referida, foi então que me dei conta, das cruzes gravadas na ombreira da porta (foto publicada na entrada anterior) e, comecei então a ligar o apelido S. Paio, com a provável conversão de um judeu de nome: António Melo e, essa data poder ser a data do seu baptismo, tendo adoptado o: S. Paio.
Essas minhas suspeitas foram ainda mais confirmadas, quando na entrada que deita para o pátio referido, encontrei a cruz gravada que hoje publico, em tudo semelhante a outras existentes na judiaria de Trancoso e, a outra que eu descobri também recentemente, na Rua da Torre em Fornos de Algodres.

Não e de estranhar a presença de judeus no Ramirao, porque por aqui passava a via romana Viseu - Celorico - Egitanea, e porque sendo os judeus um povo de mercadores e artezaos tendiam a residir junto as principais vias de comunicação.

Embora sem certezas absolutas, pois para isso necessitaria outras investigacoes, que neste momento se tornam de difícil concretização, creio que estarei muito perto da verdade. No entanto deixo aberta uma porta para a concretização final desta ideia, por parte de qualquer interessado.
Estou convicto de terei sido primeiro, a referir-me a estas evidencias, pelo que me considero de certa forma bafejado pela sorte.

segunda-feira, março 13, 2006

CASA DO SENHOR S. PAIO do RAMIRAO


Enquanto nao escrevo o artigo sobre a casa e, para continuar a despertar curiosidade, aqui publico uma foto, em que na umbreira esquerda de uma porta do res-do-chao, se encontram gravadas estas cruzes.

sábado, março 11, 2006

APELIDOS CRIPTO-JUDAICOS


Em principios da nossa nacionalidade, ja existia no nosso territorio uma significativa comunidade judaica, por essas alturas ainda a quase totalidade dos judeus, usavam nomes e apelidos hebraicos, mas ou por conversao ao cristianismo ou por outras razoes, os judeus foram adoptando paulatinamente nomes e apelidos portugueses, pelo que provavelmente tera havido judeus que usaram um qualquer os apelidos portugueses.
Tambem ha quem afirme, que todos quantos possuam nomes de arvores e de outros objectos, teram ascendentes judaicos, tode ser em alguns casos, mas nao e necessariamente uma verdade absoluta.
Tem tambem afirmado os especialistas nesta area, que muitos judeus conversos adoptaram nomes de santos, ou outros relacionados com a religiao catolica.
Na minha familia tenho dois casos, que poderam ou nao evidenciar essa tendencia, sao os casos das minhas duas avos, uma era Maria do Espirito Santo Almeida e, a outra Virginia da Conceicao. Tambem na minha aldeia havia uma Familia Cruz, para alem de outra Carvalho, Ribeiro, Luz, etc.
Vou-me agora referir a um Antonio de Melo de S. Paio, era o proprietario de uma antiga, grande e interessante casa, na antiga e outrora freguesia do Ramirao, no outrora concelho de Algodres. Nesta casa onde eu recentemente encontrei vestigios de cristaos-novos, deixou o referido invididuo uma inscricao a perpectuar o seu nome na seguinte data: 20 de Dezembro de 1653.

sexta-feira, março 10, 2006

VILA CHA d'ALGODRES-VESTIGIOS DE CRIPTOJUDEUS



Tambem na minha aldeia de Vila Cha, ainda hoje se podem ver vestigios dos criptojudeus ou "cristaos-novos" como foram identificados. Junto ao largo onde no seculo xix foi edificada a fonte de Santo Antonio, ainda se conserva esta antiga casa, onde, nas pedras laterais da porta de entrada, se podem ver tres cruzes gravadas.
Coincidentemente e tambem de registar, que o proprietario desta casa em principios do seculo passado, tinha o nome de: Antonio da Cruz.

quinta-feira, março 09, 2006

NAS VOLTAS PELA "ALTA" BEIRA



Ja aqui referi os agradaveis encontros, que durante a minha estadia na Beira, tive com os amigos de "Terras de Azurara e Tavares", hoje e cumprindo o prometido, deixo-vos umas fotos de um desses encontros, em que para alem do salutar trocar de opinioes, se degustou um saboroso entrecosto entremeado com os enchidos das nossas terras, acompanhado pelas batatas "afreventadas" e por uns "treplos" divinais que eu ja ha muito nao tinha a oportunidade de comer. (para os menos versados em termos regionais nossos, treplos sao grelos de nabo ou nabica.)

Foi ainda ha tao pouco tempo, que ainda conservo estes belos sabores nas minhas papilas gustativas. A todos bem hajam pelos prazenteiros encontros e pela amizade.

PS: A titulo de curiosidade, devo informar que ja os judeus da nossa regiao, consumiam estes "treplos" que pelo amargo lhes fazia lembrar, a amargura que o povo hebraico passou na escavidao do Egipto.

segunda-feira, março 06, 2006

GRAVACOES EM CASAS DE JUDEUS (Cristaos-Novos)


Ja noutra entrada anterior, publiquei uma foto duma casa de judeus em Fornos de Algodres, com uma gravacao em que aparece uma cruz sobre um monte.
O meu amigo Nuno Soares ja me tinha comunicado, e, ate me cedeu a foto que apresento, que na judiaria de Trancoso tambem existem destas gravacoes, alem desta de Fornos encontrei uma outra no Ramirao que apresentarei a seguir.

Deve ter algum significado que desconheco, e para o qual desejaria explicacao de qualquer colaborador ou leitor deste meu blog. Sera que tera a ver com o monte de Siao? (templo do Senhor)

sábado, março 04, 2006

CAPELA DA SENHORA DO O


Como referi na entrada anterior aqui podem ver a capela privada, do solar de onde saiu o primeiro, e unico Barao de Fornos de Algodres, familia Albuquerque Pimentel de Vasconcelos Soveral.Embora o portal lateral seja em arco romanico, creio que a capela datara do seculo XVII ou XVIII

CASA DE JUDEUS (OU SINAGOGA)




Desde há bastante tempo que me interrogo, acerca desta casa situada na esquina da Rua da Torre, com uma travessa que circunda um pequeno quarteirão. A razão da minha curiosidade, vem do facto de ao contrario das casas vizinhas, ser muito mais alta e por possuir uma janela, que embora sem grande grandiosidade, tem ornatos que me fazem situa-la na época quinhentista.

Durante a minha recente visita as "nossas terras", uma vez mais estive junto da referida casa, na esperança de confirmar as minhas suspeitas. Fotografei a referida janela, e, tratei de descobrir junto ao portal em cantaria cortada em 45 graus, alguma reminiscencia de judeus ou "cristãos-novos". Não tendo descoberto nada e desapontado, já me retirava quando consegui descobrir noutra fachada da mesma casa, junto a uma janela, as gravacoes nas pedras adjacentes, que registei e comparto.

Não calculam os meus amigos a alegria que senti, não só porque as minhas suspeitas estavam correctas, como porque tanto quanto sei, sou o primeiro a dar a conhecer estes factos. A mim já me chegava a gravação da cruz, na pedra do lado direito da janela, mas para minha surpresa na pedra inferior, para alem duma gravação em todo idêntica a outras na judiaria de Trancoso, (cruz sobre um monte) existe outra do que parece ser uma taça com o aparente numero 185.(Será uma data incompleta, ou algum numero associado aos judeus? Ou ate letras hebraicas mal gravadas?)

Esta casa foi sem duvida propriedade de algum judeu endinheirado, e, ate poderá ter sido aqui, que se situou uma provável sinagoga, ou casa de oração judaica da antiga vila de Fornos.

Também e interessante, e, provavelmente terá algum relacionamento, o seguinte facto: Do lado oposto a estas construcoes na referida Travessa, situa-se uma capela de invocação de Na. Sa. do O, propriedade da família Vasconcelos Soveral. Capela essa que, ao contrario das outras capelas particulares da vila, possuiu o portal principal de entrada, resguardado por um muro para não ter acesso directo para a rua. Será que os cristianissimos senhores deste solar, não queriam nenhum mesmo nenhum contacto com os judeus?

quinta-feira, março 02, 2006

ABRAHAM LOPES CARDOZO

Durante o meu interregno, na actualializacao deste blog, aconteceu um facto que considero relevante, e, digno de registo neste espaco.
Ja algum tempo atraz, me referi a uma familia de judeus ilustres da cidade de Nova York, de apelido "Lopes Cardozo", esta familia tem origens em judeus sefarditas portugueses, que imigraram para a Holanda no seculo XVI, durante as presseguicoes aos cristaos-novos. Mais tarde estiveram entre os judeus que fundaram a primeira sinagoga na antiga Nova Amesterdao, que foi a primeira sinagoga Americana.

Sera pelo facto de possuir-mos eu, e, a minha familia, os mesmos apelidos, que nao quiz deixar (embora com algum atrazo) de mencionar o desaparecimento do Rabino emerito da sinagoga Portuguesa-Espanhola de Nona York: Abraham Lopes Cardozo, que com 91 anos de idade, e, depois deixar reconhecido trabalho, no estudo e perservacao, da heranca musical sefardita portuguesa. Deixou o mundo dos vivos no passado 21 de Fevereiro.

Quero ao mesmo tempo que agradeco esta informacao ao amigo: Nuno Guerreiro, desejar-lhe as boas vindas a costa leste americana. Podem os meus leitores interessados em temas judaicos, consultar o seu "site" atravez dos meus links em "Rua da Judiaria"

NOTAS DO INTERREGNO

Durante a minha estadia por "Terras de Algodres", tive o grato prazer de conhecer pessoalmente, um grupo de amigos das "Terras de Tavares e Azurara", que tem um bom vicio (digo eu) de consultar este humilde blog.
Foi muito bom, ter compartido com eles, alguns bons momentos de confraternizacao, que espero se repitam em opportunidades futuras. Noutra entrada publicarei fotos desses encontros.

Foi tambem com prazer acrescentado, que tive a honra de conhecer o meu amigo e "conterraneo": Nuno Soares que publica o "Blog sobre Algodres",(ver meus links) que para alem de muito ter contribuido para um conhecimento historico, mais profundo da nossa regiao, foi quem me "infectou" com esta doenca bloguistica.
Para ele e sua familia que nos receram tao gentilmente, e, por tudo o resto, vai um sincero "Bem Hajam"

Tudo isto so vem confirmar, aquilo que todos ja sabem (ou deviam saber); Nos os beiroes da Beira Alta, somos o maximo em simpatia e hospitalidade, pelo que aqueles que nao a conhecem, venham visitar esta Beira onde se situa a Serra mais alta do Portugal continental.

domingo, fevereiro 26, 2006

Judeus em Terras de Algodres

Judeus em Terras de Algodres

Quase a deixar as terras de Algodres, e com este frio humido sempre aconpanhar-me, so quero dizer aos meus leitores, que brevemente compartirei convosco, experiencias e, imagens das nossa «Terras» ate breve.

Judeus em Terras de Algodres

Judeus em Terras de Algodres

Quase a deixar as terras de Algodres, e com este frio humido sempre aconpanhar-me, so quero dizer aos meus leitores, que brevemente compartirei convosco, experiencias e, imagens das nossa «Terras» ate breve.

domingo, fevereiro 12, 2006

ATE BREVE COM NEVE (MUITA)




Vou estar por "Terras de Algodres" nas proximas duas semanas, terei provavelmente oportunidade, de conhecer alguns dos meus mais assiduos leitores, principalmente os das "terras de Tavares e Azurara". Como provavelmente nao colocarei nenhuns "posts", nestas duas semanas, e, enquanto colecionarei fotos e mais informacao das nossas terras; deixo-vos umas fotos de um enorme nevao, que nos cobrir a ultima noite, com esta enorme quantidade do branco manto.
Fico a fazer votos entretanto, que por ai tenha um tempo bastante melhor.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

FORNOS DE ALGODRES Pacos do Municipio


Embora sem data, esta foto e de um postal editado na decada de trinta do seculo passado. Presentemente embora com o interior moderno e funcional, o exterior deste edificio encontra-se de acordo com a construcao original. Foi edificado de raiz para ser os Pacos do Municipio e Tribunal em finais do seculo XIX, e depois de um incendio reconstruido em principios do seculo passado.
Presentemente alberga unicamente os servicos camararios, pois existem novos edifios Para o Tribunal e outras reparticoes publicas.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

FORNOS "D'ALGODRES" E O QUEIJO DA SERRA


Sabem alguns dos meus leitores que, embora com a minha terra no coracao, encontro-me longe dela, uns milhares de quilometros e, nesse pais onde resido, nos os portugueses, cada vez que encontramos um novo compatriota, e quase sacramental fazermos a seguinte pergunta: de onde e voce? Quando me fazem essa pergunta a mim e, tendo obtido a resposta, uma grande parte das vezes, o que venm a seguir e o seguinte: Fornos de Algodres? essa nao e a terra do Queijo da Serra?

De facto e incontornavel ligar o "Queijo Serra da Estrela" a Fornos, sem querer por mais achas na fogueira, de qual e a terra onde o queijo e mais importante, sempre posso afirmar que reconhecidamente; Fornos de Algodres e sem duvida um dos mais importantes concelhos productores de queijo da serra e idesmentivelmente a maior Feira de Queijo Serra da Estrela, desde tempos imemoriais.

Por isso e porque estamos dentro da epoca alta deste producto, de reconhecido valor e sabor (digo eu), nao quero deixar passar um evento, que serve nao so para a sua valorizacao, como para homenagear os envolvidos na sua producao: Os pastores e queijeiros, estou a referir-me: A Festa do Queijo Serra da Estrela, que se vai realizar na vila de Fornos no proximo dia 12 de Fevereiro, domingo proximo.

Porque e um domingo e nao ha tantas desculpas, aconselho os meus leitores a uma visita a esta vila beira e, alongando a vista sobre a nossa "Estrela", convivam com as nossas gentes nesta feira festa e, provem (nao comam) o queijo das nossas terras, sempre acompanha de um bom vinho do "Dao" ou ate de um "Porto" depende dos gostos. So de referir-me a isto, estou ja com agua na boca.
Para alem da feira em si, havera folclore, exposicoes, venda de artezanato e, muita animacao. Alem disso e uma boa oportunidade, para visitarem os monumentos ja neste sitio divulgados.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

"CORRENTE"

Provocado pelo amigo Tavares: NEOARQUEO, aqui continuo a cadeia, iniciada nem sei por quem. Caro Tavares desculpe ter usado a sua escala.
Entao aqui vai:

1 AMIGO = Dos meus amigos e, ate de alguns supostos inimigos.

2 RESMUNGAO = Nao muito mas, tambem as vezes.

3 TEIMOSO = Quando tenho razao, (ou penso que a tenho)

4 MUSICA = Gosto, de alguma mais do que outra.

5 CAUSAS = Tenho algumas, a maior = Regionalista convicto.

Quero provocar nesta corrente os amigos: MariaPernilla; O Microbio; o IDANHENSE;
o BEIRA MEDIEVAL e especialmente o Nuno Soares do Blog sobre ALGODRES.

CASA GRANDE JUNCAIS


Por alguma razao que eu nao consigo explicar o "post" sobre a feira de S. Braz realizada no passado domingo em Juncais, depois de ter sido publicado desapareceu do blog. Porque ja perdeu oportunidade, nao o vou voltar a publicar.
Vou sim e, ainda referente aquela freguesia, do municipio de Fornos de Algodres, referir-me ao largo, onde usualmente se realiza aquela feira anual.

Este largo era outra identificado por Largo da Fonte, actualmente e conhecido por Largo do Terreiro. A razao porque se chamava Largo da Fonte, era porque ai se situa uma Fonte ou Chafariz, que foi edificada durante o governo da ditadura (1926-33).
E uma construcao em granito de arquitectura um pouco invulgar, como curiosidade outrora conservava amarradas com correntes, canecas de metal para todos poderem matar a sede.

Neste mesmo largo encontra-se tambem a Casa Grande; Solar da Familia Barata Cerveira, com a sua capela privativa com portal para o largo.
Esta construcao esta classificada pelo IPPAR, como monumento de interesse publico.
Deve datar do seculo XV e, e uma sobria edificacao que nao sofreu muitos modificacoes durantes os seculos, tem um imenso portal de entrada e, sobre ele tem a pedra de armas com o brazao da familia, que lhe tera sido agregado ja no seculo XIX.