quinta-feira, dezembro 29, 2005

FONTE DE SANTO ANTONIO


Foi no ano de 1868 e, quando era presidente da camara de Fornos, o meu ilustre conterraneo: Antonio Pedroso de Sousa Magalhaes Castelo Branco, que em Vila Cha foi construida esta fonte, provavelmente foi baptizada de: "Santo Antonio" em homenagem ao promotor.
E constituida por um frontespicio composto por duas pilastras onde assenta um frontao curvo encimado por uma cruz latina ladeada por dois corucheus, no timpano para alem da cartela com a data da fundacao, tem um pequeno nicho que alberga uma pequenina mas antiga imagem do patrono, que outrora se encontrava num cruzeiro que data pelo menos do seculo XVIII e, se localizava entre ao solar do Terreiro.

(Esta foto tem para cima de dez anos, nessa altura havia obras no largo, que hoje esta muito mais aprazivel.)

De quando em vez PARA VARIAR.

E nos meses de Dezembro e Janeiro que eu e a minha sanguinia familia celebra os seus natais, por isso e porque neste ano que termina, nao houve muitas saudaveis razoes para celebrar, e, porque cada vez mais se aproxima o ocaso da vida dos que me deram o ser, que mais me recordam os meus tempos de meninice e os factos com eles relacionados.
Teria eu no maximo uma dezena de anos quando a minha mae me ensinou este satirico "poema" que hoje me lembrei de compartir con os meus leitores.
Contem algumas palavras ja em desuso mas que sao genuinas da nossa Beira. Ao mesmo tempo, e uma singela homenagem a minha querida terra natal, que o socratico (des) governo quer despromover de freguesia.

ERA E NAO ERA.

Era e nao era,
andava na serra.
Com uns bois de bugalha,
e um arado de palha.
Chegou-lhe a noticia,
que o pai era morto,
e a mae por nascer.
Pos os bois as costas,
e deixou o arado a comer.
Seguido a diante
ao passar um valado,
se nao fora o cao
mordia-lhe o cajado.
Um pouco mais a frente,
encontrou uma ovelha
a derrissar numa avelha.
Como tinha muito mel,
e,nao sabendo onde o levar,
de um piolho fez um odre
para ai o transportar.
Sem saber onde o carregar,
de uma pulga fez uma burra,
para tanta carga levar.
Estando quase a chegar,
tinha um sino de cortica
com um badalo de la,
que dava cada badalada
que se ouvia em VILA CHA. ("d'Algodres)


CONTINUACAO DE BOAS FESTAS E UM 2006 REPLETO DOS MELHORES BENS

terça-feira, dezembro 27, 2005

FELIZ E SAUDAVEL 2 0 0 6

Caros amigos leitores; continuando nesta nossa marcha pela vida, e depois de celebrar o NATAL com a familia possivel, mas sempre com o resto em espirito e, ainda dentro da epoca da festa das luzes: CHANUCAH, aproximano-nos de uma outra passagem de um ano que se torna velho ao fim de 365 dias, para um outro que desejamos seja melhor, mas que ja nos contentamos que seja igual, sabendo de antemao que o nao vai ser. No entanto e sempre agradavel recebermos e enviarmos aos amigos, votos que se desejam sinceros de um prospero, feliz e saudavel ano novo.
Por isso do meu cantinho os meus sinceros votos de um 2006 repleto de tudo quanto vos faca felizes.

HAPPY NEW YEAR FELIZ ANO NOVO

quarta-feira, dezembro 21, 2005

HANUKKAH OU CHANUKA

Quando os Sirios dominavam a terra de "Israel" (ha mais de 2000 anos) foi decretada uma lei, em que todos eram obrigados a adorar a estatua do lider "Antiochus", que tinha sido colocada no templo de Jerusalem.
Como de acordo com a lei hebraica, estava proibida a adoracao de estatuas e idolos, um pequeno mas aguerrido grupo de judeus chamados: "Macabeus" revoltou-se e conseguiu expulsar os opressores da cidade.
Comecou entao a limpeza e reconstrucao do templo, que tinha que ser novamente re-dedicado a D-us e acendido o "Menorah" (candelabro de sete bracos), que significa o contracto de D-us com os homens.

Ora so havia azeite para manter acesa a lampada por um dia e, eram necessarios 8 dias para preparar azeite novo, aconteceu que por um milagre o azeite acabou por durar para os necessarios oito dias, ate que o azeite novo ficasse disponivel.
Em homenagem a este facto historico, e que os judeus durante sete noites acendem uma vela nova cada por do sol, ate que ao oitavo o menorah fica completamente aceso.
O primeiro dia do Hanukkah que em Portugal se escreve Chanuka ou festa das luzes, celebra-se ao por do sol do dia 26 de Dezembro, que corresponde ao dia 25 do mes de Kisley do calendario Hebraico que este ano celebra o ano de 5766.
Sera coincidencia ou nao, a celebracao da festa das luzes por volta do solsticio de Inverno e, quando mais tarde os catolicos comecaram a celebrar o Natal do judeu Jesus, a quem chamaram a "Luz do mundo"

E tambem tradicao por parte dos judeus, por esta epoca a confeccao e consumo de alimentos e doces confecionados e fritos em azeite.
Embora sem certezas absolutas, creio que as tradicionais "filhos" fritas em azeite, tao conhecidas na nossa Beira e em Tras-os-Montes, tao populares nesta epoca coincidente com Natal, Sao nada mais que uma tradicao que foi passada para a populacao geral, pelos judeus que habitaram em grande numero nestas regioes antes do seculo XVI, e que depois do edito de expulsao, foram sendo assimilados pela populacao regional.

A todos os possiveis judeus leitores desta entrada: UM FELIZ CHANUKA.

Para todos ou outros umas BOAS FESTAS.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

SENHORA DAS BOAS NOVAS


Parece estranho que um blog que tenta descobrir factos e pessoas de ascendencia Hebraica, possa tantas vezes fazer referencia a simbolos e templos catolicos, embora eu esteja convicto que tenho ascendencia judaica, nao posso ignorar a tradicao das minhas gentes.

Hoje publico uma foto de uma pintura bastante antiga, existente no tecto da igreja da minha aldeia natal, e como estamos nesta epoca, uma virgem com o menino ate vem a proposito.

ENTREMOS

Entremos, apressados friorentos,
Numa casa, numa cave,
No bojo de um navio,
No predio, que amanha for demolido.
Entremos, bem depressa em qualquer parte,
Porque sofremos, porque temos frio,
Pois esta noite chama-se Dezembro.
Entremos dois a dois, somos duzentos,
Duzentos mil, muitos milhoes de nada,
Juntemo-nos uns aos outros, e,
Talvez o fogo nasca.
Talvez seja Natal e nao Dezembro,
Talvez universal a consoada.


Antecipadamente, um santo e feliz Natal para todos , mas principalmente para os meios amigos leitores.

REGIAO DA BEIRA

Em tempos da monarquia a Beira era uma regiao unica, e, durante a ultima parte da dinastia de Braganca, foi esta regiao elevada a categoria de principado, sendo seu titular o filho mais velho do rei, isto so por si prova o quanto era importante esta regiao no todo nacional.

Foi durante as revolucoes liberais, talvez para criar lugares politicos, que se comecou a retalhar esta provincia. Primeiro em tres: Alta, Baixa e Litoral, e, mais tarde porque ainda consideravam, que ainda nao estava retalhada suficientemente, em distritos que foram arbitrariamente demarcados, ficando concelhos de outras regioes incluidos em distritos que pouco ou nada lhe diziam.

Temos entao que ainda hoje passados que foram mais de 150 anos, concelhos como Vila Nova de Foz Coa e ate a Meda, gostariam muito mais de pertencer a Tras-0s-Montes e nao a Guarda; Aguiar da Beira e ate Fornos de Algodres, gostariam de estar incluidos em Viseu; Mortagua gostaria de pertencer a Coimbra, isto so para falar nalguns casos, havendo no entanto muitos outros.

O que eu gostaria e creio que nao serei o unico, era que se (re)cria-se uma grande regiao ou provincia da "Beira", regiao essa desde o litoral a fronteira e, entao sem bairrismos cegos dai partissemos para um desenvolvimento homogeneo e nao unicamente centralizado nas maiores cidades, desenvolvimento esse que tende a ser quase todo, so na faixa litoral.

Quem apoia a grande regiao da BEIRA? E para capital dessa regiao porque nao propor nao uma cidade ja em si desenvolvida, mas antes uma pequena vila a necessitar desse mesmo desenvolvimento. Porque nao Tabua ou Oliveira de Frades, Penedono ou Fornos de Algodres, ou ainda Pampilhosa da Serra ou Aguiar da Beira? Sao so exemplos.

Ou melhor ainda repartir os varios servicos e departamentos pelas varias vilas da regiao, estou convicto que assim se desenvolveria mais igualitariamente toda a nossa Beira, e olhem que a ideia ate nem e original, este concepto ja foi usado noutros paises. Pois nao sera concentrando ainda mais que se combate a desertificacao crescente.

terça-feira, dezembro 13, 2005

PORQUE SOMOS "LOBOS"

LOBOS
Quando crianca sempre pensei que a razao porque a gente da minha terra, era apodada por "Lobos" era pela razao de que estando situada num pequeno planalto rodeado por montes, nesses tempos cobertos de floresta e, ser frequente o ataque dessas feras aos rebanhos, que outrora pastavam no vale do ribeiro de "Vila Cha".
Hoje no entanto estou convencido que a razao era outra bem distinta. Viveram na minha terra pelo menos desde o seculo XVII uns fidalgos de apelido "Pedroso". Ora esta familia tem no seu brazao de armas sete lobos passantes: tres, tres e um.
Esta familia Pedroso no entanto entronca numa outra muito mais antiga e, que aqui vivia a familia: Soveral, que podera ter sido quem fundou a aldeia de Soveral que mais tarde se transformou em Sobral Pichorro.

REGIONALIZACAO DESCENTRALIZACAO E DESENVOLVIMENTO

O tempo tem me sido escaso mas nao quero deixar esquecido este tema, pois como tantas outras trapalhadas deste socratico (des)governo, continuo convencido que sera na verdaveira regionalizacao e nao na extincao de concelhos que estara o futuro de progresso mais uniforme para a nossa Patria (Patria onde ja ouvi isto). Reparem que a nossa vizinha Espanha, comecou a desenvolver-se quando decidiu repartir fundos e responsabilidades pelas varias regioes.
Mas parece que os iluminados ministros creem que e com vias de ligacao rapidissimas aos nuestros hermanos (salvo seja) que esta o progresso geral. Ate parece que o que querem e que tenhamos bons meios para pudermos fujir daqui para fora. Sera que e por isso que as ligacoes a Espanha nao tem portagens?

PELOURINHO DA MATANCA


Esta antiga vila da Matanca, e sede de concelho desde o tempo de D. Afonso III, conserva ainda hoje este antigo simbolo da autonomia municipal, esta situado na praca onde outrora se encontrava o edificio municipal, que depois da extincao e incorporacao no concelho de Fornos de Algodres, (1836) foi por este municipio vendido assim como outras propriedades concelhias.

O monumento e constituido por uma coluna octagonal assente em quatro degraus (dois em parte enterrados) e com remate em capitel de gaiola bastante singular. De acordo com os entendidos data do seculo XVI. Toda a construcao e em granito, pedra que abunda por toda a regiao.

Esta foto tem mais de vinte anos, hoje o monumento e o largo adjacente encontram-se renovavos e muito mais apelativos.

terça-feira, dezembro 06, 2005

PONTE DOS "JUNCAENS"


A ponte da imagem e uma construcao dos meados do seculo XIX, durante o governo de D. Maria II e do ministerio de Costa Cabral, tem cinco arcos e atravessa o rio Mondego junto a Fornos Gare e, a Freguesia de Juncais no concelho de Fornos de Algodres, esta construcao foi no entanto alargada ja em principios do seculo XX.

Foi construida no local onde existiu uma outra romana, que foi dinamitada em 1810 por ordem do general Welington, para atrazar o avanco da terceira invasao franceza.
distando cerca de 500 metros desta ponte, ainda hoje se encontram restos da calcada romana que a esta ponte se dirigia.

Esta via romana que aqui atravessava ramificava em Fornos, da Via Viseu-Celorico e, ainda na decada de 70 do seculo passado, havia um outro troco de calcada pertencente a esta via (hoje soterrado pela avenida 25 de Abril) perto do cemiterio daquela vila, suponho que esta via secundaria se dirigi-se para Linhares.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

SOLAR DOS PEDROSOS


Ja me havia referido a este solar e familia a algum tempo atraz, nessa altura publiquei uma foto em que aparecia a capela em mais destaque. Aquela foto tem cerca de vinte anos.
Esta que agora publico e muito mais recente, e, aparece em muito mais destaque o solar, em embora nao o inclua na totalidade. Sem ter certezas mas pela sobriedade da construcao, creio que datara do seculo XIV, pois ainda se nao aparecem os floriados manuelinos ou barrocos, e, embora esta familia seja fidalga e com brasao proprio, este nunca foi colocado na construcao, o que denota talvez uma certa humildade destes fidalgos, que nunca necessitaram de se ufanar para serem considerados, pois a sua origem e as suas qualidades falavam por eles.
Quanto teriam que aprender com eles os "novos ricos".
Pena as viaturas encobrirem uma parte do mesmo.

terça-feira, novembro 29, 2005

LOPES

Este apelido suponho que tera origem em "lobo" ou "lopo", e ja usado no territorio que mais tarde originou o nosso pais muito antes da fundacao. Embora sendo usado por gente "nobre", tambem foi e, e muito generalizado entre o nosso "povo". Usa-se tambem na nossa nacao a versao castelhana: Lopez (disse castelhana porque na realidade o "espanhol" ( idioma) nao existe e, foi uma invencao recente de "nuestros hermanos" salvo seja).

Tambem a gente de origem Hebraica usou bastante este apelido, tendo-o passado por necessidade obrigacional aos "cristaos novos". nao significando isto que pelo facto de usarmos este apelido, tenhamos sangue judaico, mas podemos te-lo.

Eu tambem tive a dita de herda-lo pela linha materna e, embora hoje pouco o use, pois por simpleza no pais onde presentemente resido, so e usual um nome proprio e o ultimo apelido, neste caso e o Cardoso que herdei por via primogenita paterna desde pelo menos do meu trisavo.

Gosto no entanto da combinacao: Lopes Cardoso, embora em epocas revolucionarias passadas, chegaram a querer relacionar-me com um outro de ma memoria, coisa que eu sempre regeitei, principalmente pela sua triste carreira politica.

Em geito de homenagem a todos os Lopes, vou finalizar com uma quadra que aprendi de minha mae, nos meus tenros anos. (Desculpem-me os puristas da lingua, pela utilizacao de palavras mais vernaculas) usualmente(embora diga isto sem desculpar-me) nao e o tipo de linguagem normalmente por mim usado, mas sao as excepcoes que...........................

Aqui vai:

Eu sou Lopes, cago biropes.
Em tempo de nabos, cago nagalhos.
Em tempo de grelos, cago novelos.
Eu a caga-los, "eles" a come-los.

Este "eles" tambem pode ser "vos" isto sem ofensa.

segunda-feira, novembro 28, 2005

COMARCAS CONCELHOS E FREGUESIAS III

Quero dedicar-me com mais tempo ao tema, mas como neste momento ele (o tempo) e escasso, so queria deixar a consideracao dos possiveis leitores o seguinte:
Nao seria mais utilidade pensar em criar uma grande Regiao das Beiras (ou da Beira), que engloba-se os distritos de: Aveiro, Viseu, Coimbra, Guarda e Castelo Branco, e, ate talvez partes de Leiria, deixando depois que essa regiao se reorganiza-se de acordo com os interesses das populacoes, e, nao ditar-lhe uma re-organizacao congeminada nos gabinetes de Lisboa?
Quando chegara o tempo em que os interessados sao ouvidos?
Nao seria de mais utilidade repartir os servicos por toda a regiao, favorecendo principalmente os centros mais pequenos criando assim trabalhos e desenvolvimento, do que por exemplo concentar os servicos nas cidades ja em si meio/grandes, como Aveiro, Coimbra ou Viseu, que ja por si tem o maior desenvolvimento na nossa Beira?

quarta-feira, novembro 23, 2005

COMARCAS, CONCELHOS E FREGUESIAS II

Quem verificar o mapa do concelho de Fornos de Algodres, chega facilmente a conclusao que o meu (nosso) concelho geograficamente nao esta bem distribuido, e isto tem relacao ao antiquissimo passado historico em que estas "Terras de Algodres, anteriormente a 1836 (ano da reforma administrativa) eram, nao um mas seis concelhos independentes uns dos outros: Algodres com 9 fregusias o mais importante e Matanca, Fornos, Figueiro da Granja, Casal do Monte e Infias cada um com uma so freguesia. Ora quando nessa reforma administrativa o Governo decidiu extinguir cinco destes concelhos, fe-lo contra toda a logica historica, geografica e de importancia, ao centralizar o novo concelho com sede em Fornos que passou a intitular-se "de Algodres". Ficou a partir dessa data a sede concelhia numa ponta do referido e unificado concelho, pois para comodidade dos cidadaos nunca fez muito sentido esta decisao, o facto e que uns poucos anos mais tarde e ainda no seculo XIX foi decidido que as reunioes camararias passariam a realizar-se em Vila Cha por ser a freguesia mais central, nao sei quanto tempo isso aconteceu, mas creio que foi unicamente durante as varias presidencias de Antonio Pedroso, que possuia solar naquela aldeia.

Passados alguns anos quando foi instituida a primeira comarca na vila de Fornos: 18 de Novembro de 1875, foi decidido e bem que a mesma para alem das freguesias do concelho passaria tambem a encorporar as freguesias de: Vila Franca da Serra e Cabra (Ribamondego) do concelho de Gouveia, Antas e Mareco do de Penalva do Castelo e S. Joao da Fresta, Chas de Tavares, Varzea de Tavares e Travanca de Tavares do concelho de Mangualde. E como ainda havia outras freguesias que, de Fornos ficavam muitissimo mais perto em 1879 foram-lhe incorporadas as freguesias de Juncais e Vila Ruiva. Por estas decisoes chegamos a conclusao que os legisladores daquela altura tinham muito mais sentido comum na defeza dos interesses das populacoes que serviam. Esta mesma Comarca foi extinta em 1895, mas devido a varias accoes de protesto foi novamente restaurada em 1898 e assim se manteve ate que em 1926 durante o governo da ditadura foi novamente extinta, tendo sido em 1931 criado um julgado municipal.

Quando em Maio de 1980 foi restaurada a Comarca de Fornos de Algodres ficaram unicamente a pertencer-lhe as freguesias do concelho, nao souberam nessa altura os politicos acautelar os interresses das populacoes pois nao faz nenhum sentido que freguesias tao proximas de Fornos como: Mesquitela, Carrapichana, Vila Cortez da Serra, Vila Franca da Serra, Ribamondego, Varzea de Tavares, S. Joao da Fresta, Antas e Matela, tenham que deslocar-se muitissimo mais longe quando poderiam deslocar-se a Fornos de Algodres ali tao perto.

Quanto a Mesquitela e Carrapichana e porque o concelho e comarca de Celorico nao e muito grande nem populoso ainda se poderia por alguma objecao, mas quanto as outras que pertencem as Comarcas de Gouveia e Mangualde, para alem de ser benefico para as populacoes pela proximidade, ate ajudava a que essas comarcas fossem mais eficientes pois passariam a ter menos processos e accoes a desenvolver. E ate quanto a Celorico da Beira a perca destas freguesias poderia e deveria ser colmatada com freguesias do concelho da Guarda o maior do Distrito o que por sua vez aliviaria tambem os seus tribunais.

Mas isto seria uma decisao para alguem, em quem, o bom senso estivesse acima dos interesses de alguns e dos talvez lobis, onde o que conta sao os votos eleitorais e nao o interesse das povo que dizem servir. Nem que para isso tenham que sacrificar as terras que desde a muito o tem sido.

sexta-feira, novembro 18, 2005

EXTINCAO DE COMARCAS, CONCELHOS E FREGUESIAS I

Quando iniciei este blog, propus-me escrever sobre a historia, focando uma area nunca por outros explorada: A presenca Hebraica nas nossas "Terras de Algodres" (concelho de Fornos de Algodres), no entanto de quando em vez apetece-me referir outros temas embora sempre envolvendo a minha (nossa) regiao.

Muito se tem falado ultimamente sobre as extincoes de comarcas, concelhos e freguesias, compreende-se por uma questao de economia, que este tema venha e va ser posto em cima da mesa politica, no entanto eu queria deixar algumas consideracoes: Nao consigo compreender como se vai extinguir por exemplo a comarca de Fornos de Algodres, passados que sao, cerca de meia duzia de anos da construcao de um novo edificio do tribunal judicial desta comarca, sera que os senhores politicos nao souberam fazer contas nessa altura e, ver que nao era rentavel este tribunal nessa altura tao recente? Ou sera que o que e importante e o dinheiro e, a comodidade dos cidadaos ja nao conta para nada. Sera que o salario da meia duzia de funcionarios, (pois o juiz tanto quanto sei ja e comum a outra comarca) e que vai resolver o nosso problema orcamental?

Em meu ver nao e centralizando ainda mais, o ja muito centralizado estado e justica que se vai fazer com que as nossas terras, andem para a frente, mas sim ajudando as nossas gentes com projectos geradores de riqueza e criacao de trabalhos que fara com que, como ja noutras entradas afirmei, que a nova auto estrada, traga gente e investidores e, nao sirva para que mais rapidamente os meus (nossos) conterraneos, abandonem a terra que os viu nascer.

Deste humilde blog, quero tentar pelo menos contribuir para que se nao cometam, estes atropelos a nossa cidadania e a nossa terra, peco a todos que me ajudem nesta luta que considero justa.
BEM HAJAM DESDE JA.

segunda-feira, novembro 14, 2005

CAPELA DO SOLAR DE "PEDROSO"


Esta capela pertence ao solar da familia Pedroso, da freguesia de Vila Cha de Algodres. Tera sido construido onde existiu uma "villae" agricola romana, e, nela viveu em 1687: Jose Inacio de Almeida Soveral que casou com D. Mariana Joaquina Pedroso da Costa e Magalhaes, foram eles quem formou a familia Pedroso nesta aldeia. Um dos mais importantes fidalgos desta casa foi: Antonio Pedroso de Sousa Coutinho Castelo Branco, cavaleiro da Torre e Espada e um dos melhores presidentes do novel concelho de Fornos de Algodres, em meados do seculo XIX.

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE II

Continuando a falar sobre Vila Ruiva, vou cometer um sacrilegio (ou nao), ao sugerir contra todas as abalizadas, mas nao comprovadas opinioes, o seguinte: A necropole de sepulturas escavadas na rocha da Tapada do Anjo, (ou Arcanjo Gabriel) nao e uma necropole crista, mas sim um cemiterio judaico!

Dir-me-ao os entendidos que e de cristaos, e, a prova e a capela do Arcanjo Gabriel se encontrar junto dela, isso em meu ver nao prova nada, e, nem a orientao canonica o comprova, pois isso nao se verifica na maioria delas. A capela foi construida no seculo xx, e, as supostas ruinas de outra mais antiga, nunca dataram do seculo VII, alturas de quando datam as sepulturas mais antigas, de acordo com os mesmos especialistas.

Esta minha suposicao baseia-se nos seguintes factos:

I - Este tipo de sepultura nao era regra de enterramento na alta idade media, e, era um tipo de inumacao excepcional pelo dispendioso da sua construcao.

II - Nesses tempos para alem dos senhores feudais ou da classe eclesiastica, so os judeus teriam meios para costear este tipo de sepultura. O resto da populacao era sepultado na terra, por ser mais facil e barato.

III - Os senhores e os clerigos eram nesses tempos enterrados dentro e junto as igrejas e conventos, (vejamos o caso da necropole de Algodres a necropole crista mais antiga no nosso concelho).

IV - Tendo no sitio existido uma capela, mais antiga do que a actual o que parece comprovado, ela tera sido construida muito mais tarde, creio que no seculo xvi, com o intuito de sacralizar o lugar, algo bem comum por parte da igreja catolica por essas alturas de "purificacao" da fe.

V - Para finalizar quero informar os menos conhecedores, que o Arcanjo Gabriel era tambem venerado pelos judeus, e, ate pelos mussulmanos, aparecendo varias vezes mencionado tanto no antigo testamento, como no corao. Pelo que quando a igreja catolica construiu a antiga capela, se tera baseado nalguma lenda ou tradicao existente entre o povo, e, que tera sido herdada da gente hebraica.

A comprovar-se esta minha teoria, teriamos pois que em Vila Ruiva da Serra tera vivido uma prospera e numerosa comunidade judaica durante a alta idade media.

sábado, novembro 05, 2005

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE I

Tal como o seu nome parece indicar, Vila Ruiva deve ter herdado o nome de alguma "villae" agricola fundada pelos romanos, que tera sido pertenca de algum "Ruy" ou "Ruyvo" e dai o seu nome. Esta e tambem a opiniao do monsenhor Pinheiro Marques na monografia: "Terras de Algodres". O complemento "da Serra" e para a identificar em relacao a povoacoes com nome semelhante, no entanto nem faz muito sentido, porque na realidade ainda nao se encontra localizada na serra da Estrela, mas sim no planalto entre o rio Mondego e a vertente norte da mesma serra.

Do tempo da romanizacao ainda hoje existem varios testemunhos e vestigios; o referido monsenhor alude a existencia de uma pedra ou marco que ja em 1938 se encontrava partido, no qual se encontravam gravados simbolos ou letras, seria provavelmente um marco miliario e pertenceria, a uma estrada que aqui passava vindo da Ponte Nova, ou da dos "Juncaens" ambas pontes romanas destruidas aquando da terceira invasao francesa. Esta estrada dirigia-se para a serra provavelmente para Linhares e atravessava a necropole de sepulturas escavadas na rocha, hoje encontra-se soterrada. Junto desta via encontrava-se uma lapide romana, afirmava "Pinheiro Marques"; de acordo com informacoes populares. Presentemente nao sei onde se encontram esses vestigios, pelo que se alguem souber gostaria de puder contar com essa informacao.

Esta freguesia esteve desde a sua fundacao, incluida no termo do concelho de Linhares, a quem D. Afonso Henriques concedeu foral em 1169. No ano de 1855 com a extincao deste concelho, passou para o de Gouveia, de onde foi desmenbrada por decreto de 13 de Janeiro de 1898 passando nessa altura para o actual concelho de Fornos de Algodres. Pouco mais sei sobre a historia desta terra, para alem do facto de que durante a terceira invasao francesa, (1810-1811) a sua passagem cometeram estas tropas toda a sorte de crimes, roubos e destruicoes, entre a quais a da tribuna do altar mor da igreja de Na. Sa. da Graca.

Como e correntemente sabido, os judeus existem na peninsula Iberica desde pelo menos do tempo das feitorias dos gregos e cartagineses, o que nao e de admirar pois sempre foram um povo de mercadores, no entanto foi com os romanos que mais se espalharam por todo o imperio, principalmente depois da destruicao de Jerusalem no ano 70 da nossa era. Nao tenho para alem de suposicoes, nenhuns dados concrectos sobre a presenca judaica nesta freguesia, tampouco tenho conhecimento de nenhuma casa marcada com simbolos de cristaos-novos (caso algum leitor tenha conhecimento gostaria de ter o seu comentario). Mas tendo havido uma prospera e vigorosa judiaria em Linhares, nao seria de estranhar que tivesse havido judeus nas freguesias pertencentes e por conseguinte tambem em Vila Ruiva, pois pela sua localizacao junto a uma via romana, faria todo o sentido a sua existencia

quinta-feira, novembro 03, 2005

QUINTAS das "PARADEIRAS" e do "PARREXIL"

Quando nas primeiras entradas neste blog, me referi a estas quintas, a primeira mais tarde chamada do "Mateus" e a segunda do "Metildes", passou-me ao largo o facto das mesmas estarem a data da fundacao, (entre 1525 e 1657) dentro da area do dizimatorio da igreja de Algodres, para alem do facto de se encontrarem dentro do termo do antigo couto e concelho de Figueiro da Granja.

As demarcacoes civis e religiosas quase nunca sao concordantes, pelo facto da divisao religiosa ser muitissimo mais antiga, neste caso e resultante de que quando em 1170, foi demarcado o couto por D.Afonso Henriques, em favor do mosteiro cistercience de Tarouca, a area dele ja estava repartida, pela igreja de Sao Miguel de Fornos e pela de Sancta Maria de Algodres.

Quando mais tarde, creio que no seculo XIII ou XIV se fundou a igreja de Figueiro com uma area da paroquia de Fornos, continuou a respeitar-se a linha do dizimatorio com Algodres, que passava na zona da "Campaboa",(ainda hoje marcada nuns penedos) e so a partir do seculo XVII e que a area da igreja de Na. Sa. de Figueiro passou a incluir todo o termo do seu concelho.

Isto vem confirmar mais ainda, que estas quintas foram fundadas, por gente que queria isular-se em relacao a igreja correspondente, neste caso seria a de Algodres e nao a de Figueiro como eu supunha inicialmente, portanto ainda mais distante e de mais dificil acesso.

Ao mesmo tempo ai encontro a explicacao pela qual a minha familia Almeida (Pratas) ainda hoje tem parentes em Algodres. Quanto ao ramo Metildes/Cardoso que mais tarde passou a residir em Vila Cha de Algodres estava aparentada com gente de Cortico de Algodres, tanto uma como outra, freguesias pertencentes aquele antiquissimo concelho e ambas sufraganeas da igreja de Santa Maria de Algodres.

Para terminar quero tambem lembrar que na freguesia de Cortico ainda no seculo XVIII foi investigada a familia Magalhaes, pela duvida de que teria sangue judio, o que por si so prova que ai viveu gente de fe Hebraica.