sábado, março 25, 2006

CASA DA FAMILIA COIMBRA


Nos meus tempos de criança, nunca conheci esta epigrafe, que se encontra por baixo do peitoril de uma janela, na casa da família Coimbra. Nessa altura as pedras desta casa centenária estavam cobertas de argamassa caiada.
Foi portanto com espanto meu, que passadas já algumas dezenas de anos, ao visitar a minha aldeia de Vila Chã d'Algodres, tive a oportunidade de a ver pela primeira vez.

Em vão a tentei decifrar, mas pela minha falta de conhecimentos e, também porque as letras já estão muito sumidas, nunca o consegui fazer. Queria portanto pedir aos meus amigos mais entendidos no assunto, que me ajudassem se for possível.
Creio que a inscrição esta incompleta e, na realidade o que me interessa mais nem e o texto, o que eu gostaria era de saber, era se a inscrição e romana, medieval, ou moderna.

Esta entrada não era para ser colocada tão cedo, embora eu tenha tirado esta fotografia na minha ultima visita. O que me motivou a escreve-la hoje, foi o facto de me terem informado, que a casa que se encontrava em obras de restauro, foi pasto de um pavoroso incêndio que a destruiu na totalidade.

Faço ardentes votos que possa ser recuperada e reconstruída, não só porque e parte importante do património da minha freguesia. Mas também por ser propriedade de uma família, que sempre contribuiu para o progresso cultural e o bem estar, dos pobres da minha terra. Isso no entanto será tema para outras entradas.

Quero também, agora que o património da minha aldeia, sofreu uma perca talvez irrecuperável, solidarizar-me com o proprietario daquela casa, que foi comigo partidário de brincadeiras, nesses tempos já distantes.

quarta-feira, março 22, 2006

CAPELA MEDIEVAL da Na. Sa. DA ESPERANCA


Situada na freguesia de Casal Vasco, concelho de Fornos, fica esta capela da Senhora da Esperanca. Foi outrora propriedade da familia Caceres, com solar nesta mesma freguesia. E uma bela capela com ameias, que datara dos fins do seculo XIV e nela, foi instituido um vinculo daquela familia, que por essa altura foi senhora da vila de Algodres. Embora nao possa ilustrar com nenhuma fotografia este facto, posso informar que esta capela conserva varias pedras com siglas de pedreiro, coisa muito usual na idade media.

Nenhum dos trabalhos publicados ate ao dia de hoje, acerca da regiao de Algodres, faz referencia a este senhorio dos Caceres que eu descobri acidentalmente.
Foi concedido em finais do seculo XIV, a Alvaro Mendes de Caceres, pelo rei D. Fernando. Em 1400 era ja senhor de Algodres: Luiz Mendes de Caceres, tendo continuado o senhorio com o seu filho com o mesmo nome do avo, de que ha documentacao em 1430.
A familia Caceres e originaria de Castela (provavelmente da provincia do mesmo nome, ou das Vascongadas) Tendo sido Goncalo de Caceres, duas geracoes antes do primeiro titular, quem assentou o solar no Casal Vasco, que outrora se identificava como Casal Vasio.

Esta capela era ate recentemente, propriedade da Casa da Insua, em cuja familia se extinguiram os Caceres, Creio que no seculo XVII. Presentemente e propriedade da paroquia, a quem foi doada por aquela Casa, tendo sido recentemente restaurada.
Pela sua antiguidade e arquitetura, bem poderia e, deveria (digo eu) figurar na lista de monumentos de interesse publico, do nosso concelho de Fornos de Algodres.

domingo, março 19, 2006

MASSACRE DE LISBOA (CORRECCAO)

Com os meus pedidos de desculpa, quero informar que o massacre de Lisboa, em que foram assassinados mais de 4000 judeus, ocurreu nos dias 19, e seguintes do mes de Abril de 1506 e nao em Marco como eu referi, bem haja o amigo Lingua Morta, que me chamou atencao para o erro. Creio que estas coisas da confusao de datas, deve ser da idade.

CRIPTO-JUDEUS na VILA DE FORNOS


Em continuacao de outras entradas acerca da vila de Fornos (d'Algodres), publico hoje esta fotografia de outra casa, sita na Rua de Torre quase em frente daquela com as gravacoes ja referidas. Nela se podem ver algumas gravacoes nas umbreiras da porta de entrada, e, entre elas algumas cruzes, que indiciam ter sido propriedade de cristaos-novos.

sábado, março 18, 2006

500 ANOS DO MASSACRE DE LISBOA

O meu amigo Nuno Guerreiro veio lembrar-nos uma parte triste e esquecida da nossa historia. Amanha 19 de Marco, cumprem-se 500 anos sobre a data em que comecou, o massacre de judeus na cidade de Lisboa e arredores, leiam a: Rua da Judiaria e ficaram melhor esclarecidos.

Seria bom que ao fim de mais de Quinhentos anos, fizessemos as pazes com esta parte da nossa historia, e reconhecessemos o quanto mais pobres ficamos, depois do edito da expulsao e, principalmente depois da instituicao da inquisicao. Talvez pudessemos ter hoje o desenvolvimento que a Holanda tem. Foi para la que foram, os mais ricos e sabios judeus portugueses, primeiramente.

JUDIARIA OU COMUNA DE FORNOS


Estou convencido que a comunidade judaica, outrora existente em Fornos(d'Algodres) habitou na que e hoje chamada Rua da Torre, ja ai identifiquei alguns indicios de cripto-judeus e, hoje publico mais uma foto de casas que teram sido habitadas por esse povo ha mais de quinhentos anos. Hoje e muito dificil comprova-lo mas todos os indicios para ai me levam. Ao mesmo tempo queria pedir a autarquia, que se promoves-se reabilitacao destas casas, que dao um pessimo aspecto a uma das mais antigas ruas da vila de Fornos de Algodres. Ja o lembrei ao senhor presidente da camara, no entanto vai mais uma achega.

quinta-feira, março 16, 2006

CASA DA CERCA, DO RAMIRAO


Esta e casa, em que se encontra a já por mim referida anteriormente, a seguinte lapide:
ANTÓNIO DE MELO DE S.PAIO
20 DE DEZEMBRO DE 1653
Era outrora muitíssimo mais grandiosa, pois ainda a cerca de 25 anos, existia uma outra ala que ruiu ou foi demolida, em que se encontravam no andar superior, duas belíssimas janelas geminadas em ambas as esquinas, com colunas e outra decoração em boa cantaria.(que pena nessa altura não a ter documentado)
Desconheço a data e as condicoes da destruição dessa ala da casa, pelo que se algum leitor souber, agradecia a gentileza do seu comentário.

A casa que eu suponho datar do século XV, pela sua grandeza fazia supor ser propriedade de família rica, embora ao mesmo tempo não indique ser nenhuma família aristocratica. Também não existe tanto quanto sei, nenhuma referencia a famílias nobres no Ramirao. E embora, também na vizinha e antiga vila de Infias, exista uma família Melo, essa não será tanto quanto sei, tampouco de origem aristocratica.
A lapide referida e em cantaria e, encontra-se incrustada na parede, que separa o quintal e a escada, da porta de entrada, com o largo.

Quando recentemente fui ao Ramirao, deparei-me com a destruição da ala da casa já referida, foi então que me dei conta, das cruzes gravadas na ombreira da porta (foto publicada na entrada anterior) e, comecei então a ligar o apelido S. Paio, com a provável conversão de um judeu de nome: António Melo e, essa data poder ser a data do seu baptismo, tendo adoptado o: S. Paio.
Essas minhas suspeitas foram ainda mais confirmadas, quando na entrada que deita para o pátio referido, encontrei a cruz gravada que hoje publico, em tudo semelhante a outras existentes na judiaria de Trancoso e, a outra que eu descobri também recentemente, na Rua da Torre em Fornos de Algodres.

Não e de estranhar a presença de judeus no Ramirao, porque por aqui passava a via romana Viseu - Celorico - Egitanea, e porque sendo os judeus um povo de mercadores e artezaos tendiam a residir junto as principais vias de comunicação.

Embora sem certezas absolutas, pois para isso necessitaria outras investigacoes, que neste momento se tornam de difícil concretização, creio que estarei muito perto da verdade. No entanto deixo aberta uma porta para a concretização final desta ideia, por parte de qualquer interessado.
Estou convicto de terei sido primeiro, a referir-me a estas evidencias, pelo que me considero de certa forma bafejado pela sorte.

segunda-feira, março 13, 2006

CASA DO SENHOR S. PAIO do RAMIRAO


Enquanto nao escrevo o artigo sobre a casa e, para continuar a despertar curiosidade, aqui publico uma foto, em que na umbreira esquerda de uma porta do res-do-chao, se encontram gravadas estas cruzes.

sábado, março 11, 2006

APELIDOS CRIPTO-JUDAICOS


Em principios da nossa nacionalidade, ja existia no nosso territorio uma significativa comunidade judaica, por essas alturas ainda a quase totalidade dos judeus, usavam nomes e apelidos hebraicos, mas ou por conversao ao cristianismo ou por outras razoes, os judeus foram adoptando paulatinamente nomes e apelidos portugueses, pelo que provavelmente tera havido judeus que usaram um qualquer os apelidos portugueses.
Tambem ha quem afirme, que todos quantos possuam nomes de arvores e de outros objectos, teram ascendentes judaicos, tode ser em alguns casos, mas nao e necessariamente uma verdade absoluta.
Tem tambem afirmado os especialistas nesta area, que muitos judeus conversos adoptaram nomes de santos, ou outros relacionados com a religiao catolica.
Na minha familia tenho dois casos, que poderam ou nao evidenciar essa tendencia, sao os casos das minhas duas avos, uma era Maria do Espirito Santo Almeida e, a outra Virginia da Conceicao. Tambem na minha aldeia havia uma Familia Cruz, para alem de outra Carvalho, Ribeiro, Luz, etc.
Vou-me agora referir a um Antonio de Melo de S. Paio, era o proprietario de uma antiga, grande e interessante casa, na antiga e outrora freguesia do Ramirao, no outrora concelho de Algodres. Nesta casa onde eu recentemente encontrei vestigios de cristaos-novos, deixou o referido invididuo uma inscricao a perpectuar o seu nome na seguinte data: 20 de Dezembro de 1653.

sexta-feira, março 10, 2006

VILA CHA d'ALGODRES-VESTIGIOS DE CRIPTOJUDEUS



Tambem na minha aldeia de Vila Cha, ainda hoje se podem ver vestigios dos criptojudeus ou "cristaos-novos" como foram identificados. Junto ao largo onde no seculo xix foi edificada a fonte de Santo Antonio, ainda se conserva esta antiga casa, onde, nas pedras laterais da porta de entrada, se podem ver tres cruzes gravadas.
Coincidentemente e tambem de registar, que o proprietario desta casa em principios do seculo passado, tinha o nome de: Antonio da Cruz.

quinta-feira, março 09, 2006

NAS VOLTAS PELA "ALTA" BEIRA



Ja aqui referi os agradaveis encontros, que durante a minha estadia na Beira, tive com os amigos de "Terras de Azurara e Tavares", hoje e cumprindo o prometido, deixo-vos umas fotos de um desses encontros, em que para alem do salutar trocar de opinioes, se degustou um saboroso entrecosto entremeado com os enchidos das nossas terras, acompanhado pelas batatas "afreventadas" e por uns "treplos" divinais que eu ja ha muito nao tinha a oportunidade de comer. (para os menos versados em termos regionais nossos, treplos sao grelos de nabo ou nabica.)

Foi ainda ha tao pouco tempo, que ainda conservo estes belos sabores nas minhas papilas gustativas. A todos bem hajam pelos prazenteiros encontros e pela amizade.

PS: A titulo de curiosidade, devo informar que ja os judeus da nossa regiao, consumiam estes "treplos" que pelo amargo lhes fazia lembrar, a amargura que o povo hebraico passou na escavidao do Egipto.

segunda-feira, março 06, 2006

GRAVACOES EM CASAS DE JUDEUS (Cristaos-Novos)


Ja noutra entrada anterior, publiquei uma foto duma casa de judeus em Fornos de Algodres, com uma gravacao em que aparece uma cruz sobre um monte.
O meu amigo Nuno Soares ja me tinha comunicado, e, ate me cedeu a foto que apresento, que na judiaria de Trancoso tambem existem destas gravacoes, alem desta de Fornos encontrei uma outra no Ramirao que apresentarei a seguir.

Deve ter algum significado que desconheco, e para o qual desejaria explicacao de qualquer colaborador ou leitor deste meu blog. Sera que tera a ver com o monte de Siao? (templo do Senhor)

sábado, março 04, 2006

CAPELA DA SENHORA DO O


Como referi na entrada anterior aqui podem ver a capela privada, do solar de onde saiu o primeiro, e unico Barao de Fornos de Algodres, familia Albuquerque Pimentel de Vasconcelos Soveral.Embora o portal lateral seja em arco romanico, creio que a capela datara do seculo XVII ou XVIII

CASA DE JUDEUS (OU SINAGOGA)




Desde há bastante tempo que me interrogo, acerca desta casa situada na esquina da Rua da Torre, com uma travessa que circunda um pequeno quarteirão. A razão da minha curiosidade, vem do facto de ao contrario das casas vizinhas, ser muito mais alta e por possuir uma janela, que embora sem grande grandiosidade, tem ornatos que me fazem situa-la na época quinhentista.

Durante a minha recente visita as "nossas terras", uma vez mais estive junto da referida casa, na esperança de confirmar as minhas suspeitas. Fotografei a referida janela, e, tratei de descobrir junto ao portal em cantaria cortada em 45 graus, alguma reminiscencia de judeus ou "cristãos-novos". Não tendo descoberto nada e desapontado, já me retirava quando consegui descobrir noutra fachada da mesma casa, junto a uma janela, as gravacoes nas pedras adjacentes, que registei e comparto.

Não calculam os meus amigos a alegria que senti, não só porque as minhas suspeitas estavam correctas, como porque tanto quanto sei, sou o primeiro a dar a conhecer estes factos. A mim já me chegava a gravação da cruz, na pedra do lado direito da janela, mas para minha surpresa na pedra inferior, para alem duma gravação em todo idêntica a outras na judiaria de Trancoso, (cruz sobre um monte) existe outra do que parece ser uma taça com o aparente numero 185.(Será uma data incompleta, ou algum numero associado aos judeus? Ou ate letras hebraicas mal gravadas?)

Esta casa foi sem duvida propriedade de algum judeu endinheirado, e, ate poderá ter sido aqui, que se situou uma provável sinagoga, ou casa de oração judaica da antiga vila de Fornos.

Também e interessante, e, provavelmente terá algum relacionamento, o seguinte facto: Do lado oposto a estas construcoes na referida Travessa, situa-se uma capela de invocação de Na. Sa. do O, propriedade da família Vasconcelos Soveral. Capela essa que, ao contrario das outras capelas particulares da vila, possuiu o portal principal de entrada, resguardado por um muro para não ter acesso directo para a rua. Será que os cristianissimos senhores deste solar, não queriam nenhum mesmo nenhum contacto com os judeus?

quinta-feira, março 02, 2006

ABRAHAM LOPES CARDOZO

Durante o meu interregno, na actualializacao deste blog, aconteceu um facto que considero relevante, e, digno de registo neste espaco.
Ja algum tempo atraz, me referi a uma familia de judeus ilustres da cidade de Nova York, de apelido "Lopes Cardozo", esta familia tem origens em judeus sefarditas portugueses, que imigraram para a Holanda no seculo XVI, durante as presseguicoes aos cristaos-novos. Mais tarde estiveram entre os judeus que fundaram a primeira sinagoga na antiga Nova Amesterdao, que foi a primeira sinagoga Americana.

Sera pelo facto de possuir-mos eu, e, a minha familia, os mesmos apelidos, que nao quiz deixar (embora com algum atrazo) de mencionar o desaparecimento do Rabino emerito da sinagoga Portuguesa-Espanhola de Nona York: Abraham Lopes Cardozo, que com 91 anos de idade, e, depois deixar reconhecido trabalho, no estudo e perservacao, da heranca musical sefardita portuguesa. Deixou o mundo dos vivos no passado 21 de Fevereiro.

Quero ao mesmo tempo que agradeco esta informacao ao amigo: Nuno Guerreiro, desejar-lhe as boas vindas a costa leste americana. Podem os meus leitores interessados em temas judaicos, consultar o seu "site" atravez dos meus links em "Rua da Judiaria"

NOTAS DO INTERREGNO

Durante a minha estadia por "Terras de Algodres", tive o grato prazer de conhecer pessoalmente, um grupo de amigos das "Terras de Tavares e Azurara", que tem um bom vicio (digo eu) de consultar este humilde blog.
Foi muito bom, ter compartido com eles, alguns bons momentos de confraternizacao, que espero se repitam em opportunidades futuras. Noutra entrada publicarei fotos desses encontros.

Foi tambem com prazer acrescentado, que tive a honra de conhecer o meu amigo e "conterraneo": Nuno Soares que publica o "Blog sobre Algodres",(ver meus links) que para alem de muito ter contribuido para um conhecimento historico, mais profundo da nossa regiao, foi quem me "infectou" com esta doenca bloguistica.
Para ele e sua familia que nos receram tao gentilmente, e, por tudo o resto, vai um sincero "Bem Hajam"

Tudo isto so vem confirmar, aquilo que todos ja sabem (ou deviam saber); Nos os beiroes da Beira Alta, somos o maximo em simpatia e hospitalidade, pelo que aqueles que nao a conhecem, venham visitar esta Beira onde se situa a Serra mais alta do Portugal continental.

domingo, fevereiro 26, 2006

Judeus em Terras de Algodres

Judeus em Terras de Algodres

Quase a deixar as terras de Algodres, e com este frio humido sempre aconpanhar-me, so quero dizer aos meus leitores, que brevemente compartirei convosco, experiencias e, imagens das nossa «Terras» ate breve.

Judeus em Terras de Algodres

Judeus em Terras de Algodres

Quase a deixar as terras de Algodres, e com este frio humido sempre aconpanhar-me, so quero dizer aos meus leitores, que brevemente compartirei convosco, experiencias e, imagens das nossa «Terras» ate breve.

domingo, fevereiro 12, 2006

ATE BREVE COM NEVE (MUITA)




Vou estar por "Terras de Algodres" nas proximas duas semanas, terei provavelmente oportunidade, de conhecer alguns dos meus mais assiduos leitores, principalmente os das "terras de Tavares e Azurara". Como provavelmente nao colocarei nenhuns "posts", nestas duas semanas, e, enquanto colecionarei fotos e mais informacao das nossas terras; deixo-vos umas fotos de um enorme nevao, que nos cobrir a ultima noite, com esta enorme quantidade do branco manto.
Fico a fazer votos entretanto, que por ai tenha um tempo bastante melhor.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

FORNOS DE ALGODRES Pacos do Municipio


Embora sem data, esta foto e de um postal editado na decada de trinta do seculo passado. Presentemente embora com o interior moderno e funcional, o exterior deste edificio encontra-se de acordo com a construcao original. Foi edificado de raiz para ser os Pacos do Municipio e Tribunal em finais do seculo XIX, e depois de um incendio reconstruido em principios do seculo passado.
Presentemente alberga unicamente os servicos camararios, pois existem novos edifios Para o Tribunal e outras reparticoes publicas.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

FORNOS "D'ALGODRES" E O QUEIJO DA SERRA


Sabem alguns dos meus leitores que, embora com a minha terra no coracao, encontro-me longe dela, uns milhares de quilometros e, nesse pais onde resido, nos os portugueses, cada vez que encontramos um novo compatriota, e quase sacramental fazermos a seguinte pergunta: de onde e voce? Quando me fazem essa pergunta a mim e, tendo obtido a resposta, uma grande parte das vezes, o que venm a seguir e o seguinte: Fornos de Algodres? essa nao e a terra do Queijo da Serra?

De facto e incontornavel ligar o "Queijo Serra da Estrela" a Fornos, sem querer por mais achas na fogueira, de qual e a terra onde o queijo e mais importante, sempre posso afirmar que reconhecidamente; Fornos de Algodres e sem duvida um dos mais importantes concelhos productores de queijo da serra e idesmentivelmente a maior Feira de Queijo Serra da Estrela, desde tempos imemoriais.

Por isso e porque estamos dentro da epoca alta deste producto, de reconhecido valor e sabor (digo eu), nao quero deixar passar um evento, que serve nao so para a sua valorizacao, como para homenagear os envolvidos na sua producao: Os pastores e queijeiros, estou a referir-me: A Festa do Queijo Serra da Estrela, que se vai realizar na vila de Fornos no proximo dia 12 de Fevereiro, domingo proximo.

Porque e um domingo e nao ha tantas desculpas, aconselho os meus leitores a uma visita a esta vila beira e, alongando a vista sobre a nossa "Estrela", convivam com as nossas gentes nesta feira festa e, provem (nao comam) o queijo das nossas terras, sempre acompanha de um bom vinho do "Dao" ou ate de um "Porto" depende dos gostos. So de referir-me a isto, estou ja com agua na boca.
Para alem da feira em si, havera folclore, exposicoes, venda de artezanato e, muita animacao. Alem disso e uma boa oportunidade, para visitarem os monumentos ja neste sitio divulgados.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

"CORRENTE"

Provocado pelo amigo Tavares: NEOARQUEO, aqui continuo a cadeia, iniciada nem sei por quem. Caro Tavares desculpe ter usado a sua escala.
Entao aqui vai:

1 AMIGO = Dos meus amigos e, ate de alguns supostos inimigos.

2 RESMUNGAO = Nao muito mas, tambem as vezes.

3 TEIMOSO = Quando tenho razao, (ou penso que a tenho)

4 MUSICA = Gosto, de alguma mais do que outra.

5 CAUSAS = Tenho algumas, a maior = Regionalista convicto.

Quero provocar nesta corrente os amigos: MariaPernilla; O Microbio; o IDANHENSE;
o BEIRA MEDIEVAL e especialmente o Nuno Soares do Blog sobre ALGODRES.

CASA GRANDE JUNCAIS


Por alguma razao que eu nao consigo explicar o "post" sobre a feira de S. Braz realizada no passado domingo em Juncais, depois de ter sido publicado desapareceu do blog. Porque ja perdeu oportunidade, nao o vou voltar a publicar.
Vou sim e, ainda referente aquela freguesia, do municipio de Fornos de Algodres, referir-me ao largo, onde usualmente se realiza aquela feira anual.

Este largo era outra identificado por Largo da Fonte, actualmente e conhecido por Largo do Terreiro. A razao porque se chamava Largo da Fonte, era porque ai se situa uma Fonte ou Chafariz, que foi edificada durante o governo da ditadura (1926-33).
E uma construcao em granito de arquitectura um pouco invulgar, como curiosidade outrora conservava amarradas com correntes, canecas de metal para todos poderem matar a sede.

Neste mesmo largo encontra-se tambem a Casa Grande; Solar da Familia Barata Cerveira, com a sua capela privativa com portal para o largo.
Esta construcao esta classificada pelo IPPAR, como monumento de interesse publico.
Deve datar do seculo XV e, e uma sobria edificacao que nao sofreu muitos modificacoes durantes os seculos, tem um imenso portal de entrada e, sobre ele tem a pedra de armas com o brazao da familia, que lhe tera sido agregado ja no seculo XIX.

terça-feira, janeiro 31, 2006

INFIAS LAPIDE ROMANA


Ja me referi superficialmente a lapide romana de Infias,(arquivo 24 outubro 2005) hoje coloco uma foto da mesma, e algumas consideracoes acerca dela.
Devido aos muitos vestigios encontrados ninguem poe em duvida a existencia nesta povoacao de um aglomerado romano, os mais entendidos creem que aqui houve uma "Viccus" (aldeia romana).
Tambem esta comprovada a passagem nesta povoacao, de uma via romana, devendo ser a que de Viseu seguia a Linhares. Foram tambem encontradas algumas inscricoes romanas; uma com a palavra ALBONI, havendo quem avente a hipotese de ser o antigo nome da povoacao; uma ara votiva com a seguinte inscricao:
D.M.S.
MARCVS
MARINO
I.F.An.LX
CILEIA
YXOR
Desconheco onde se encontra esta ara, no entanto existe incorporada na fachada da igreja uma pequena lapide ao deus Mercurio que e a seguinte:
DEO MERCURI
APONIVS
SOSVMVS
A.L.V.S.
Ha quem opine que no sitio da igreja se situou um templo a Mercurio, mas o mais provavel sera que esta lapide se encontra-se junto a estrada romana (Mercurio era o patrono dos viajantes), e tivesse sido aproveitada na construcao do templo, talvez para cristianizar vestigios pagaos.
O toponimo Infias identifica um grupo de gente infiel, sera que estes infieis eram; Romanos, Judeus ou Mussulmanos?

AS PEDRAS E OS HOMENS - SEPULTURAS RUPESTRES


Continuando a referir-me as pedras moldadas por e para os homens, e, ainda na area da necreologica, vou-me hoje referir as sepulturas rupestres escavadas na rocha.
O concelho de Fornos de Algodres e bastante rico (quantitativamente) deste tipo de sepulturas, havendo-as de todos os tipos. Existem duas necropoles: Forcadas e Vila Ruiva da Serra, com mais de duas dezenas cada, varios grupos de duas e tres, e, bem assim varias isuladas, espalhadas por quase todas as freguesias do municipio, em 1993 ja estavam inventariadas setenta, tendo a partir dai sido identificadas outras mais.

A maior parte destes tumulos ja se encontram estudados e documentados, tendo sido publicadas algumas obras a eles referentes. Segundo os entendidos no municipio de Fornos encontram-se sepulturas de todas as epocas; retangulares, ovais, antropomorficas e de transicao, que dataram do seculo VII ao XII. Embora o nosso povo se refira a elas como: "covas" dos mouros ou dos romanos, os estudiosos afirmam que se trata de sepulturas cristas, dos primeiros seculos da religiao catolica. No entanto e estranho todas elas se situarem, em sitios bastante distantes dos mais antigos templos conhecidos da nossa regiao.

E provavel que todas as opinioes tenham algo de verdade, pois tudo parece indicar que sendo das datas opinadas, poderiam ter sido sepulturas de qualquer, daqueles povos, mas tambem poderiam ser de alguns povos barbaros que conquistaram o imperio romano, ou como eu ja sugeri noutro blog, poderiam muito bem ter sido sepulturas judaicas.

De mouros nao creio que sejam, pois as normas de sepultura daquela religiao, nao estao de acordo com este tipo de enterramento. De romanos tambem me parece que nao, pois este povo preticava um tipo de enterramento mais elaborado e normalmente colocavam lapides descritivas, ora nunca foi encontrada nenhuma junto delas. Cristas tampouco creio que sejam, nao so pela distancia dos templos medievais conhecidos, como pelo facto comprovado de que os cristaos, eram sepultados nesses tempos dentro e junto dos mesmos templos, e o facto comprovado, na necrople descoberta ao redor da igreja de Algodres, (igreja mais antiga) ha poucos anos atras.

Acerca do descredito da teoria "crista", so quero lembrar o seguinte: No ano passado enquanto proseguiam as obras, Na Praca Velha na cidade da Guarda, foram encontradas varias sepulturas, com a novidade de ainda terem restos mortais, coisa nova ate entao, isto pode (ou podia) ter contribuido para uma datacao mais fiavel, nao tenho no entanto conhecimento que isso tivesse sido feito. No entanto vieram os tecnicos afirmar na comunicacao social: Que eram sepulturas cristas, e, que estariam relacionadas com a Catedral, que se encontra junto a mesma praca. Aqui esta a contradicao, pois ou pensao que todos sao estupidos, ou entao sabendo tanto de arqueologia esqueceram-se de estudar historia.
Porque sendo estas sepulturas de entre os seculos VII e XII, de forma alguma poderiam estar relacionadas com a Catedral, primeiro porque a catedral so foi criada no seculo XII, tendo sido transferida da Idanha ou Egitanea, e, tendo tido a Guarda duas catedrais anteriores antes desta, nao se localizavam neste local, esta foi comecada a construir no seculo XIV e terminada no seculo XVI.

O que perto desta area existe desde epoca medieval, e sim a Judiaria da cidade mais alta. Pelo explanado e sem certezas, continuo aberto a varias hipoteses, e, nao creio que se possa categoricamente afirmar que sao sepulturas cristas. Eu pessoalmente estou mais inclinado que pelo facto, de ser um tipo de sepulturas de acordo com as normas judaicas, nao sendo um tipo de sepultura generalizado, sendo um tipo de enterramento dispendioso, relativamente longe de templos cristaos, bem poderiam ser tumulos Hebraicos.
Que me dizem os meus leitores acerca disto.

sábado, janeiro 28, 2006

CASA da ORCA de CORTICO "d'ALGODRES"


Este monumento megalitico encontra-se tambem situado no planalto de Algodres, mas dentro da area da freguesia de Cortico de Algodres. E constituido por uma camara de base poligonal, com cerca de 2,5 de diametro e 3 metros de altura, tem oito esteios com entrada virada a nascente, servida por um pequeno corredor, forma uma pequena mamoa, tem os esteios inclinados ao centro, com chapeu de cobertura. Ainda se podem ver, restos ja muito diluidos de pintura ocre, no interior da camara.

Foi datado de cerca de 3000 anos antes da nossa era, explorado por Leite de Vasconcelos em 1896, o espolio recolhido na altura, foi transferido para o Museu Etnografico Portugues. A cerca de vinte anos houve aqui nova intervencao por parte do GAFAL (Gabinete de Arqueologia de Fornos de Algodres). O espolio entao recolhido passou a integrar o patrimonio do CHIAFA. (Centro Historico de Investigacao Arqueologica de Fornos de Algodres)

Este Sitio Arqueologico foi considerado monumento de interesse publico, por decreto de 1 de Junho de 1992. Podera ser visitado facilmente, pois encontra-se servido por um ramal pavimentado, com ligacao a Estrada Municipal: Algodres-Maceira.
Se nao conhecem passem por la e digao algo.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

ORCA das CORGAS MATANCA


Um erro do "scanner" (ou meu) fez com que a foto nao tenha aparecido na entrada anterior. Aqui entao a foto da Anta, Dolmen ou Casa da Orca das Corgas.

LEGADOS EM PEDRA- ORCA DAS CORGAS-MATANCA


Muitos antes de pelas "Terras de Algodres", habitarem: Judeus, Romanos, Cristaos e Mouros, (creio que a ordem esta correcta) ja ha pelo menos mais de cinco mil anos, por aqui andaram e deixaram vestigios, povos sem nome, mas que tinham pelos seus mortos grande veneracao e respeito e, construiram monumentos que se conservam ate hoje.

Assim no planalto de Algodres, na chamada "terra fria" podemos visitar dois exemplos de antas ou dolmens, que o povo da minha terra creio que sabiamente, denomina por: Casas da Orca, segundo o Monsenhor Pinheiro Marques na sua monografia "Terras de Algodres" (1938) havia pelo menos restos de um outro, em meados do seculo passado, nas proximidades de Maceira, ainda no mesmo planalto.

Hoje apresento aos meus leitores a: "Casa da Orca das Corgas", situada na freguesia da Matanca; e constituida por uma camara poligonal composta por nove esteios, um deles ja partido, coberta por um espesso chapeu, com ausencia de corredor, (nao significa que o nao tivesse na epoca da construcao) tampouco tem vestigios de mamoa, tem a abertura principal virada a nascente e, conserva restos de gravacoes serpentiformes num dos esteios.

Este monumento foi estudado e escavado por Leite de Vasconcelos, em Setembro de 1896, e, novamente intervencionado pelo Gabinete de Arqueologia de Fornos de Algodres, no ultimo quartel do seculo passado. E monumento nacional desde 1961 e parte do seu espolio pode ser apreciado no CHIAFA (Centro Historico de Investigacao Arqueologica de Fornos de Algodres)no edificio do Tribunal nesta vila.

Para quem nao conheca, aconcelho uma visita tanto ao CHIAFA como o monumento, este fica junto a estrada municipal Fornos-Matanca, a cerca de 6 quilometros da vila e, esta servido por ramal pavimentado que parte daquela estrada.

terça-feira, janeiro 24, 2006

SEMINARIO DE SAO JOSE


Este postal editado pela Camara Municipal de edicao relativamente recente, mostra como ficou o edificio do seminario, depois das obras de restauro e re-qualificacao.
Creio que aqueles que por ali passaram, e ja ha tempos la nao vao notaram uma grande diferenca para melhor.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

SEMINARIO DE SAO JOSE


Esta foto que tem seguramento mais de trinta anos, mostra a fachada principal do edificio do Seminario de de S. Jose em Fornos de Algodres, inaugurado em 11 de Outubro de 1934. Aqui encontravam-se outrora umas casas que eram pertenca do Conde de Fornos, e, que foram cedidas a diocese de Viseu em principios do seculo passado.

Este seminario esta incluido numa extensa propriedada chamada Quinta da Costa (ou do Costa) ao fundo da qual foi construida em fins do seculo XIX a estacao de Fornos de Algodres, na linha de caminho de ferro da Beira Alta.

Relativamente perto existe a antiga quinta do Bugalho, onde se encontram restos de um antigo lagar de azeite do principio do seculo passado, e, uma casa pertenca dos Condes de Fornos de Algodres, com o seu brasao de armas.

terça-feira, janeiro 17, 2006

ABREUS Senhores de "FORNOS" III

Quando anteriormente me referi aos Albuquerques, afirmando que tinha sido um deles o primeiro Barao de Fornos de Algodres, disse tambem que os Abreus sao uma familia com mais pergaminhos na nossa vila que aqueles, entao porque razao tera sido que estes foram preteridos aquando da instituicao daquele titulo nobiliarquico?
Creio que devera ter sido por algum servico a rainha constitucional, lhe tera sido concedido, e tambem pelo facto do Barao nao ter descendencia varonil, o titulo iria terminar com ele.

Creio (caso alguem tiver outra informacao, agradeco desde ja) que os Abreus sendo uma familia da nobreza tradicional, (segundo os genealogistas ja vem do tempo do pai do nosso primeiro Rei,)esteve sempre ao lado do efemero Rei D. Miguel e de acordo com a tradicao, e, contra as "modernices" constitucionais. Provavelmente por isso e porque os Albuquerques Pimentel de Vasconcelos Soveral, de Fornos se terao dedicado ao liberal D. Pedro IV, que quando este abdicou na sua filha D. Maria II, ela tera premiado aquele senhor, provavelmente atravez de alguma informacao dos Costa Cabrais, (ministros daquela rainha) que sendo naturais de Fornos de Algodres, conheciam bem todos eles.

No entanto uns anos mais tarde apos a morte do Barao, e quando ja estava em vigor o regime da Regeneracao, a mesma rainha corrigiu o suposto erro inicial, ao conceder a Joao Maria de Abreu Castelo Branco Cardoso e Melo o titulo de Visconde, mais tarde o seu filho Rei D. Luiz elevou o mesmo a categoria de Conde.

Devo informar aos menos conhecedores que estes titulos, foram unicamente nobiliarquicos, pois nessa altura ja tinham sido abolidos, os morgadios, senhorios e outras perrogativas, pelos governos liberais.
No entanto com a excepcao dos traidores: Noronhas, os Abreus tinham sido durante mais de dois seculos senhores desta vila, pelo que o titulo estava bem entregue.

Desta familia sairam pessoas que em muito contribuiram para o engrandecimento da vila de Fornos em fins do seculo XIX e principio do seguinte, tendo estado envolvidos na construcao do hospital da Mesericordia, do Paco Municipal e do Mercado Municipal que ainda hoje conserva o nome do Conselheiro Lopo de Abreu, entre outras coisas.

domingo, janeiro 15, 2006

ABREUS Senhores de "FORNOS" II


Em principios da nacionalidade o "Lugar dos Fornos" foi um concelho reguengo, portanto propriedade regia. Em meados do seculo XIV o rei D. Fernando concedeu o senhorio de Fornos a sua filha D. Isabel de Portugal, (este senhorio incluia tambem Viseu, Celorico e creio que Azurara) como dote de casamento com conde de Guygon e Noronha.

Acontece que quando este rei morreu e nao deixou descendencia varonil, o rei de Castela invadiu Portugal defendendo os direitos de sua esposa D. Beatriz filha de D. Fernando, ao trono de Portugal (1385). Entre os muitos nobres que estiveram ao lado do rei de Castela esteve tambem o conde de Guygon e Noronha, pelo que tendo D. Joao de Castela sido derrotado primeiro em Trancoso e depois em Aljubarrota, e tendo D. Joao I, Mestre de Avis, subido ao trono Portugues, decidiu compensar os que o ajudaram e punir os que estiveram contra ele.
Foi entao que o senhorio de Fornos, foi retirado aos Noronhas e concedido aos Abreus,(Viseu foi para o infante D. Henrique, nada sei acerca das outras terras.)e, assim se manteve ate meados do seculo XVI.

Quando o rei D. Felipe I, subiu ao trono portugues, criou o condado de Linhares, dando este titulo aos Noronhas, retirando o senhorio de Fornos aos Abreus. (suponho porque os Abreus estiveram do lado portugues )
Mas como nao ha uma sem duas, ja depois da restauracao da independencia, a familia Noronha voltou a conspirar contra o rei de Portugal (D. JoaoIV), sendo entao extinto aquele condado e todos os bens dos Noronhas confiscados,(no entanto ja depois da restauracao o rei espanhol elevou o conde de Linhares a duque, no entanto ele nunca mais veio a Portugal.)Ficou entao o senhorio de Fornos e tambem de Algodres, na posse da Casa de Braganca e poucos anos depois passou para recem criada Casa do Infantado, onde se manteve ate as revolucoes liberais do seculo XIX.

PS: Na foto o solar dos Abreu Castelo Branco "Casa da Torre"

sexta-feira, janeiro 13, 2006

ABREUS Antigos Senhores de FORNOS I


Como referi em entrada anterior, a mais antiga e prestigiosa familia de Fornos mais tarde chamada de "Algodres", nao e a Familia Albuquerque, mas sim a familia Abreu. Embora com origem no Minho, ja existe documentada nesta vila desde o principio do seculo XV.

Nessas alturas Fornos que era concelho reguengo, tendo entao D. Joao I passado o senhorio desta vila para a familia Abreu e ai se prolongou ate que no seculo XVII, entao com a criacao do condado de Linhares, foi-lhes retirado este senhorio e concedido aqueles condes que eram da familia Noronha.

Na foto vemos a capela brasonada de Na. Sa. da Anunciada, englobada no solar destes Abreus Castelo Branco, este solar coma sua torre medieval, e conhecido por Casa da Torre, o que originou que uma rua adjacente a propriedade, ainda hoje se identifica por: Rua da Torre.

PARABENS LELLO (a livraria!)

Todos os que como eu gostam de ler, ficaram satisfeitos em constactar o aniversario do centenario da bela livraria Lello, da cidade do Porto.
Dizem os entendidos que e a mais bonita livraria do mundo, e de facto bonita e funcional para quem tem 100 anos nem tem rugas nem nada.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

BRASAO DOS ALBUQUERQUES SOVERAL


Este Brasao dos Albuquerques Pimentel de Vasconcelos e Soveral, encontra-se sobre o arco de entrada para o solar desta familia, na Rua da Torre na parte antiga da vila de Fornos.
Foi um membro desta familia o primeiro e unico Barao desta vila, no tempo de D. Maria II.
Porque sera que esta familia colocou uma cruz a encimar o referido brazao?
Outra coisa estranha, porque razao tera a rainha dado este titulo a esta familia, sabendo nos que aqui havia uma familia muito mais antiga e com mais pergaminhos? Estou a referir-mos aos Abreus, mas essa e uma historia que seguira noutra altura.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Fonte da Quinta do casainho INFIAS


Aqui esta a foto da fonte da Quinta do Casainho, Como podem ver tem o brazao de armas da familia Melo, Esta familia de origem patronimica Teve origem na antiga vila de Melo, no vizinho concelho de Gouveia, desconheco neste momento que ramo tera passado a Infias, embora os proprietarios desta quinta ja nao usem o papelido Melo, ainda existem muitas pessoas com esse apelido nesta aldeia e, ate os familiares da minha esposa ainda sao aparentados com os Melos.

terça-feira, janeiro 10, 2006

CASAINHO INFIAS


Um triste exemplo de como o patrimonio das nossas terras se vai desmoronando aos poucos. Esta foto foi tirada ha mais de dez anos, hoje estara muito pior senao ja totalmente desmoronada.
Este edificio que data do seculo XVI, era a residencia da familia Costa Cabral na Quinta do Casainho, junto a antiga vila de Infias.

Esta familia no entanto devera ter tido origem na familia Melo, pois junto da casa numa antiga fonte encontram-se as armas daquela familia. Creio que foi no primeiro quartel do seculo XX, que a familia passou a usar uma pequena casa que reconstruiu no lugar de uma capela arruinada, e esta casa passou a ser usado pelos "caseiros" da quinta, pois a familia a semelhanca de quase todas decidiu mudar-se de armas e bagagens para capital.

Que pena deixarem cair esta antiga casa quase medieval, enquanto relativamente perto edificaram uma nova casa de ferias descaraterizada mas dentro dos gostos dos nossos seculos. E caso para dizer que da Deus as nozes a quem nao tem dentes. Quantos de nos nao desejariamos possuir uma casa assim para reconstruir-mos e adaptar-mos interiormente as comodidades da nossa vida moderna.

PARABENS FRANCISCO

Quero muito humildemente enderecar os meus parabens ao Francisco Jose Viegas, pela sua colocacao a frente da casa Pessoa.
O Francisco que no inicio ainda recente deste blog, fez o favor de divulgar este simples blog, e, eu nao fiz mais do uma obrigacao, mas muito mais que isso foi com muito prazer que coloquei um link do seu blog (vejam Origem das Especies)neste blog.
Desejo-lhe muitas venturas nessas suas novas responsabilidades e, creio que os meus leitores tambem.

HISTORIA JUDAICA & OUTRAS HISTORIAS

Quando iniciei este blog informei que tinha (e tenho) a finalidade de investigar a historia judaica nas "Terras de Algodres" concelho de Fornos de Algodres. Tinha esperancas de ter colaboracao de naturais e residentes no meu concelho, mas ou a minha gente nao e dada a estas coisas dos blogs, ou a questao judaica continua a ser tabu por estas bandas.
Sem desanimar e porque me comeca a faltar materia sobre o tema foi que comecei a divulgar coisas que as vezes nao estavam relacionadas com o tema fundamental, continuarei a faze-lo sempre com a esperanca de colaboracao dos meus conterraneos.
Por isso nao se admirem que por vezes o tema judaico nao apareca ao lume. A razao e que me falta materia, tem muito que ver com o facto, de me encontrar longe dos meios de consulta, pois vivo muito longe neste momento.
Vou continuar mas queria deixar esta explicacao, ao mesmo tempo agradecer as palavras de apoio, muitas vezes de gente que nem sao das "terras de Algodres"

BEM HAJAM

segunda-feira, janeiro 09, 2006

CAPELA DA SENHORA DAS DORES


Situada num adro com entrada pela rua Dr. Fernando Menano, na vila de Fornos, encontra-se virada para a vertente norte da nossa Estrela,(a serra)lugar donde se pode admirar uma paisagem encantodora.

Esta capela foi edificada em 1888, com as pedras de uma outra muitissimo mais antiga, de invocacao do Espirito Santo, (mas quem houve designa-se por Santo Estevao) e, se localizava junto a rua do mesmo nome, em Fornos de Algodres.

Foram para aqui transportadas as pedras e feita a construcao, porque a antiga referida capela, que datava pelo menos do seculo XVI, se encontrava arruinada e profanada desde o tempo da terceira invasao franceza em 1810, tendo nessa altura sido usada como cadeia ao servico daquelas tropas.

Aquela capela do Espirito Santo era uma capela do povo e teve irmandade propria que por sua vez administrava o hospital que entao ja existia nesta vila, pelo menos desde 1573, (suponho que a este hospital teram tido ligacao os judeus e, a designacao do Espirito Santo ate foi adoptada para apelido de algumas familias de cristaos-novos).
Foi nesta antiga capela que em 1666 se instituiu a Mesericordia, tendo esta irmandade por essa data apossado-se da capela, do hospital e de outras propriedades de sua pertenca, contra a vontade de muita gente entre os quais o abade da freguesia de S. Miguel de Fornos.

Tera sido a partir da data da conclusao da igreja da Mesericordia (1769), que esta capela tera entrado em desuso e, tera sido isso que originou o facto dela ter sido usada para cadeia, nunca tendo sido reabilitada foi demolida em 1888. Em seu lugar foi edificado um cruzeiro, demolido aquando da implantacao da republica, tendo sido novamente edificado outro ja durante o estado novo, alem dele havia ate a cerca de 20 anos um marco de pedra com uma inscricao, referindo aquela capela. (presentemente desconheco o seu paradeiro)

Esta Capela da Senhora das Dores foi edificada nos terrenos da Santa Casa na mesma altura em que se construiu o hospital primitivo, que se localizava onde hoje se situa o lar da Mesericordia, (em obras) no Chao da Biquinha, assim identificado por ai se localizar uma pequena nascente de agua, que mais tarde a referida irmandade canalizou para fonte incrustada no muro dos terrenos do Hospital.
E uma capela de reduzidas dimensoes, renascentista com registos barrocos tardios e, com um pequeno campanario estilo romanico sobre o timpano da facha posterior.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

DIA DE REIS

Embora a biblia unicamente faca referencia a uns magos que vinham do oriente, a tradicao crista refere-se a eles como reis. Nos primeiros tempos em que o cristianismo foi adoptado pelo Imperio Romano, decidiram consagrar este dia que teria sido a revelacao de Cristo ao mundo, como o dia do nascimento de um menino judeu, a quem foi posto o nome de Yeshua, que mais tarde com deficiente traducao, passou a ser identificado por Jesus, a quem os gregos chamaram Cristo.

Quando o ramo romano da igreja catolica decidiu colocar, (erroneamente segundo os entendidos) o nascimento desse menino no dia 25 de Dezembro, essa mesma directiva nao foi seguida pelo ramo ortodoxo da igreja catolica, pelo que ainda hoje e por volta deste dia que eles (os ortodoxos) celebram o natal.

Nos os ocidentais, temos seguido sem grande discordancia, as directivas da igreja de Roma e, portanto neste dia 6 de janeiro de cada ano, celebramos (quem celebra) o dia de Reis ou Epifania. (revelacao de Cristo)

Este dia, em que os magos ofereceram presentes ao menino, deveria ser (para seguir a tradicao) o dia da oferta das prendas as nossas criancas e, nao o dia 25 de Dezembro.
Embora seja eu bastante relutante em concordar com "nuestros hermanos", neste ponto eles ate estao mais certos que nos, pois ainda hoje continuam a celebrar os Reis, com um feriado nacional e, e neste dia que "repartem los regalos".

E tambem neste dia que oficialmente (a minha mae sempre disse que nao foi neste dia que nasci e, quem sou eu para contraria-la) celebro mais um ano de vida. Por isso enquanto desejo um feliz dia de Reis a todos os meus amigos leitores, espero que o menino com o nome judaico de: Yeshua, se, na verdade era o filho de D-us, tenha a bondade de conceder a este simples mortal, mais uns anitos de vida.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

CALVARIO - VILA CHA "d'ALGODRES"


Depois do concilio de Trento e quando se comecaram a implementar as suas directivas, mas principalmente depois do edito de expulsao dos judeus em Portugal, comecou a igreja catolica a enfatizar muito mais o sacrificio de Jesus, do que a mesericordia de Deus.

Foi entao que se promoveram e construiram as vias sacras e os calvarios por todo o pais e a nossas "Terras de Algodres" nao foram excepcao, Creio que esta manifestacao era para enfatizar o crime dos judeus, que segundo a igreja catolica e contrario a historia foi quem matou Jesus. Dentre os varios calvarios que ainda hoje permanecem, existe este em Vila Cha, fica situado a cerca de 300 metros do centro da aldeia a beira de um caminho medieval ou ate romano que passava pela Aldeia das Cortes (hoje em ruinas) e constituido por uma plataforma com degraus onde ficam tres sulcos para a implantacao de cruzes de madeira, sendo o central numa base mais elevada.

Recentemente a junta da freguesia,(suponho eu) decidiu implantar no lugar onde se deveriam colocar cruzes de madeira, tres cruses de granito polido, talvez pensassem que estavam a fazer um excelente trabalho, mas em minha opiniao e creio que concordaram comigo os entendidos em historia de arte, deveriam em vez de tapar os sulcos com aquelas cruzes, era colocar neles cruzes de madeira que podia ser tratada para poder resistir a intemperie, ou entao deixar o calvario como esteve por anos e anos.

Espalhados pela aldeia ficavam os varios passos da via sacra, desconheco a sua localizacao com a excepcao do ultimo antes do calvario, que se encontra a cerca de 50 metros incorporado num muro, e uma pequena plataforma em cantaria, que a semelhanca do calvario tem ao centro um pequeno sulco para a implantacao de uma cruz de madeira.

ANTIGA ESCOLA DE FORNOS e a ABADIA


Esta foto de um antigo postal (OCOGRAVURA LDA.-RUA D.Pedro V, 18 LISBOA) nao tem data, mas estou convicto que datara da decada trinta do seculo passado. Aqui se ve a antiga escola primaria de Fornos de Algodres, ficava situada na antiga Rua da Igreja; hoje Rua Carlos.....Pereira, (omiti o nome na totalidade porque de tao longo e dificil de recordar e, alem disso e uma disparidade um nome tao longo numa rua)

Este edificio foi demolido em finais da decada de sessenta e, em seu lugar foi edificada a escola preparatoria Lopo de Abreu, tambem ela ja extinta restando unicamente o edificio, (Um "caixote" sem nenhum interesse arquitetonico) e o muro de vedacao que era comtemporaneo da antiga escola.

Esta escola construida em principios do seculo XX, foi-o no local em que houve outrora a antiga abadia da Igreja de S. Miguel, portanto residencia dos abades titulares da paroquia de: "Sancti Michaelis", de que ha referencia nas inquiricoes de D. Afonso III em 1258. Por essa altura era prelado desta igreja "Stephanvs Mvniz".

No entanto a igreja e muitissimo mais antiga, ja existia em 1170 e, era nela que recebiam os sacramentos os habitantes, do Couto da Granja da Figeirola, que pertencia ao convento de S. Joao de Taroura. Naquela granja ou quinta mais tarde nasceu a povoacao de Figueiro da Granja, que chegou a ser vila e concelho no seculo XV.

Sabe-se tambem que esta mesma Igreja de Sao Miguel, foi em 1320 taxada por D. Dinis em 50 libras, pelo espaco de tres anos para a guerra contra os Mouros. Noutra entrada me referirei com mais detalhe a Igreja.

O terreno nas trazeiras destes edificios, e o passal da abadia e ainda hoje e propriedade da igreja matriz de Fornos, havendo um projecto para ai se construir um centro paroquial.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Ainda as JANEIRAS

Embora tenha respondido a alguns amigos nos comentarios, quero deixar mais publicamente outras quadras, que vem em seguimento de outros comentarios passados:

Aqui nas Terras de Algodres
Mesmo no tempo do frio,
Recebemos os bons amigos
Com bom vinho e peixes do rio

Nao sei se serao janeiras
Pois inda nao tenho a certeza,
Poderam ser fevereiras
mas vai serao uma beleza

terça-feira, janeiro 03, 2006

JANEIRAS Continuacao

Em agradecimento ao amigo Antonio Tavares,(http://www.neoarqueo.blogspot.com) pela deferencia num comentario, quero incluir uma outra quadra que nos tempos se cantava nas Janeiras das "Terras de Algodres" mas provavelmente tambem nas "Terras de Tavares e Azurara". Queria tambem deixar um repto aos amigos leitores. Que tal divulgarem as quadras de que os meus amigos se lembram, nas janeiras da nossa Beira?

Viva la o amigo Antonio
Que bem lhe fica o chapeu,
Quando vai para a igreja
Parece um anjo do ceu.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

ANTIGO PACO MUNICIPAL E PELOURINHO


Dentro malha urbana da antiga urbe, e junto aos solares dos Abreus (antigos senhores da vila) e dos Lacerdas encontramos a antiga casa da "camera" e este pelourinho; foi restaurado em 1933 restando do original destruido no seculo XIX, o primeiro terco da coluna e a base e o chapeu da "gaiola".

Esta localidade em principios da nacionalidade era: "Lugar dos Fornos" foi terra reguenga (propriedade real) e embora queiram que tenha tido foral por D. Dinis em 1314, disso nao ha evidencia, pois sempre se geriu pelos forais do concelho de Algodres. Ha documentos do seculo XVI que se lhe referiam como "Fornos junto a Algodres" e do seculo XVIII como: "Fornos a par de ALgodres"
Quando da reorganizacao de 1836 foram extintos os concelhos de Algodres, Figueiro da Granja, Matanca, Infias e Casal do Monte e incorporados ao de Fornos, foi decidido que oficialmente se designaria por "Fornos de Algodres", porque ate essa data aquele era o concelho mais importante tanto historicamente como em populacao.

O edificio municipal onde presentemente se encontra a sede da junta de freguesia, data do reinado de D. Joao VI tendo na fachada, as armas reais do reino unido de Portugal e Brasil e Algarve.

JANUS JANEIRO JANEIRAS

Para alem do patrimonio construido, existe tambem um outro muito mais vasto, que inclui o cultural e o oral, que nos foi e vai sendo passado e modificado pelas varias geracoes com o passar dos tempos. Nesta altura do ano em que cristaos festejam o Natal e a Epifania,(revelacao de Jesus aos gentios)Que celebramos a entrada do ano novo cristao, com festas e folias a lembrar as Saturnais e as Bacanais e, em que os Judeus estao a terminar os oito dias do Hannukah. Ha entre a nossa gente da Beira e, tambem em Terras de Algodres um costume que tem talvez muito ainda de pagao,mas com embora com arremedos da caridade e dos ensinamentos Judaico-Cristaos. Estou a referir-me ao cantar das Janeiras.

Para aquelas geracoes mais recentes e essencialmente urbanas, vai uma simples explicacao do que consistiam: Grupos de criancas durante o dia e de adultos (normalmente jovens) mais ao entardecer e a noite, iam de casa em casa cantando alegremente e saudando os moradores, enquanto davam a boa nova de um Ano Novo recem nascido, sendo no final dos varios canticos presenteados com com petiscos, doces e bebidas.

Era uma tradicao que me era muito cara e, ainda nao minha vintena de anos fui um dos organizadores de um grupo que religiosamente e logo que batiam as doze badaladas da meia noite, ia cumprir esta tradicao as habitacoes da gente da minha terra adoptiva: Fornos Gare. Como reminiscencias do Solsticio que normalmente era cerca de uma semana antes, faziamos uma emorme fogueira no largo da fonte, onde por entre estorias, bebidas e brincadeiras, esperavamos a passagem de um velho para um ano novo entao, ja sem frio ou pelo calor do braseiro,ou pela ingestao das referidas bebidas, era o toca a andar rua acima rua a baixo a cantar as casas que ainda a essa hora tinham luz acessa, sinal de que estavam acordados e, alguns ficavam-no com prazer so para compartirem a nossa alegria nesta visita anual. Que saudade e pena de nao puder agora participar nas janeiras que da minha terra desapareceram com a dispercao deste belo grupo de amigos. Caso algum deles leia esta lembranca, daqui lhe envio um abraco de amizade e votos de umas boas Janeiras e feliz 2006.

Aqui deixo algumas quadras, que passadas de geracao em geracao me chegaram, algumas delas cantadas nessas janeiras ja tao distantes.

Levante-se dai senhora
desse banquinho de prata,
venha-nos dar a janeira
que esta um frio que mata.

Estas casas sao bem altas
forradas de papelao,
o senhor que mora nelas
e um grande cidadao.

Levante-se dai senhora
desse banco de cortica,
venha-nos dar a janeira
ou de carne ou de chourica.

Venham-nos dar a janeira
se no-la quizerem dar,
nos somos de muito longe
nao pudemos ca voltar.

Normalmente antes da abertura da porta era costume cartar-se esta quadra.

Inda lhe cantamos mais uma
em louvor a Sao Joao,
nao lhe cantamos mais nenhuma
sem saber o que nos dao.

Ja quando se tinha comido e bebido, cantavasse esta quadra em agradecimento.

A janeira que nos deram
Deus sera o pagador,
queira ele que de hoje a um ano
nos faca o mesmo favor.

Tambem era habito quando as portas se nao abriam, cantarem-se algumas quadras menos respeitaveis, (perdoem a frontalidade) mas que tambem fazem parte da tradicao que se deseja se nao perca, dentro de-las lembro-me das seguintes.

Estas casas sao bem altas
forradas de pano cru,
os senhores que moram nelas
tem um buraco no cu.

Levante-se dai senhora
dessa cadeirinha torta,
venha-nos dar a janeira
senao cagamos-lhe a porta.

UM FELIZ ANO DE 2006.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

FONTE DE SANTO ANTONIO


Foi no ano de 1868 e, quando era presidente da camara de Fornos, o meu ilustre conterraneo: Antonio Pedroso de Sousa Magalhaes Castelo Branco, que em Vila Cha foi construida esta fonte, provavelmente foi baptizada de: "Santo Antonio" em homenagem ao promotor.
E constituida por um frontespicio composto por duas pilastras onde assenta um frontao curvo encimado por uma cruz latina ladeada por dois corucheus, no timpano para alem da cartela com a data da fundacao, tem um pequeno nicho que alberga uma pequenina mas antiga imagem do patrono, que outrora se encontrava num cruzeiro que data pelo menos do seculo XVIII e, se localizava entre ao solar do Terreiro.

(Esta foto tem para cima de dez anos, nessa altura havia obras no largo, que hoje esta muito mais aprazivel.)

De quando em vez PARA VARIAR.

E nos meses de Dezembro e Janeiro que eu e a minha sanguinia familia celebra os seus natais, por isso e porque neste ano que termina, nao houve muitas saudaveis razoes para celebrar, e, porque cada vez mais se aproxima o ocaso da vida dos que me deram o ser, que mais me recordam os meus tempos de meninice e os factos com eles relacionados.
Teria eu no maximo uma dezena de anos quando a minha mae me ensinou este satirico "poema" que hoje me lembrei de compartir con os meus leitores.
Contem algumas palavras ja em desuso mas que sao genuinas da nossa Beira. Ao mesmo tempo, e uma singela homenagem a minha querida terra natal, que o socratico (des) governo quer despromover de freguesia.

ERA E NAO ERA.

Era e nao era,
andava na serra.
Com uns bois de bugalha,
e um arado de palha.
Chegou-lhe a noticia,
que o pai era morto,
e a mae por nascer.
Pos os bois as costas,
e deixou o arado a comer.
Seguido a diante
ao passar um valado,
se nao fora o cao
mordia-lhe o cajado.
Um pouco mais a frente,
encontrou uma ovelha
a derrissar numa avelha.
Como tinha muito mel,
e,nao sabendo onde o levar,
de um piolho fez um odre
para ai o transportar.
Sem saber onde o carregar,
de uma pulga fez uma burra,
para tanta carga levar.
Estando quase a chegar,
tinha um sino de cortica
com um badalo de la,
que dava cada badalada
que se ouvia em VILA CHA. ("d'Algodres)


CONTINUACAO DE BOAS FESTAS E UM 2006 REPLETO DOS MELHORES BENS

terça-feira, dezembro 27, 2005

FELIZ E SAUDAVEL 2 0 0 6

Caros amigos leitores; continuando nesta nossa marcha pela vida, e depois de celebrar o NATAL com a familia possivel, mas sempre com o resto em espirito e, ainda dentro da epoca da festa das luzes: CHANUCAH, aproximano-nos de uma outra passagem de um ano que se torna velho ao fim de 365 dias, para um outro que desejamos seja melhor, mas que ja nos contentamos que seja igual, sabendo de antemao que o nao vai ser. No entanto e sempre agradavel recebermos e enviarmos aos amigos, votos que se desejam sinceros de um prospero, feliz e saudavel ano novo.
Por isso do meu cantinho os meus sinceros votos de um 2006 repleto de tudo quanto vos faca felizes.

HAPPY NEW YEAR FELIZ ANO NOVO

quarta-feira, dezembro 21, 2005

HANUKKAH OU CHANUKA

Quando os Sirios dominavam a terra de "Israel" (ha mais de 2000 anos) foi decretada uma lei, em que todos eram obrigados a adorar a estatua do lider "Antiochus", que tinha sido colocada no templo de Jerusalem.
Como de acordo com a lei hebraica, estava proibida a adoracao de estatuas e idolos, um pequeno mas aguerrido grupo de judeus chamados: "Macabeus" revoltou-se e conseguiu expulsar os opressores da cidade.
Comecou entao a limpeza e reconstrucao do templo, que tinha que ser novamente re-dedicado a D-us e acendido o "Menorah" (candelabro de sete bracos), que significa o contracto de D-us com os homens.

Ora so havia azeite para manter acesa a lampada por um dia e, eram necessarios 8 dias para preparar azeite novo, aconteceu que por um milagre o azeite acabou por durar para os necessarios oito dias, ate que o azeite novo ficasse disponivel.
Em homenagem a este facto historico, e que os judeus durante sete noites acendem uma vela nova cada por do sol, ate que ao oitavo o menorah fica completamente aceso.
O primeiro dia do Hanukkah que em Portugal se escreve Chanuka ou festa das luzes, celebra-se ao por do sol do dia 26 de Dezembro, que corresponde ao dia 25 do mes de Kisley do calendario Hebraico que este ano celebra o ano de 5766.
Sera coincidencia ou nao, a celebracao da festa das luzes por volta do solsticio de Inverno e, quando mais tarde os catolicos comecaram a celebrar o Natal do judeu Jesus, a quem chamaram a "Luz do mundo"

E tambem tradicao por parte dos judeus, por esta epoca a confeccao e consumo de alimentos e doces confecionados e fritos em azeite.
Embora sem certezas absolutas, creio que as tradicionais "filhos" fritas em azeite, tao conhecidas na nossa Beira e em Tras-os-Montes, tao populares nesta epoca coincidente com Natal, Sao nada mais que uma tradicao que foi passada para a populacao geral, pelos judeus que habitaram em grande numero nestas regioes antes do seculo XVI, e que depois do edito de expulsao, foram sendo assimilados pela populacao regional.

A todos os possiveis judeus leitores desta entrada: UM FELIZ CHANUKA.

Para todos ou outros umas BOAS FESTAS.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

SENHORA DAS BOAS NOVAS


Parece estranho que um blog que tenta descobrir factos e pessoas de ascendencia Hebraica, possa tantas vezes fazer referencia a simbolos e templos catolicos, embora eu esteja convicto que tenho ascendencia judaica, nao posso ignorar a tradicao das minhas gentes.

Hoje publico uma foto de uma pintura bastante antiga, existente no tecto da igreja da minha aldeia natal, e como estamos nesta epoca, uma virgem com o menino ate vem a proposito.

ENTREMOS

Entremos, apressados friorentos,
Numa casa, numa cave,
No bojo de um navio,
No predio, que amanha for demolido.
Entremos, bem depressa em qualquer parte,
Porque sofremos, porque temos frio,
Pois esta noite chama-se Dezembro.
Entremos dois a dois, somos duzentos,
Duzentos mil, muitos milhoes de nada,
Juntemo-nos uns aos outros, e,
Talvez o fogo nasca.
Talvez seja Natal e nao Dezembro,
Talvez universal a consoada.


Antecipadamente, um santo e feliz Natal para todos , mas principalmente para os meios amigos leitores.

REGIAO DA BEIRA

Em tempos da monarquia a Beira era uma regiao unica, e, durante a ultima parte da dinastia de Braganca, foi esta regiao elevada a categoria de principado, sendo seu titular o filho mais velho do rei, isto so por si prova o quanto era importante esta regiao no todo nacional.

Foi durante as revolucoes liberais, talvez para criar lugares politicos, que se comecou a retalhar esta provincia. Primeiro em tres: Alta, Baixa e Litoral, e, mais tarde porque ainda consideravam, que ainda nao estava retalhada suficientemente, em distritos que foram arbitrariamente demarcados, ficando concelhos de outras regioes incluidos em distritos que pouco ou nada lhe diziam.

Temos entao que ainda hoje passados que foram mais de 150 anos, concelhos como Vila Nova de Foz Coa e ate a Meda, gostariam muito mais de pertencer a Tras-0s-Montes e nao a Guarda; Aguiar da Beira e ate Fornos de Algodres, gostariam de estar incluidos em Viseu; Mortagua gostaria de pertencer a Coimbra, isto so para falar nalguns casos, havendo no entanto muitos outros.

O que eu gostaria e creio que nao serei o unico, era que se (re)cria-se uma grande regiao ou provincia da "Beira", regiao essa desde o litoral a fronteira e, entao sem bairrismos cegos dai partissemos para um desenvolvimento homogeneo e nao unicamente centralizado nas maiores cidades, desenvolvimento esse que tende a ser quase todo, so na faixa litoral.

Quem apoia a grande regiao da BEIRA? E para capital dessa regiao porque nao propor nao uma cidade ja em si desenvolvida, mas antes uma pequena vila a necessitar desse mesmo desenvolvimento. Porque nao Tabua ou Oliveira de Frades, Penedono ou Fornos de Algodres, ou ainda Pampilhosa da Serra ou Aguiar da Beira? Sao so exemplos.

Ou melhor ainda repartir os varios servicos e departamentos pelas varias vilas da regiao, estou convicto que assim se desenvolveria mais igualitariamente toda a nossa Beira, e olhem que a ideia ate nem e original, este concepto ja foi usado noutros paises. Pois nao sera concentrando ainda mais que se combate a desertificacao crescente.

terça-feira, dezembro 13, 2005

PORQUE SOMOS "LOBOS"

LOBOS
Quando crianca sempre pensei que a razao porque a gente da minha terra, era apodada por "Lobos" era pela razao de que estando situada num pequeno planalto rodeado por montes, nesses tempos cobertos de floresta e, ser frequente o ataque dessas feras aos rebanhos, que outrora pastavam no vale do ribeiro de "Vila Cha".
Hoje no entanto estou convencido que a razao era outra bem distinta. Viveram na minha terra pelo menos desde o seculo XVII uns fidalgos de apelido "Pedroso". Ora esta familia tem no seu brazao de armas sete lobos passantes: tres, tres e um.
Esta familia Pedroso no entanto entronca numa outra muito mais antiga e, que aqui vivia a familia: Soveral, que podera ter sido quem fundou a aldeia de Soveral que mais tarde se transformou em Sobral Pichorro.

REGIONALIZACAO DESCENTRALIZACAO E DESENVOLVIMENTO

O tempo tem me sido escaso mas nao quero deixar esquecido este tema, pois como tantas outras trapalhadas deste socratico (des)governo, continuo convencido que sera na verdaveira regionalizacao e nao na extincao de concelhos que estara o futuro de progresso mais uniforme para a nossa Patria (Patria onde ja ouvi isto). Reparem que a nossa vizinha Espanha, comecou a desenvolver-se quando decidiu repartir fundos e responsabilidades pelas varias regioes.
Mas parece que os iluminados ministros creem que e com vias de ligacao rapidissimas aos nuestros hermanos (salvo seja) que esta o progresso geral. Ate parece que o que querem e que tenhamos bons meios para pudermos fujir daqui para fora. Sera que e por isso que as ligacoes a Espanha nao tem portagens?

PELOURINHO DA MATANCA


Esta antiga vila da Matanca, e sede de concelho desde o tempo de D. Afonso III, conserva ainda hoje este antigo simbolo da autonomia municipal, esta situado na praca onde outrora se encontrava o edificio municipal, que depois da extincao e incorporacao no concelho de Fornos de Algodres, (1836) foi por este municipio vendido assim como outras propriedades concelhias.

O monumento e constituido por uma coluna octagonal assente em quatro degraus (dois em parte enterrados) e com remate em capitel de gaiola bastante singular. De acordo com os entendidos data do seculo XVI. Toda a construcao e em granito, pedra que abunda por toda a regiao.

Esta foto tem mais de vinte anos, hoje o monumento e o largo adjacente encontram-se renovavos e muito mais apelativos.

terça-feira, dezembro 06, 2005

PONTE DOS "JUNCAENS"


A ponte da imagem e uma construcao dos meados do seculo XIX, durante o governo de D. Maria II e do ministerio de Costa Cabral, tem cinco arcos e atravessa o rio Mondego junto a Fornos Gare e, a Freguesia de Juncais no concelho de Fornos de Algodres, esta construcao foi no entanto alargada ja em principios do seculo XX.

Foi construida no local onde existiu uma outra romana, que foi dinamitada em 1810 por ordem do general Welington, para atrazar o avanco da terceira invasao franceza.
distando cerca de 500 metros desta ponte, ainda hoje se encontram restos da calcada romana que a esta ponte se dirigia.

Esta via romana que aqui atravessava ramificava em Fornos, da Via Viseu-Celorico e, ainda na decada de 70 do seculo passado, havia um outro troco de calcada pertencente a esta via (hoje soterrado pela avenida 25 de Abril) perto do cemiterio daquela vila, suponho que esta via secundaria se dirigi-se para Linhares.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

SOLAR DOS PEDROSOS


Ja me havia referido a este solar e familia a algum tempo atraz, nessa altura publiquei uma foto em que aparecia a capela em mais destaque. Aquela foto tem cerca de vinte anos.
Esta que agora publico e muito mais recente, e, aparece em muito mais destaque o solar, em embora nao o inclua na totalidade. Sem ter certezas mas pela sobriedade da construcao, creio que datara do seculo XIV, pois ainda se nao aparecem os floriados manuelinos ou barrocos, e, embora esta familia seja fidalga e com brasao proprio, este nunca foi colocado na construcao, o que denota talvez uma certa humildade destes fidalgos, que nunca necessitaram de se ufanar para serem considerados, pois a sua origem e as suas qualidades falavam por eles.
Quanto teriam que aprender com eles os "novos ricos".
Pena as viaturas encobrirem uma parte do mesmo.

terça-feira, novembro 29, 2005

LOPES

Este apelido suponho que tera origem em "lobo" ou "lopo", e ja usado no territorio que mais tarde originou o nosso pais muito antes da fundacao. Embora sendo usado por gente "nobre", tambem foi e, e muito generalizado entre o nosso "povo". Usa-se tambem na nossa nacao a versao castelhana: Lopez (disse castelhana porque na realidade o "espanhol" ( idioma) nao existe e, foi uma invencao recente de "nuestros hermanos" salvo seja).

Tambem a gente de origem Hebraica usou bastante este apelido, tendo-o passado por necessidade obrigacional aos "cristaos novos". nao significando isto que pelo facto de usarmos este apelido, tenhamos sangue judaico, mas podemos te-lo.

Eu tambem tive a dita de herda-lo pela linha materna e, embora hoje pouco o use, pois por simpleza no pais onde presentemente resido, so e usual um nome proprio e o ultimo apelido, neste caso e o Cardoso que herdei por via primogenita paterna desde pelo menos do meu trisavo.

Gosto no entanto da combinacao: Lopes Cardoso, embora em epocas revolucionarias passadas, chegaram a querer relacionar-me com um outro de ma memoria, coisa que eu sempre regeitei, principalmente pela sua triste carreira politica.

Em geito de homenagem a todos os Lopes, vou finalizar com uma quadra que aprendi de minha mae, nos meus tenros anos. (Desculpem-me os puristas da lingua, pela utilizacao de palavras mais vernaculas) usualmente(embora diga isto sem desculpar-me) nao e o tipo de linguagem normalmente por mim usado, mas sao as excepcoes que...........................

Aqui vai:

Eu sou Lopes, cago biropes.
Em tempo de nabos, cago nagalhos.
Em tempo de grelos, cago novelos.
Eu a caga-los, "eles" a come-los.

Este "eles" tambem pode ser "vos" isto sem ofensa.

segunda-feira, novembro 28, 2005

COMARCAS CONCELHOS E FREGUESIAS III

Quero dedicar-me com mais tempo ao tema, mas como neste momento ele (o tempo) e escasso, so queria deixar a consideracao dos possiveis leitores o seguinte:
Nao seria mais utilidade pensar em criar uma grande Regiao das Beiras (ou da Beira), que engloba-se os distritos de: Aveiro, Viseu, Coimbra, Guarda e Castelo Branco, e, ate talvez partes de Leiria, deixando depois que essa regiao se reorganiza-se de acordo com os interesses das populacoes, e, nao ditar-lhe uma re-organizacao congeminada nos gabinetes de Lisboa?
Quando chegara o tempo em que os interessados sao ouvidos?
Nao seria de mais utilidade repartir os servicos por toda a regiao, favorecendo principalmente os centros mais pequenos criando assim trabalhos e desenvolvimento, do que por exemplo concentar os servicos nas cidades ja em si meio/grandes, como Aveiro, Coimbra ou Viseu, que ja por si tem o maior desenvolvimento na nossa Beira?

quarta-feira, novembro 23, 2005

COMARCAS, CONCELHOS E FREGUESIAS II

Quem verificar o mapa do concelho de Fornos de Algodres, chega facilmente a conclusao que o meu (nosso) concelho geograficamente nao esta bem distribuido, e isto tem relacao ao antiquissimo passado historico em que estas "Terras de Algodres, anteriormente a 1836 (ano da reforma administrativa) eram, nao um mas seis concelhos independentes uns dos outros: Algodres com 9 fregusias o mais importante e Matanca, Fornos, Figueiro da Granja, Casal do Monte e Infias cada um com uma so freguesia. Ora quando nessa reforma administrativa o Governo decidiu extinguir cinco destes concelhos, fe-lo contra toda a logica historica, geografica e de importancia, ao centralizar o novo concelho com sede em Fornos que passou a intitular-se "de Algodres". Ficou a partir dessa data a sede concelhia numa ponta do referido e unificado concelho, pois para comodidade dos cidadaos nunca fez muito sentido esta decisao, o facto e que uns poucos anos mais tarde e ainda no seculo XIX foi decidido que as reunioes camararias passariam a realizar-se em Vila Cha por ser a freguesia mais central, nao sei quanto tempo isso aconteceu, mas creio que foi unicamente durante as varias presidencias de Antonio Pedroso, que possuia solar naquela aldeia.

Passados alguns anos quando foi instituida a primeira comarca na vila de Fornos: 18 de Novembro de 1875, foi decidido e bem que a mesma para alem das freguesias do concelho passaria tambem a encorporar as freguesias de: Vila Franca da Serra e Cabra (Ribamondego) do concelho de Gouveia, Antas e Mareco do de Penalva do Castelo e S. Joao da Fresta, Chas de Tavares, Varzea de Tavares e Travanca de Tavares do concelho de Mangualde. E como ainda havia outras freguesias que, de Fornos ficavam muitissimo mais perto em 1879 foram-lhe incorporadas as freguesias de Juncais e Vila Ruiva. Por estas decisoes chegamos a conclusao que os legisladores daquela altura tinham muito mais sentido comum na defeza dos interesses das populacoes que serviam. Esta mesma Comarca foi extinta em 1895, mas devido a varias accoes de protesto foi novamente restaurada em 1898 e assim se manteve ate que em 1926 durante o governo da ditadura foi novamente extinta, tendo sido em 1931 criado um julgado municipal.

Quando em Maio de 1980 foi restaurada a Comarca de Fornos de Algodres ficaram unicamente a pertencer-lhe as freguesias do concelho, nao souberam nessa altura os politicos acautelar os interresses das populacoes pois nao faz nenhum sentido que freguesias tao proximas de Fornos como: Mesquitela, Carrapichana, Vila Cortez da Serra, Vila Franca da Serra, Ribamondego, Varzea de Tavares, S. Joao da Fresta, Antas e Matela, tenham que deslocar-se muitissimo mais longe quando poderiam deslocar-se a Fornos de Algodres ali tao perto.

Quanto a Mesquitela e Carrapichana e porque o concelho e comarca de Celorico nao e muito grande nem populoso ainda se poderia por alguma objecao, mas quanto as outras que pertencem as Comarcas de Gouveia e Mangualde, para alem de ser benefico para as populacoes pela proximidade, ate ajudava a que essas comarcas fossem mais eficientes pois passariam a ter menos processos e accoes a desenvolver. E ate quanto a Celorico da Beira a perca destas freguesias poderia e deveria ser colmatada com freguesias do concelho da Guarda o maior do Distrito o que por sua vez aliviaria tambem os seus tribunais.

Mas isto seria uma decisao para alguem, em quem, o bom senso estivesse acima dos interesses de alguns e dos talvez lobis, onde o que conta sao os votos eleitorais e nao o interesse das povo que dizem servir. Nem que para isso tenham que sacrificar as terras que desde a muito o tem sido.

sexta-feira, novembro 18, 2005

EXTINCAO DE COMARCAS, CONCELHOS E FREGUESIAS I

Quando iniciei este blog, propus-me escrever sobre a historia, focando uma area nunca por outros explorada: A presenca Hebraica nas nossas "Terras de Algodres" (concelho de Fornos de Algodres), no entanto de quando em vez apetece-me referir outros temas embora sempre envolvendo a minha (nossa) regiao.

Muito se tem falado ultimamente sobre as extincoes de comarcas, concelhos e freguesias, compreende-se por uma questao de economia, que este tema venha e va ser posto em cima da mesa politica, no entanto eu queria deixar algumas consideracoes: Nao consigo compreender como se vai extinguir por exemplo a comarca de Fornos de Algodres, passados que sao, cerca de meia duzia de anos da construcao de um novo edificio do tribunal judicial desta comarca, sera que os senhores politicos nao souberam fazer contas nessa altura e, ver que nao era rentavel este tribunal nessa altura tao recente? Ou sera que o que e importante e o dinheiro e, a comodidade dos cidadaos ja nao conta para nada. Sera que o salario da meia duzia de funcionarios, (pois o juiz tanto quanto sei ja e comum a outra comarca) e que vai resolver o nosso problema orcamental?

Em meu ver nao e centralizando ainda mais, o ja muito centralizado estado e justica que se vai fazer com que as nossas terras, andem para a frente, mas sim ajudando as nossas gentes com projectos geradores de riqueza e criacao de trabalhos que fara com que, como ja noutras entradas afirmei, que a nova auto estrada, traga gente e investidores e, nao sirva para que mais rapidamente os meus (nossos) conterraneos, abandonem a terra que os viu nascer.

Deste humilde blog, quero tentar pelo menos contribuir para que se nao cometam, estes atropelos a nossa cidadania e a nossa terra, peco a todos que me ajudem nesta luta que considero justa.
BEM HAJAM DESDE JA.

segunda-feira, novembro 14, 2005

CAPELA DO SOLAR DE "PEDROSO"


Esta capela pertence ao solar da familia Pedroso, da freguesia de Vila Cha de Algodres. Tera sido construido onde existiu uma "villae" agricola romana, e, nela viveu em 1687: Jose Inacio de Almeida Soveral que casou com D. Mariana Joaquina Pedroso da Costa e Magalhaes, foram eles quem formou a familia Pedroso nesta aldeia. Um dos mais importantes fidalgos desta casa foi: Antonio Pedroso de Sousa Coutinho Castelo Branco, cavaleiro da Torre e Espada e um dos melhores presidentes do novel concelho de Fornos de Algodres, em meados do seculo XIX.

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE II

Continuando a falar sobre Vila Ruiva, vou cometer um sacrilegio (ou nao), ao sugerir contra todas as abalizadas, mas nao comprovadas opinioes, o seguinte: A necropole de sepulturas escavadas na rocha da Tapada do Anjo, (ou Arcanjo Gabriel) nao e uma necropole crista, mas sim um cemiterio judaico!

Dir-me-ao os entendidos que e de cristaos, e, a prova e a capela do Arcanjo Gabriel se encontrar junto dela, isso em meu ver nao prova nada, e, nem a orientao canonica o comprova, pois isso nao se verifica na maioria delas. A capela foi construida no seculo xx, e, as supostas ruinas de outra mais antiga, nunca dataram do seculo VII, alturas de quando datam as sepulturas mais antigas, de acordo com os mesmos especialistas.

Esta minha suposicao baseia-se nos seguintes factos:

I - Este tipo de sepultura nao era regra de enterramento na alta idade media, e, era um tipo de inumacao excepcional pelo dispendioso da sua construcao.

II - Nesses tempos para alem dos senhores feudais ou da classe eclesiastica, so os judeus teriam meios para costear este tipo de sepultura. O resto da populacao era sepultado na terra, por ser mais facil e barato.

III - Os senhores e os clerigos eram nesses tempos enterrados dentro e junto as igrejas e conventos, (vejamos o caso da necropole de Algodres a necropole crista mais antiga no nosso concelho).

IV - Tendo no sitio existido uma capela, mais antiga do que a actual o que parece comprovado, ela tera sido construida muito mais tarde, creio que no seculo xvi, com o intuito de sacralizar o lugar, algo bem comum por parte da igreja catolica por essas alturas de "purificacao" da fe.

V - Para finalizar quero informar os menos conhecedores, que o Arcanjo Gabriel era tambem venerado pelos judeus, e, ate pelos mussulmanos, aparecendo varias vezes mencionado tanto no antigo testamento, como no corao. Pelo que quando a igreja catolica construiu a antiga capela, se tera baseado nalguma lenda ou tradicao existente entre o povo, e, que tera sido herdada da gente hebraica.

A comprovar-se esta minha teoria, teriamos pois que em Vila Ruiva da Serra tera vivido uma prospera e numerosa comunidade judaica durante a alta idade media.

sábado, novembro 05, 2005

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE I

Tal como o seu nome parece indicar, Vila Ruiva deve ter herdado o nome de alguma "villae" agricola fundada pelos romanos, que tera sido pertenca de algum "Ruy" ou "Ruyvo" e dai o seu nome. Esta e tambem a opiniao do monsenhor Pinheiro Marques na monografia: "Terras de Algodres". O complemento "da Serra" e para a identificar em relacao a povoacoes com nome semelhante, no entanto nem faz muito sentido, porque na realidade ainda nao se encontra localizada na serra da Estrela, mas sim no planalto entre o rio Mondego e a vertente norte da mesma serra.

Do tempo da romanizacao ainda hoje existem varios testemunhos e vestigios; o referido monsenhor alude a existencia de uma pedra ou marco que ja em 1938 se encontrava partido, no qual se encontravam gravados simbolos ou letras, seria provavelmente um marco miliario e pertenceria, a uma estrada que aqui passava vindo da Ponte Nova, ou da dos "Juncaens" ambas pontes romanas destruidas aquando da terceira invasao francesa. Esta estrada dirigia-se para a serra provavelmente para Linhares e atravessava a necropole de sepulturas escavadas na rocha, hoje encontra-se soterrada. Junto desta via encontrava-se uma lapide romana, afirmava "Pinheiro Marques"; de acordo com informacoes populares. Presentemente nao sei onde se encontram esses vestigios, pelo que se alguem souber gostaria de puder contar com essa informacao.

Esta freguesia esteve desde a sua fundacao, incluida no termo do concelho de Linhares, a quem D. Afonso Henriques concedeu foral em 1169. No ano de 1855 com a extincao deste concelho, passou para o de Gouveia, de onde foi desmenbrada por decreto de 13 de Janeiro de 1898 passando nessa altura para o actual concelho de Fornos de Algodres. Pouco mais sei sobre a historia desta terra, para alem do facto de que durante a terceira invasao francesa, (1810-1811) a sua passagem cometeram estas tropas toda a sorte de crimes, roubos e destruicoes, entre a quais a da tribuna do altar mor da igreja de Na. Sa. da Graca.

Como e correntemente sabido, os judeus existem na peninsula Iberica desde pelo menos do tempo das feitorias dos gregos e cartagineses, o que nao e de admirar pois sempre foram um povo de mercadores, no entanto foi com os romanos que mais se espalharam por todo o imperio, principalmente depois da destruicao de Jerusalem no ano 70 da nossa era. Nao tenho para alem de suposicoes, nenhuns dados concrectos sobre a presenca judaica nesta freguesia, tampouco tenho conhecimento de nenhuma casa marcada com simbolos de cristaos-novos (caso algum leitor tenha conhecimento gostaria de ter o seu comentario). Mas tendo havido uma prospera e vigorosa judiaria em Linhares, nao seria de estranhar que tivesse havido judeus nas freguesias pertencentes e por conseguinte tambem em Vila Ruiva, pois pela sua localizacao junto a uma via romana, faria todo o sentido a sua existencia

quinta-feira, novembro 03, 2005

QUINTAS das "PARADEIRAS" e do "PARREXIL"

Quando nas primeiras entradas neste blog, me referi a estas quintas, a primeira mais tarde chamada do "Mateus" e a segunda do "Metildes", passou-me ao largo o facto das mesmas estarem a data da fundacao, (entre 1525 e 1657) dentro da area do dizimatorio da igreja de Algodres, para alem do facto de se encontrarem dentro do termo do antigo couto e concelho de Figueiro da Granja.

As demarcacoes civis e religiosas quase nunca sao concordantes, pelo facto da divisao religiosa ser muitissimo mais antiga, neste caso e resultante de que quando em 1170, foi demarcado o couto por D.Afonso Henriques, em favor do mosteiro cistercience de Tarouca, a area dele ja estava repartida, pela igreja de Sao Miguel de Fornos e pela de Sancta Maria de Algodres.

Quando mais tarde, creio que no seculo XIII ou XIV se fundou a igreja de Figueiro com uma area da paroquia de Fornos, continuou a respeitar-se a linha do dizimatorio com Algodres, que passava na zona da "Campaboa",(ainda hoje marcada nuns penedos) e so a partir do seculo XVII e que a area da igreja de Na. Sa. de Figueiro passou a incluir todo o termo do seu concelho.

Isto vem confirmar mais ainda, que estas quintas foram fundadas, por gente que queria isular-se em relacao a igreja correspondente, neste caso seria a de Algodres e nao a de Figueiro como eu supunha inicialmente, portanto ainda mais distante e de mais dificil acesso.

Ao mesmo tempo ai encontro a explicacao pela qual a minha familia Almeida (Pratas) ainda hoje tem parentes em Algodres. Quanto ao ramo Metildes/Cardoso que mais tarde passou a residir em Vila Cha de Algodres estava aparentada com gente de Cortico de Algodres, tanto uma como outra, freguesias pertencentes aquele antiquissimo concelho e ambas sufraganeas da igreja de Santa Maria de Algodres.

Para terminar quero tambem lembrar que na freguesia de Cortico ainda no seculo XVIII foi investigada a familia Magalhaes, pela duvida de que teria sangue judio, o que por si so prova que ai viveu gente de fe Hebraica.

CORRECAO

Induzi em erro qualquer amigo que deseje consultar o blog do Francisco Jose Viegas, aqui vai o endereco correcto: http://origendasespecies.blogspot.com/ podem clicar nos meus links em ORIGENS. Desculpe Francisco.

terça-feira, novembro 01, 2005

BEM HAJAM

O meu sincero e bem beirao bem haja, ao ORIGENS DAS ESPECIES: http://origensdasespecies.blogspot.com, pela gentileza da divulgacao deste humilde blog. bem hajam.

domingo, outubro 30, 2005

CASAL DO MONTE - PELOURINHO


Este pelourinho da antiga vila de Casal do Monte, e um monumento que data do seculo XVI, e contituido por uma plataforma constituida por varios degraus, em que se encontra implantada uma coluna octagonal, rematada por pinaculo encimado por uma esfera armilar: simbolo do rei D. Manuel I,

TRADICOES JUDAICAS III

Continuando a falar de habitos alimentares, que as nossas gentes teram herdado dos judeus, vou hoje referi as ervas azedas.

Dentre essas ervas que o povo hebreu consumia, para lhes fazer lembrar as amarguras da escravatura no Egipto, podemos incluir os saborosos mas amargos grelos de nabo, muito populares entre o nosso povo, sempre regados com o saudavel azeite regional. (e que bom e o azeite da regiao de Algodres)

Estara tambem nesse grupo de tradicoes, o consumo muito em voga nas nossas terras do saboroso mas agrio esperregado, este confecionado nao so a partir de folhas de nabo, mas tambem de feijao verde, favas tenras e outros vegetais. Na sua preparacao usa-se tambem o azeite e o alho, alem do vinagre de vinho para lhe intruduzir a acidez.

sexta-feira, outubro 28, 2005

TRADICOES HEBRAICAS II

Na alimentacao do povo das "Terras de Algodres", tambem ainda hoje permanecem muitos habitos alimentares judaicos, que foram adoptados pelo resto da populacao. Neles estao incluidos o consumo da galinha e do capao: (galo capado), do cabrito e do borrego que com o bacalhau, ainda hoje contituem os principais pratos regionais.

Entre os cristaos no entanto, creio que principalmente a partir do seculo XV, generalizou-se o consumo do porco e seus derivados, o que entre os judeus era proibido.

A razao fundamental desta proibicao, que data dos templos biblicos, esta muito mais relacionada com a saude, do que com a religiao, Na realidade dentre os muitos regulamentos judaicos, estao os preceitos higienicos e alimentares, nos quais esta norma se inclui.

Ora sabendo hoje nos, que os suinos ainda com muito mais saude veterinaria, continuam a ser grandes propagadores de pragas e doencas, muito mais o seriam nesses tempos de antanho, pelo que essa proibicao faria todo o sentido.

SOVERAL OU SOBRAL (PICHORRO)

Quando em 5 de Outubro passado escrevi sobre o Sobral Pichorro, referi que o mais antigo documento conhecido, referindo esta aldeia, era o cadastro da populacao do reino de D. Joao III, do ano de 1525, embora tenha referido tambem que era muito mais antiga.

Entretanto tive conhecimento que esta terra ja aparece referencia, nas inquiricoes de D. Afonso III, no ano de 1258, nessa altura designava-se: "Soveral" e era uma aldeia pertencente a igreja de "Sancta Maria d'Alguodres", Estava portanto certo quanto a antiguidade.

Esta era a razao pelo qual ainda no seculo XVIII, cada morador desta freguesia, tinha que vir em voto e que oferecer um frango, ao vigario da matriz de Algodres, em dia de Santa Maria (Maior), no dia 15 de Agosto.

E de crer portanto que a capela de Santo Cristo, que e o mais antigo templo desta freguesia, date pelo menos do seculo XIII, embora como ja referi, tenha adicoes na frontaria doutras epocas, principalmente da epoca jesuitica, O seu Portal e romanico e o seu interior com aboboda com cruzaria ogival de tres naves tambem.