Ja em entradas anteriores, me referi a provavel existencia de judeus, mais tarde "convertidos" em cristaos-novos, na antiga povoacao de Soveral, ou Sobral, do termo de Algodres, hoje identificada por: Sobral Pichorro.
Nessas alturas identifiquei um arco em volta inteira com um escudo, como a provavel entrada para as suas casas. (entrada de 9 de Outubro de 2005)
Mais tarde visitando detalhadamente a area, para meu desapontamento, nao consegui descobrir mais nenhuns vestigios, que fossem de encontro com a minha conviccao, pelo que na altura julguei ser unicamente a minha imaginacao a trabalhar. (entrada de 28 de Marco de 2006)
Entretanto e acidentalmente, enquanto verificava algumas "descricoes arquivisticas online" dos arquivos da Torre do Tombo. Descobri um processo do tribunal da inquisicao de Coimbra, do ano de 1620, referindo Marcos Rodrigues, cristao-novo, acusado de judaismo, heresia e apostasia, com morada em Soveral, termo de Algodres.
Alem deste processo, descobri um outro, do tribunal da inquisicao de Lisboa, do ano de 1737, referente a Maria Lucena, acusada de judaismo, moradora em Sobral Pichorro, termo de Algodres.
Estes processos vem por si so, provar que as minhas suspeicoes estavam certas, sim houve judeus a residir no Sobral Pichorro, embora pudessem nao ter vivido nas casas cuja entrada e aquele arco.
Tambem ja divulguei uma outra lapide desta mesma povoacao, que podera muito bem estar relacionada com "cristaos-novos". (entrada de 3 de Maio de 2006)
Depois do explanado, so quero fazer algumas consideracoes:
- Estando provada a existencia de cristaos-novos nesta aldeia, que embora aqui residentes, o primeiro era natural de Trancoso e a segunda natural de Celorico, indicia a existencia de outras familias de origem judaica, pois o mais natural e que tenham vindo para esta terra atravez de casamentos, sabendo nos que os judeus casam entre si.
- No primeiro caso, ate poderia ser uma fuga de Trancoso, para uma aldeia pequena e menos acessivel, para tentar escapar a accao da inquisicao naquela vila, que como se sabe, teve uma das maiores e mais dinamicas comunidades judaicas da Beira.
- Ja no segundo caso, sendo 117 anos mais tardio, indica-nos que embora ja "convertidos" desde 1497, os "cripto-judeus" do Sobral Pichorro, passados que eram 240 anos, ainda praticavam o "judaismo". Coisa mais que normal, pois muitas das conversoes nao o foram por conviccao, mas sim por necessidade.
- Alem do explanado, este ultimo processo, vem deitar por terra, a lenda de que o complemento: "Pichorro" desta freguesia, tem que ver com a terceira invacao francesa, que aconteceu em 1810. Porque 73 anos antes daquela invasao, ja esta povoacao usava aquele complemento identificativo.