segunda-feira, novembro 14, 2005

CAPELA DO SOLAR DE "PEDROSO"


Esta capela pertence ao solar da familia Pedroso, da freguesia de Vila Cha de Algodres. Tera sido construido onde existiu uma "villae" agricola romana, e, nela viveu em 1687: Jose Inacio de Almeida Soveral que casou com D. Mariana Joaquina Pedroso da Costa e Magalhaes, foram eles quem formou a familia Pedroso nesta aldeia. Um dos mais importantes fidalgos desta casa foi: Antonio Pedroso de Sousa Coutinho Castelo Branco, cavaleiro da Torre e Espada e um dos melhores presidentes do novel concelho de Fornos de Algodres, em meados do seculo XIX.

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE II

Continuando a falar sobre Vila Ruiva, vou cometer um sacrilegio (ou nao), ao sugerir contra todas as abalizadas, mas nao comprovadas opinioes, o seguinte: A necropole de sepulturas escavadas na rocha da Tapada do Anjo, (ou Arcanjo Gabriel) nao e uma necropole crista, mas sim um cemiterio judaico!

Dir-me-ao os entendidos que e de cristaos, e, a prova e a capela do Arcanjo Gabriel se encontrar junto dela, isso em meu ver nao prova nada, e, nem a orientao canonica o comprova, pois isso nao se verifica na maioria delas. A capela foi construida no seculo xx, e, as supostas ruinas de outra mais antiga, nunca dataram do seculo VII, alturas de quando datam as sepulturas mais antigas, de acordo com os mesmos especialistas.

Esta minha suposicao baseia-se nos seguintes factos:

I - Este tipo de sepultura nao era regra de enterramento na alta idade media, e, era um tipo de inumacao excepcional pelo dispendioso da sua construcao.

II - Nesses tempos para alem dos senhores feudais ou da classe eclesiastica, so os judeus teriam meios para costear este tipo de sepultura. O resto da populacao era sepultado na terra, por ser mais facil e barato.

III - Os senhores e os clerigos eram nesses tempos enterrados dentro e junto as igrejas e conventos, (vejamos o caso da necropole de Algodres a necropole crista mais antiga no nosso concelho).

IV - Tendo no sitio existido uma capela, mais antiga do que a actual o que parece comprovado, ela tera sido construida muito mais tarde, creio que no seculo xvi, com o intuito de sacralizar o lugar, algo bem comum por parte da igreja catolica por essas alturas de "purificacao" da fe.

V - Para finalizar quero informar os menos conhecedores, que o Arcanjo Gabriel era tambem venerado pelos judeus, e, ate pelos mussulmanos, aparecendo varias vezes mencionado tanto no antigo testamento, como no corao. Pelo que quando a igreja catolica construiu a antiga capela, se tera baseado nalguma lenda ou tradicao existente entre o povo, e, que tera sido herdada da gente hebraica.

A comprovar-se esta minha teoria, teriamos pois que em Vila Ruiva da Serra tera vivido uma prospera e numerosa comunidade judaica durante a alta idade media.

sábado, novembro 05, 2005

VILA RUIVA DA SERRA & A NECROPOLE I

Tal como o seu nome parece indicar, Vila Ruiva deve ter herdado o nome de alguma "villae" agricola fundada pelos romanos, que tera sido pertenca de algum "Ruy" ou "Ruyvo" e dai o seu nome. Esta e tambem a opiniao do monsenhor Pinheiro Marques na monografia: "Terras de Algodres". O complemento "da Serra" e para a identificar em relacao a povoacoes com nome semelhante, no entanto nem faz muito sentido, porque na realidade ainda nao se encontra localizada na serra da Estrela, mas sim no planalto entre o rio Mondego e a vertente norte da mesma serra.

Do tempo da romanizacao ainda hoje existem varios testemunhos e vestigios; o referido monsenhor alude a existencia de uma pedra ou marco que ja em 1938 se encontrava partido, no qual se encontravam gravados simbolos ou letras, seria provavelmente um marco miliario e pertenceria, a uma estrada que aqui passava vindo da Ponte Nova, ou da dos "Juncaens" ambas pontes romanas destruidas aquando da terceira invasao francesa. Esta estrada dirigia-se para a serra provavelmente para Linhares e atravessava a necropole de sepulturas escavadas na rocha, hoje encontra-se soterrada. Junto desta via encontrava-se uma lapide romana, afirmava "Pinheiro Marques"; de acordo com informacoes populares. Presentemente nao sei onde se encontram esses vestigios, pelo que se alguem souber gostaria de puder contar com essa informacao.

Esta freguesia esteve desde a sua fundacao, incluida no termo do concelho de Linhares, a quem D. Afonso Henriques concedeu foral em 1169. No ano de 1855 com a extincao deste concelho, passou para o de Gouveia, de onde foi desmenbrada por decreto de 13 de Janeiro de 1898 passando nessa altura para o actual concelho de Fornos de Algodres. Pouco mais sei sobre a historia desta terra, para alem do facto de que durante a terceira invasao francesa, (1810-1811) a sua passagem cometeram estas tropas toda a sorte de crimes, roubos e destruicoes, entre a quais a da tribuna do altar mor da igreja de Na. Sa. da Graca.

Como e correntemente sabido, os judeus existem na peninsula Iberica desde pelo menos do tempo das feitorias dos gregos e cartagineses, o que nao e de admirar pois sempre foram um povo de mercadores, no entanto foi com os romanos que mais se espalharam por todo o imperio, principalmente depois da destruicao de Jerusalem no ano 70 da nossa era. Nao tenho para alem de suposicoes, nenhuns dados concrectos sobre a presenca judaica nesta freguesia, tampouco tenho conhecimento de nenhuma casa marcada com simbolos de cristaos-novos (caso algum leitor tenha conhecimento gostaria de ter o seu comentario). Mas tendo havido uma prospera e vigorosa judiaria em Linhares, nao seria de estranhar que tivesse havido judeus nas freguesias pertencentes e por conseguinte tambem em Vila Ruiva, pois pela sua localizacao junto a uma via romana, faria todo o sentido a sua existencia

quinta-feira, novembro 03, 2005

QUINTAS das "PARADEIRAS" e do "PARREXIL"

Quando nas primeiras entradas neste blog, me referi a estas quintas, a primeira mais tarde chamada do "Mateus" e a segunda do "Metildes", passou-me ao largo o facto das mesmas estarem a data da fundacao, (entre 1525 e 1657) dentro da area do dizimatorio da igreja de Algodres, para alem do facto de se encontrarem dentro do termo do antigo couto e concelho de Figueiro da Granja.

As demarcacoes civis e religiosas quase nunca sao concordantes, pelo facto da divisao religiosa ser muitissimo mais antiga, neste caso e resultante de que quando em 1170, foi demarcado o couto por D.Afonso Henriques, em favor do mosteiro cistercience de Tarouca, a area dele ja estava repartida, pela igreja de Sao Miguel de Fornos e pela de Sancta Maria de Algodres.

Quando mais tarde, creio que no seculo XIII ou XIV se fundou a igreja de Figueiro com uma area da paroquia de Fornos, continuou a respeitar-se a linha do dizimatorio com Algodres, que passava na zona da "Campaboa",(ainda hoje marcada nuns penedos) e so a partir do seculo XVII e que a area da igreja de Na. Sa. de Figueiro passou a incluir todo o termo do seu concelho.

Isto vem confirmar mais ainda, que estas quintas foram fundadas, por gente que queria isular-se em relacao a igreja correspondente, neste caso seria a de Algodres e nao a de Figueiro como eu supunha inicialmente, portanto ainda mais distante e de mais dificil acesso.

Ao mesmo tempo ai encontro a explicacao pela qual a minha familia Almeida (Pratas) ainda hoje tem parentes em Algodres. Quanto ao ramo Metildes/Cardoso que mais tarde passou a residir em Vila Cha de Algodres estava aparentada com gente de Cortico de Algodres, tanto uma como outra, freguesias pertencentes aquele antiquissimo concelho e ambas sufraganeas da igreja de Santa Maria de Algodres.

Para terminar quero tambem lembrar que na freguesia de Cortico ainda no seculo XVIII foi investigada a familia Magalhaes, pela duvida de que teria sangue judio, o que por si so prova que ai viveu gente de fe Hebraica.

CORRECAO

Induzi em erro qualquer amigo que deseje consultar o blog do Francisco Jose Viegas, aqui vai o endereco correcto: http://origendasespecies.blogspot.com/ podem clicar nos meus links em ORIGENS. Desculpe Francisco.

terça-feira, novembro 01, 2005

BEM HAJAM

O meu sincero e bem beirao bem haja, ao ORIGENS DAS ESPECIES: http://origensdasespecies.blogspot.com, pela gentileza da divulgacao deste humilde blog. bem hajam.

domingo, outubro 30, 2005

CASAL DO MONTE - PELOURINHO


Este pelourinho da antiga vila de Casal do Monte, e um monumento que data do seculo XVI, e contituido por uma plataforma constituida por varios degraus, em que se encontra implantada uma coluna octagonal, rematada por pinaculo encimado por uma esfera armilar: simbolo do rei D. Manuel I,

TRADICOES JUDAICAS III

Continuando a falar de habitos alimentares, que as nossas gentes teram herdado dos judeus, vou hoje referi as ervas azedas.

Dentre essas ervas que o povo hebreu consumia, para lhes fazer lembrar as amarguras da escravatura no Egipto, podemos incluir os saborosos mas amargos grelos de nabo, muito populares entre o nosso povo, sempre regados com o saudavel azeite regional. (e que bom e o azeite da regiao de Algodres)

Estara tambem nesse grupo de tradicoes, o consumo muito em voga nas nossas terras do saboroso mas agrio esperregado, este confecionado nao so a partir de folhas de nabo, mas tambem de feijao verde, favas tenras e outros vegetais. Na sua preparacao usa-se tambem o azeite e o alho, alem do vinagre de vinho para lhe intruduzir a acidez.

sexta-feira, outubro 28, 2005

TRADICOES HEBRAICAS II

Na alimentacao do povo das "Terras de Algodres", tambem ainda hoje permanecem muitos habitos alimentares judaicos, que foram adoptados pelo resto da populacao. Neles estao incluidos o consumo da galinha e do capao: (galo capado), do cabrito e do borrego que com o bacalhau, ainda hoje contituem os principais pratos regionais.

Entre os cristaos no entanto, creio que principalmente a partir do seculo XV, generalizou-se o consumo do porco e seus derivados, o que entre os judeus era proibido.

A razao fundamental desta proibicao, que data dos templos biblicos, esta muito mais relacionada com a saude, do que com a religiao, Na realidade dentre os muitos regulamentos judaicos, estao os preceitos higienicos e alimentares, nos quais esta norma se inclui.

Ora sabendo hoje nos, que os suinos ainda com muito mais saude veterinaria, continuam a ser grandes propagadores de pragas e doencas, muito mais o seriam nesses tempos de antanho, pelo que essa proibicao faria todo o sentido.

SOVERAL OU SOBRAL (PICHORRO)

Quando em 5 de Outubro passado escrevi sobre o Sobral Pichorro, referi que o mais antigo documento conhecido, referindo esta aldeia, era o cadastro da populacao do reino de D. Joao III, do ano de 1525, embora tenha referido tambem que era muito mais antiga.

Entretanto tive conhecimento que esta terra ja aparece referencia, nas inquiricoes de D. Afonso III, no ano de 1258, nessa altura designava-se: "Soveral" e era uma aldeia pertencente a igreja de "Sancta Maria d'Alguodres", Estava portanto certo quanto a antiguidade.

Esta era a razao pelo qual ainda no seculo XVIII, cada morador desta freguesia, tinha que vir em voto e que oferecer um frango, ao vigario da matriz de Algodres, em dia de Santa Maria (Maior), no dia 15 de Agosto.

E de crer portanto que a capela de Santo Cristo, que e o mais antigo templo desta freguesia, date pelo menos do seculo XIII, embora como ja referi, tenha adicoes na frontaria doutras epocas, principalmente da epoca jesuitica, O seu Portal e romanico e o seu interior com aboboda com cruzaria ogival de tres naves tambem.

quarta-feira, outubro 26, 2005

SOBRAL PICHORRO


Capela de Santo Cristo

CAPELA DE SANTO CRISTO - SOBRAL PICHORRO

Esta e a fotografia da Capela de Santo Cristo, ou Senhora do Pe da Cruz,e monumento nacional e fica na freguesia de Sobral Pichorro, concelho de Fornos de Algodres. Como noutra entrada escrevi e uma capela Romano-Gotica que deve datar do seculo XIII ou XIV.

TRADICOES HEBRAICAS I

Dentre os varios habitos e tradicoes, que grande parte das nossas gentes herdou dos judeus, esta a forma em como eram (e ainda sao nalguns casos) varridas as nossas casas. Pois nunca se varria de dentro para fora, mas sim da porta para dentro, nao sei qual e o significado, mas um senhor que eu conheci na minha juventude dizia: " E para nao varer para fora o dinheiro". Esse lixo era entao varrido para as lareiras, que na nossa regiao eram ao mesmo nivel do resto do piso, sendo entao nelas queimado.

segunda-feira, outubro 24, 2005

INFIAS - IGREJA DE SAO PEDRO


A igreja de S. Pedro de Infias, data pelo menos do seculo XIV, no entanto este templo e muito mais recente e da construcao original pouco ou nada resta. A fachada que aparece na foto datara do seculo XVI no entanto a torre sineira ou campanario geminado e dos meados do seculo XIX, pois o anterior era de um so sino.
No lado oposto ao campanio encontra-se uma pedra com uma pequena lapide romana, dedicada ao deus "MERCURIO"

INFIAS - COLUNA ROMANA


Esta base de coluna romana, foi encontrada no centro da antiga vila de Infias, muito perto da praca onde se ergue o pelourinho. Estava no subsolo de um patio de uma casa, que embora tenha uma data do seculo XIX eu suponho ser muito mais antiga.

sexta-feira, outubro 21, 2005

ENFIAENS, INFIDELAS, OU INFIAS


A hoje freguesia de Infias foi uma vila e concelho, desde data incerta mas pelo menos desde principios do seculo XVI e ate 1836, data desde a qual foi incorporada no concelho de Fornos de Algodres. E uma muito antiga povoacao habitada pelo menos desde o seculo XIII, pois ja em 1248 ha referencias a: "Goncalvvs Menendi", "Petrus Pelagii" e "Diago Martini" seus habitantes, no entanto por essas alturas nao era ainda concelho, desconhecendo-se se estaria incluida no termo de Algodres ou no de Fornos. O que se sabe e que nunca possuiu carta de foral e sempre se regeu pelos forais do concelho de Algodres.

O povoamento nesta freguesia datara pelo menos do Calcolitico, datando desse tempo embora ainda nao escavados, vestigios no monte da Raza. Relativamente perto tambem embora ja no termo de Algodres, existem vestigios arqueologicos ja de certa forma documentados da epoca do Neolitico, na quinta da Assentada.

Foi no entanto durante a Romanizacao e depois do abandono do castro da Raza, ja na planura que tera tido bastante desenvolvimento, havendo quem afirme que aqui existiu uma "civitas" ou "villae" romana. Tem sido encontrados (embora sem nunca se ter feito nenhuma escavacao a serio) varios vestigios: moedas de varios imperadores, partes e capiteis de colunas, pedras de moer, lapides, etc.. Tambem e certo aqui se terem cruzado ou bifurcado duas estradas romanas: uma que de Viseu se dirigia a Egitanea por "Linhares" e outra da referida cidade que ia a Merida por "Trancoso". Ha tambem vestigios desse tempo nas Porviegas e na quinta do Godinho.

A darmos credito ao padre Luiz de Lemos (LEMOS edm s/d) a origem do toponimo "Infias" derivaria da palavra latina: Infidelas que com o tempo tera perdido as consoantes "d" dando Infielas e o "l" resultando: Infieas que depois tera evoluido para Infias, e muito provavel que tenha razao, mas certo e que em 1525 no cadastro da populacao do reino mandado realizar por D. Joao III era referida como vila e concelho com o nome de "Emfiaens". Ambas as palavras tem o mesmo significado, e designam um grupo de infieis ou pessoas nao convertidas. Esta designacao ter-lhe-a sido dada pelos cristaos e estes infieis tanto poderiam ter sido mussulnamos, judeus ou qualquer outra religiao que nao a crista.

O mesmo padre Luiz afirma tambem que a igreja de S. Pedro data da epoca romana e sera dos primeiros tempos do cristianismo, afirmando que era costume nesses tempos dedicar a S. Pedro as igrejas situadas junto cruzamentos de estradas romanas. Pode muito bem ser que tenha razao, no entanto o documento mais antigo conhecido em que aparece mencionada esta igreja data de 1320, em que no reinado de D. Dinis foi taxada para a guerra com os mouros em 10 libras. Dai somos levados a concluir que ja existia antes dessa data, mas nao creio que date da epoca romana. Havendo na fachada desta igreja uma pequena lapide votiva do deus Mercurio, ha quem afirme tambem que este templo foi erguido no sitio em que tera havido outro aquele deus romano, nao existem nenhumas evidencias que o confirmem e o mais provavel e que essa lapide tera existido junto a estrada romana (Mercurio era o patrono dos viajantes) e para construcao da igreja tera sido aproveitada, no entanto nunca se podera descartar totalmente a primeira hipotese.

Pelas evidencias apontadas as origens do toponimo "Infias" que sera pos-romano, tem a ver com o facto desta povocao originalmente ter sido formada por gente que nao professava a fe crista. Se eram judeus ou mouros ou de outra religiao nao sabemos, mas devido ao facto de se situar junto a estradas romanas bem poderiam ter sido judeus (eles ja existem na peninsula Iberica desde pelo menos o seculo VI) e como eles eram maioritaramente artezaos, mercadores e tax colectores, faria todo o sentido que residissem junto a boas vias de comunicacao. De outras religioes nao existem nenhumas evidencias e mussulmanos tambem nao creio que fossem pela simples razao de que esta regiao era muito mais uma regiao de fronteira e nao se conhecem nenhuns vestigios de povoamento por eles organizado.

segunda-feira, outubro 17, 2005

OS LATOEIROS


A latoaria e o fabrico de objectos de uso geralmente domestico em metal de folha de Flandres ou chapa zincada, pelo nosso povo identificada por "lata". Estes artigos: Cantaros, regadores, baldes ou outros mais pequenos como canecas, medidas, almotolias, funis, etc; embora ja hoje destronados devido ao uso generalizado do plastico, foi ate a relativamente pouco tempo uma actividade com bastantes artezaos no nosso concelho, principalmente na vila de Fornos e nas freguesias de Juncais, Figueiro da Granja e creio que tambem na Matanca.

Ligada tambem a pastoricia e ao fabrico do queijo "da Serra" tambem se confecionavam objectos ligados a essas areas como: a candeia do pastor, a ferrada para a ordenha e transporte do leite, a francela (outrora feita em madeira) e os acinchos para a confeccao dos queijos.

Nao havia feira nenhuma nesta regiao, em que nao se negociassem estes metalicos artigos e ainda hoje muitas vezes so para artezanato e decoracao ainda se podem comprar nas poucas feiras que ainde se realizam.

Em tempos ainda nao muito recuados para alem das oficinas de latoeiro, normalmente no res-do-chao das suas residencias (uso muito comum entre os judeus) ainda em especificos dias se deslocavam as outras aldeias, onde nao havia este tipo de artezaos, para junto dos necessitados repararem alguns objectos que entretanto se tinham rompido, normalmente: cantaros, regadores e baldes. Eu ainda em crianca presenciei este tipo de consertos e cenas como esta ficaram gravadas na minha memoria, sendo para os meus olhos de crianca como um milagre a forma como os latoeiros derretiam a solda nessas reparacoes. (reciclagenm em accao ja nesses tempos)

Para alem dos artigos referidos eram tambem os latoeiros, que noutras localidades eram identificados por "picheleiros" quem fabricava tambem as caleiras e algeroses para as habitacoes e bem assim os "canecos" das noras, muito usadas ainda em tempos nao muito distantes, mas que as ultimas 2 ou 3 geracoes ja nao conheceram, mas que antes do advento das bombas com motores a gasolina e gasoleo e ultimamente electricas, eram juntamente com os "picancos" e "cabacos" (outro uso de materiais em "lata") a maneira como se extraia dos pocos e nascentes a agua que outrora tornava as nossas leiras e quintas uns jardins, em que se produzia praticamente tudo para alimentacao nas nossas gentes.

Pelo que referi estes artezaos eram essenciais ao bom funcionamento das varias areas em que baseava a vida e a economia destas areas rurais nas quais se integravam as nossas "Terras de Algodres". Nao sei desde quando se comecou a desenvolver esta arte da latoria, mas e muito antiga. Tampouco conheco quem a tera introduzido na nossa regiao, o que sei e que foi praticada pelos judeus e nem me admiraria que os nossos antigos "latoeiros", fossem descendentes de "cristaos-novos" ou deles tivessem aprendido esta profissao.

Da mesma maneira que o fiz com os "tamanqueiros" quero neste apontamento prestar a minha homenagem aos "latoeiros" pelo seu contributo ao antigo progresso da nossa terra e saudar ou poucos que ainda existem, pela sua perseveranca pois nestes tempos poucos ou nenhums lhe seguiram as pisadas, e creiam que e pena.

quarta-feira, outubro 12, 2005

YOM KIPPUR (DIA DO PERDAO)

Celebra hoje dia 12 de outubro de 2005 (5766) toda a comunidade judaica o Yom Kippur (dia em que os judeus pedem perdao pelas ofensas a D-us durante o ano passado), embora os meus poucos leitores possam nao ser judeus, nao quiz deixar passar esta data sem a assinalar neste blog. Creio que nada perdemos em aprender algo. SHALLON

segunda-feira, outubro 10, 2005

BEM HAJA

O amigo Eduardo teve a gentileza de divulgar: JUDEUS EM TERRAS DE ALGODRES, no seu blog: BLOGUICES http://edynet.blogspot.com o meu sincero e bem beirao BEM HAJA.

domingo, outubro 09, 2005

SOBRAL PICHORRO & ARCOS ROMANO-GOTICOS II

Creio que teram sido pertenca de judeus as casas situadas na rua principal de Sobral Pichorro, cuja entrada para o patio comum e franqueada por um arco gotico medieval, que por si so denota antiguidade. Na frontaria do referido arco foi colocado um escudo em que se encontra esculpida em relevo uma cruz latina.

Estas casas e arco suponho datarem da baixa idade media, (talvez do seculo XIII ou XIV) pela sua rusticidade creio que nao tenham sido de nenhuma familia nobre, alem disso nao conheco nenhuma familia cuja pedra de armas seja semelhante a este escudo com uma cruz. Alem disso comtemporanea a construcao destas casas, nao era ainda usual entre a nobreza as pedras de armas, pois esse habito so passou a ser comum a partir do seculo XVI.

Casas com este tipo de entrada tem todo o tipo de casas de artezao ou de comerciante e dao aspecto de que teriam sido de pessoa com alguma riqueza. Embora sem o afirmar nao creio que este brasao seja comtemporaneo da construcao do arco e devera ter ai sido colocado mais tarde, suponho que pelos fins do seculo XVI. Foi por essas alturas que os cristaos-novos (antigos judeus) comecaram a ser perseguidos. Assim e sendo os proprietarios dessas casas pessoas importantes e ricas, poderam ufanar-se da sua nova fe com esta pedra de armas, que por si so nao deixaria a menor duvida nem ao mais exigente inquisidor.

Sabe-se tambem que entre outras esta foi uma das maneiras usadas pelos antigos judeus para iludir os padres e seus informadores, depois de terem sido obrigados pelas circunstancias a professar uma fe que nao era a deles, embora muitos somente o fizeram exteriormente.

Uma outra razao que tera originado a construcao deste arco de entrada, tera sido o facto de que antes do edito de expulsao, os judeus embora nao perseguidos e muitas vezes ate protejidos pelos nossos reis, tinham o dever de encerrar as judiarias desde o por ao nascer do sol. Ora sendo esta povoacao pequena nao haveria aqui nenhuma judiaria ou comuna, mas unicamente algumas poucas familias que professavam a fe de Moises. Residiriam entao nestas casas e este arco de entrada era a forma de se isularem do resto da populacao, sendo a porta nele colocada encerrada ao por do sol para cumprir as leis vigentes.

Devido a todas estas evidencias eu concluo que estas construcoes sao anteriores ao seculo XV e teram sido habitadas por judeus.