sábado, abril 22, 2006

SENHORA DA CABECA


Ora aqui temos algo, que em minha opiniao, se nao devia fazer a uma capela romano-gotica, com seu portal ogival. Em frente e sobre o referido portal. Construir-se este "magnifico" alpendre em betao!
Talvez tenha sido edificado para mais comodidade dos devotos em dias festivos, mas sendo esta capela tao antiga, do tempo em que esta povoacao era muito mais povoada e, sendo nessas alturas de tamanho suficiente, porque razao tiveram em tempos tao recentes, de lhe adicionar este mamarracho?

Os fundos aqui empregues nesta obra, teriam sido muito mais bem empregues noutro local, mas as pessoas as vezes querem mostrar servico. No entanto, nao havendo por parte de muitos autarcas sensibilidade historico-cultural e, sendo este templo propriedade da igreja catolica, sera que os bispos e padres nao tiveram uma palavra a dizer?

Esta capela de invocacao de Nossa Senhora da Cabeca, fica situada na povoacao de Casal do Monte e, embora este povoado tivesse sido vila e concelho ate 1836, nunca aqui se instituiu nenhuma paroquia, sendo os seus habitantes servidos pela igreja de Queiriz, presentemente a freguesia que engloba esta aldeia.

Ja ha algum tempo coloquei a hipotese, de a razao pelo qual o Casal do Monte nao ter sido nunca uma paroquia, ter que ver com o facto de parte da populacao ser de fe judaica. Na antiga vila ainda hoje permanecem algumas marcas, identificadas com "cristaos-novos" na cantaria de algumas casas. Alem disso a capela e o calvario junto dela, encontram-se distanciados do povoado.

De notar tambem que esta vila era no seculo XII propriedade da Ordem Hospitalaria, que lhe tera concedido o primero foral. Esta Ordem que mais tarde adoptou o nome de: "Malta", foi instituida na cidade de Jerusalem, havendo muitas probabilidades de la terem vindo alguns povoadores. Alem disto o Casal do Monte fica relativamente perto de Trancoso, vila que teve uma das mais importantes e dinamicas comunidades judaicas da nossa Beira, ate ao seculo XVI.

terça-feira, abril 18, 2006

CASA da RUA de S. SALVADOR


Foi ja ha bastantes anos, que despertou em mim a paixao pela historia judaica e, tendo eu conviccoes vincadamente regionalistas, tenho a tendencia de me dedicar muito mais, a parte relacionada com a regiao e concelho da minha naturalidade.
Mas foi quando passei, ja ha uns anos largos, junto a esta casa no inicio da Rua de S. Salvador, que e a continuacao da Rua da Torre, na parte antiga da vila de Fornos, que mais se acentuou esta minha curiosidade e paixao. Foi tambem uma fotografia sobre esta casa, a primeira que publiquei neste blog: (Agosto 2004).

Nas minhas ultimas voltas por "Terras de Algodres", tive a opportunidade de tirar uma outra fotografia, que publico e, sobre ela vou fazer algumas consideracoes:

- Se esta casa nao tivesse sido de um "cristao-novo", que poderia ter motivado um individuo, cuja familia sempre tivesse sido crista, para a colocacao desta lapide com tanto destaque?

- Por que razao foi escrito "santo sacramento", quando os catolicos sempre usam "santissimo"? Pois se era por falta de espaco, sempre podiam ter abreviado ou usar o lado oposto da cruz, como fizeram para "sacramen to".

- Nessa altura (1655) encontrava-se Portugal envolvido, na guerra da independencia, ora sabendo-se que era tempo de "vacas magras', facto ate documentado nas actas camararias locais. Algum desespero tera havido por parte do proprietario, para dispender fundos extra na construcao da epigrafe. E que outra grande razao haveria, a nao ser o medo das fogueiras, da "santa inquisicao".

Depois destas consideracoes e, porque como referi esta casa fica na continuacao da Rua da Torre, onde recentemente descobri outros vestigios de judeus convertidos, estou plenamente convencido, que esta casa foi outrora propriedade de um judeu, e que esta area da vila tera sido a comuna ou judiaria.

sábado, abril 15, 2006

1506 - 2006


Ja a cerca de um mes aqui mencionei e, isto devido a lembranca do Nuno Guerreiro: (http://ruadajudiaria.com), a matanca de cristaos-novos, (digamos judeus) que se iniciou no dia 19 de Abril e se prolongou pelos dias seguintes, faz agora quinhentos anos.
Estou convicto, que o Nuno prestou um excelente servico publico, ao trazer ao conhecimento ou a lembranca, este triste facto historico. Tenho lido na blogsfera varias opinioes, sobre a sua ideia de colocar uma vela no Rocio nesse dia, em homenagem a esses portugueses que foram assassinados, so pelo facto de professarem outra religiao, que ao contrario do fanatismo catolico, defende o conhecimento.

Nao vejo nada errado comemorar com uma vela, este infausto acontecimento, a historia se e que tem algum interesse e para muitos nao tem, esse deve ser o de aprender-mos com os erros passados. Ao contrario de alguns, eu sou de opiniao, que o maior erro da nossa historia foi a expulsao e a conversao forcada dos judeus, e tudo o mais com isto relacionado. A isso se deve muito do nosso atrazo economico, social e cultural, que se prolonga ate os dias de hoje.

Nao vou poder estar em Lisboa nesse dia e, por conseguinte nao poderei colocar uma vela no Rocio, mas enquanto mentalmente farei uma prece, nao tanto pelos que morreram, mas muito mais para que o fanatismo e a ignorancia se extinga, entre os que hoje estando vivos continuam a assassinar, de varias formas todos quantos com eles nao concordem. Colocarei entao uma vela em minha casa, enquanto peco que terminem para sempre os inquisidores destes tempos, pois continuamos a ve-los e ouvi-los por todo o lado e em todas as religioes e regioes.

A TODOS QUANTOS NO DECORRER DA HISTORIA MORRERAM, DEVIDO AO FANATISMO, A INTOLERANCIA, AO ODIO E A INVEJA, O MINHA SINGELA HOMENAGEM.

ATE OS INTERCIDADES???

Quase sempre que a fumo e porque ha fogo, pelo que estou estupefacto, com a ultima noticia referindo a nossa regiao, que a ser verdade, vem aumentar ainda mais as distancias entre o interior e o litoral. estou a referir-me a possivel extincao dos comboios intercidades, nas linhas da Beira Alta e Baixa.
Depois das previstas extincoes de Maternidades, tribunais, dos SAP dos Centros de Saude, do encerramento de centenas de escolas, dos postos de Policia, estacos de Correios e, de mais coisas que por serem tantas ja nem me recordam, so nos faltava mais esta.
Entao onde e que existe o conceito de servico publico? Se vamos extinguir todos os servicos que dao prejuizo, teremos que encerrar praticamente todo o pais.
Nao seria melhor que neste caso a CP, comecasse a arrumar a casa extinguindo uma grande parte, dos parasitas de salarios chorudos que por la abundam, promover um melhor servico ao cliente e, com isto fazer com que as pessoas usem mais o comboio, que e muito menos poluente do que o automovel?
Ca fico a espera do que vao dizer-nos acerca disto, os ministros do nosso (des)governo, mas muito especialmente os deputados eleitos pela regiao, (ou sera que tambem nao vao dizer prsente?). Enquanto faco votos que deste fumo nao sai-a fogo nenhum.
SO NOS FALTAVA MAIS ESTA

SANTA EUFEMIA e as FESTAS PASCAIS


Uma das tradicoes mais arreigadas, entre as gentes das "Terras de Algodres" e circunvizinhas, durante a epoca festiva da Pascoa, e sem duvida nenhuma a romaria de Santa Eufemia, na freguesia da Matanca.
Esta romaria e feira realiza-se na segunda-feira da Pascoa e, junta muita gente do concelho de Fornos e dos vizinhos de Penalva do Castelo e Aguiar da Beira.

Situada num sitio ermo e rodeada de pinhais, esta antiquissima capela congrega muitos devotos, que aqui cumprem as promessas relacionadas com as doencas "ruins" (como o povo as denomina), fazem as tradicionais voltas a capela e, as suas ofertas normalmente de cravos.

A capela; templo romano-gotico em granito, fica situada ao fundo do recinto e em sitio pouco predominante, mas de acordo com a lenda foi ai que forcas espirituais, designaram a sua construcao. O devoto construtor, tinha a intencao de a edificar no cume do Monte Milho que lhe fica proximo, mas tendo para la transportado a pedra, esta vinha aparecer no local onde a capela presentemente se encontra, pelo que tomando este facto como designacao divina, desistiu da ideia original e aqui a edificou.

A capela tem um portal em arco ogival, protejido por um alpendre e uma fileira de cachorros com figuras zoomorficas no beirado da capela-mor, e em meu entender, o templo romanico que tera sofrido menos modificacoes, durante os seculos no nosso municipio.

Aqui deixo um convite para os que tenham disponibilidade, na segunda-feira da Pascoa dia 17, preparem uma merenda e vao ate a Matanca, nao necessitam de ser catolicos para participar no convivio com as boas gentes beiras, ali rodeados da natureza e com ar puro, com cheiro dos pinhos, giestas e urgeiras, comam e bebam. Cumpram uma tradicao eu infelizmente nao posso fazer, ja vai para cima de duas duzias de anos.

COM ISTO REITERO OS MEUS MAIS SINCEROS VOTOS, DE FELIZES FESTAS PASCAIS

quinta-feira, abril 13, 2006

JANELA em ALGODRES


Ainda conheci esta janela com a cantaria intacta, hoje infelizmente encontra-se em parte destruída, devido a que quando foram colocados novos caixilhos, talvez por não haver a medida certa, decidiram que era preferível cortar a pedra. Esta janela fica junto ao largo do Pelourinho e, quase em frente a Igreja Matriz de Algodres.
Vejam se não foi uma pena, quantos não gostariam, de possuir uma janela destas na sua casa.
Esta e a primeira fotografia de uma serie, a ilustrar o que não se deveria fazer, ao nosso património, neste caso e particular, mas não deixa no entanto de pertencer ao colectivo da nossa gente.
Depois admiram-se, de Algodres não ter sido considerada aldeia histórica.

terça-feira, abril 11, 2006

PESACH ou PASCOA JUDAICA

Quase coincidente com a Pascoa catolica romana, comeca a celebrar-se a partir do por do sol do dia 12 de Abril Quarta-feira, (amanha) o Pesach ou pascoa judaica.
Os judeus comemoram nesta festa, a libertacao do seu povo da escravidao e jugo do Farao do Egipto, devido ao poder de D-us, atravez da mao de Moises.

Foi tambem devido a esta efemeride, que se instituiu entre o povo Hebraico, o uso de consumir por esta altura, do pao azimo "matsu", as ervas amargas e, o cordeiro.

Podendo ser casualidade ou nao, e tambem usual nas "Terras de Algodres" o consumo neste tempo festivo para judeus e cristaos, do cordeiro (borrego) e cabrito assados ou guisados. Este tipo de pratos, e ate dos mais tradicionais, na nossa cozinha regional.

Enquanto se fazem as limpezas e outros preparativos, tanto para o "Pesach" como para a Pascoa, quero desejar aos meus amigos leitores, umas boas e felizes celebracoes.

SHALON e BOAS FESTAS.

sábado, abril 08, 2006

AS FORCADAS E OS JUDEUS


Esta pequena aldeia, presentemente ja quase despovoada, esta incorporada na freguesia da Matanca, concelho de Fornos. Foi fundada ja depois do "cadastro da populacao do reino" mandado realizar por D. Joao III em 1527, pois nele e, reportando-nos ao concelho da Matanca, nao lhe aparece nenhuma referencia.

Aqui podem ver-se algumas casas, (algumas delas presentemente pouco mais que palheiras), com cruzes gravadas nas umbreiras das portas, como a que apresento na fotografia. Embora nao seja consensual, a maioria e da opiniao de que deveriam ter sido casas de judeus e, aquelas cruzes foram gravadas, quando estes se converteram a religiao catolica.

Poderia nao ter sido e, estas cruzes de caracter religioso, serem unicamente uma expressao mais acentuada de fe. No entanto eu sou de opiniao, que aparecendo em situacoes isuladas, em tudo semelhantes as das comprovadas judiarias, so poderam como aquelas estar relacionadas com judeus convertidos.

Sabe-se que com algumas excepcoes, a maioria dos judeus nao teve outra opcao, senao a conversao, muitas vezes forcada. E embora muitos deles em principio so fossem cristaos por fora, mais tarde quando a inquisicao se tornou mais severa, principalmente depois de 1557, quando se cumpriram os sesenta anos de tolerancia, tiveram que usar todos os meios, para convencer os padres da inquisicao e, este tipo de gravacoes foi um dos mais utilizados.

O toponimo desta aldeia poderia indiciar, algo relacionado com forcas ou enforcamentos, mas sabendo-se que a forca da vila da Matanca onde esta aldeia pertencia, esta localizada noutro local, nao creio que com ela haja nenhuma relacao. Ha tambem entendidos em topononia, que "Forcadas" tera sim que ver com uma forca viaria, que aqui existiria desde a epoca romana. Havendo quem afirme que por aqui passava a via romana: Viseu-Trancoso-Egitania.

Para alem de vestigios de ocupacao romana nas proximidades, encontra-se tambem junto a esta aldeia, uma necropole de sepulturas escavadas na rocha, havendo quem date as mais antigas do seculo VII da nossa era. Foram ja identificados e estudados cerca de trez dezenas destes sepulcros.

quinta-feira, abril 06, 2006

QUINTA DO CASAINHO III


Ja me intrigava ha bastante tempo, o facto de na Quinta do Casainho em Infias, propriedade de um ramo da familia Costa Cabral, existir numa das fontes uma pedra de armas com o brazao dos "Melos".
Foi num comentario ja um pouco atrazado, de uma das minhas entradas, que tive a explicacao. Fiquei entao a saber, que esta quinta foi outrora propriedade da familia Sa Melo e, foi comprada pelo Marquez de Tomar: Antonio Bernardo da Costa Cabral, em meados do seculo XIX a uma senhora daquela familia.
Tambem ja tinha conhecimento que dentro da referida quinta, existiu uma capela a qual vinham romarias ou votos, principalmente da vila de Fornos. Essa mesma capela ja em ruinas, foi mais tarde aproveitada e convertida, para casa de ferias da familia Costa Cabral.
O que eu nunca consegui apurar, foi qual era o orago da referida capela. Na memoria paroquial de Infias em 1758, existe referencia a uma capela de Na. Sa. da Graca, mas creio que estava adossada a igreja, tambem ha informacao que o referido "voto" passou a realizar-se na igreja, devido a ruina da capela do Casainho.
Sera que o orago era a Sa. da Graca e transitou para a igreja devido a ruina da capela, ou tera sido outro?
Caso algum leitor tenha alguma informacao relacionada, adoraria que compartissem connosco.
A fotografia que ilustra a entrada, e de uma outra fonte existente na referida propriedade, como a data indica foi construida em 1933

quinta-feira, março 30, 2006

DIAS DA SEMANA EM PORTUGUES OU HEBRAICO

Talvez os meus amigos nao saibam, que Portugal sera a semelhanca de Israel, o pais em que os dias da semana, sao nomeados por numeros, com a excepcao de Sabado e Domingo.

Sabe-se entretanto que mesmo o Domingo, ainda no seculo XV, era identificado como a Primeira feira e, so passou definitivamente a ser Domingo,(dia do Senhor) a partir da epoca das conversoes compulsivas dos judeus, passando a partir dessa altura a ser proibida, a realizacao de feiras naquele dia.

Quanto ao Sabado sendo o setimo dia e, portanto dia de descanso para os seguidores da fe de Moises, este termo e quase literalmente a traducao do "Sabath" judaico.
Temos entao que a tradicao mercantilista dos judeus, conseguiu que os dias de feira, a comecar na primeira e terminando na Sexta, influi-se na forma de como os portugueses, ainda hoje identificam os dias da semana.

terça-feira, março 28, 2006

Capela de Santo Cristo (continuacao)


Na fotografia anterior, nao se consegue descortinar o escudo referido, no lado esquerdo da fachada. Talvez um ponto maior se consiga ver.

ARCO ROMANICO &CAPELA DE SANTO CRISTO



Ja nas entradas de 5, 9, 26 e 28 de Outubro do ano passado, me tinha referido a capela de Santo Cristo e ao Arco Romanico, situados na freguesia de Sobral Pichorro, no concelho de Fornos de Algodres.
Hoje no entanto tenho uma ideia um pouco diferente, no que se refere ao arco medieval. Investigando ultimamente, nao consegui encontrar nenhuns indicios, de que aquele arco tivesse sido o acesso a casas judaicas, conforme eu tinha sugerido, podendo no entanto ter sido.

Ja um autor referindo-se a Capela, identificou na fachada um escudo, que referiu ser desconhecido. Nesta ultima viagem, fiz a comparacao entre os dois e, cheguei a conclusao, de que aquele escudo com a cruz, e em tudo identico ao do arco medieval, o que de certa forma relacionaria uma construcao com a outra.

Sera que aquela capela, que segundo a lenda foi construida por um devoto da terra, foi-o pelo proprietario das casas servidas pelo referido arco romanico?
Ou sera que a minha teoria inicial, tem algo de verdade e, o "cristao-novo" o que fez, foi uma copia do escudo da capela? Na realidade tudo leva a crer que esta e muito mais antiga, que o arco.
A serem contemporaneos um do outro, o da capela encontra-se muito mais erroido pela accao dos tempos. Deem-me as vossas opinioes.

sábado, março 25, 2006

CASA DA FAMILIA COIMBRA


Nos meus tempos de criança, nunca conheci esta epigrafe, que se encontra por baixo do peitoril de uma janela, na casa da família Coimbra. Nessa altura as pedras desta casa centenária estavam cobertas de argamassa caiada.
Foi portanto com espanto meu, que passadas já algumas dezenas de anos, ao visitar a minha aldeia de Vila Chã d'Algodres, tive a oportunidade de a ver pela primeira vez.

Em vão a tentei decifrar, mas pela minha falta de conhecimentos e, também porque as letras já estão muito sumidas, nunca o consegui fazer. Queria portanto pedir aos meus amigos mais entendidos no assunto, que me ajudassem se for possível.
Creio que a inscrição esta incompleta e, na realidade o que me interessa mais nem e o texto, o que eu gostaria era de saber, era se a inscrição e romana, medieval, ou moderna.

Esta entrada não era para ser colocada tão cedo, embora eu tenha tirado esta fotografia na minha ultima visita. O que me motivou a escreve-la hoje, foi o facto de me terem informado, que a casa que se encontrava em obras de restauro, foi pasto de um pavoroso incêndio que a destruiu na totalidade.

Faço ardentes votos que possa ser recuperada e reconstruída, não só porque e parte importante do património da minha freguesia. Mas também por ser propriedade de uma família, que sempre contribuiu para o progresso cultural e o bem estar, dos pobres da minha terra. Isso no entanto será tema para outras entradas.

Quero também, agora que o património da minha aldeia, sofreu uma perca talvez irrecuperável, solidarizar-me com o proprietario daquela casa, que foi comigo partidário de brincadeiras, nesses tempos já distantes.

quarta-feira, março 22, 2006

CAPELA MEDIEVAL da Na. Sa. DA ESPERANCA


Situada na freguesia de Casal Vasco, concelho de Fornos, fica esta capela da Senhora da Esperanca. Foi outrora propriedade da familia Caceres, com solar nesta mesma freguesia. E uma bela capela com ameias, que datara dos fins do seculo XIV e nela, foi instituido um vinculo daquela familia, que por essa altura foi senhora da vila de Algodres. Embora nao possa ilustrar com nenhuma fotografia este facto, posso informar que esta capela conserva varias pedras com siglas de pedreiro, coisa muito usual na idade media.

Nenhum dos trabalhos publicados ate ao dia de hoje, acerca da regiao de Algodres, faz referencia a este senhorio dos Caceres que eu descobri acidentalmente.
Foi concedido em finais do seculo XIV, a Alvaro Mendes de Caceres, pelo rei D. Fernando. Em 1400 era ja senhor de Algodres: Luiz Mendes de Caceres, tendo continuado o senhorio com o seu filho com o mesmo nome do avo, de que ha documentacao em 1430.
A familia Caceres e originaria de Castela (provavelmente da provincia do mesmo nome, ou das Vascongadas) Tendo sido Goncalo de Caceres, duas geracoes antes do primeiro titular, quem assentou o solar no Casal Vasco, que outrora se identificava como Casal Vasio.

Esta capela era ate recentemente, propriedade da Casa da Insua, em cuja familia se extinguiram os Caceres, Creio que no seculo XVII. Presentemente e propriedade da paroquia, a quem foi doada por aquela Casa, tendo sido recentemente restaurada.
Pela sua antiguidade e arquitetura, bem poderia e, deveria (digo eu) figurar na lista de monumentos de interesse publico, do nosso concelho de Fornos de Algodres.

domingo, março 19, 2006

MASSACRE DE LISBOA (CORRECCAO)

Com os meus pedidos de desculpa, quero informar que o massacre de Lisboa, em que foram assassinados mais de 4000 judeus, ocurreu nos dias 19, e seguintes do mes de Abril de 1506 e nao em Marco como eu referi, bem haja o amigo Lingua Morta, que me chamou atencao para o erro. Creio que estas coisas da confusao de datas, deve ser da idade.

CRIPTO-JUDEUS na VILA DE FORNOS


Em continuacao de outras entradas acerca da vila de Fornos (d'Algodres), publico hoje esta fotografia de outra casa, sita na Rua de Torre quase em frente daquela com as gravacoes ja referidas. Nela se podem ver algumas gravacoes nas umbreiras da porta de entrada, e, entre elas algumas cruzes, que indiciam ter sido propriedade de cristaos-novos.

sábado, março 18, 2006

500 ANOS DO MASSACRE DE LISBOA

O meu amigo Nuno Guerreiro veio lembrar-nos uma parte triste e esquecida da nossa historia. Amanha 19 de Marco, cumprem-se 500 anos sobre a data em que comecou, o massacre de judeus na cidade de Lisboa e arredores, leiam a: Rua da Judiaria e ficaram melhor esclarecidos.

Seria bom que ao fim de mais de Quinhentos anos, fizessemos as pazes com esta parte da nossa historia, e reconhecessemos o quanto mais pobres ficamos, depois do edito da expulsao e, principalmente depois da instituicao da inquisicao. Talvez pudessemos ter hoje o desenvolvimento que a Holanda tem. Foi para la que foram, os mais ricos e sabios judeus portugueses, primeiramente.

JUDIARIA OU COMUNA DE FORNOS


Estou convencido que a comunidade judaica, outrora existente em Fornos(d'Algodres) habitou na que e hoje chamada Rua da Torre, ja ai identifiquei alguns indicios de cripto-judeus e, hoje publico mais uma foto de casas que teram sido habitadas por esse povo ha mais de quinhentos anos. Hoje e muito dificil comprova-lo mas todos os indicios para ai me levam. Ao mesmo tempo queria pedir a autarquia, que se promoves-se reabilitacao destas casas, que dao um pessimo aspecto a uma das mais antigas ruas da vila de Fornos de Algodres. Ja o lembrei ao senhor presidente da camara, no entanto vai mais uma achega.

quinta-feira, março 16, 2006

CASA DA CERCA, DO RAMIRAO


Esta e casa, em que se encontra a já por mim referida anteriormente, a seguinte lapide:
ANTÓNIO DE MELO DE S.PAIO
20 DE DEZEMBRO DE 1653
Era outrora muitíssimo mais grandiosa, pois ainda a cerca de 25 anos, existia uma outra ala que ruiu ou foi demolida, em que se encontravam no andar superior, duas belíssimas janelas geminadas em ambas as esquinas, com colunas e outra decoração em boa cantaria.(que pena nessa altura não a ter documentado)
Desconheço a data e as condicoes da destruição dessa ala da casa, pelo que se algum leitor souber, agradecia a gentileza do seu comentário.

A casa que eu suponho datar do século XV, pela sua grandeza fazia supor ser propriedade de família rica, embora ao mesmo tempo não indique ser nenhuma família aristocratica. Também não existe tanto quanto sei, nenhuma referencia a famílias nobres no Ramirao. E embora, também na vizinha e antiga vila de Infias, exista uma família Melo, essa não será tanto quanto sei, tampouco de origem aristocratica.
A lapide referida e em cantaria e, encontra-se incrustada na parede, que separa o quintal e a escada, da porta de entrada, com o largo.

Quando recentemente fui ao Ramirao, deparei-me com a destruição da ala da casa já referida, foi então que me dei conta, das cruzes gravadas na ombreira da porta (foto publicada na entrada anterior) e, comecei então a ligar o apelido S. Paio, com a provável conversão de um judeu de nome: António Melo e, essa data poder ser a data do seu baptismo, tendo adoptado o: S. Paio.
Essas minhas suspeitas foram ainda mais confirmadas, quando na entrada que deita para o pátio referido, encontrei a cruz gravada que hoje publico, em tudo semelhante a outras existentes na judiaria de Trancoso e, a outra que eu descobri também recentemente, na Rua da Torre em Fornos de Algodres.

Não e de estranhar a presença de judeus no Ramirao, porque por aqui passava a via romana Viseu - Celorico - Egitanea, e porque sendo os judeus um povo de mercadores e artezaos tendiam a residir junto as principais vias de comunicação.

Embora sem certezas absolutas, pois para isso necessitaria outras investigacoes, que neste momento se tornam de difícil concretização, creio que estarei muito perto da verdade. No entanto deixo aberta uma porta para a concretização final desta ideia, por parte de qualquer interessado.
Estou convicto de terei sido primeiro, a referir-me a estas evidencias, pelo que me considero de certa forma bafejado pela sorte.

segunda-feira, março 13, 2006

CASA DO SENHOR S. PAIO do RAMIRAO


Enquanto nao escrevo o artigo sobre a casa e, para continuar a despertar curiosidade, aqui publico uma foto, em que na umbreira esquerda de uma porta do res-do-chao, se encontram gravadas estas cruzes.

sábado, março 11, 2006

APELIDOS CRIPTO-JUDAICOS


Em principios da nossa nacionalidade, ja existia no nosso territorio uma significativa comunidade judaica, por essas alturas ainda a quase totalidade dos judeus, usavam nomes e apelidos hebraicos, mas ou por conversao ao cristianismo ou por outras razoes, os judeus foram adoptando paulatinamente nomes e apelidos portugueses, pelo que provavelmente tera havido judeus que usaram um qualquer os apelidos portugueses.
Tambem ha quem afirme, que todos quantos possuam nomes de arvores e de outros objectos, teram ascendentes judaicos, tode ser em alguns casos, mas nao e necessariamente uma verdade absoluta.
Tem tambem afirmado os especialistas nesta area, que muitos judeus conversos adoptaram nomes de santos, ou outros relacionados com a religiao catolica.
Na minha familia tenho dois casos, que poderam ou nao evidenciar essa tendencia, sao os casos das minhas duas avos, uma era Maria do Espirito Santo Almeida e, a outra Virginia da Conceicao. Tambem na minha aldeia havia uma Familia Cruz, para alem de outra Carvalho, Ribeiro, Luz, etc.
Vou-me agora referir a um Antonio de Melo de S. Paio, era o proprietario de uma antiga, grande e interessante casa, na antiga e outrora freguesia do Ramirao, no outrora concelho de Algodres. Nesta casa onde eu recentemente encontrei vestigios de cristaos-novos, deixou o referido invididuo uma inscricao a perpectuar o seu nome na seguinte data: 20 de Dezembro de 1653.

sexta-feira, março 10, 2006

VILA CHA d'ALGODRES-VESTIGIOS DE CRIPTOJUDEUS



Tambem na minha aldeia de Vila Cha, ainda hoje se podem ver vestigios dos criptojudeus ou "cristaos-novos" como foram identificados. Junto ao largo onde no seculo xix foi edificada a fonte de Santo Antonio, ainda se conserva esta antiga casa, onde, nas pedras laterais da porta de entrada, se podem ver tres cruzes gravadas.
Coincidentemente e tambem de registar, que o proprietario desta casa em principios do seculo passado, tinha o nome de: Antonio da Cruz.

quinta-feira, março 09, 2006

NAS VOLTAS PELA "ALTA" BEIRA



Ja aqui referi os agradaveis encontros, que durante a minha estadia na Beira, tive com os amigos de "Terras de Azurara e Tavares", hoje e cumprindo o prometido, deixo-vos umas fotos de um desses encontros, em que para alem do salutar trocar de opinioes, se degustou um saboroso entrecosto entremeado com os enchidos das nossas terras, acompanhado pelas batatas "afreventadas" e por uns "treplos" divinais que eu ja ha muito nao tinha a oportunidade de comer. (para os menos versados em termos regionais nossos, treplos sao grelos de nabo ou nabica.)

Foi ainda ha tao pouco tempo, que ainda conservo estes belos sabores nas minhas papilas gustativas. A todos bem hajam pelos prazenteiros encontros e pela amizade.

PS: A titulo de curiosidade, devo informar que ja os judeus da nossa regiao, consumiam estes "treplos" que pelo amargo lhes fazia lembrar, a amargura que o povo hebraico passou na escavidao do Egipto.

segunda-feira, março 06, 2006

GRAVACOES EM CASAS DE JUDEUS (Cristaos-Novos)


Ja noutra entrada anterior, publiquei uma foto duma casa de judeus em Fornos de Algodres, com uma gravacao em que aparece uma cruz sobre um monte.
O meu amigo Nuno Soares ja me tinha comunicado, e, ate me cedeu a foto que apresento, que na judiaria de Trancoso tambem existem destas gravacoes, alem desta de Fornos encontrei uma outra no Ramirao que apresentarei a seguir.

Deve ter algum significado que desconheco, e para o qual desejaria explicacao de qualquer colaborador ou leitor deste meu blog. Sera que tera a ver com o monte de Siao? (templo do Senhor)

sábado, março 04, 2006

CAPELA DA SENHORA DO O


Como referi na entrada anterior aqui podem ver a capela privada, do solar de onde saiu o primeiro, e unico Barao de Fornos de Algodres, familia Albuquerque Pimentel de Vasconcelos Soveral.Embora o portal lateral seja em arco romanico, creio que a capela datara do seculo XVII ou XVIII

CASA DE JUDEUS (OU SINAGOGA)




Desde há bastante tempo que me interrogo, acerca desta casa situada na esquina da Rua da Torre, com uma travessa que circunda um pequeno quarteirão. A razão da minha curiosidade, vem do facto de ao contrario das casas vizinhas, ser muito mais alta e por possuir uma janela, que embora sem grande grandiosidade, tem ornatos que me fazem situa-la na época quinhentista.

Durante a minha recente visita as "nossas terras", uma vez mais estive junto da referida casa, na esperança de confirmar as minhas suspeitas. Fotografei a referida janela, e, tratei de descobrir junto ao portal em cantaria cortada em 45 graus, alguma reminiscencia de judeus ou "cristãos-novos". Não tendo descoberto nada e desapontado, já me retirava quando consegui descobrir noutra fachada da mesma casa, junto a uma janela, as gravacoes nas pedras adjacentes, que registei e comparto.

Não calculam os meus amigos a alegria que senti, não só porque as minhas suspeitas estavam correctas, como porque tanto quanto sei, sou o primeiro a dar a conhecer estes factos. A mim já me chegava a gravação da cruz, na pedra do lado direito da janela, mas para minha surpresa na pedra inferior, para alem duma gravação em todo idêntica a outras na judiaria de Trancoso, (cruz sobre um monte) existe outra do que parece ser uma taça com o aparente numero 185.(Será uma data incompleta, ou algum numero associado aos judeus? Ou ate letras hebraicas mal gravadas?)

Esta casa foi sem duvida propriedade de algum judeu endinheirado, e, ate poderá ter sido aqui, que se situou uma provável sinagoga, ou casa de oração judaica da antiga vila de Fornos.

Também e interessante, e, provavelmente terá algum relacionamento, o seguinte facto: Do lado oposto a estas construcoes na referida Travessa, situa-se uma capela de invocação de Na. Sa. do O, propriedade da família Vasconcelos Soveral. Capela essa que, ao contrario das outras capelas particulares da vila, possuiu o portal principal de entrada, resguardado por um muro para não ter acesso directo para a rua. Será que os cristianissimos senhores deste solar, não queriam nenhum mesmo nenhum contacto com os judeus?

quinta-feira, março 02, 2006

ABRAHAM LOPES CARDOZO

Durante o meu interregno, na actualializacao deste blog, aconteceu um facto que considero relevante, e, digno de registo neste espaco.
Ja algum tempo atraz, me referi a uma familia de judeus ilustres da cidade de Nova York, de apelido "Lopes Cardozo", esta familia tem origens em judeus sefarditas portugueses, que imigraram para a Holanda no seculo XVI, durante as presseguicoes aos cristaos-novos. Mais tarde estiveram entre os judeus que fundaram a primeira sinagoga na antiga Nova Amesterdao, que foi a primeira sinagoga Americana.

Sera pelo facto de possuir-mos eu, e, a minha familia, os mesmos apelidos, que nao quiz deixar (embora com algum atrazo) de mencionar o desaparecimento do Rabino emerito da sinagoga Portuguesa-Espanhola de Nona York: Abraham Lopes Cardozo, que com 91 anos de idade, e, depois deixar reconhecido trabalho, no estudo e perservacao, da heranca musical sefardita portuguesa. Deixou o mundo dos vivos no passado 21 de Fevereiro.

Quero ao mesmo tempo que agradeco esta informacao ao amigo: Nuno Guerreiro, desejar-lhe as boas vindas a costa leste americana. Podem os meus leitores interessados em temas judaicos, consultar o seu "site" atravez dos meus links em "Rua da Judiaria"

NOTAS DO INTERREGNO

Durante a minha estadia por "Terras de Algodres", tive o grato prazer de conhecer pessoalmente, um grupo de amigos das "Terras de Tavares e Azurara", que tem um bom vicio (digo eu) de consultar este humilde blog.
Foi muito bom, ter compartido com eles, alguns bons momentos de confraternizacao, que espero se repitam em opportunidades futuras. Noutra entrada publicarei fotos desses encontros.

Foi tambem com prazer acrescentado, que tive a honra de conhecer o meu amigo e "conterraneo": Nuno Soares que publica o "Blog sobre Algodres",(ver meus links) que para alem de muito ter contribuido para um conhecimento historico, mais profundo da nossa regiao, foi quem me "infectou" com esta doenca bloguistica.
Para ele e sua familia que nos receram tao gentilmente, e, por tudo o resto, vai um sincero "Bem Hajam"

Tudo isto so vem confirmar, aquilo que todos ja sabem (ou deviam saber); Nos os beiroes da Beira Alta, somos o maximo em simpatia e hospitalidade, pelo que aqueles que nao a conhecem, venham visitar esta Beira onde se situa a Serra mais alta do Portugal continental.

domingo, fevereiro 26, 2006

Judeus em Terras de Algodres

Judeus em Terras de Algodres

Quase a deixar as terras de Algodres, e com este frio humido sempre aconpanhar-me, so quero dizer aos meus leitores, que brevemente compartirei convosco, experiencias e, imagens das nossa «Terras» ate breve.

Judeus em Terras de Algodres

Judeus em Terras de Algodres

Quase a deixar as terras de Algodres, e com este frio humido sempre aconpanhar-me, so quero dizer aos meus leitores, que brevemente compartirei convosco, experiencias e, imagens das nossa «Terras» ate breve.

domingo, fevereiro 12, 2006

ATE BREVE COM NEVE (MUITA)




Vou estar por "Terras de Algodres" nas proximas duas semanas, terei provavelmente oportunidade, de conhecer alguns dos meus mais assiduos leitores, principalmente os das "terras de Tavares e Azurara". Como provavelmente nao colocarei nenhuns "posts", nestas duas semanas, e, enquanto colecionarei fotos e mais informacao das nossas terras; deixo-vos umas fotos de um enorme nevao, que nos cobrir a ultima noite, com esta enorme quantidade do branco manto.
Fico a fazer votos entretanto, que por ai tenha um tempo bastante melhor.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

FORNOS DE ALGODRES Pacos do Municipio


Embora sem data, esta foto e de um postal editado na decada de trinta do seculo passado. Presentemente embora com o interior moderno e funcional, o exterior deste edificio encontra-se de acordo com a construcao original. Foi edificado de raiz para ser os Pacos do Municipio e Tribunal em finais do seculo XIX, e depois de um incendio reconstruido em principios do seculo passado.
Presentemente alberga unicamente os servicos camararios, pois existem novos edifios Para o Tribunal e outras reparticoes publicas.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

FORNOS "D'ALGODRES" E O QUEIJO DA SERRA


Sabem alguns dos meus leitores que, embora com a minha terra no coracao, encontro-me longe dela, uns milhares de quilometros e, nesse pais onde resido, nos os portugueses, cada vez que encontramos um novo compatriota, e quase sacramental fazermos a seguinte pergunta: de onde e voce? Quando me fazem essa pergunta a mim e, tendo obtido a resposta, uma grande parte das vezes, o que venm a seguir e o seguinte: Fornos de Algodres? essa nao e a terra do Queijo da Serra?

De facto e incontornavel ligar o "Queijo Serra da Estrela" a Fornos, sem querer por mais achas na fogueira, de qual e a terra onde o queijo e mais importante, sempre posso afirmar que reconhecidamente; Fornos de Algodres e sem duvida um dos mais importantes concelhos productores de queijo da serra e idesmentivelmente a maior Feira de Queijo Serra da Estrela, desde tempos imemoriais.

Por isso e porque estamos dentro da epoca alta deste producto, de reconhecido valor e sabor (digo eu), nao quero deixar passar um evento, que serve nao so para a sua valorizacao, como para homenagear os envolvidos na sua producao: Os pastores e queijeiros, estou a referir-me: A Festa do Queijo Serra da Estrela, que se vai realizar na vila de Fornos no proximo dia 12 de Fevereiro, domingo proximo.

Porque e um domingo e nao ha tantas desculpas, aconselho os meus leitores a uma visita a esta vila beira e, alongando a vista sobre a nossa "Estrela", convivam com as nossas gentes nesta feira festa e, provem (nao comam) o queijo das nossas terras, sempre acompanha de um bom vinho do "Dao" ou ate de um "Porto" depende dos gostos. So de referir-me a isto, estou ja com agua na boca.
Para alem da feira em si, havera folclore, exposicoes, venda de artezanato e, muita animacao. Alem disso e uma boa oportunidade, para visitarem os monumentos ja neste sitio divulgados.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

"CORRENTE"

Provocado pelo amigo Tavares: NEOARQUEO, aqui continuo a cadeia, iniciada nem sei por quem. Caro Tavares desculpe ter usado a sua escala.
Entao aqui vai:

1 AMIGO = Dos meus amigos e, ate de alguns supostos inimigos.

2 RESMUNGAO = Nao muito mas, tambem as vezes.

3 TEIMOSO = Quando tenho razao, (ou penso que a tenho)

4 MUSICA = Gosto, de alguma mais do que outra.

5 CAUSAS = Tenho algumas, a maior = Regionalista convicto.

Quero provocar nesta corrente os amigos: MariaPernilla; O Microbio; o IDANHENSE;
o BEIRA MEDIEVAL e especialmente o Nuno Soares do Blog sobre ALGODRES.

CASA GRANDE JUNCAIS


Por alguma razao que eu nao consigo explicar o "post" sobre a feira de S. Braz realizada no passado domingo em Juncais, depois de ter sido publicado desapareceu do blog. Porque ja perdeu oportunidade, nao o vou voltar a publicar.
Vou sim e, ainda referente aquela freguesia, do municipio de Fornos de Algodres, referir-me ao largo, onde usualmente se realiza aquela feira anual.

Este largo era outra identificado por Largo da Fonte, actualmente e conhecido por Largo do Terreiro. A razao porque se chamava Largo da Fonte, era porque ai se situa uma Fonte ou Chafariz, que foi edificada durante o governo da ditadura (1926-33).
E uma construcao em granito de arquitectura um pouco invulgar, como curiosidade outrora conservava amarradas com correntes, canecas de metal para todos poderem matar a sede.

Neste mesmo largo encontra-se tambem a Casa Grande; Solar da Familia Barata Cerveira, com a sua capela privativa com portal para o largo.
Esta construcao esta classificada pelo IPPAR, como monumento de interesse publico.
Deve datar do seculo XV e, e uma sobria edificacao que nao sofreu muitos modificacoes durantes os seculos, tem um imenso portal de entrada e, sobre ele tem a pedra de armas com o brazao da familia, que lhe tera sido agregado ja no seculo XIX.

terça-feira, janeiro 31, 2006

INFIAS LAPIDE ROMANA


Ja me referi superficialmente a lapide romana de Infias,(arquivo 24 outubro 2005) hoje coloco uma foto da mesma, e algumas consideracoes acerca dela.
Devido aos muitos vestigios encontrados ninguem poe em duvida a existencia nesta povoacao de um aglomerado romano, os mais entendidos creem que aqui houve uma "Viccus" (aldeia romana).
Tambem esta comprovada a passagem nesta povoacao, de uma via romana, devendo ser a que de Viseu seguia a Linhares. Foram tambem encontradas algumas inscricoes romanas; uma com a palavra ALBONI, havendo quem avente a hipotese de ser o antigo nome da povoacao; uma ara votiva com a seguinte inscricao:
D.M.S.
MARCVS
MARINO
I.F.An.LX
CILEIA
YXOR
Desconheco onde se encontra esta ara, no entanto existe incorporada na fachada da igreja uma pequena lapide ao deus Mercurio que e a seguinte:
DEO MERCURI
APONIVS
SOSVMVS
A.L.V.S.
Ha quem opine que no sitio da igreja se situou um templo a Mercurio, mas o mais provavel sera que esta lapide se encontra-se junto a estrada romana (Mercurio era o patrono dos viajantes), e tivesse sido aproveitada na construcao do templo, talvez para cristianizar vestigios pagaos.
O toponimo Infias identifica um grupo de gente infiel, sera que estes infieis eram; Romanos, Judeus ou Mussulmanos?

AS PEDRAS E OS HOMENS - SEPULTURAS RUPESTRES


Continuando a referir-me as pedras moldadas por e para os homens, e, ainda na area da necreologica, vou-me hoje referir as sepulturas rupestres escavadas na rocha.
O concelho de Fornos de Algodres e bastante rico (quantitativamente) deste tipo de sepulturas, havendo-as de todos os tipos. Existem duas necropoles: Forcadas e Vila Ruiva da Serra, com mais de duas dezenas cada, varios grupos de duas e tres, e, bem assim varias isuladas, espalhadas por quase todas as freguesias do municipio, em 1993 ja estavam inventariadas setenta, tendo a partir dai sido identificadas outras mais.

A maior parte destes tumulos ja se encontram estudados e documentados, tendo sido publicadas algumas obras a eles referentes. Segundo os entendidos no municipio de Fornos encontram-se sepulturas de todas as epocas; retangulares, ovais, antropomorficas e de transicao, que dataram do seculo VII ao XII. Embora o nosso povo se refira a elas como: "covas" dos mouros ou dos romanos, os estudiosos afirmam que se trata de sepulturas cristas, dos primeiros seculos da religiao catolica. No entanto e estranho todas elas se situarem, em sitios bastante distantes dos mais antigos templos conhecidos da nossa regiao.

E provavel que todas as opinioes tenham algo de verdade, pois tudo parece indicar que sendo das datas opinadas, poderiam ter sido sepulturas de qualquer, daqueles povos, mas tambem poderiam ser de alguns povos barbaros que conquistaram o imperio romano, ou como eu ja sugeri noutro blog, poderiam muito bem ter sido sepulturas judaicas.

De mouros nao creio que sejam, pois as normas de sepultura daquela religiao, nao estao de acordo com este tipo de enterramento. De romanos tambem me parece que nao, pois este povo preticava um tipo de enterramento mais elaborado e normalmente colocavam lapides descritivas, ora nunca foi encontrada nenhuma junto delas. Cristas tampouco creio que sejam, nao so pela distancia dos templos medievais conhecidos, como pelo facto comprovado de que os cristaos, eram sepultados nesses tempos dentro e junto dos mesmos templos, e o facto comprovado, na necrople descoberta ao redor da igreja de Algodres, (igreja mais antiga) ha poucos anos atras.

Acerca do descredito da teoria "crista", so quero lembrar o seguinte: No ano passado enquanto proseguiam as obras, Na Praca Velha na cidade da Guarda, foram encontradas varias sepulturas, com a novidade de ainda terem restos mortais, coisa nova ate entao, isto pode (ou podia) ter contribuido para uma datacao mais fiavel, nao tenho no entanto conhecimento que isso tivesse sido feito. No entanto vieram os tecnicos afirmar na comunicacao social: Que eram sepulturas cristas, e, que estariam relacionadas com a Catedral, que se encontra junto a mesma praca. Aqui esta a contradicao, pois ou pensao que todos sao estupidos, ou entao sabendo tanto de arqueologia esqueceram-se de estudar historia.
Porque sendo estas sepulturas de entre os seculos VII e XII, de forma alguma poderiam estar relacionadas com a Catedral, primeiro porque a catedral so foi criada no seculo XII, tendo sido transferida da Idanha ou Egitanea, e, tendo tido a Guarda duas catedrais anteriores antes desta, nao se localizavam neste local, esta foi comecada a construir no seculo XIV e terminada no seculo XVI.

O que perto desta area existe desde epoca medieval, e sim a Judiaria da cidade mais alta. Pelo explanado e sem certezas, continuo aberto a varias hipoteses, e, nao creio que se possa categoricamente afirmar que sao sepulturas cristas. Eu pessoalmente estou mais inclinado que pelo facto, de ser um tipo de sepulturas de acordo com as normas judaicas, nao sendo um tipo de sepultura generalizado, sendo um tipo de enterramento dispendioso, relativamente longe de templos cristaos, bem poderiam ser tumulos Hebraicos.
Que me dizem os meus leitores acerca disto.

sábado, janeiro 28, 2006

CASA da ORCA de CORTICO "d'ALGODRES"


Este monumento megalitico encontra-se tambem situado no planalto de Algodres, mas dentro da area da freguesia de Cortico de Algodres. E constituido por uma camara de base poligonal, com cerca de 2,5 de diametro e 3 metros de altura, tem oito esteios com entrada virada a nascente, servida por um pequeno corredor, forma uma pequena mamoa, tem os esteios inclinados ao centro, com chapeu de cobertura. Ainda se podem ver, restos ja muito diluidos de pintura ocre, no interior da camara.

Foi datado de cerca de 3000 anos antes da nossa era, explorado por Leite de Vasconcelos em 1896, o espolio recolhido na altura, foi transferido para o Museu Etnografico Portugues. A cerca de vinte anos houve aqui nova intervencao por parte do GAFAL (Gabinete de Arqueologia de Fornos de Algodres). O espolio entao recolhido passou a integrar o patrimonio do CHIAFA. (Centro Historico de Investigacao Arqueologica de Fornos de Algodres)

Este Sitio Arqueologico foi considerado monumento de interesse publico, por decreto de 1 de Junho de 1992. Podera ser visitado facilmente, pois encontra-se servido por um ramal pavimentado, com ligacao a Estrada Municipal: Algodres-Maceira.
Se nao conhecem passem por la e digao algo.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

ORCA das CORGAS MATANCA


Um erro do "scanner" (ou meu) fez com que a foto nao tenha aparecido na entrada anterior. Aqui entao a foto da Anta, Dolmen ou Casa da Orca das Corgas.

LEGADOS EM PEDRA- ORCA DAS CORGAS-MATANCA


Muitos antes de pelas "Terras de Algodres", habitarem: Judeus, Romanos, Cristaos e Mouros, (creio que a ordem esta correcta) ja ha pelo menos mais de cinco mil anos, por aqui andaram e deixaram vestigios, povos sem nome, mas que tinham pelos seus mortos grande veneracao e respeito e, construiram monumentos que se conservam ate hoje.

Assim no planalto de Algodres, na chamada "terra fria" podemos visitar dois exemplos de antas ou dolmens, que o povo da minha terra creio que sabiamente, denomina por: Casas da Orca, segundo o Monsenhor Pinheiro Marques na sua monografia "Terras de Algodres" (1938) havia pelo menos restos de um outro, em meados do seculo passado, nas proximidades de Maceira, ainda no mesmo planalto.

Hoje apresento aos meus leitores a: "Casa da Orca das Corgas", situada na freguesia da Matanca; e constituida por uma camara poligonal composta por nove esteios, um deles ja partido, coberta por um espesso chapeu, com ausencia de corredor, (nao significa que o nao tivesse na epoca da construcao) tampouco tem vestigios de mamoa, tem a abertura principal virada a nascente e, conserva restos de gravacoes serpentiformes num dos esteios.

Este monumento foi estudado e escavado por Leite de Vasconcelos, em Setembro de 1896, e, novamente intervencionado pelo Gabinete de Arqueologia de Fornos de Algodres, no ultimo quartel do seculo passado. E monumento nacional desde 1961 e parte do seu espolio pode ser apreciado no CHIAFA (Centro Historico de Investigacao Arqueologica de Fornos de Algodres)no edificio do Tribunal nesta vila.

Para quem nao conheca, aconcelho uma visita tanto ao CHIAFA como o monumento, este fica junto a estrada municipal Fornos-Matanca, a cerca de 6 quilometros da vila e, esta servido por ramal pavimentado que parte daquela estrada.

terça-feira, janeiro 24, 2006

SEMINARIO DE SAO JOSE


Este postal editado pela Camara Municipal de edicao relativamente recente, mostra como ficou o edificio do seminario, depois das obras de restauro e re-qualificacao.
Creio que aqueles que por ali passaram, e ja ha tempos la nao vao notaram uma grande diferenca para melhor.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

SEMINARIO DE SAO JOSE


Esta foto que tem seguramento mais de trinta anos, mostra a fachada principal do edificio do Seminario de de S. Jose em Fornos de Algodres, inaugurado em 11 de Outubro de 1934. Aqui encontravam-se outrora umas casas que eram pertenca do Conde de Fornos, e, que foram cedidas a diocese de Viseu em principios do seculo passado.

Este seminario esta incluido numa extensa propriedada chamada Quinta da Costa (ou do Costa) ao fundo da qual foi construida em fins do seculo XIX a estacao de Fornos de Algodres, na linha de caminho de ferro da Beira Alta.

Relativamente perto existe a antiga quinta do Bugalho, onde se encontram restos de um antigo lagar de azeite do principio do seculo passado, e, uma casa pertenca dos Condes de Fornos de Algodres, com o seu brasao de armas.

terça-feira, janeiro 17, 2006

ABREUS Senhores de "FORNOS" III

Quando anteriormente me referi aos Albuquerques, afirmando que tinha sido um deles o primeiro Barao de Fornos de Algodres, disse tambem que os Abreus sao uma familia com mais pergaminhos na nossa vila que aqueles, entao porque razao tera sido que estes foram preteridos aquando da instituicao daquele titulo nobiliarquico?
Creio que devera ter sido por algum servico a rainha constitucional, lhe tera sido concedido, e tambem pelo facto do Barao nao ter descendencia varonil, o titulo iria terminar com ele.

Creio (caso alguem tiver outra informacao, agradeco desde ja) que os Abreus sendo uma familia da nobreza tradicional, (segundo os genealogistas ja vem do tempo do pai do nosso primeiro Rei,)esteve sempre ao lado do efemero Rei D. Miguel e de acordo com a tradicao, e, contra as "modernices" constitucionais. Provavelmente por isso e porque os Albuquerques Pimentel de Vasconcelos Soveral, de Fornos se terao dedicado ao liberal D. Pedro IV, que quando este abdicou na sua filha D. Maria II, ela tera premiado aquele senhor, provavelmente atravez de alguma informacao dos Costa Cabrais, (ministros daquela rainha) que sendo naturais de Fornos de Algodres, conheciam bem todos eles.

No entanto uns anos mais tarde apos a morte do Barao, e quando ja estava em vigor o regime da Regeneracao, a mesma rainha corrigiu o suposto erro inicial, ao conceder a Joao Maria de Abreu Castelo Branco Cardoso e Melo o titulo de Visconde, mais tarde o seu filho Rei D. Luiz elevou o mesmo a categoria de Conde.

Devo informar aos menos conhecedores que estes titulos, foram unicamente nobiliarquicos, pois nessa altura ja tinham sido abolidos, os morgadios, senhorios e outras perrogativas, pelos governos liberais.
No entanto com a excepcao dos traidores: Noronhas, os Abreus tinham sido durante mais de dois seculos senhores desta vila, pelo que o titulo estava bem entregue.

Desta familia sairam pessoas que em muito contribuiram para o engrandecimento da vila de Fornos em fins do seculo XIX e principio do seguinte, tendo estado envolvidos na construcao do hospital da Mesericordia, do Paco Municipal e do Mercado Municipal que ainda hoje conserva o nome do Conselheiro Lopo de Abreu, entre outras coisas.

domingo, janeiro 15, 2006

ABREUS Senhores de "FORNOS" II


Em principios da nacionalidade o "Lugar dos Fornos" foi um concelho reguengo, portanto propriedade regia. Em meados do seculo XIV o rei D. Fernando concedeu o senhorio de Fornos a sua filha D. Isabel de Portugal, (este senhorio incluia tambem Viseu, Celorico e creio que Azurara) como dote de casamento com conde de Guygon e Noronha.

Acontece que quando este rei morreu e nao deixou descendencia varonil, o rei de Castela invadiu Portugal defendendo os direitos de sua esposa D. Beatriz filha de D. Fernando, ao trono de Portugal (1385). Entre os muitos nobres que estiveram ao lado do rei de Castela esteve tambem o conde de Guygon e Noronha, pelo que tendo D. Joao de Castela sido derrotado primeiro em Trancoso e depois em Aljubarrota, e tendo D. Joao I, Mestre de Avis, subido ao trono Portugues, decidiu compensar os que o ajudaram e punir os que estiveram contra ele.
Foi entao que o senhorio de Fornos, foi retirado aos Noronhas e concedido aos Abreus,(Viseu foi para o infante D. Henrique, nada sei acerca das outras terras.)e, assim se manteve ate meados do seculo XVI.

Quando o rei D. Felipe I, subiu ao trono portugues, criou o condado de Linhares, dando este titulo aos Noronhas, retirando o senhorio de Fornos aos Abreus. (suponho porque os Abreus estiveram do lado portugues )
Mas como nao ha uma sem duas, ja depois da restauracao da independencia, a familia Noronha voltou a conspirar contra o rei de Portugal (D. JoaoIV), sendo entao extinto aquele condado e todos os bens dos Noronhas confiscados,(no entanto ja depois da restauracao o rei espanhol elevou o conde de Linhares a duque, no entanto ele nunca mais veio a Portugal.)Ficou entao o senhorio de Fornos e tambem de Algodres, na posse da Casa de Braganca e poucos anos depois passou para recem criada Casa do Infantado, onde se manteve ate as revolucoes liberais do seculo XIX.

PS: Na foto o solar dos Abreu Castelo Branco "Casa da Torre"

sexta-feira, janeiro 13, 2006

ABREUS Antigos Senhores de FORNOS I


Como referi em entrada anterior, a mais antiga e prestigiosa familia de Fornos mais tarde chamada de "Algodres", nao e a Familia Albuquerque, mas sim a familia Abreu. Embora com origem no Minho, ja existe documentada nesta vila desde o principio do seculo XV.

Nessas alturas Fornos que era concelho reguengo, tendo entao D. Joao I passado o senhorio desta vila para a familia Abreu e ai se prolongou ate que no seculo XVII, entao com a criacao do condado de Linhares, foi-lhes retirado este senhorio e concedido aqueles condes que eram da familia Noronha.

Na foto vemos a capela brasonada de Na. Sa. da Anunciada, englobada no solar destes Abreus Castelo Branco, este solar coma sua torre medieval, e conhecido por Casa da Torre, o que originou que uma rua adjacente a propriedade, ainda hoje se identifica por: Rua da Torre.

PARABENS LELLO (a livraria!)

Todos os que como eu gostam de ler, ficaram satisfeitos em constactar o aniversario do centenario da bela livraria Lello, da cidade do Porto.
Dizem os entendidos que e a mais bonita livraria do mundo, e de facto bonita e funcional para quem tem 100 anos nem tem rugas nem nada.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

BRASAO DOS ALBUQUERQUES SOVERAL


Este Brasao dos Albuquerques Pimentel de Vasconcelos e Soveral, encontra-se sobre o arco de entrada para o solar desta familia, na Rua da Torre na parte antiga da vila de Fornos.
Foi um membro desta familia o primeiro e unico Barao desta vila, no tempo de D. Maria II.
Porque sera que esta familia colocou uma cruz a encimar o referido brazao?
Outra coisa estranha, porque razao tera a rainha dado este titulo a esta familia, sabendo nos que aqui havia uma familia muito mais antiga e com mais pergaminhos? Estou a referir-mos aos Abreus, mas essa e uma historia que seguira noutra altura.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Fonte da Quinta do casainho INFIAS


Aqui esta a foto da fonte da Quinta do Casainho, Como podem ver tem o brazao de armas da familia Melo, Esta familia de origem patronimica Teve origem na antiga vila de Melo, no vizinho concelho de Gouveia, desconheco neste momento que ramo tera passado a Infias, embora os proprietarios desta quinta ja nao usem o papelido Melo, ainda existem muitas pessoas com esse apelido nesta aldeia e, ate os familiares da minha esposa ainda sao aparentados com os Melos.

terça-feira, janeiro 10, 2006

CASAINHO INFIAS


Um triste exemplo de como o patrimonio das nossas terras se vai desmoronando aos poucos. Esta foto foi tirada ha mais de dez anos, hoje estara muito pior senao ja totalmente desmoronada.
Este edificio que data do seculo XVI, era a residencia da familia Costa Cabral na Quinta do Casainho, junto a antiga vila de Infias.

Esta familia no entanto devera ter tido origem na familia Melo, pois junto da casa numa antiga fonte encontram-se as armas daquela familia. Creio que foi no primeiro quartel do seculo XX, que a familia passou a usar uma pequena casa que reconstruiu no lugar de uma capela arruinada, e esta casa passou a ser usado pelos "caseiros" da quinta, pois a familia a semelhanca de quase todas decidiu mudar-se de armas e bagagens para capital.

Que pena deixarem cair esta antiga casa quase medieval, enquanto relativamente perto edificaram uma nova casa de ferias descaraterizada mas dentro dos gostos dos nossos seculos. E caso para dizer que da Deus as nozes a quem nao tem dentes. Quantos de nos nao desejariamos possuir uma casa assim para reconstruir-mos e adaptar-mos interiormente as comodidades da nossa vida moderna.

PARABENS FRANCISCO

Quero muito humildemente enderecar os meus parabens ao Francisco Jose Viegas, pela sua colocacao a frente da casa Pessoa.
O Francisco que no inicio ainda recente deste blog, fez o favor de divulgar este simples blog, e, eu nao fiz mais do uma obrigacao, mas muito mais que isso foi com muito prazer que coloquei um link do seu blog (vejam Origem das Especies)neste blog.
Desejo-lhe muitas venturas nessas suas novas responsabilidades e, creio que os meus leitores tambem.

HISTORIA JUDAICA & OUTRAS HISTORIAS

Quando iniciei este blog informei que tinha (e tenho) a finalidade de investigar a historia judaica nas "Terras de Algodres" concelho de Fornos de Algodres. Tinha esperancas de ter colaboracao de naturais e residentes no meu concelho, mas ou a minha gente nao e dada a estas coisas dos blogs, ou a questao judaica continua a ser tabu por estas bandas.
Sem desanimar e porque me comeca a faltar materia sobre o tema foi que comecei a divulgar coisas que as vezes nao estavam relacionadas com o tema fundamental, continuarei a faze-lo sempre com a esperanca de colaboracao dos meus conterraneos.
Por isso nao se admirem que por vezes o tema judaico nao apareca ao lume. A razao e que me falta materia, tem muito que ver com o facto, de me encontrar longe dos meios de consulta, pois vivo muito longe neste momento.
Vou continuar mas queria deixar esta explicacao, ao mesmo tempo agradecer as palavras de apoio, muitas vezes de gente que nem sao das "terras de Algodres"

BEM HAJAM

segunda-feira, janeiro 09, 2006

CAPELA DA SENHORA DAS DORES


Situada num adro com entrada pela rua Dr. Fernando Menano, na vila de Fornos, encontra-se virada para a vertente norte da nossa Estrela,(a serra)lugar donde se pode admirar uma paisagem encantodora.

Esta capela foi edificada em 1888, com as pedras de uma outra muitissimo mais antiga, de invocacao do Espirito Santo, (mas quem houve designa-se por Santo Estevao) e, se localizava junto a rua do mesmo nome, em Fornos de Algodres.

Foram para aqui transportadas as pedras e feita a construcao, porque a antiga referida capela, que datava pelo menos do seculo XVI, se encontrava arruinada e profanada desde o tempo da terceira invasao franceza em 1810, tendo nessa altura sido usada como cadeia ao servico daquelas tropas.

Aquela capela do Espirito Santo era uma capela do povo e teve irmandade propria que por sua vez administrava o hospital que entao ja existia nesta vila, pelo menos desde 1573, (suponho que a este hospital teram tido ligacao os judeus e, a designacao do Espirito Santo ate foi adoptada para apelido de algumas familias de cristaos-novos).
Foi nesta antiga capela que em 1666 se instituiu a Mesericordia, tendo esta irmandade por essa data apossado-se da capela, do hospital e de outras propriedades de sua pertenca, contra a vontade de muita gente entre os quais o abade da freguesia de S. Miguel de Fornos.

Tera sido a partir da data da conclusao da igreja da Mesericordia (1769), que esta capela tera entrado em desuso e, tera sido isso que originou o facto dela ter sido usada para cadeia, nunca tendo sido reabilitada foi demolida em 1888. Em seu lugar foi edificado um cruzeiro, demolido aquando da implantacao da republica, tendo sido novamente edificado outro ja durante o estado novo, alem dele havia ate a cerca de 20 anos um marco de pedra com uma inscricao, referindo aquela capela. (presentemente desconheco o seu paradeiro)

Esta Capela da Senhora das Dores foi edificada nos terrenos da Santa Casa na mesma altura em que se construiu o hospital primitivo, que se localizava onde hoje se situa o lar da Mesericordia, (em obras) no Chao da Biquinha, assim identificado por ai se localizar uma pequena nascente de agua, que mais tarde a referida irmandade canalizou para fonte incrustada no muro dos terrenos do Hospital.
E uma capela de reduzidas dimensoes, renascentista com registos barrocos tardios e, com um pequeno campanario estilo romanico sobre o timpano da facha posterior.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

DIA DE REIS

Embora a biblia unicamente faca referencia a uns magos que vinham do oriente, a tradicao crista refere-se a eles como reis. Nos primeiros tempos em que o cristianismo foi adoptado pelo Imperio Romano, decidiram consagrar este dia que teria sido a revelacao de Cristo ao mundo, como o dia do nascimento de um menino judeu, a quem foi posto o nome de Yeshua, que mais tarde com deficiente traducao, passou a ser identificado por Jesus, a quem os gregos chamaram Cristo.

Quando o ramo romano da igreja catolica decidiu colocar, (erroneamente segundo os entendidos) o nascimento desse menino no dia 25 de Dezembro, essa mesma directiva nao foi seguida pelo ramo ortodoxo da igreja catolica, pelo que ainda hoje e por volta deste dia que eles (os ortodoxos) celebram o natal.

Nos os ocidentais, temos seguido sem grande discordancia, as directivas da igreja de Roma e, portanto neste dia 6 de janeiro de cada ano, celebramos (quem celebra) o dia de Reis ou Epifania. (revelacao de Cristo)

Este dia, em que os magos ofereceram presentes ao menino, deveria ser (para seguir a tradicao) o dia da oferta das prendas as nossas criancas e, nao o dia 25 de Dezembro.
Embora seja eu bastante relutante em concordar com "nuestros hermanos", neste ponto eles ate estao mais certos que nos, pois ainda hoje continuam a celebrar os Reis, com um feriado nacional e, e neste dia que "repartem los regalos".

E tambem neste dia que oficialmente (a minha mae sempre disse que nao foi neste dia que nasci e, quem sou eu para contraria-la) celebro mais um ano de vida. Por isso enquanto desejo um feliz dia de Reis a todos os meus amigos leitores, espero que o menino com o nome judaico de: Yeshua, se, na verdade era o filho de D-us, tenha a bondade de conceder a este simples mortal, mais uns anitos de vida.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

CALVARIO - VILA CHA "d'ALGODRES"


Depois do concilio de Trento e quando se comecaram a implementar as suas directivas, mas principalmente depois do edito de expulsao dos judeus em Portugal, comecou a igreja catolica a enfatizar muito mais o sacrificio de Jesus, do que a mesericordia de Deus.

Foi entao que se promoveram e construiram as vias sacras e os calvarios por todo o pais e a nossas "Terras de Algodres" nao foram excepcao, Creio que esta manifestacao era para enfatizar o crime dos judeus, que segundo a igreja catolica e contrario a historia foi quem matou Jesus. Dentre os varios calvarios que ainda hoje permanecem, existe este em Vila Cha, fica situado a cerca de 300 metros do centro da aldeia a beira de um caminho medieval ou ate romano que passava pela Aldeia das Cortes (hoje em ruinas) e constituido por uma plataforma com degraus onde ficam tres sulcos para a implantacao de cruzes de madeira, sendo o central numa base mais elevada.

Recentemente a junta da freguesia,(suponho eu) decidiu implantar no lugar onde se deveriam colocar cruzes de madeira, tres cruses de granito polido, talvez pensassem que estavam a fazer um excelente trabalho, mas em minha opiniao e creio que concordaram comigo os entendidos em historia de arte, deveriam em vez de tapar os sulcos com aquelas cruzes, era colocar neles cruzes de madeira que podia ser tratada para poder resistir a intemperie, ou entao deixar o calvario como esteve por anos e anos.

Espalhados pela aldeia ficavam os varios passos da via sacra, desconheco a sua localizacao com a excepcao do ultimo antes do calvario, que se encontra a cerca de 50 metros incorporado num muro, e uma pequena plataforma em cantaria, que a semelhanca do calvario tem ao centro um pequeno sulco para a implantacao de uma cruz de madeira.

ANTIGA ESCOLA DE FORNOS e a ABADIA


Esta foto de um antigo postal (OCOGRAVURA LDA.-RUA D.Pedro V, 18 LISBOA) nao tem data, mas estou convicto que datara da decada trinta do seculo passado. Aqui se ve a antiga escola primaria de Fornos de Algodres, ficava situada na antiga Rua da Igreja; hoje Rua Carlos.....Pereira, (omiti o nome na totalidade porque de tao longo e dificil de recordar e, alem disso e uma disparidade um nome tao longo numa rua)

Este edificio foi demolido em finais da decada de sessenta e, em seu lugar foi edificada a escola preparatoria Lopo de Abreu, tambem ela ja extinta restando unicamente o edificio, (Um "caixote" sem nenhum interesse arquitetonico) e o muro de vedacao que era comtemporaneo da antiga escola.

Esta escola construida em principios do seculo XX, foi-o no local em que houve outrora a antiga abadia da Igreja de S. Miguel, portanto residencia dos abades titulares da paroquia de: "Sancti Michaelis", de que ha referencia nas inquiricoes de D. Afonso III em 1258. Por essa altura era prelado desta igreja "Stephanvs Mvniz".

No entanto a igreja e muitissimo mais antiga, ja existia em 1170 e, era nela que recebiam os sacramentos os habitantes, do Couto da Granja da Figeirola, que pertencia ao convento de S. Joao de Taroura. Naquela granja ou quinta mais tarde nasceu a povoacao de Figueiro da Granja, que chegou a ser vila e concelho no seculo XV.

Sabe-se tambem que esta mesma Igreja de Sao Miguel, foi em 1320 taxada por D. Dinis em 50 libras, pelo espaco de tres anos para a guerra contra os Mouros. Noutra entrada me referirei com mais detalhe a Igreja.

O terreno nas trazeiras destes edificios, e o passal da abadia e ainda hoje e propriedade da igreja matriz de Fornos, havendo um projecto para ai se construir um centro paroquial.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Ainda as JANEIRAS

Embora tenha respondido a alguns amigos nos comentarios, quero deixar mais publicamente outras quadras, que vem em seguimento de outros comentarios passados:

Aqui nas Terras de Algodres
Mesmo no tempo do frio,
Recebemos os bons amigos
Com bom vinho e peixes do rio

Nao sei se serao janeiras
Pois inda nao tenho a certeza,
Poderam ser fevereiras
mas vai serao uma beleza

terça-feira, janeiro 03, 2006

JANEIRAS Continuacao

Em agradecimento ao amigo Antonio Tavares,(http://www.neoarqueo.blogspot.com) pela deferencia num comentario, quero incluir uma outra quadra que nos tempos se cantava nas Janeiras das "Terras de Algodres" mas provavelmente tambem nas "Terras de Tavares e Azurara". Queria tambem deixar um repto aos amigos leitores. Que tal divulgarem as quadras de que os meus amigos se lembram, nas janeiras da nossa Beira?

Viva la o amigo Antonio
Que bem lhe fica o chapeu,
Quando vai para a igreja
Parece um anjo do ceu.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

ANTIGO PACO MUNICIPAL E PELOURINHO


Dentro malha urbana da antiga urbe, e junto aos solares dos Abreus (antigos senhores da vila) e dos Lacerdas encontramos a antiga casa da "camera" e este pelourinho; foi restaurado em 1933 restando do original destruido no seculo XIX, o primeiro terco da coluna e a base e o chapeu da "gaiola".

Esta localidade em principios da nacionalidade era: "Lugar dos Fornos" foi terra reguenga (propriedade real) e embora queiram que tenha tido foral por D. Dinis em 1314, disso nao ha evidencia, pois sempre se geriu pelos forais do concelho de Algodres. Ha documentos do seculo XVI que se lhe referiam como "Fornos junto a Algodres" e do seculo XVIII como: "Fornos a par de ALgodres"
Quando da reorganizacao de 1836 foram extintos os concelhos de Algodres, Figueiro da Granja, Matanca, Infias e Casal do Monte e incorporados ao de Fornos, foi decidido que oficialmente se designaria por "Fornos de Algodres", porque ate essa data aquele era o concelho mais importante tanto historicamente como em populacao.

O edificio municipal onde presentemente se encontra a sede da junta de freguesia, data do reinado de D. Joao VI tendo na fachada, as armas reais do reino unido de Portugal e Brasil e Algarve.

JANUS JANEIRO JANEIRAS

Para alem do patrimonio construido, existe tambem um outro muito mais vasto, que inclui o cultural e o oral, que nos foi e vai sendo passado e modificado pelas varias geracoes com o passar dos tempos. Nesta altura do ano em que cristaos festejam o Natal e a Epifania,(revelacao de Jesus aos gentios)Que celebramos a entrada do ano novo cristao, com festas e folias a lembrar as Saturnais e as Bacanais e, em que os Judeus estao a terminar os oito dias do Hannukah. Ha entre a nossa gente da Beira e, tambem em Terras de Algodres um costume que tem talvez muito ainda de pagao,mas com embora com arremedos da caridade e dos ensinamentos Judaico-Cristaos. Estou a referir-me ao cantar das Janeiras.

Para aquelas geracoes mais recentes e essencialmente urbanas, vai uma simples explicacao do que consistiam: Grupos de criancas durante o dia e de adultos (normalmente jovens) mais ao entardecer e a noite, iam de casa em casa cantando alegremente e saudando os moradores, enquanto davam a boa nova de um Ano Novo recem nascido, sendo no final dos varios canticos presenteados com com petiscos, doces e bebidas.

Era uma tradicao que me era muito cara e, ainda nao minha vintena de anos fui um dos organizadores de um grupo que religiosamente e logo que batiam as doze badaladas da meia noite, ia cumprir esta tradicao as habitacoes da gente da minha terra adoptiva: Fornos Gare. Como reminiscencias do Solsticio que normalmente era cerca de uma semana antes, faziamos uma emorme fogueira no largo da fonte, onde por entre estorias, bebidas e brincadeiras, esperavamos a passagem de um velho para um ano novo entao, ja sem frio ou pelo calor do braseiro,ou pela ingestao das referidas bebidas, era o toca a andar rua acima rua a baixo a cantar as casas que ainda a essa hora tinham luz acessa, sinal de que estavam acordados e, alguns ficavam-no com prazer so para compartirem a nossa alegria nesta visita anual. Que saudade e pena de nao puder agora participar nas janeiras que da minha terra desapareceram com a dispercao deste belo grupo de amigos. Caso algum deles leia esta lembranca, daqui lhe envio um abraco de amizade e votos de umas boas Janeiras e feliz 2006.

Aqui deixo algumas quadras, que passadas de geracao em geracao me chegaram, algumas delas cantadas nessas janeiras ja tao distantes.

Levante-se dai senhora
desse banquinho de prata,
venha-nos dar a janeira
que esta um frio que mata.

Estas casas sao bem altas
forradas de papelao,
o senhor que mora nelas
e um grande cidadao.

Levante-se dai senhora
desse banco de cortica,
venha-nos dar a janeira
ou de carne ou de chourica.

Venham-nos dar a janeira
se no-la quizerem dar,
nos somos de muito longe
nao pudemos ca voltar.

Normalmente antes da abertura da porta era costume cartar-se esta quadra.

Inda lhe cantamos mais uma
em louvor a Sao Joao,
nao lhe cantamos mais nenhuma
sem saber o que nos dao.

Ja quando se tinha comido e bebido, cantavasse esta quadra em agradecimento.

A janeira que nos deram
Deus sera o pagador,
queira ele que de hoje a um ano
nos faca o mesmo favor.

Tambem era habito quando as portas se nao abriam, cantarem-se algumas quadras menos respeitaveis, (perdoem a frontalidade) mas que tambem fazem parte da tradicao que se deseja se nao perca, dentro de-las lembro-me das seguintes.

Estas casas sao bem altas
forradas de pano cru,
os senhores que moram nelas
tem um buraco no cu.

Levante-se dai senhora
dessa cadeirinha torta,
venha-nos dar a janeira
senao cagamos-lhe a porta.

UM FELIZ ANO DE 2006.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

FONTE DE SANTO ANTONIO


Foi no ano de 1868 e, quando era presidente da camara de Fornos, o meu ilustre conterraneo: Antonio Pedroso de Sousa Magalhaes Castelo Branco, que em Vila Cha foi construida esta fonte, provavelmente foi baptizada de: "Santo Antonio" em homenagem ao promotor.
E constituida por um frontespicio composto por duas pilastras onde assenta um frontao curvo encimado por uma cruz latina ladeada por dois corucheus, no timpano para alem da cartela com a data da fundacao, tem um pequeno nicho que alberga uma pequenina mas antiga imagem do patrono, que outrora se encontrava num cruzeiro que data pelo menos do seculo XVIII e, se localizava entre ao solar do Terreiro.

(Esta foto tem para cima de dez anos, nessa altura havia obras no largo, que hoje esta muito mais aprazivel.)

De quando em vez PARA VARIAR.

E nos meses de Dezembro e Janeiro que eu e a minha sanguinia familia celebra os seus natais, por isso e porque neste ano que termina, nao houve muitas saudaveis razoes para celebrar, e, porque cada vez mais se aproxima o ocaso da vida dos que me deram o ser, que mais me recordam os meus tempos de meninice e os factos com eles relacionados.
Teria eu no maximo uma dezena de anos quando a minha mae me ensinou este satirico "poema" que hoje me lembrei de compartir con os meus leitores.
Contem algumas palavras ja em desuso mas que sao genuinas da nossa Beira. Ao mesmo tempo, e uma singela homenagem a minha querida terra natal, que o socratico (des) governo quer despromover de freguesia.

ERA E NAO ERA.

Era e nao era,
andava na serra.
Com uns bois de bugalha,
e um arado de palha.
Chegou-lhe a noticia,
que o pai era morto,
e a mae por nascer.
Pos os bois as costas,
e deixou o arado a comer.
Seguido a diante
ao passar um valado,
se nao fora o cao
mordia-lhe o cajado.
Um pouco mais a frente,
encontrou uma ovelha
a derrissar numa avelha.
Como tinha muito mel,
e,nao sabendo onde o levar,
de um piolho fez um odre
para ai o transportar.
Sem saber onde o carregar,
de uma pulga fez uma burra,
para tanta carga levar.
Estando quase a chegar,
tinha um sino de cortica
com um badalo de la,
que dava cada badalada
que se ouvia em VILA CHA. ("d'Algodres)


CONTINUACAO DE BOAS FESTAS E UM 2006 REPLETO DOS MELHORES BENS

terça-feira, dezembro 27, 2005

FELIZ E SAUDAVEL 2 0 0 6

Caros amigos leitores; continuando nesta nossa marcha pela vida, e depois de celebrar o NATAL com a familia possivel, mas sempre com o resto em espirito e, ainda dentro da epoca da festa das luzes: CHANUCAH, aproximano-nos de uma outra passagem de um ano que se torna velho ao fim de 365 dias, para um outro que desejamos seja melhor, mas que ja nos contentamos que seja igual, sabendo de antemao que o nao vai ser. No entanto e sempre agradavel recebermos e enviarmos aos amigos, votos que se desejam sinceros de um prospero, feliz e saudavel ano novo.
Por isso do meu cantinho os meus sinceros votos de um 2006 repleto de tudo quanto vos faca felizes.

HAPPY NEW YEAR FELIZ ANO NOVO

quarta-feira, dezembro 21, 2005

HANUKKAH OU CHANUKA

Quando os Sirios dominavam a terra de "Israel" (ha mais de 2000 anos) foi decretada uma lei, em que todos eram obrigados a adorar a estatua do lider "Antiochus", que tinha sido colocada no templo de Jerusalem.
Como de acordo com a lei hebraica, estava proibida a adoracao de estatuas e idolos, um pequeno mas aguerrido grupo de judeus chamados: "Macabeus" revoltou-se e conseguiu expulsar os opressores da cidade.
Comecou entao a limpeza e reconstrucao do templo, que tinha que ser novamente re-dedicado a D-us e acendido o "Menorah" (candelabro de sete bracos), que significa o contracto de D-us com os homens.

Ora so havia azeite para manter acesa a lampada por um dia e, eram necessarios 8 dias para preparar azeite novo, aconteceu que por um milagre o azeite acabou por durar para os necessarios oito dias, ate que o azeite novo ficasse disponivel.
Em homenagem a este facto historico, e que os judeus durante sete noites acendem uma vela nova cada por do sol, ate que ao oitavo o menorah fica completamente aceso.
O primeiro dia do Hanukkah que em Portugal se escreve Chanuka ou festa das luzes, celebra-se ao por do sol do dia 26 de Dezembro, que corresponde ao dia 25 do mes de Kisley do calendario Hebraico que este ano celebra o ano de 5766.
Sera coincidencia ou nao, a celebracao da festa das luzes por volta do solsticio de Inverno e, quando mais tarde os catolicos comecaram a celebrar o Natal do judeu Jesus, a quem chamaram a "Luz do mundo"

E tambem tradicao por parte dos judeus, por esta epoca a confeccao e consumo de alimentos e doces confecionados e fritos em azeite.
Embora sem certezas absolutas, creio que as tradicionais "filhos" fritas em azeite, tao conhecidas na nossa Beira e em Tras-os-Montes, tao populares nesta epoca coincidente com Natal, Sao nada mais que uma tradicao que foi passada para a populacao geral, pelos judeus que habitaram em grande numero nestas regioes antes do seculo XVI, e que depois do edito de expulsao, foram sendo assimilados pela populacao regional.

A todos os possiveis judeus leitores desta entrada: UM FELIZ CHANUKA.

Para todos ou outros umas BOAS FESTAS.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

SENHORA DAS BOAS NOVAS


Parece estranho que um blog que tenta descobrir factos e pessoas de ascendencia Hebraica, possa tantas vezes fazer referencia a simbolos e templos catolicos, embora eu esteja convicto que tenho ascendencia judaica, nao posso ignorar a tradicao das minhas gentes.

Hoje publico uma foto de uma pintura bastante antiga, existente no tecto da igreja da minha aldeia natal, e como estamos nesta epoca, uma virgem com o menino ate vem a proposito.