domingo, janeiro 15, 2006

ABREUS Senhores de "FORNOS" II


Em principios da nacionalidade o "Lugar dos Fornos" foi um concelho reguengo, portanto propriedade regia. Em meados do seculo XIV o rei D. Fernando concedeu o senhorio de Fornos a sua filha D. Isabel de Portugal, (este senhorio incluia tambem Viseu, Celorico e creio que Azurara) como dote de casamento com conde de Guygon e Noronha.

Acontece que quando este rei morreu e nao deixou descendencia varonil, o rei de Castela invadiu Portugal defendendo os direitos de sua esposa D. Beatriz filha de D. Fernando, ao trono de Portugal (1385). Entre os muitos nobres que estiveram ao lado do rei de Castela esteve tambem o conde de Guygon e Noronha, pelo que tendo D. Joao de Castela sido derrotado primeiro em Trancoso e depois em Aljubarrota, e tendo D. Joao I, Mestre de Avis, subido ao trono Portugues, decidiu compensar os que o ajudaram e punir os que estiveram contra ele.
Foi entao que o senhorio de Fornos, foi retirado aos Noronhas e concedido aos Abreus,(Viseu foi para o infante D. Henrique, nada sei acerca das outras terras.)e, assim se manteve ate meados do seculo XVI.

Quando o rei D. Felipe I, subiu ao trono portugues, criou o condado de Linhares, dando este titulo aos Noronhas, retirando o senhorio de Fornos aos Abreus. (suponho porque os Abreus estiveram do lado portugues )
Mas como nao ha uma sem duas, ja depois da restauracao da independencia, a familia Noronha voltou a conspirar contra o rei de Portugal (D. JoaoIV), sendo entao extinto aquele condado e todos os bens dos Noronhas confiscados,(no entanto ja depois da restauracao o rei espanhol elevou o conde de Linhares a duque, no entanto ele nunca mais veio a Portugal.)Ficou entao o senhorio de Fornos e tambem de Algodres, na posse da Casa de Braganca e poucos anos depois passou para recem criada Casa do Infantado, onde se manteve ate as revolucoes liberais do seculo XIX.

PS: Na foto o solar dos Abreu Castelo Branco "Casa da Torre"

sexta-feira, janeiro 13, 2006

ABREUS Antigos Senhores de FORNOS I


Como referi em entrada anterior, a mais antiga e prestigiosa familia de Fornos mais tarde chamada de "Algodres", nao e a Familia Albuquerque, mas sim a familia Abreu. Embora com origem no Minho, ja existe documentada nesta vila desde o principio do seculo XV.

Nessas alturas Fornos que era concelho reguengo, tendo entao D. Joao I passado o senhorio desta vila para a familia Abreu e ai se prolongou ate que no seculo XVII, entao com a criacao do condado de Linhares, foi-lhes retirado este senhorio e concedido aqueles condes que eram da familia Noronha.

Na foto vemos a capela brasonada de Na. Sa. da Anunciada, englobada no solar destes Abreus Castelo Branco, este solar coma sua torre medieval, e conhecido por Casa da Torre, o que originou que uma rua adjacente a propriedade, ainda hoje se identifica por: Rua da Torre.

PARABENS LELLO (a livraria!)

Todos os que como eu gostam de ler, ficaram satisfeitos em constactar o aniversario do centenario da bela livraria Lello, da cidade do Porto.
Dizem os entendidos que e a mais bonita livraria do mundo, e de facto bonita e funcional para quem tem 100 anos nem tem rugas nem nada.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

BRASAO DOS ALBUQUERQUES SOVERAL


Este Brasao dos Albuquerques Pimentel de Vasconcelos e Soveral, encontra-se sobre o arco de entrada para o solar desta familia, na Rua da Torre na parte antiga da vila de Fornos.
Foi um membro desta familia o primeiro e unico Barao desta vila, no tempo de D. Maria II.
Porque sera que esta familia colocou uma cruz a encimar o referido brazao?
Outra coisa estranha, porque razao tera a rainha dado este titulo a esta familia, sabendo nos que aqui havia uma familia muito mais antiga e com mais pergaminhos? Estou a referir-mos aos Abreus, mas essa e uma historia que seguira noutra altura.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Fonte da Quinta do casainho INFIAS


Aqui esta a foto da fonte da Quinta do Casainho, Como podem ver tem o brazao de armas da familia Melo, Esta familia de origem patronimica Teve origem na antiga vila de Melo, no vizinho concelho de Gouveia, desconheco neste momento que ramo tera passado a Infias, embora os proprietarios desta quinta ja nao usem o papelido Melo, ainda existem muitas pessoas com esse apelido nesta aldeia e, ate os familiares da minha esposa ainda sao aparentados com os Melos.

terça-feira, janeiro 10, 2006

CASAINHO INFIAS


Um triste exemplo de como o patrimonio das nossas terras se vai desmoronando aos poucos. Esta foto foi tirada ha mais de dez anos, hoje estara muito pior senao ja totalmente desmoronada.
Este edificio que data do seculo XVI, era a residencia da familia Costa Cabral na Quinta do Casainho, junto a antiga vila de Infias.

Esta familia no entanto devera ter tido origem na familia Melo, pois junto da casa numa antiga fonte encontram-se as armas daquela familia. Creio que foi no primeiro quartel do seculo XX, que a familia passou a usar uma pequena casa que reconstruiu no lugar de uma capela arruinada, e esta casa passou a ser usado pelos "caseiros" da quinta, pois a familia a semelhanca de quase todas decidiu mudar-se de armas e bagagens para capital.

Que pena deixarem cair esta antiga casa quase medieval, enquanto relativamente perto edificaram uma nova casa de ferias descaraterizada mas dentro dos gostos dos nossos seculos. E caso para dizer que da Deus as nozes a quem nao tem dentes. Quantos de nos nao desejariamos possuir uma casa assim para reconstruir-mos e adaptar-mos interiormente as comodidades da nossa vida moderna.

PARABENS FRANCISCO

Quero muito humildemente enderecar os meus parabens ao Francisco Jose Viegas, pela sua colocacao a frente da casa Pessoa.
O Francisco que no inicio ainda recente deste blog, fez o favor de divulgar este simples blog, e, eu nao fiz mais do uma obrigacao, mas muito mais que isso foi com muito prazer que coloquei um link do seu blog (vejam Origem das Especies)neste blog.
Desejo-lhe muitas venturas nessas suas novas responsabilidades e, creio que os meus leitores tambem.

HISTORIA JUDAICA & OUTRAS HISTORIAS

Quando iniciei este blog informei que tinha (e tenho) a finalidade de investigar a historia judaica nas "Terras de Algodres" concelho de Fornos de Algodres. Tinha esperancas de ter colaboracao de naturais e residentes no meu concelho, mas ou a minha gente nao e dada a estas coisas dos blogs, ou a questao judaica continua a ser tabu por estas bandas.
Sem desanimar e porque me comeca a faltar materia sobre o tema foi que comecei a divulgar coisas que as vezes nao estavam relacionadas com o tema fundamental, continuarei a faze-lo sempre com a esperanca de colaboracao dos meus conterraneos.
Por isso nao se admirem que por vezes o tema judaico nao apareca ao lume. A razao e que me falta materia, tem muito que ver com o facto, de me encontrar longe dos meios de consulta, pois vivo muito longe neste momento.
Vou continuar mas queria deixar esta explicacao, ao mesmo tempo agradecer as palavras de apoio, muitas vezes de gente que nem sao das "terras de Algodres"

BEM HAJAM

segunda-feira, janeiro 09, 2006

CAPELA DA SENHORA DAS DORES


Situada num adro com entrada pela rua Dr. Fernando Menano, na vila de Fornos, encontra-se virada para a vertente norte da nossa Estrela,(a serra)lugar donde se pode admirar uma paisagem encantodora.

Esta capela foi edificada em 1888, com as pedras de uma outra muitissimo mais antiga, de invocacao do Espirito Santo, (mas quem houve designa-se por Santo Estevao) e, se localizava junto a rua do mesmo nome, em Fornos de Algodres.

Foram para aqui transportadas as pedras e feita a construcao, porque a antiga referida capela, que datava pelo menos do seculo XVI, se encontrava arruinada e profanada desde o tempo da terceira invasao franceza em 1810, tendo nessa altura sido usada como cadeia ao servico daquelas tropas.

Aquela capela do Espirito Santo era uma capela do povo e teve irmandade propria que por sua vez administrava o hospital que entao ja existia nesta vila, pelo menos desde 1573, (suponho que a este hospital teram tido ligacao os judeus e, a designacao do Espirito Santo ate foi adoptada para apelido de algumas familias de cristaos-novos).
Foi nesta antiga capela que em 1666 se instituiu a Mesericordia, tendo esta irmandade por essa data apossado-se da capela, do hospital e de outras propriedades de sua pertenca, contra a vontade de muita gente entre os quais o abade da freguesia de S. Miguel de Fornos.

Tera sido a partir da data da conclusao da igreja da Mesericordia (1769), que esta capela tera entrado em desuso e, tera sido isso que originou o facto dela ter sido usada para cadeia, nunca tendo sido reabilitada foi demolida em 1888. Em seu lugar foi edificado um cruzeiro, demolido aquando da implantacao da republica, tendo sido novamente edificado outro ja durante o estado novo, alem dele havia ate a cerca de 20 anos um marco de pedra com uma inscricao, referindo aquela capela. (presentemente desconheco o seu paradeiro)

Esta Capela da Senhora das Dores foi edificada nos terrenos da Santa Casa na mesma altura em que se construiu o hospital primitivo, que se localizava onde hoje se situa o lar da Mesericordia, (em obras) no Chao da Biquinha, assim identificado por ai se localizar uma pequena nascente de agua, que mais tarde a referida irmandade canalizou para fonte incrustada no muro dos terrenos do Hospital.
E uma capela de reduzidas dimensoes, renascentista com registos barrocos tardios e, com um pequeno campanario estilo romanico sobre o timpano da facha posterior.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

DIA DE REIS

Embora a biblia unicamente faca referencia a uns magos que vinham do oriente, a tradicao crista refere-se a eles como reis. Nos primeiros tempos em que o cristianismo foi adoptado pelo Imperio Romano, decidiram consagrar este dia que teria sido a revelacao de Cristo ao mundo, como o dia do nascimento de um menino judeu, a quem foi posto o nome de Yeshua, que mais tarde com deficiente traducao, passou a ser identificado por Jesus, a quem os gregos chamaram Cristo.

Quando o ramo romano da igreja catolica decidiu colocar, (erroneamente segundo os entendidos) o nascimento desse menino no dia 25 de Dezembro, essa mesma directiva nao foi seguida pelo ramo ortodoxo da igreja catolica, pelo que ainda hoje e por volta deste dia que eles (os ortodoxos) celebram o natal.

Nos os ocidentais, temos seguido sem grande discordancia, as directivas da igreja de Roma e, portanto neste dia 6 de janeiro de cada ano, celebramos (quem celebra) o dia de Reis ou Epifania. (revelacao de Cristo)

Este dia, em que os magos ofereceram presentes ao menino, deveria ser (para seguir a tradicao) o dia da oferta das prendas as nossas criancas e, nao o dia 25 de Dezembro.
Embora seja eu bastante relutante em concordar com "nuestros hermanos", neste ponto eles ate estao mais certos que nos, pois ainda hoje continuam a celebrar os Reis, com um feriado nacional e, e neste dia que "repartem los regalos".

E tambem neste dia que oficialmente (a minha mae sempre disse que nao foi neste dia que nasci e, quem sou eu para contraria-la) celebro mais um ano de vida. Por isso enquanto desejo um feliz dia de Reis a todos os meus amigos leitores, espero que o menino com o nome judaico de: Yeshua, se, na verdade era o filho de D-us, tenha a bondade de conceder a este simples mortal, mais uns anitos de vida.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

CALVARIO - VILA CHA "d'ALGODRES"


Depois do concilio de Trento e quando se comecaram a implementar as suas directivas, mas principalmente depois do edito de expulsao dos judeus em Portugal, comecou a igreja catolica a enfatizar muito mais o sacrificio de Jesus, do que a mesericordia de Deus.

Foi entao que se promoveram e construiram as vias sacras e os calvarios por todo o pais e a nossas "Terras de Algodres" nao foram excepcao, Creio que esta manifestacao era para enfatizar o crime dos judeus, que segundo a igreja catolica e contrario a historia foi quem matou Jesus. Dentre os varios calvarios que ainda hoje permanecem, existe este em Vila Cha, fica situado a cerca de 300 metros do centro da aldeia a beira de um caminho medieval ou ate romano que passava pela Aldeia das Cortes (hoje em ruinas) e constituido por uma plataforma com degraus onde ficam tres sulcos para a implantacao de cruzes de madeira, sendo o central numa base mais elevada.

Recentemente a junta da freguesia,(suponho eu) decidiu implantar no lugar onde se deveriam colocar cruzes de madeira, tres cruses de granito polido, talvez pensassem que estavam a fazer um excelente trabalho, mas em minha opiniao e creio que concordaram comigo os entendidos em historia de arte, deveriam em vez de tapar os sulcos com aquelas cruzes, era colocar neles cruzes de madeira que podia ser tratada para poder resistir a intemperie, ou entao deixar o calvario como esteve por anos e anos.

Espalhados pela aldeia ficavam os varios passos da via sacra, desconheco a sua localizacao com a excepcao do ultimo antes do calvario, que se encontra a cerca de 50 metros incorporado num muro, e uma pequena plataforma em cantaria, que a semelhanca do calvario tem ao centro um pequeno sulco para a implantacao de uma cruz de madeira.

ANTIGA ESCOLA DE FORNOS e a ABADIA


Esta foto de um antigo postal (OCOGRAVURA LDA.-RUA D.Pedro V, 18 LISBOA) nao tem data, mas estou convicto que datara da decada trinta do seculo passado. Aqui se ve a antiga escola primaria de Fornos de Algodres, ficava situada na antiga Rua da Igreja; hoje Rua Carlos.....Pereira, (omiti o nome na totalidade porque de tao longo e dificil de recordar e, alem disso e uma disparidade um nome tao longo numa rua)

Este edificio foi demolido em finais da decada de sessenta e, em seu lugar foi edificada a escola preparatoria Lopo de Abreu, tambem ela ja extinta restando unicamente o edificio, (Um "caixote" sem nenhum interesse arquitetonico) e o muro de vedacao que era comtemporaneo da antiga escola.

Esta escola construida em principios do seculo XX, foi-o no local em que houve outrora a antiga abadia da Igreja de S. Miguel, portanto residencia dos abades titulares da paroquia de: "Sancti Michaelis", de que ha referencia nas inquiricoes de D. Afonso III em 1258. Por essa altura era prelado desta igreja "Stephanvs Mvniz".

No entanto a igreja e muitissimo mais antiga, ja existia em 1170 e, era nela que recebiam os sacramentos os habitantes, do Couto da Granja da Figeirola, que pertencia ao convento de S. Joao de Taroura. Naquela granja ou quinta mais tarde nasceu a povoacao de Figueiro da Granja, que chegou a ser vila e concelho no seculo XV.

Sabe-se tambem que esta mesma Igreja de Sao Miguel, foi em 1320 taxada por D. Dinis em 50 libras, pelo espaco de tres anos para a guerra contra os Mouros. Noutra entrada me referirei com mais detalhe a Igreja.

O terreno nas trazeiras destes edificios, e o passal da abadia e ainda hoje e propriedade da igreja matriz de Fornos, havendo um projecto para ai se construir um centro paroquial.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Ainda as JANEIRAS

Embora tenha respondido a alguns amigos nos comentarios, quero deixar mais publicamente outras quadras, que vem em seguimento de outros comentarios passados:

Aqui nas Terras de Algodres
Mesmo no tempo do frio,
Recebemos os bons amigos
Com bom vinho e peixes do rio

Nao sei se serao janeiras
Pois inda nao tenho a certeza,
Poderam ser fevereiras
mas vai serao uma beleza

terça-feira, janeiro 03, 2006

JANEIRAS Continuacao

Em agradecimento ao amigo Antonio Tavares,(http://www.neoarqueo.blogspot.com) pela deferencia num comentario, quero incluir uma outra quadra que nos tempos se cantava nas Janeiras das "Terras de Algodres" mas provavelmente tambem nas "Terras de Tavares e Azurara". Queria tambem deixar um repto aos amigos leitores. Que tal divulgarem as quadras de que os meus amigos se lembram, nas janeiras da nossa Beira?

Viva la o amigo Antonio
Que bem lhe fica o chapeu,
Quando vai para a igreja
Parece um anjo do ceu.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

ANTIGO PACO MUNICIPAL E PELOURINHO


Dentro malha urbana da antiga urbe, e junto aos solares dos Abreus (antigos senhores da vila) e dos Lacerdas encontramos a antiga casa da "camera" e este pelourinho; foi restaurado em 1933 restando do original destruido no seculo XIX, o primeiro terco da coluna e a base e o chapeu da "gaiola".

Esta localidade em principios da nacionalidade era: "Lugar dos Fornos" foi terra reguenga (propriedade real) e embora queiram que tenha tido foral por D. Dinis em 1314, disso nao ha evidencia, pois sempre se geriu pelos forais do concelho de Algodres. Ha documentos do seculo XVI que se lhe referiam como "Fornos junto a Algodres" e do seculo XVIII como: "Fornos a par de ALgodres"
Quando da reorganizacao de 1836 foram extintos os concelhos de Algodres, Figueiro da Granja, Matanca, Infias e Casal do Monte e incorporados ao de Fornos, foi decidido que oficialmente se designaria por "Fornos de Algodres", porque ate essa data aquele era o concelho mais importante tanto historicamente como em populacao.

O edificio municipal onde presentemente se encontra a sede da junta de freguesia, data do reinado de D. Joao VI tendo na fachada, as armas reais do reino unido de Portugal e Brasil e Algarve.

JANUS JANEIRO JANEIRAS

Para alem do patrimonio construido, existe tambem um outro muito mais vasto, que inclui o cultural e o oral, que nos foi e vai sendo passado e modificado pelas varias geracoes com o passar dos tempos. Nesta altura do ano em que cristaos festejam o Natal e a Epifania,(revelacao de Jesus aos gentios)Que celebramos a entrada do ano novo cristao, com festas e folias a lembrar as Saturnais e as Bacanais e, em que os Judeus estao a terminar os oito dias do Hannukah. Ha entre a nossa gente da Beira e, tambem em Terras de Algodres um costume que tem talvez muito ainda de pagao,mas com embora com arremedos da caridade e dos ensinamentos Judaico-Cristaos. Estou a referir-me ao cantar das Janeiras.

Para aquelas geracoes mais recentes e essencialmente urbanas, vai uma simples explicacao do que consistiam: Grupos de criancas durante o dia e de adultos (normalmente jovens) mais ao entardecer e a noite, iam de casa em casa cantando alegremente e saudando os moradores, enquanto davam a boa nova de um Ano Novo recem nascido, sendo no final dos varios canticos presenteados com com petiscos, doces e bebidas.

Era uma tradicao que me era muito cara e, ainda nao minha vintena de anos fui um dos organizadores de um grupo que religiosamente e logo que batiam as doze badaladas da meia noite, ia cumprir esta tradicao as habitacoes da gente da minha terra adoptiva: Fornos Gare. Como reminiscencias do Solsticio que normalmente era cerca de uma semana antes, faziamos uma emorme fogueira no largo da fonte, onde por entre estorias, bebidas e brincadeiras, esperavamos a passagem de um velho para um ano novo entao, ja sem frio ou pelo calor do braseiro,ou pela ingestao das referidas bebidas, era o toca a andar rua acima rua a baixo a cantar as casas que ainda a essa hora tinham luz acessa, sinal de que estavam acordados e, alguns ficavam-no com prazer so para compartirem a nossa alegria nesta visita anual. Que saudade e pena de nao puder agora participar nas janeiras que da minha terra desapareceram com a dispercao deste belo grupo de amigos. Caso algum deles leia esta lembranca, daqui lhe envio um abraco de amizade e votos de umas boas Janeiras e feliz 2006.

Aqui deixo algumas quadras, que passadas de geracao em geracao me chegaram, algumas delas cantadas nessas janeiras ja tao distantes.

Levante-se dai senhora
desse banquinho de prata,
venha-nos dar a janeira
que esta um frio que mata.

Estas casas sao bem altas
forradas de papelao,
o senhor que mora nelas
e um grande cidadao.

Levante-se dai senhora
desse banco de cortica,
venha-nos dar a janeira
ou de carne ou de chourica.

Venham-nos dar a janeira
se no-la quizerem dar,
nos somos de muito longe
nao pudemos ca voltar.

Normalmente antes da abertura da porta era costume cartar-se esta quadra.

Inda lhe cantamos mais uma
em louvor a Sao Joao,
nao lhe cantamos mais nenhuma
sem saber o que nos dao.

Ja quando se tinha comido e bebido, cantavasse esta quadra em agradecimento.

A janeira que nos deram
Deus sera o pagador,
queira ele que de hoje a um ano
nos faca o mesmo favor.

Tambem era habito quando as portas se nao abriam, cantarem-se algumas quadras menos respeitaveis, (perdoem a frontalidade) mas que tambem fazem parte da tradicao que se deseja se nao perca, dentro de-las lembro-me das seguintes.

Estas casas sao bem altas
forradas de pano cru,
os senhores que moram nelas
tem um buraco no cu.

Levante-se dai senhora
dessa cadeirinha torta,
venha-nos dar a janeira
senao cagamos-lhe a porta.

UM FELIZ ANO DE 2006.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

FONTE DE SANTO ANTONIO


Foi no ano de 1868 e, quando era presidente da camara de Fornos, o meu ilustre conterraneo: Antonio Pedroso de Sousa Magalhaes Castelo Branco, que em Vila Cha foi construida esta fonte, provavelmente foi baptizada de: "Santo Antonio" em homenagem ao promotor.
E constituida por um frontespicio composto por duas pilastras onde assenta um frontao curvo encimado por uma cruz latina ladeada por dois corucheus, no timpano para alem da cartela com a data da fundacao, tem um pequeno nicho que alberga uma pequenina mas antiga imagem do patrono, que outrora se encontrava num cruzeiro que data pelo menos do seculo XVIII e, se localizava entre ao solar do Terreiro.

(Esta foto tem para cima de dez anos, nessa altura havia obras no largo, que hoje esta muito mais aprazivel.)

De quando em vez PARA VARIAR.

E nos meses de Dezembro e Janeiro que eu e a minha sanguinia familia celebra os seus natais, por isso e porque neste ano que termina, nao houve muitas saudaveis razoes para celebrar, e, porque cada vez mais se aproxima o ocaso da vida dos que me deram o ser, que mais me recordam os meus tempos de meninice e os factos com eles relacionados.
Teria eu no maximo uma dezena de anos quando a minha mae me ensinou este satirico "poema" que hoje me lembrei de compartir con os meus leitores.
Contem algumas palavras ja em desuso mas que sao genuinas da nossa Beira. Ao mesmo tempo, e uma singela homenagem a minha querida terra natal, que o socratico (des) governo quer despromover de freguesia.

ERA E NAO ERA.

Era e nao era,
andava na serra.
Com uns bois de bugalha,
e um arado de palha.
Chegou-lhe a noticia,
que o pai era morto,
e a mae por nascer.
Pos os bois as costas,
e deixou o arado a comer.
Seguido a diante
ao passar um valado,
se nao fora o cao
mordia-lhe o cajado.
Um pouco mais a frente,
encontrou uma ovelha
a derrissar numa avelha.
Como tinha muito mel,
e,nao sabendo onde o levar,
de um piolho fez um odre
para ai o transportar.
Sem saber onde o carregar,
de uma pulga fez uma burra,
para tanta carga levar.
Estando quase a chegar,
tinha um sino de cortica
com um badalo de la,
que dava cada badalada
que se ouvia em VILA CHA. ("d'Algodres)


CONTINUACAO DE BOAS FESTAS E UM 2006 REPLETO DOS MELHORES BENS

terça-feira, dezembro 27, 2005

FELIZ E SAUDAVEL 2 0 0 6

Caros amigos leitores; continuando nesta nossa marcha pela vida, e depois de celebrar o NATAL com a familia possivel, mas sempre com o resto em espirito e, ainda dentro da epoca da festa das luzes: CHANUCAH, aproximano-nos de uma outra passagem de um ano que se torna velho ao fim de 365 dias, para um outro que desejamos seja melhor, mas que ja nos contentamos que seja igual, sabendo de antemao que o nao vai ser. No entanto e sempre agradavel recebermos e enviarmos aos amigos, votos que se desejam sinceros de um prospero, feliz e saudavel ano novo.
Por isso do meu cantinho os meus sinceros votos de um 2006 repleto de tudo quanto vos faca felizes.

HAPPY NEW YEAR FELIZ ANO NOVO

quarta-feira, dezembro 21, 2005

HANUKKAH OU CHANUKA

Quando os Sirios dominavam a terra de "Israel" (ha mais de 2000 anos) foi decretada uma lei, em que todos eram obrigados a adorar a estatua do lider "Antiochus", que tinha sido colocada no templo de Jerusalem.
Como de acordo com a lei hebraica, estava proibida a adoracao de estatuas e idolos, um pequeno mas aguerrido grupo de judeus chamados: "Macabeus" revoltou-se e conseguiu expulsar os opressores da cidade.
Comecou entao a limpeza e reconstrucao do templo, que tinha que ser novamente re-dedicado a D-us e acendido o "Menorah" (candelabro de sete bracos), que significa o contracto de D-us com os homens.

Ora so havia azeite para manter acesa a lampada por um dia e, eram necessarios 8 dias para preparar azeite novo, aconteceu que por um milagre o azeite acabou por durar para os necessarios oito dias, ate que o azeite novo ficasse disponivel.
Em homenagem a este facto historico, e que os judeus durante sete noites acendem uma vela nova cada por do sol, ate que ao oitavo o menorah fica completamente aceso.
O primeiro dia do Hanukkah que em Portugal se escreve Chanuka ou festa das luzes, celebra-se ao por do sol do dia 26 de Dezembro, que corresponde ao dia 25 do mes de Kisley do calendario Hebraico que este ano celebra o ano de 5766.
Sera coincidencia ou nao, a celebracao da festa das luzes por volta do solsticio de Inverno e, quando mais tarde os catolicos comecaram a celebrar o Natal do judeu Jesus, a quem chamaram a "Luz do mundo"

E tambem tradicao por parte dos judeus, por esta epoca a confeccao e consumo de alimentos e doces confecionados e fritos em azeite.
Embora sem certezas absolutas, creio que as tradicionais "filhos" fritas em azeite, tao conhecidas na nossa Beira e em Tras-os-Montes, tao populares nesta epoca coincidente com Natal, Sao nada mais que uma tradicao que foi passada para a populacao geral, pelos judeus que habitaram em grande numero nestas regioes antes do seculo XVI, e que depois do edito de expulsao, foram sendo assimilados pela populacao regional.

A todos os possiveis judeus leitores desta entrada: UM FELIZ CHANUKA.

Para todos ou outros umas BOAS FESTAS.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

SENHORA DAS BOAS NOVAS


Parece estranho que um blog que tenta descobrir factos e pessoas de ascendencia Hebraica, possa tantas vezes fazer referencia a simbolos e templos catolicos, embora eu esteja convicto que tenho ascendencia judaica, nao posso ignorar a tradicao das minhas gentes.

Hoje publico uma foto de uma pintura bastante antiga, existente no tecto da igreja da minha aldeia natal, e como estamos nesta epoca, uma virgem com o menino ate vem a proposito.

ENTREMOS

Entremos, apressados friorentos,
Numa casa, numa cave,
No bojo de um navio,
No predio, que amanha for demolido.
Entremos, bem depressa em qualquer parte,
Porque sofremos, porque temos frio,
Pois esta noite chama-se Dezembro.
Entremos dois a dois, somos duzentos,
Duzentos mil, muitos milhoes de nada,
Juntemo-nos uns aos outros, e,
Talvez o fogo nasca.
Talvez seja Natal e nao Dezembro,
Talvez universal a consoada.


Antecipadamente, um santo e feliz Natal para todos , mas principalmente para os meios amigos leitores.

REGIAO DA BEIRA

Em tempos da monarquia a Beira era uma regiao unica, e, durante a ultima parte da dinastia de Braganca, foi esta regiao elevada a categoria de principado, sendo seu titular o filho mais velho do rei, isto so por si prova o quanto era importante esta regiao no todo nacional.

Foi durante as revolucoes liberais, talvez para criar lugares politicos, que se comecou a retalhar esta provincia. Primeiro em tres: Alta, Baixa e Litoral, e, mais tarde porque ainda consideravam, que ainda nao estava retalhada suficientemente, em distritos que foram arbitrariamente demarcados, ficando concelhos de outras regioes incluidos em distritos que pouco ou nada lhe diziam.

Temos entao que ainda hoje passados que foram mais de 150 anos, concelhos como Vila Nova de Foz Coa e ate a Meda, gostariam muito mais de pertencer a Tras-0s-Montes e nao a Guarda; Aguiar da Beira e ate Fornos de Algodres, gostariam de estar incluidos em Viseu; Mortagua gostaria de pertencer a Coimbra, isto so para falar nalguns casos, havendo no entanto muitos outros.

O que eu gostaria e creio que nao serei o unico, era que se (re)cria-se uma grande regiao ou provincia da "Beira", regiao essa desde o litoral a fronteira e, entao sem bairrismos cegos dai partissemos para um desenvolvimento homogeneo e nao unicamente centralizado nas maiores cidades, desenvolvimento esse que tende a ser quase todo, so na faixa litoral.

Quem apoia a grande regiao da BEIRA? E para capital dessa regiao porque nao propor nao uma cidade ja em si desenvolvida, mas antes uma pequena vila a necessitar desse mesmo desenvolvimento. Porque nao Tabua ou Oliveira de Frades, Penedono ou Fornos de Algodres, ou ainda Pampilhosa da Serra ou Aguiar da Beira? Sao so exemplos.

Ou melhor ainda repartir os varios servicos e departamentos pelas varias vilas da regiao, estou convicto que assim se desenvolveria mais igualitariamente toda a nossa Beira, e olhem que a ideia ate nem e original, este concepto ja foi usado noutros paises. Pois nao sera concentrando ainda mais que se combate a desertificacao crescente.

terça-feira, dezembro 13, 2005

PORQUE SOMOS "LOBOS"

LOBOS
Quando crianca sempre pensei que a razao porque a gente da minha terra, era apodada por "Lobos" era pela razao de que estando situada num pequeno planalto rodeado por montes, nesses tempos cobertos de floresta e, ser frequente o ataque dessas feras aos rebanhos, que outrora pastavam no vale do ribeiro de "Vila Cha".
Hoje no entanto estou convencido que a razao era outra bem distinta. Viveram na minha terra pelo menos desde o seculo XVII uns fidalgos de apelido "Pedroso". Ora esta familia tem no seu brazao de armas sete lobos passantes: tres, tres e um.
Esta familia Pedroso no entanto entronca numa outra muito mais antiga e, que aqui vivia a familia: Soveral, que podera ter sido quem fundou a aldeia de Soveral que mais tarde se transformou em Sobral Pichorro.

REGIONALIZACAO DESCENTRALIZACAO E DESENVOLVIMENTO

O tempo tem me sido escaso mas nao quero deixar esquecido este tema, pois como tantas outras trapalhadas deste socratico (des)governo, continuo convencido que sera na verdaveira regionalizacao e nao na extincao de concelhos que estara o futuro de progresso mais uniforme para a nossa Patria (Patria onde ja ouvi isto). Reparem que a nossa vizinha Espanha, comecou a desenvolver-se quando decidiu repartir fundos e responsabilidades pelas varias regioes.
Mas parece que os iluminados ministros creem que e com vias de ligacao rapidissimas aos nuestros hermanos (salvo seja) que esta o progresso geral. Ate parece que o que querem e que tenhamos bons meios para pudermos fujir daqui para fora. Sera que e por isso que as ligacoes a Espanha nao tem portagens?

PELOURINHO DA MATANCA


Esta antiga vila da Matanca, e sede de concelho desde o tempo de D. Afonso III, conserva ainda hoje este antigo simbolo da autonomia municipal, esta situado na praca onde outrora se encontrava o edificio municipal, que depois da extincao e incorporacao no concelho de Fornos de Algodres, (1836) foi por este municipio vendido assim como outras propriedades concelhias.

O monumento e constituido por uma coluna octagonal assente em quatro degraus (dois em parte enterrados) e com remate em capitel de gaiola bastante singular. De acordo com os entendidos data do seculo XVI. Toda a construcao e em granito, pedra que abunda por toda a regiao.

Esta foto tem mais de vinte anos, hoje o monumento e o largo adjacente encontram-se renovavos e muito mais apelativos.

terça-feira, dezembro 06, 2005

PONTE DOS "JUNCAENS"


A ponte da imagem e uma construcao dos meados do seculo XIX, durante o governo de D. Maria II e do ministerio de Costa Cabral, tem cinco arcos e atravessa o rio Mondego junto a Fornos Gare e, a Freguesia de Juncais no concelho de Fornos de Algodres, esta construcao foi no entanto alargada ja em principios do seculo XX.

Foi construida no local onde existiu uma outra romana, que foi dinamitada em 1810 por ordem do general Welington, para atrazar o avanco da terceira invasao franceza.
distando cerca de 500 metros desta ponte, ainda hoje se encontram restos da calcada romana que a esta ponte se dirigia.

Esta via romana que aqui atravessava ramificava em Fornos, da Via Viseu-Celorico e, ainda na decada de 70 do seculo passado, havia um outro troco de calcada pertencente a esta via (hoje soterrado pela avenida 25 de Abril) perto do cemiterio daquela vila, suponho que esta via secundaria se dirigi-se para Linhares.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

SOLAR DOS PEDROSOS


Ja me havia referido a este solar e familia a algum tempo atraz, nessa altura publiquei uma foto em que aparecia a capela em mais destaque. Aquela foto tem cerca de vinte anos.
Esta que agora publico e muito mais recente, e, aparece em muito mais destaque o solar, em embora nao o inclua na totalidade. Sem ter certezas mas pela sobriedade da construcao, creio que datara do seculo XIV, pois ainda se nao aparecem os floriados manuelinos ou barrocos, e, embora esta familia seja fidalga e com brasao proprio, este nunca foi colocado na construcao, o que denota talvez uma certa humildade destes fidalgos, que nunca necessitaram de se ufanar para serem considerados, pois a sua origem e as suas qualidades falavam por eles.
Quanto teriam que aprender com eles os "novos ricos".
Pena as viaturas encobrirem uma parte do mesmo.

terça-feira, novembro 29, 2005

LOPES

Este apelido suponho que tera origem em "lobo" ou "lopo", e ja usado no territorio que mais tarde originou o nosso pais muito antes da fundacao. Embora sendo usado por gente "nobre", tambem foi e, e muito generalizado entre o nosso "povo". Usa-se tambem na nossa nacao a versao castelhana: Lopez (disse castelhana porque na realidade o "espanhol" ( idioma) nao existe e, foi uma invencao recente de "nuestros hermanos" salvo seja).

Tambem a gente de origem Hebraica usou bastante este apelido, tendo-o passado por necessidade obrigacional aos "cristaos novos". nao significando isto que pelo facto de usarmos este apelido, tenhamos sangue judaico, mas podemos te-lo.

Eu tambem tive a dita de herda-lo pela linha materna e, embora hoje pouco o use, pois por simpleza no pais onde presentemente resido, so e usual um nome proprio e o ultimo apelido, neste caso e o Cardoso que herdei por via primogenita paterna desde pelo menos do meu trisavo.

Gosto no entanto da combinacao: Lopes Cardoso, embora em epocas revolucionarias passadas, chegaram a querer relacionar-me com um outro de ma memoria, coisa que eu sempre regeitei, principalmente pela sua triste carreira politica.

Em geito de homenagem a todos os Lopes, vou finalizar com uma quadra que aprendi de minha mae, nos meus tenros anos. (Desculpem-me os puristas da lingua, pela utilizacao de palavras mais vernaculas) usualmente(embora diga isto sem desculpar-me) nao e o tipo de linguagem normalmente por mim usado, mas sao as excepcoes que...........................

Aqui vai:

Eu sou Lopes, cago biropes.
Em tempo de nabos, cago nagalhos.
Em tempo de grelos, cago novelos.
Eu a caga-los, "eles" a come-los.

Este "eles" tambem pode ser "vos" isto sem ofensa.

segunda-feira, novembro 28, 2005

COMARCAS CONCELHOS E FREGUESIAS III

Quero dedicar-me com mais tempo ao tema, mas como neste momento ele (o tempo) e escasso, so queria deixar a consideracao dos possiveis leitores o seguinte:
Nao seria mais utilidade pensar em criar uma grande Regiao das Beiras (ou da Beira), que engloba-se os distritos de: Aveiro, Viseu, Coimbra, Guarda e Castelo Branco, e, ate talvez partes de Leiria, deixando depois que essa regiao se reorganiza-se de acordo com os interesses das populacoes, e, nao ditar-lhe uma re-organizacao congeminada nos gabinetes de Lisboa?
Quando chegara o tempo em que os interessados sao ouvidos?
Nao seria de mais utilidade repartir os servicos por toda a regiao, favorecendo principalmente os centros mais pequenos criando assim trabalhos e desenvolvimento, do que por exemplo concentar os servicos nas cidades ja em si meio/grandes, como Aveiro, Coimbra ou Viseu, que ja por si tem o maior desenvolvimento na nossa Beira?

quarta-feira, novembro 23, 2005

COMARCAS, CONCELHOS E FREGUESIAS II

Quem verificar o mapa do concelho de Fornos de Algodres, chega facilmente a conclusao que o meu (nosso) concelho geograficamente nao esta bem distribuido, e isto tem relacao ao antiquissimo passado historico em que estas "Terras de Algodres, anteriormente a 1836 (ano da reforma administrativa) eram, nao um mas seis concelhos independentes uns dos outros: Algodres com 9 fregusias o mais importante e Matanca, Fornos, Figueiro da Granja, Casal do Monte e Infias cada um com uma so freguesia. Ora quando nessa reforma administrativa o Governo decidiu extinguir cinco destes concelhos, fe-lo contra toda a logica historica, geografica e de importancia, ao centralizar o novo concelho com sede em Fornos que passou a intitular-se "de Algodres". Ficou a partir dessa data a sede concelhia numa ponta do referido e unificado concelho, pois para comodidade dos cidadaos nunca fez muito sentido esta decisao, o facto e que uns poucos anos mais tarde e ainda no seculo XIX foi decidido que as reunioes camararias passariam a realizar-se em Vila Cha por ser a freguesia mais central, nao sei quanto tempo isso aconteceu, mas creio que foi unicamente durante as varias presidencias de Antonio Pedroso, que possuia solar naquela aldeia.

Passados alguns anos quando foi instituida a primeira comarca na vila de Fornos: 18 de Novembro de 1875, foi decidido e bem que a mesma para alem das freguesias do concelho passaria tambem a encorporar as freguesias de: Vila Franca da Serra e Cabra (Ribamondego) do concelho de Gouveia, Antas e Mareco do de Penalva do Castelo e S. Joao da Fresta, Chas de Tavares, Varzea de Tavares e Travanca de Tavares do concelho de Mangualde. E como ainda havia outras freguesias que, de Fornos ficavam muitissimo mais perto em 1879 foram-lhe incorporadas as freguesias de Juncais e Vila Ruiva. Por estas decisoes chegamos a conclusao que os legisladores daquela altura tinham muito mais sentido comum na defeza dos interesses das populacoes que serviam. Esta mesma Comarca foi extinta em 1895, mas devido a varias accoes de protesto foi novamente restaurada em 1898 e assim se manteve ate que em 1926 durante o governo da ditadura foi novamente extinta, tendo sido em 1931 criado um julgado municipal.

Quando em Maio de 1980 foi restaurada a Comarca de Fornos de Algodres ficaram unicamente a pertencer-lhe as freguesias do concelho, nao souberam nessa altura os politicos acautelar os interresses das populacoes pois nao faz nenhum sentido que freguesias tao proximas de Fornos como: Mesquitela, Carrapichana, Vila Cortez da Serra, Vila Franca da Serra, Ribamondego, Varzea de Tavares, S. Joao da Fresta, Antas e Matela, tenham que deslocar-se muitissimo mais longe quando poderiam deslocar-se a Fornos de Algodres ali tao perto.

Quanto a Mesquitela e Carrapichana e porque o concelho e comarca de Celorico nao e muito grande nem populoso ainda se poderia por alguma objecao, mas quanto as outras que pertencem as Comarcas de Gouveia e Mangualde, para alem de ser benefico para as populacoes pela proximidade, ate ajudava a que essas comarcas fossem mais eficientes pois passariam a ter menos processos e accoes a desenvolver. E ate quanto a Celorico da Beira a perca destas freguesias poderia e deveria ser colmatada com freguesias do concelho da Guarda o maior do Distrito o que por sua vez aliviaria tambem os seus tribunais.

Mas isto seria uma decisao para alguem, em quem, o bom senso estivesse acima dos interesses de alguns e dos talvez lobis, onde o que conta sao os votos eleitorais e nao o interesse das povo que dizem servir. Nem que para isso tenham que sacrificar as terras que desde a muito o tem sido.

sexta-feira, novembro 18, 2005

EXTINCAO DE COMARCAS, CONCELHOS E FREGUESIAS I

Quando iniciei este blog, propus-me escrever sobre a historia, focando uma area nunca por outros explorada: A presenca Hebraica nas nossas "Terras de Algodres" (concelho de Fornos de Algodres), no entanto de quando em vez apetece-me referir outros temas embora sempre envolvendo a minha (nossa) regiao.

Muito se tem falado ultimamente sobre as extincoes de comarcas, concelhos e freguesias, compreende-se por uma questao de economia, que este tema venha e va ser posto em cima da mesa politica, no entanto eu queria deixar algumas consideracoes: Nao consigo compreender como se vai extinguir por exemplo a comarca de Fornos de Algodres, passados que sao, cerca de meia duzia de anos da construcao de um novo edificio do tribunal judicial desta comarca, sera que os senhores politicos nao souberam fazer contas nessa altura e, ver que nao era rentavel este tribunal nessa altura tao recente? Ou sera que o que e importante e o dinheiro e, a comodidade dos cidadaos ja nao conta para nada. Sera que o salario da meia duzia de funcionarios, (pois o juiz tanto quanto sei ja e comum a outra comarca) e que vai resolver o nosso problema orcamental?

Em meu ver nao e centralizando ainda mais, o ja muito centralizado estado e justica que se vai fazer com que as nossas terras, andem para a frente, mas sim ajudando as nossas gentes com projectos geradores de riqueza e criacao de trabalhos que fara com que, como ja noutras entradas afirmei, que a nova auto estrada, traga gente e investidores e, nao sirva para que mais rapidamente os meus (nossos) conterraneos, abandonem a terra que os viu nascer.

Deste humilde blog, quero tentar pelo menos contribuir para que se nao cometam, estes atropelos a nossa cidadania e a nossa terra, peco a todos que me ajudem nesta luta que considero justa.
BEM HAJAM DESDE JA.

segunda-feira, novembro 14, 2005

CAPELA DO SOLAR DE "PEDROSO"


Esta capela pertence ao solar da familia Pedroso, da freguesia de Vila Cha de Algodres. Tera sido construido onde existiu uma "villae" agricola romana, e, nela viveu em 1687: Jose Inacio de Almeida Soveral que casou com D. Mariana Joaquina Pedroso da Costa e Magalhaes, foram eles quem formou a familia Pedroso nesta aldeia. Um dos mais importantes fidalgos desta casa foi: Antonio Pedroso de Sousa Coutinho Castelo Branco, cavaleiro da Torre e Espada e um dos melhores presidentes do novel concelho de Fornos de Algodres, em meados do seculo XIX.

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE II

Continuando a falar sobre Vila Ruiva, vou cometer um sacrilegio (ou nao), ao sugerir contra todas as abalizadas, mas nao comprovadas opinioes, o seguinte: A necropole de sepulturas escavadas na rocha da Tapada do Anjo, (ou Arcanjo Gabriel) nao e uma necropole crista, mas sim um cemiterio judaico!

Dir-me-ao os entendidos que e de cristaos, e, a prova e a capela do Arcanjo Gabriel se encontrar junto dela, isso em meu ver nao prova nada, e, nem a orientao canonica o comprova, pois isso nao se verifica na maioria delas. A capela foi construida no seculo xx, e, as supostas ruinas de outra mais antiga, nunca dataram do seculo VII, alturas de quando datam as sepulturas mais antigas, de acordo com os mesmos especialistas.

Esta minha suposicao baseia-se nos seguintes factos:

I - Este tipo de sepultura nao era regra de enterramento na alta idade media, e, era um tipo de inumacao excepcional pelo dispendioso da sua construcao.

II - Nesses tempos para alem dos senhores feudais ou da classe eclesiastica, so os judeus teriam meios para costear este tipo de sepultura. O resto da populacao era sepultado na terra, por ser mais facil e barato.

III - Os senhores e os clerigos eram nesses tempos enterrados dentro e junto as igrejas e conventos, (vejamos o caso da necropole de Algodres a necropole crista mais antiga no nosso concelho).

IV - Tendo no sitio existido uma capela, mais antiga do que a actual o que parece comprovado, ela tera sido construida muito mais tarde, creio que no seculo xvi, com o intuito de sacralizar o lugar, algo bem comum por parte da igreja catolica por essas alturas de "purificacao" da fe.

V - Para finalizar quero informar os menos conhecedores, que o Arcanjo Gabriel era tambem venerado pelos judeus, e, ate pelos mussulmanos, aparecendo varias vezes mencionado tanto no antigo testamento, como no corao. Pelo que quando a igreja catolica construiu a antiga capela, se tera baseado nalguma lenda ou tradicao existente entre o povo, e, que tera sido herdada da gente hebraica.

A comprovar-se esta minha teoria, teriamos pois que em Vila Ruiva da Serra tera vivido uma prospera e numerosa comunidade judaica durante a alta idade media.

sábado, novembro 05, 2005

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE I

Tal como o seu nome parece indicar, Vila Ruiva deve ter herdado o nome de alguma "villae" agricola fundada pelos romanos, que tera sido pertenca de algum "Ruy" ou "Ruyvo" e dai o seu nome. Esta e tambem a opiniao do monsenhor Pinheiro Marques na monografia: "Terras de Algodres". O complemento "da Serra" e para a identificar em relacao a povoacoes com nome semelhante, no entanto nem faz muito sentido, porque na realidade ainda nao se encontra localizada na serra da Estrela, mas sim no planalto entre o rio Mondego e a vertente norte da mesma serra.

Do tempo da romanizacao ainda hoje existem varios testemunhos e vestigios; o referido monsenhor alude a existencia de uma pedra ou marco que ja em 1938 se encontrava partido, no qual se encontravam gravados simbolos ou letras, seria provavelmente um marco miliario e pertenceria, a uma estrada que aqui passava vindo da Ponte Nova, ou da dos "Juncaens" ambas pontes romanas destruidas aquando da terceira invasao francesa. Esta estrada dirigia-se para a serra provavelmente para Linhares e atravessava a necropole de sepulturas escavadas na rocha, hoje encontra-se soterrada. Junto desta via encontrava-se uma lapide romana, afirmava "Pinheiro Marques"; de acordo com informacoes populares. Presentemente nao sei onde se encontram esses vestigios, pelo que se alguem souber gostaria de puder contar com essa informacao.

Esta freguesia esteve desde a sua fundacao, incluida no termo do concelho de Linhares, a quem D. Afonso Henriques concedeu foral em 1169. No ano de 1855 com a extincao deste concelho, passou para o de Gouveia, de onde foi desmenbrada por decreto de 13 de Janeiro de 1898 passando nessa altura para o actual concelho de Fornos de Algodres. Pouco mais sei sobre a historia desta terra, para alem do facto de que durante a terceira invasao francesa, (1810-1811) a sua passagem cometeram estas tropas toda a sorte de crimes, roubos e destruicoes, entre a quais a da tribuna do altar mor da igreja de Na. Sa. da Graca.

Como e correntemente sabido, os judeus existem na peninsula Iberica desde pelo menos do tempo das feitorias dos gregos e cartagineses, o que nao e de admirar pois sempre foram um povo de mercadores, no entanto foi com os romanos que mais se espalharam por todo o imperio, principalmente depois da destruicao de Jerusalem no ano 70 da nossa era. Nao tenho para alem de suposicoes, nenhuns dados concrectos sobre a presenca judaica nesta freguesia, tampouco tenho conhecimento de nenhuma casa marcada com simbolos de cristaos-novos (caso algum leitor tenha conhecimento gostaria de ter o seu comentario). Mas tendo havido uma prospera e vigorosa judiaria em Linhares, nao seria de estranhar que tivesse havido judeus nas freguesias pertencentes e por conseguinte tambem em Vila Ruiva, pois pela sua localizacao junto a uma via romana, faria todo o sentido a sua existencia

quinta-feira, novembro 03, 2005

QUINTAS das "PARADEIRAS" e do "PARREXIL"

Quando nas primeiras entradas neste blog, me referi a estas quintas, a primeira mais tarde chamada do "Mateus" e a segunda do "Metildes", passou-me ao largo o facto das mesmas estarem a data da fundacao, (entre 1525 e 1657) dentro da area do dizimatorio da igreja de Algodres, para alem do facto de se encontrarem dentro do termo do antigo couto e concelho de Figueiro da Granja.

As demarcacoes civis e religiosas quase nunca sao concordantes, pelo facto da divisao religiosa ser muitissimo mais antiga, neste caso e resultante de que quando em 1170, foi demarcado o couto por D.Afonso Henriques, em favor do mosteiro cistercience de Tarouca, a area dele ja estava repartida, pela igreja de Sao Miguel de Fornos e pela de Sancta Maria de Algodres.

Quando mais tarde, creio que no seculo XIII ou XIV se fundou a igreja de Figueiro com uma area da paroquia de Fornos, continuou a respeitar-se a linha do dizimatorio com Algodres, que passava na zona da "Campaboa",(ainda hoje marcada nuns penedos) e so a partir do seculo XVII e que a area da igreja de Na. Sa. de Figueiro passou a incluir todo o termo do seu concelho.

Isto vem confirmar mais ainda, que estas quintas foram fundadas, por gente que queria isular-se em relacao a igreja correspondente, neste caso seria a de Algodres e nao a de Figueiro como eu supunha inicialmente, portanto ainda mais distante e de mais dificil acesso.

Ao mesmo tempo ai encontro a explicacao pela qual a minha familia Almeida (Pratas) ainda hoje tem parentes em Algodres. Quanto ao ramo Metildes/Cardoso que mais tarde passou a residir em Vila Cha de Algodres estava aparentada com gente de Cortico de Algodres, tanto uma como outra, freguesias pertencentes aquele antiquissimo concelho e ambas sufraganeas da igreja de Santa Maria de Algodres.

Para terminar quero tambem lembrar que na freguesia de Cortico ainda no seculo XVIII foi investigada a familia Magalhaes, pela duvida de que teria sangue judio, o que por si so prova que ai viveu gente de fe Hebraica.

CORRECAO

Induzi em erro qualquer amigo que deseje consultar o blog do Francisco Jose Viegas, aqui vai o endereco correcto: http://origendasespecies.blogspot.com/ podem clicar nos meus links em ORIGENS. Desculpe Francisco.

terça-feira, novembro 01, 2005

BEM HAJAM

O meu sincero e bem beirao bem haja, ao ORIGENS DAS ESPECIES: http://origensdasespecies.blogspot.com, pela gentileza da divulgacao deste humilde blog. bem hajam.

domingo, outubro 30, 2005

CASAL DO MONTE - PELOURINHO


Este pelourinho da antiga vila de Casal do Monte, e um monumento que data do seculo XVI, e contituido por uma plataforma constituida por varios degraus, em que se encontra implantada uma coluna octagonal, rematada por pinaculo encimado por uma esfera armilar: simbolo do rei D. Manuel I,

TRADICOES JUDAICAS III

Continuando a falar de habitos alimentares, que as nossas gentes teram herdado dos judeus, vou hoje referi as ervas azedas.

Dentre essas ervas que o povo hebreu consumia, para lhes fazer lembrar as amarguras da escravatura no Egipto, podemos incluir os saborosos mas amargos grelos de nabo, muito populares entre o nosso povo, sempre regados com o saudavel azeite regional. (e que bom e o azeite da regiao de Algodres)

Estara tambem nesse grupo de tradicoes, o consumo muito em voga nas nossas terras do saboroso mas agrio esperregado, este confecionado nao so a partir de folhas de nabo, mas tambem de feijao verde, favas tenras e outros vegetais. Na sua preparacao usa-se tambem o azeite e o alho, alem do vinagre de vinho para lhe intruduzir a acidez.

sexta-feira, outubro 28, 2005

TRADICOES HEBRAICAS II

Na alimentacao do povo das "Terras de Algodres", tambem ainda hoje permanecem muitos habitos alimentares judaicos, que foram adoptados pelo resto da populacao. Neles estao incluidos o consumo da galinha e do capao: (galo capado), do cabrito e do borrego que com o bacalhau, ainda hoje contituem os principais pratos regionais.

Entre os cristaos no entanto, creio que principalmente a partir do seculo XV, generalizou-se o consumo do porco e seus derivados, o que entre os judeus era proibido.

A razao fundamental desta proibicao, que data dos templos biblicos, esta muito mais relacionada com a saude, do que com a religiao, Na realidade dentre os muitos regulamentos judaicos, estao os preceitos higienicos e alimentares, nos quais esta norma se inclui.

Ora sabendo hoje nos, que os suinos ainda com muito mais saude veterinaria, continuam a ser grandes propagadores de pragas e doencas, muito mais o seriam nesses tempos de antanho, pelo que essa proibicao faria todo o sentido.

SOVERAL OU SOBRAL (PICHORRO)

Quando em 5 de Outubro passado escrevi sobre o Sobral Pichorro, referi que o mais antigo documento conhecido, referindo esta aldeia, era o cadastro da populacao do reino de D. Joao III, do ano de 1525, embora tenha referido tambem que era muito mais antiga.

Entretanto tive conhecimento que esta terra ja aparece referencia, nas inquiricoes de D. Afonso III, no ano de 1258, nessa altura designava-se: "Soveral" e era uma aldeia pertencente a igreja de "Sancta Maria d'Alguodres", Estava portanto certo quanto a antiguidade.

Esta era a razao pelo qual ainda no seculo XVIII, cada morador desta freguesia, tinha que vir em voto e que oferecer um frango, ao vigario da matriz de Algodres, em dia de Santa Maria (Maior), no dia 15 de Agosto.

E de crer portanto que a capela de Santo Cristo, que e o mais antigo templo desta freguesia, date pelo menos do seculo XIII, embora como ja referi, tenha adicoes na frontaria doutras epocas, principalmente da epoca jesuitica, O seu Portal e romanico e o seu interior com aboboda com cruzaria ogival de tres naves tambem.

quarta-feira, outubro 26, 2005

SOBRAL PICHORRO


Capela de Santo Cristo

CAPELA DE SANTO CRISTO - SOBRAL PICHORRO

Esta e a fotografia da Capela de Santo Cristo, ou Senhora do Pe da Cruz,e monumento nacional e fica na freguesia de Sobral Pichorro, concelho de Fornos de Algodres. Como noutra entrada escrevi e uma capela Romano-Gotica que deve datar do seculo XIII ou XIV.

TRADICOES HEBRAICAS I

Dentre os varios habitos e tradicoes, que grande parte das nossas gentes herdou dos judeus, esta a forma em como eram (e ainda sao nalguns casos) varridas as nossas casas. Pois nunca se varria de dentro para fora, mas sim da porta para dentro, nao sei qual e o significado, mas um senhor que eu conheci na minha juventude dizia: " E para nao varer para fora o dinheiro". Esse lixo era entao varrido para as lareiras, que na nossa regiao eram ao mesmo nivel do resto do piso, sendo entao nelas queimado.

segunda-feira, outubro 24, 2005

INFIAS - IGREJA DE SAO PEDRO


A igreja de S. Pedro de Infias, data pelo menos do seculo XIV, no entanto este templo e muito mais recente e da construcao original pouco ou nada resta. A fachada que aparece na foto datara do seculo XVI no entanto a torre sineira ou campanario geminado e dos meados do seculo XIX, pois o anterior era de um so sino.
No lado oposto ao campanio encontra-se uma pedra com uma pequena lapide romana, dedicada ao deus "MERCURIO"

INFIAS - COLUNA ROMANA


Esta base de coluna romana, foi encontrada no centro da antiga vila de Infias, muito perto da praca onde se ergue o pelourinho. Estava no subsolo de um patio de uma casa, que embora tenha uma data do seculo XIX eu suponho ser muito mais antiga.

sexta-feira, outubro 21, 2005

ENFIAENS, INFIDELAS, OU INFIAS


A hoje freguesia de Infias foi uma vila e concelho, desde data incerta mas pelo menos desde principios do seculo XVI e ate 1836, data desde a qual foi incorporada no concelho de Fornos de Algodres. E uma muito antiga povoacao habitada pelo menos desde o seculo XIII, pois ja em 1248 ha referencias a: "Goncalvvs Menendi", "Petrus Pelagii" e "Diago Martini" seus habitantes, no entanto por essas alturas nao era ainda concelho, desconhecendo-se se estaria incluida no termo de Algodres ou no de Fornos. O que se sabe e que nunca possuiu carta de foral e sempre se regeu pelos forais do concelho de Algodres.

O povoamento nesta freguesia datara pelo menos do Calcolitico, datando desse tempo embora ainda nao escavados, vestigios no monte da Raza. Relativamente perto tambem embora ja no termo de Algodres, existem vestigios arqueologicos ja de certa forma documentados da epoca do Neolitico, na quinta da Assentada.

Foi no entanto durante a Romanizacao e depois do abandono do castro da Raza, ja na planura que tera tido bastante desenvolvimento, havendo quem afirme que aqui existiu uma "civitas" ou "villae" romana. Tem sido encontrados (embora sem nunca se ter feito nenhuma escavacao a serio) varios vestigios: moedas de varios imperadores, partes e capiteis de colunas, pedras de moer, lapides, etc.. Tambem e certo aqui se terem cruzado ou bifurcado duas estradas romanas: uma que de Viseu se dirigia a Egitanea por "Linhares" e outra da referida cidade que ia a Merida por "Trancoso". Ha tambem vestigios desse tempo nas Porviegas e na quinta do Godinho.

A darmos credito ao padre Luiz de Lemos (LEMOS edm s/d) a origem do toponimo "Infias" derivaria da palavra latina: Infidelas que com o tempo tera perdido as consoantes "d" dando Infielas e o "l" resultando: Infieas que depois tera evoluido para Infias, e muito provavel que tenha razao, mas certo e que em 1525 no cadastro da populacao do reino mandado realizar por D. Joao III era referida como vila e concelho com o nome de "Emfiaens". Ambas as palavras tem o mesmo significado, e designam um grupo de infieis ou pessoas nao convertidas. Esta designacao ter-lhe-a sido dada pelos cristaos e estes infieis tanto poderiam ter sido mussulnamos, judeus ou qualquer outra religiao que nao a crista.

O mesmo padre Luiz afirma tambem que a igreja de S. Pedro data da epoca romana e sera dos primeiros tempos do cristianismo, afirmando que era costume nesses tempos dedicar a S. Pedro as igrejas situadas junto cruzamentos de estradas romanas. Pode muito bem ser que tenha razao, no entanto o documento mais antigo conhecido em que aparece mencionada esta igreja data de 1320, em que no reinado de D. Dinis foi taxada para a guerra com os mouros em 10 libras. Dai somos levados a concluir que ja existia antes dessa data, mas nao creio que date da epoca romana. Havendo na fachada desta igreja uma pequena lapide votiva do deus Mercurio, ha quem afirme tambem que este templo foi erguido no sitio em que tera havido outro aquele deus romano, nao existem nenhumas evidencias que o confirmem e o mais provavel e que essa lapide tera existido junto a estrada romana (Mercurio era o patrono dos viajantes) e para construcao da igreja tera sido aproveitada, no entanto nunca se podera descartar totalmente a primeira hipotese.

Pelas evidencias apontadas as origens do toponimo "Infias" que sera pos-romano, tem a ver com o facto desta povocao originalmente ter sido formada por gente que nao professava a fe crista. Se eram judeus ou mouros ou de outra religiao nao sabemos, mas devido ao facto de se situar junto a estradas romanas bem poderiam ter sido judeus (eles ja existem na peninsula Iberica desde pelo menos o seculo VI) e como eles eram maioritaramente artezaos, mercadores e tax colectores, faria todo o sentido que residissem junto a boas vias de comunicacao. De outras religioes nao existem nenhumas evidencias e mussulmanos tambem nao creio que fossem pela simples razao de que esta regiao era muito mais uma regiao de fronteira e nao se conhecem nenhuns vestigios de povoamento por eles organizado.

segunda-feira, outubro 17, 2005

OS LATOEIROS


A latoaria e o fabrico de objectos de uso geralmente domestico em metal de folha de Flandres ou chapa zincada, pelo nosso povo identificada por "lata". Estes artigos: Cantaros, regadores, baldes ou outros mais pequenos como canecas, medidas, almotolias, funis, etc; embora ja hoje destronados devido ao uso generalizado do plastico, foi ate a relativamente pouco tempo uma actividade com bastantes artezaos no nosso concelho, principalmente na vila de Fornos e nas freguesias de Juncais, Figueiro da Granja e creio que tambem na Matanca.

Ligada tambem a pastoricia e ao fabrico do queijo "da Serra" tambem se confecionavam objectos ligados a essas areas como: a candeia do pastor, a ferrada para a ordenha e transporte do leite, a francela (outrora feita em madeira) e os acinchos para a confeccao dos queijos.

Nao havia feira nenhuma nesta regiao, em que nao se negociassem estes metalicos artigos e ainda hoje muitas vezes so para artezanato e decoracao ainda se podem comprar nas poucas feiras que ainde se realizam.

Em tempos ainda nao muito recuados para alem das oficinas de latoeiro, normalmente no res-do-chao das suas residencias (uso muito comum entre os judeus) ainda em especificos dias se deslocavam as outras aldeias, onde nao havia este tipo de artezaos, para junto dos necessitados repararem alguns objectos que entretanto se tinham rompido, normalmente: cantaros, regadores e baldes. Eu ainda em crianca presenciei este tipo de consertos e cenas como esta ficaram gravadas na minha memoria, sendo para os meus olhos de crianca como um milagre a forma como os latoeiros derretiam a solda nessas reparacoes. (reciclagenm em accao ja nesses tempos)

Para alem dos artigos referidos eram tambem os latoeiros, que noutras localidades eram identificados por "picheleiros" quem fabricava tambem as caleiras e algeroses para as habitacoes e bem assim os "canecos" das noras, muito usadas ainda em tempos nao muito distantes, mas que as ultimas 2 ou 3 geracoes ja nao conheceram, mas que antes do advento das bombas com motores a gasolina e gasoleo e ultimamente electricas, eram juntamente com os "picancos" e "cabacos" (outro uso de materiais em "lata") a maneira como se extraia dos pocos e nascentes a agua que outrora tornava as nossas leiras e quintas uns jardins, em que se produzia praticamente tudo para alimentacao nas nossas gentes.

Pelo que referi estes artezaos eram essenciais ao bom funcionamento das varias areas em que baseava a vida e a economia destas areas rurais nas quais se integravam as nossas "Terras de Algodres". Nao sei desde quando se comecou a desenvolver esta arte da latoria, mas e muito antiga. Tampouco conheco quem a tera introduzido na nossa regiao, o que sei e que foi praticada pelos judeus e nem me admiraria que os nossos antigos "latoeiros", fossem descendentes de "cristaos-novos" ou deles tivessem aprendido esta profissao.

Da mesma maneira que o fiz com os "tamanqueiros" quero neste apontamento prestar a minha homenagem aos "latoeiros" pelo seu contributo ao antigo progresso da nossa terra e saudar ou poucos que ainda existem, pela sua perseveranca pois nestes tempos poucos ou nenhums lhe seguiram as pisadas, e creiam que e pena.

quarta-feira, outubro 12, 2005

YOM KIPPUR (DIA DO PERDAO)

Celebra hoje dia 12 de outubro de 2005 (5766) toda a comunidade judaica o Yom Kippur (dia em que os judeus pedem perdao pelas ofensas a D-us durante o ano passado), embora os meus poucos leitores possam nao ser judeus, nao quiz deixar passar esta data sem a assinalar neste blog. Creio que nada perdemos em aprender algo. SHALLON

segunda-feira, outubro 10, 2005

BEM HAJA

O amigo Eduardo teve a gentileza de divulgar: JUDEUS EM TERRAS DE ALGODRES, no seu blog: BLOGUICES http://edynet.blogspot.com o meu sincero e bem beirao BEM HAJA.

domingo, outubro 09, 2005

SOBRAL PICHORRO & ARCOS ROMANO-GOTICOS II

Creio que teram sido pertenca de judeus as casas situadas na rua principal de Sobral Pichorro, cuja entrada para o patio comum e franqueada por um arco gotico medieval, que por si so denota antiguidade. Na frontaria do referido arco foi colocado um escudo em que se encontra esculpida em relevo uma cruz latina.

Estas casas e arco suponho datarem da baixa idade media, (talvez do seculo XIII ou XIV) pela sua rusticidade creio que nao tenham sido de nenhuma familia nobre, alem disso nao conheco nenhuma familia cuja pedra de armas seja semelhante a este escudo com uma cruz. Alem disso comtemporanea a construcao destas casas, nao era ainda usual entre a nobreza as pedras de armas, pois esse habito so passou a ser comum a partir do seculo XVI.

Casas com este tipo de entrada tem todo o tipo de casas de artezao ou de comerciante e dao aspecto de que teriam sido de pessoa com alguma riqueza. Embora sem o afirmar nao creio que este brasao seja comtemporaneo da construcao do arco e devera ter ai sido colocado mais tarde, suponho que pelos fins do seculo XVI. Foi por essas alturas que os cristaos-novos (antigos judeus) comecaram a ser perseguidos. Assim e sendo os proprietarios dessas casas pessoas importantes e ricas, poderam ufanar-se da sua nova fe com esta pedra de armas, que por si so nao deixaria a menor duvida nem ao mais exigente inquisidor.

Sabe-se tambem que entre outras esta foi uma das maneiras usadas pelos antigos judeus para iludir os padres e seus informadores, depois de terem sido obrigados pelas circunstancias a professar uma fe que nao era a deles, embora muitos somente o fizeram exteriormente.

Uma outra razao que tera originado a construcao deste arco de entrada, tera sido o facto de que antes do edito de expulsao, os judeus embora nao perseguidos e muitas vezes ate protejidos pelos nossos reis, tinham o dever de encerrar as judiarias desde o por ao nascer do sol. Ora sendo esta povoacao pequena nao haveria aqui nenhuma judiaria ou comuna, mas unicamente algumas poucas familias que professavam a fe de Moises. Residiriam entao nestas casas e este arco de entrada era a forma de se isularem do resto da populacao, sendo a porta nele colocada encerrada ao por do sol para cumprir as leis vigentes.

Devido a todas estas evidencias eu concluo que estas construcoes sao anteriores ao seculo XV e teram sido habitadas por judeus.

quarta-feira, outubro 05, 2005

SOBRAL PICHORRO & ARCOS ROMANO_GOTICOS I

O Sobral Pichorro e uma antiga povoacao, situada ao fundo da encosta da serra de Maceira e relativamente perto, da margem norte da ribeira da Cortegada ou Muxagata. Foi outrora uma freguesia incorporada ao concelho de Algodres abrangendo tambem a povoacao da Mata, por essas alturas identificada por: "Quinta da Mata Gata". Com a extincao do antiquissimo concelho de Algodres (1836) passou com todas as freguesias deste para o novo municipio de Fornos de Algodres.

A sua toponimia que outrora era Soveral, com o passar dos anos e a evolucao do nosso idioma passou para: Soberal e mais tarde para Sobral. Ha quem afirme que o toponimo deriva da palavra: Sobreiral (zona de sobreiros) podera ser verdade pois nas redondezas ainda hoje existem algumas dessas especies arboreas, que sao arvores endemicas da nossa regiao, provavelmente muitas mais haveriam aquando da fundacao desta terra. No entanto tambem poderia ter herdado o nome de algum individuo de apelido: Soveral que ca tenha residido ou ate a tenha fundado (existem documentados varios Soverais desde tempos antigos na regiao pelo menos em Figueiro da Granja e Vila Cha...)

Segundo uma tradicao popular o complemento: "Pichorro", vem-lhe do facto de que quando por aqui passou a terceira invasao francesa (1810) para que estes nada de mal fizessem a populacao, os fidalgos desta terra "Beltroes" receberam-nos muito bem sendo logo secundados pelo resto dos habitantes, que lhes providenciaram alimentos e vinho, este foi servido em jarras e canecas de barro; conhecidas na nossa regiao por "pichorros", foi entao que o comandante das tropas tera decretado que por esse motivo e porque o vinho era de boa qualidade a povoacao passase a ser conhecida por: Sobral Pichorro. Desconheco se existe algo de verdade nesta versao ou se e unicamente uma lenda, no entanto certo e que por aqui passaram os franceses durante a terceira invasao. Ha tambem quem afirme que a principal razao pelo qual esta aldeia foi de certa maneira poupada foi pelo facto de na capela do solar dos fidalgos existir uma imgem de S. Luiz Beltrao; santo de grande devocao dos franceses.

Embora havendo vestigios e ruinas de ocupacao humana relativamente perto, pelo menos desde o fim do calcolitico: (Fraga da Pena, Trepa....) a origem desta freguesia devera ter sido de algumas "villae" agricolas romanas localizadas junto ao fertil vale da Ribeira da Muxagata, havendo ate quem afirme que tanto o Sobral como a Mata se encontram localizadas sobre ruinas romanas (MARQUES, 1938). Ao redor destas "villae" se teram desenvolvido as povoacoes e provavelmente em fins da idade media com a instituicao paroquial teram constituido uma freguesia. O documento mais antigo conhecido em que se faz referencia ao Sobral, e o cadastro da populacao do reino de D.Joao III de 1525, no entanto esta terra e muito mais antiga.

Datando desses tempos antigos datara certamente (seculos XIII ou XIV) a capela de Santo Cristo ou Senhora do-Pe-da-Cruz, (monumento nacional desde 1944) e uma capela romano-gotica conservando o seu interior relativamente inalterado, ai se encontra um tumulo com estatua jacente que sera provavelmente do fundador da capela, embora seja de reduzidas dimensoes e constituida por tres naves separadas por arcos romanicos e com aboboda com cruzaria ogival, a frontaria com portal romanico original tem no entanto ja adicoes de outras eras, principalmente da epoca jesuitica, encontra-se bem conservada e e digna de ser visitada.

terça-feira, outubro 04, 2005

NOVO PEDIDO

Ja algum tempo solicitei a inclusao deste blog: http://judeusterrasdealgodres.blogspot.com, nos links do site do municipio de Fornos de Algodres. Nao o fiz com o intuito de com isso conseguir mais leitores, mas fundamentalmente com a finalidade de poder contar com a colaboracao e os comentarios dos meus conterraneos, para a investigacao e divulgacao de uma parte da nossa historia, que continua ignorada pela maioria senao a totalidade das nossas gentes.

Sei que nao sou dono da verdade, por isso essa colaboracao muito poderia ajudar a desvendar alguns factos e com isso poder, corroborar ou desmentir as minhas ideias ou afirmacoes. Infelizmente ate ao dia de hoje ainda me nao deram a honra de puder constar nessa lista de links, assim como tambem a nao deram ao Blog sobre Algodres: http://algodres.blogs.sapo.pt, do meu amigo Nuno Soares que muito tem contribuido para a divulgacao do nosso municipio.

Continuo convicto de que seria de utilidade para todos os "Fornenses" interessados pela historia do seu concelho, tambem o seria para todos os amigos das "nossas terras" a maior divulgacao destes dois sites. Reitero novamente o meu pedido, desde ja um sincero bem hajam.

ANO NOVO DE 5766

Celebra-se a partir do por do sol 3 de Outubro ( primeiro dia do mes Tishri do calendario Hebraico) o ano novo judaico, este ano e pelos judeus conhecido por: 5766. Este calendario de segundo a tradicao e historia deste povo, comecou no ano em que Moises entregou aos judeus as tabuas da lei que ele trouxe do Monte Sinai. De acordo com o Antigo Testamento (Torah Judaica) estes mandamentos foram gravados pelo proprio Deus com raios de fogo.

Este primeiro dia do ano novo judaico e conhecido pelo nome de: Rosh Hashana.
Por tudo isto e porque de acordo com os especialistas 50% da populacao portuguesa tem sangue judaico, um bom ano novo para todos!!!

quinta-feira, setembro 29, 2005

CABRAIS E MENANOS II


Ja me referi na entrada anterior ao contributo que os Cabrais de Fornos de Algodres, deram a governacao e ao ensino em Portugal e ao nosso concelho, alem destas areas tambem muito contribuiram para a confeccao e reformulacao de leis, de certa forma bastante avancadas para a epoca, facto que por si so revela inteligencia e sentido de progresso e nao de retrocesso. Quanto a mim foi esta a principal razao pelo qual foram tao atacados politicamente, porque as classes ja em si favorecidas nunca querem perder os beneficios e benesses. (Ate parece que estavamos em 2005!!! como a historia se repete.)

Vou-me agora referir a outra familia de Fornos que deixou o nome ligado a justica e a medicina, mas e tambem fundamentalmente a cultura no nosso pais e que muito engrandeceu as nossas "Terras" os: Menanos; familia tambem numerosa e descendente de proprietarios agricolas medios para a altura, estou a referir-me aos fins do seculo XIX e principios do passado, portanto umas geracoes depois dos Cabrais. Tal como naqueles o pai desta geracao de Menanos, o facto de ter tido 14 filhos nao o impediu de lhes dar uma boa educacao e muitos deles foram formados na universidade de Coimbra. Primeiro Jose e Paulo Costa e mais tarde ja em principios do seculo XX: Horacio, Antonio e Francisco Menano. Todos eles contribuiram na area cultural para a divulgacao da chamado "Fado de Coimbra", tanto em composicao como em poesia e interpertacao.

Todos eles foram notaveis e muito contribuiram para que a sua geracao ficasse conhecido por: "geracao de oiro" mas foi na composicao com o Dr. Franciso Menano e na interpertacao com Dr. Antonio Menano que ficaram mais celebres. O Dr.Antonio Menano com a sua voz extraordinaria conseguiu superar todos os outros e ate o saudoso Hilario. Mas nao foi so na interpertacao que o Dr. Menano contruibuiu para a da Cancao de Coimbra, foi fundamentalmente na divulgacao e nao so neste tipo de musica mas do fado em geral, pois foi quem primeiro gravou o fado portugues, primeiramente em Paris e depois em Lisboa e Madrid, tendo ele so gravado mais discos que todos os cantores da sua geracao.

No entanto a vila de Fornos ja anos antes tinha legado um outro seu filho para a: "Cancao de Coimbra" este sim contemporaneo de Antonio Hilario, foi um reconhecido guitarrista chamou-se: Jaime Augusto Ferreira de Abreu e foi estudante em Coimbra onde se formou em 1888. assim temos que as nossas "Terras" sempre estiveram no primeiro plano desde os inicios deste tipo de musica na sua divulgacao, ainda mais recentemente e embora sem a projecao dos Menanos, tem havido varios interpertes daqui naturais da musica de Coimbra.

A familia Menano e por isto e muito mais um bom exemplo de como a educacao e a cultura sempre faz progredir e avancar, pois quando as pessoas abrem horisontes e inovam mantendo a mente sempre aberta, podem como diz uma maxima judaica: "Apender com todos".
Nao sei se nesta familia havera sangue judaico, mas nao me custaria a acreditar que sim, no entanto deixo as suas geracoes mais novas esta investigacao.
Alem destes poderia referir-me tambem as seguintes geracoes desta familia e ao seu contributo para o concelho e regiao mas como e comtemporanea da minha, poderia exagerar ou nao lhe fazer inteira justica, pelo que deixo essa tarefa para os vindouros.

terça-feira, setembro 27, 2005

CABRAIS E MENANOS, I


Aparentemente nao ha muito em comum entre estas duas familias naturais da vila de Fornos, mas se analizar-mos melhor podemos encontrar algumas similiaridades. Os Cabrais embora tivessem ainda sangue da familia onde entronca o descobridor do Brasil, (os mais antigos conhecidos nesta vila foram os fundadores da Mesericordia em fins do seculo XVI) eram descendentes de um ramo desta familia com solar em Cerorico o Bebado (Celorico da Beira) e era uma das mais importantes familias da Beira; Senhores de Belmonte e Azurara (Mangualde) e alcaides-mores de varias cidades e vilas.

No entanto foi ja no seculo XIX que uns descendentes daqueles Cabrais, atingiram prestigio a nivel nacional e enobreceram ainda mais esta antiga vila; Estamos a falar do Conde de Cabral: Jose Bernardo da Silva Cabral e do Conde e mais tarde Marquez de Tomar: Antonio Bernardo da Costa Cabral, um e outro ministros em varios governos durante o reinado de D. Maria II, tendo deixado o seu nome ligado a historia do nosso pais.

Estes Cabrais eram no entanto filhos de um proprietario medio, que embora pertencendo ao concelho da Rainha era um fidaldo de pequena estirpe e nao muito rico, (para por o filho Antonio a estudar em Coimbra teve de alienar uma propriedade que tinha em Sobral Pichorro neste concelho) mas fez questao em dar uma boa educacao aos varios filhos e muitos deles tiveram-na universitaria, tendo com isso enobrecido a familia e a sua terra, contribuindo com isso tambem para a renovacao e desenvolvimento da nossa nacao, se mais nao fizeram foi porque a inveja que e a arma dos imcompetentes e as continuas revolucoes dessa altura nao o permitiram.

Como referi embora descendentes da pequena nobreza, de certa forma nunca pelos grandes nobres aceites ao mesmo pe de igualdade, querendo talvez com isto significar que talvez dentro dessa familia poderam ter existido algumas ligacoes matrimoniais , que nao estariam dentro das regras instituidas por essas linhagens antigas, (casamento com pessoas de raca judaica ou com pessoas mecanicas "artezaos ou comerciantes).

Foram no entanto gente ilustre pelo cultura e instrucao e ai e que eu posso encontrar o paralelo, pois como sabemos entre o povo de ascendencia judaica sempre existiu e ainda hoje existe o afam da educacao e cultura, nao quero com isto afirmar que estes Cabrais tenham sangue judaico mas poderiam te-lo tido, pois durante o liberalismo ja tinham sido abolidas todas essas antigas regras e varias pessoas comprovadamente de sangue judaico foram elevadas a nobreza.

Os Cabrais de Fornos de Algodres sempre se bateram pela educacao e cultura do nosso povo e foi o Antonio Bernardo da Costa Cabral quando ministro do reino, que instituiu varios estabelecimentos de ensino em varias cidades e vilas e criou o ensino primario em Portugal, que infelizmente devido as benditas revolucoes so bastante mais tarde foi implementado. Alem disso a sua morte legou o seu solar de Fornos ao municipio, para ai ser criado um estabelecimento de ensino, que a partir de 1948 foi o Externato Marquez de Tomar, escola essa que formou uma grande parte da gente do nosso concelho.

quinta-feira, setembro 22, 2005

OS TAMANQUEIROS

De entre todas as profissoes manuais que se desnvolveram na vila de Fornos, a que maior renome alcancou ate meados do seculo passado foi a "tamancaria": arte de confecionar tamancos e tamancas. Para os mais novos e que se nao lembrem deste tipo de calcado passo a explicar: Tamancos era um tipo de botas normalmente para homem, feitas de cabedal ao natural e que eram depois encebadas, ou tambem nalguns casos pintado de preto ou outras cores e as Tamancas era um tipo de chinelas femeninas, normalmente pintadas e decoradas havendo-as tambem em cabedal ao natural, uns o outros com a particularidade de terem a sola feita de madeira, usualmente de "amieiro"(madeira facilmente moldavel). Para alem de ser uma materia prima em abundancia (os amieiros sao uma especie arborea bastante frequente nas zonas ribeirinhas na nossa regiao de Algodres) usava-se tambem pelo facto de ser um material quente e seco e portanto muito proprio, principalmente para os meses de inverno, muito mais severo nesses tempos de antanho.

Fornos de Algodres era conhecida nesses tempos por: "Terra dos tamanqueiros" devido ao facto de terem chegado a existir varios fabricantes nao so na vila mas tambem na vizinha Infias, havendo alguns que davam emprego a bastantes artezaos. Os tamancos de Fornos eram comercializados em todas as feiras da Beira e ainda em Tras-os-Montes (por coincidencia ou nao as zonas mais frias do nosso pais) e eram um tipo de calcado muito popular entre os pastores das bem conhecidas ovelhas "bordaleiras" e "merinas mondegueiras" que poduzem o leite com que se confeciona, o nosso bem conhecido "Queijo da Serra da Estrela" reconhecido em todo o lado como um dos melhores do mundo. Hoje este tipo de calcado embora ainda se fabrique em pequena escala para artezanato foi destronado com o advento da burracha e mais tarde do plastico, muito raramente se ve alguem a usar tamancos.

A origem do fabrico dos tamancos perde-se na memoria dos tempos, mas nao seria de estranhar que tivesse sido introduzida na nossa regiao, pelos seguidores da fe de Moises, como sabemos os judeus nunca foi um povo que se dedica-se muito a agricultura eram; nas classes mais ricas: "fisicos"(medicos) homens de leis e advogados, comerciantes e banqueiros, nas classes mais pobres entre outras coisas eram: alfaiates, sapateiros, carpinteiros, latoeiros, cesteiros etc... Por isso nao me custa nada a crer que tivessem sido eles quem introduziu este tipo de calcado nas nossas terras. Mas tivessem sido eles ou nao, quem o fez so mostrou que tinha sentido apurado para o que era um bom industrial e comerciante, pois usavam materias primas locais e de acordo com as necessidades da regiao.

Quanto deveriam aprender deles estas novas geracoes, porque em vez inovar usando os nossos productos, unicamente so sabem copiar outras regioes e ou seus vizinhos. Pois nem seria preciso ter uma vista muito apurada para se verem possibilidades de desenvolvimento usando as nossas materias primas.

quarta-feira, setembro 21, 2005

PARA LER E PENSAR

Quando comecei a consultar o blog: "Rua da Judiaria" logo me chamou a atencao uma frase que se encontra no titulo desse mesmo site (perdoe-me Nuno pela inculsao) diz assim: "Quem e sabio? Aquele que aprende com todos" ("Ben Zoma", Pirkei Avot 4:1")
gostei muito desta maxima, porque de certa forma sempre esteve de acordo com a minha filosofia de vida; sempre e dentro das minhas limitacoes tentei aprender com todos, mas nem por sombras me considero nem perto dos sabios, isto nao e falsa modestia podem crer.

segunda-feira, setembro 19, 2005

BEM HAJA

O meu sincero e bem beirao BEM HAJA ao: http://idanhense.blogspot.com/ pela inclusao deste humilde blog naquele site. Para todos quantos desejem conhecer mais sobre a Idanha-a-Velha e um bom ponto de partida. Para os que nao sabem foi la que se originou a hoje diocese da Guarda, que engloba presentemente duas das nossas paroquias: Juncais e Vila Ruiva da Serra.

sábado, setembro 17, 2005

HOSPITAL DE FORNOS

A antiga vila de Fornos ja tem hospital pelo menos desde 1573, pois de ai em diante aparece documentado no livro das visitacoes da diocese de Viseu, era governado por um provedor e tinha casa propria e varias propriedades. Quando em 1666 foi instituida a Mesericordia nesta vila, apoderou-se esta dentre outras coisas dos bens de referido hospital e passou a partir de entao a administra-lo.

O facto de ter hospital por si so persupoe, que desde esses tempos ja nesta vila havia pelo menos um medico que entao era denominado "fisico". Sabemos pela nossa historia que a grande maioria senao a totalidade dos medicos nessas alturas eram judeus. Por isso e ainda sem o afirmar categoricamente, suponho tambem que o "fisico" de Fornos seria judeu, era ele quem entre outras coisas atendia o hospital desta vila. Deveria ser natural da vila, pois com os fracos meios de comunicacao que havia na altura, nao seria nada facil que aqui se desloca-se de outra localidade.

Alem do hospital havia tambem nesta vila desde tempos imemoriais uma farmacia ou "botica" como era identificada nesses tempos de antanho. A tradicao dessa mesma "botica" ainda hoje predura e a rua onde ela se localizava; na parte mais antiga de Fornos de Algodres, ainda hoje se chama "Rua da Botica".

Sabe-se que foram os judeus quem desde sempre, mais se dedicou a medicina, farmacia e outras profissoes liberais, bem assim ao comercio e industrias artezanais.
De uma maneira geral sempre foram um povo instruido pois dentro das suas comunidades existe a maxima que diz: "Toda a cidade sem educacao e cultura sera uma cidade morta". Que pena terem sido expulsos e proibidos de executar as suas profissoes, tendo con estas leis os nossos governantes a partir do seculo XVI originado o atrazo que de certa forma ainda hoje se faz sentir.

Como seriam hoje as "Nossas Terras" se nao se tivessem expulso, perseguido e queimado nos autos-de-fe os Cripto-judeus portugueses.

sexta-feira, setembro 16, 2005

CASAL DO MONTE


De acordo com o foral de D. Sancho I, concedido ao concelho de Penaverde, ja nessa altura (principio do seculo XIII) o Casal do Monte era uma herdade da Ordem Hospitalaria, esta mesma ordem devera ter-lhe concedido o primeiro foral anos mais tarde para promover o seu povoamento. Ha quem afirme que foi o prior do convento de Moreira em 1235 quem lhe concedeu o primeiro foral, no entanto creio que devera haver alguma confusao, porque essa carta a que se referem foi concedida a Queiriz que era ja nesse tempo a paroquia que englobava o Casal do Monte, no entanto sendo este propriedade dos Hospitalarios nunca esteve subordinado aquele convento.

No seculo XVI o rei D. Manuel I ter-lhe-a concedido foral novo em data hoje incerta, mas o seu pelourinho estilo manuelino a essa conclusao nos leva. Embora vila e concelho nunca constituiu paroquia e sempre esteve dentro da circunscricao paroquial de Queiriz. Desde o seculo XIII pertencia ao termo do julgado de Penaverde, mas ja em 1724 pertencia ao julgado de Trancoso.

Quando das reformas administrativas de 1836, entre os muitos concelhos extintos esteve tambem Casal do Monte, sendo conjuntamente com a freguesia de Queiriz englobado no Concelho de Fornos de Algodres, e como ja pertencia aquela paroquia foi a partir dessa data incluido naquela freguesia, tendo perdido entao toda a sua autonomia civil.

Depois desta pequena intruducao, quero referir-me as evidencias da presenca judaica neste pequeno mas muito antigo concelho, nao sabemos quanto numerosa tera sido a comunidade Hebraica, mas sabe-se que existiu e ainda hoje ha varios vestigios da sua presenca, em varias casas que foram mais tarde de "cristaos-novos". Situando-se relativamente perto de Trancoso que teve uma das mais numerosas e importantes comunidades judaicas da nossa Beira, nao e de estranhar a sua presenca deste povo no Casal do Monte.

O facto de nunca desde a epoca medieval, ter constituido sede paroquial, sabendo-se que outras povoacoes muito menos numerosas o foram, (ex. Vila Cha, 1525 =15 fogos) pode levar-nos a conclusao de que a maioria dos habitantes desta antiga vila nao era crista, seriam de religiao judaica, pelo que nao haveria incentivo para que esta vila tivesse constituido a sua propria paroquia, e os cristaos aqui residentes eram assistidos na igreja de Sta. Agueda em Queiriz.

terça-feira, setembro 13, 2005

BEM HAJA

Um bem beirao BEM HAJA ao meu amigo Nuno Guerreiro, pela inclusao do meu humilde blog, na seccao: Leituras do seu blog http://ruadajudiaria.com. Todos os que como eu gostem dos temas judaicos, gostaram decerto da sua leitura, desde aqui convido-os a consulta-lo.

segunda-feira, setembro 12, 2005

QUINTA DO PARREXIL OU DO METILDES

Esta pequena quinta do Parrexil que creio nunca tera tido mais do que um fogo, foi a semelhanca das pequenas aldeias do antigo concelho de Figueiro da Granja, fundada entre os anos de 1527 e 1657. Tendo sido fundada depois do edito de expulsao dos judeus, suponho que tal como as restantes tambem esta quinta tera sido fundada por "cristaos-novos" (estranho uma era a quinta das Paradeiras e esta do Parrexil: Parece que as gentes que as fundaram vinham a fugir de algo e so ai pararam).

Esta quinta ainda ha relativamente pouco tempo era habitada e era conhecida por "quinta do Real", outrora para alem do nome original foi designada pelo menos desde o seculo XIX por quinta do Metildes; por ai ter vivido um individuo de apelido "Metildes"

Ora o um dos meus bisavos paternos chamou-se: Jose Metildes Cardoso e viveu nessa quinta antes de se ter mudado para Vila Cha de Algodres; freguesia que lhe fica relativamente perto. Creio que o apelido "Metildes" o tera herdado de sua mae, portanto tera sido o seu avo (meu quarto avo) que tera originado que esta quinta tenha mudado o nome de Perrexil para Metildes. Esta nome e bastante invulgar e creio que se tera perdido com o meu bisavo, pois sendo o apelido varonil Cardoso foi esse que continuou e continuara por essa via na nossa familia.

Existem varios indicios de que a nossa familia tem ascendencia judaica, ja me referi as minhas suspeitas pelo ramo dos: Almeida (Pratas) e Espirito Santo, (dois apelidos comprovadamente usados pelos cripto-judeus) hoje vou-me referir ao "Cardoso", mas antes lembrar que os judeus casavam entre si, infelizmente tenho que deixar de parte o apelido "Metildes " pois dele pouco sei.

O Nome Cardoso de acordo com os genealogistas, e ja conhecido em Portugal desde o seculo XII e tera tido origem na quinta do Cardoso que se situava nos arredores de Lamego. Este nome foi usado desde essas alturas por varias familias nobres e espalhou-se por todo o reino tendo-se generalizado. Foi e continua tambem a ser usado por familias que provavelmente nao tem qualquer ligacao com esses ramos "nobres" dos Cardosos. Presentemente esta espalhado em todos os paises de expressao portuguesa e castelhana , havendo tambem uma verzao italiana deste apelido.

Sabe-se tambem que foi um apelido bastante usado pelos judeus portugueses nos seculos XV e seguintes: Ainda hoje existe em Nova York uma familia de nome "Cardoso" de judeus ilustres e bem conhecida em toda a America; esta como outras descendente dos judeus portugueses que foram os primeiros que se instalaram nesta cidade quando ainda era "Nova Amesterdam" e era uma colonia holandesa. Alem destes houve tambem um outro judeu que foi juiz do supremo tribunal dos Estados Unidos de nome : Benjamim de Souza Cardoso e ainda a relativamente pouco tempo era rabi da sinagoga Portuguesa-Espanhola de nova York um senhor de apelido Cardoso.

Alem destes factos gostaria de lembrar que o meu bisavo era alfaiate; uma das profissoes desempenhadas pelos judeus, profissao que fez questao de passar aos seus
filhos sendo o meu avo o unico que nao seguiu essa profissao para grande desgosto daquele. Concluo portanto que os: Almeida Pratas e Espirito Santo, se teram ligado aos: Metildes Cardoso devido ao facto de entre eles haver sangue hebraico.
Alem disto muito gostaria de saber qual tera sido a razao que originou que o meu avo que chegou a ser um catolico muito praticante, deixou a partir de meados do seculo passado de praticar a religiao catolica. Sera que descobriu as suas origens judaicas? Infelizmente hoje nao o poderei saber pois faleceu sem eu o ter averiguado.

sábado, setembro 10, 2005

INDICIOS HEBRAICOS


Quando a cerca de trinta anos tive acesso, ha ate hoje primeira monografia das terras de Algodres (nessa altura nao era facil pois estava esgotada, (esta cuja fotografia aparece foi reeditada em 1988) tive o prazer de como grande amante de historia, me inteirar de muitos factos ate entao eram por mim desconhecidos acerca da historia das nossas terras.

Embora hoje admitindo que com bastantes lacunas e omissoes, tenho que reconhecer que para a epoca (1938) foi uma obra notavel e sem ela hoje muito da nossa historia colectiva estaria perdida, no entanto e como ja referi noutra entrada o monsenhor Pinheiro Marques, ou por ignorancia ou por outra qualquer razao, praticamente nao se refere a presenca judaica no nosso concelho de Fornos de Algodres, que se sabe existiu e ate tera sido bastante notavel.

Aquando da minha primeira leitura deste trabalho nao me movia como hoje a investigacao acerca deste tema, por isso foi ja muito mais tarde quando e por falta de outros meios de consulta, comecei a descobrir pequenas referencias que de todo estavam relacionadas com os judeus.

Hoje vou fazer referencias a mais algumas destas pistas: "Na seccao das curiosisades do concelho (pag.36 e 37) e referido que: "numa casa do sr. Tiago de Almeida (este nome nao soa a judaico?) no Outeiro em Figeiro da Granja existem gravadas sobre as torcas de duas portas as letras IHS que e o emblema do Santissimo Sacramento," talvez o monsenhor nao soubesse na altura mas hoje sabe-se que este emblema muito em uso no seculo XVI foi tambem usado pelos cristaos-novos para provar a sua nova fe.
Alem destes refere tambem que "sobre uma porta de loja das Casas Grandes (provavel antigo solar dos Osorios)esta tambem muito bem gravada uma cruz cujo desenho e invulgar" ao mesmo tempo refere que "nao sei o que significa este emblema. A meu ver aquela pedra com a cruz, esteve em outro tempo noutro lugar de significado religioso. e foi para ali colocada em qualquer reconstrucao"

Talvez o monsenhor nao soubesse realmente, mas hoje sabe-se com bastante certeza que essas pedras foram mandadas gravar pelos antigos judeus convertidos. Pela sua afirmacao de clerigo e culto vem com a sua hipotese informar-nos que nao era comum aos cristaos fazerem este tipo de gravacoes sobre as portas de suas casas. Hoje e mais que sabida a razao porque a gente de sangue hebraico teve que o fazer: Tinham que convencer por todos os meios (e este era um deles) os padres da inquisicao de que eram tanto ou mais cristaos que outros, para desta forma fujirem as fogueiras dos autos-de-fe.

sexta-feira, setembro 09, 2005

AS FORCADAS A MATANCA E OS JUDEUS

Hoje vou-me referir a uma pequena mas histórica aldeia, incluída no termo do antigo concelho e hoje freguesia da Matança: "FORCADAS". Esta aldeia que em meados do século passado começaram a identificar como a aldeia mais portuguesa do concelho de Fornos de Algodres, era ate a relativamente pouco tempo o exemplo mais legitimo da construção portuguesa na nossa região, infelizmente hoje já se vêem exemplos e reconstrucoes que em nada a dignificam historicamente.

Pelo "cadastro da população do reino de 1527" vemos que nessa altura no concelho da Matança, para alem da própria vila com 57 fogos, só existiam: a "quyntam de valbom" a "quyntam do outeiro do porquo" e a "quyntam...." cada uma delas com 1 fogo cada, não sei em que sitio se localizavam, nem tampouco se alguma destas quintas terá sido a origem das aldeias das Forcadas ou da Fonte Fria.

O que se sabe e que, tivessem tido origem nalguma destas quintas ou não, certo e que estas aldeias foram fundadas já depois dessa data. Falando unicamente das Forcadas, e estranho que assim como as pequenas aldeias do antigo concelho de Figueiró da Granja, também esta foi fundada pela mesma altura, e bastante elucidativo e basta ler as minhas entradas sobre aquelas aldeias para se encontrar paralelo.


Posso afirmar sem receio de ser desmentido que senão foi fundada por judeus, pelo menos ai viveram, pois ainda hoje se podem ver as cruzes gravadas nas fachadas de algumas casas das Forcadas, sinonimo de "cristãos-novos".
E também de bastante interesse lembrar aos mais esquecidos, que nesta aldeia não se conhece desde os tempos mais remotos, nenhum oratório, capela, cruzeiro, alminhas ou qualquer outro símbolo cristão. Existe um pequeno oratorio mas esse sera ja do seculo XVIII e, a capela de Nossa Senhora de Fatima, foi construida na decada de setenta do seculo XX. Tambem recentemente foram colocados pequenos cruzeiros por la espalhados!


E bom lembrar que tanto as Forcadas como a Matança, foram terras em que o artesanato e as profissões manuais, sempre se desenvolveram bastante, o facto de terem boas ligacoes viárias desde o tempo dos romanos para isso deve ter contribuído.
Há quem afirme ate que o topónimo "Forcadas" vira do facto de se situar junto a uma forca viária.

Alem dos factos referidos existe (ou existia) no sitio da Corujeira uma casa muito antiga que tinha sobre a porta gravadas as seguintes letras: IHVS que significa Jesus e sobre uma janela: IIIVS XPO que quer dizer Jesus Cristo, por si só identificara uma casa de judeu, que aquando do edito de expulsão se terá convertido em "cristão-novo". Novamente reforço a ideia de que só estes precisavam de provar que eram cristãos. Esta casa pela sua grandiosidade terá sido de um judeu abastado.