
De acordo com o foral de D. Sancho I, concedido ao concelho de Penaverde, ja nessa altura (principio do seculo XIII) o Casal do Monte era uma herdade da Ordem Hospitalaria, esta mesma ordem devera ter-lhe concedido o primeiro foral anos mais tarde para promover o seu povoamento. Ha quem afirme que foi o prior do convento de Moreira em 1235 quem lhe concedeu o primeiro foral, no entanto creio que devera haver alguma confusao, porque essa carta a que se referem foi concedida a Queiriz que era ja nesse tempo a paroquia que englobava o Casal do Monte, no entanto sendo este propriedade dos Hospitalarios nunca esteve subordinado aquele convento.
No seculo XVI o rei D. Manuel I ter-lhe-a concedido foral novo em data hoje incerta, mas o seu pelourinho estilo manuelino a essa conclusao nos leva. Embora vila e concelho nunca constituiu paroquia e sempre esteve dentro da circunscricao paroquial de Queiriz. Desde o seculo XIII pertencia ao termo do julgado de Penaverde, mas ja em 1724 pertencia ao julgado de Trancoso.
Quando das reformas administrativas de 1836, entre os muitos concelhos extintos esteve tambem Casal do Monte, sendo conjuntamente com a freguesia de Queiriz englobado no Concelho de Fornos de Algodres, e como ja pertencia aquela paroquia foi a partir dessa data incluido naquela freguesia, tendo perdido entao toda a sua autonomia civil.
Depois desta pequena intruducao, quero referir-me as evidencias da presenca judaica neste pequeno mas muito antigo concelho, nao sabemos quanto numerosa tera sido a comunidade Hebraica, mas sabe-se que existiu e ainda hoje ha varios vestigios da sua presenca, em varias casas que foram mais tarde de "cristaos-novos". Situando-se relativamente perto de Trancoso que teve uma das mais numerosas e importantes comunidades judaicas da nossa Beira, nao e de estranhar a sua presenca deste povo no Casal do Monte.
O facto de nunca desde a epoca medieval, ter constituido sede paroquial, sabendo-se que outras povoacoes muito menos numerosas o foram, (ex. Vila Cha, 1525 =15 fogos) pode levar-nos a conclusao de que a maioria dos habitantes desta antiga vila nao era crista, seriam de religiao judaica, pelo que nao haveria incentivo para que esta vila tivesse constituido a sua propria paroquia, e os cristaos aqui residentes eram assistidos na igreja de Sta. Agueda em Queiriz.




